Procuro em Amor que ainda Nao Encontrei
Estava caminhando
e logo foi se formando
um forte temporal,
quando, repentinamente, a encontrei
de uma forma surreal,
ela estava parada
com um vestido vinho
colado no corpo
por causa da chuva,
estava com aquele olhar expressivo observando-me,
apesar de ter sido surpreendido,
não percebi nenhum mal,
não senti-me em perigo,
e rapidamente,
teve toda a minha atenção,
portanto, fui em sua direção
e quando estávamos
um diante do outro,
um som muito audível,
forte e sincero de um violino
foi nos envolvendo,
num momento que nem
cheguei a imaginar,
curiosamente, peguei a sua mão
e começamos a dançar intensamente,
não parecíamos mais dois estranhos,
dançamos concentradamente,
enquanto o mundo estava desabando
até que aquela melodia parou,
depois, próximo a nós,
um raio caiu, causando um grande clarão,
ela sumiu, a tempestade passou,
fiquei sem explicação,
mas minha mente a guardou.
Nas páginas de um livro, encontrei uma "Sacudidora de Palavras", uma das formas que foi descrita, muito corajosa, impaciente, amorosa, resiliente, atrevida, persistente, uma vida que teve a admiração da morte, o medo não a deteve, nem o seu sofrimento, justificadamente, apaixonante com sua personalidade forte em um contínuo renascimento.
Descobriu o grande poder e as faces que as palavras possuem, espadas que defendem e que atacam, sangra e faz sarar, desabafo da alma, fala o que coração está sentindo, por isso que precisam ser usadas com muita prudência pois até a sua omissão às vezes é sensata, no momento certo, são uma bênção, sejam ouvidas, apreciadas, lidas ou faladas.
Não sou a pessoa mais prudente, entretanto, nos meus versos, existe uma certa coerência, alguns acertos, que trazem conforto em momentos de tristezas, deixam ânimos avivados, tocam a alma, trechos com significados, portanto, penso que talvez eu também seja um "Sacudidor de Palavras", uma conclusão suspeita que aparenta ser adequada.
Admiro a formosura
de uma imagem singela
como aquela que encontrei
numa manhã chuvosa
com as gotas da chuva
sobreas pétalas
de uma pequena e graciosa
flor amarela.
Um dia eu fui pescar
Na praia de Maruda
Encontrei um caranguejo
Que tocava um realejo
O siri todo gabola
Dedilhava uma viola
Uma tartaruga sapeca
Vinha tocando rabeca
Convidando a dona raia
Para vim sambar na praia
Os peixinhos do mar
Vem para areia sambar (bis)
Em uma das minhas aventuras,
encontrei uma misteriosa caverna
Mesmo sem saber se era segura,
quis descobrir o que havia dentro dela,
Ao adentrar, dois corredores pude encontrar,
Pensei "Qual será a melhor direção?", mas tomei uma decisão e por um deles comecei a caminhar
Até chegar num lugar sombrio,
comecei a sentir um grande vazio,
Depois, por uma angústia fui envolvido, senti-me sem rumo, perdido,
Quando as forças estavam acabando,
vi passando uma Luz de Esperança mostrando
A fuga da minha dor, do meu desespero,
era o acesso para o outro corredor,
Logo caminhava novamente
e ao final entrei num lugar totalmente diferente,
Muito belo, senti um alívio,
retirou minha agonia, meu cansaço,
trouxe de volta minha alegria, meu entusiasmo,
Lá, desfrutei de alguns instantes tão satisfatórios
Que o tempo parecia não passar,
até gostaria de ficar,
Entretanto, já tinha chegado
a hora de ir embora,
Segui para saída e só então percebi
que tinha uma mensagem na entrada escrita
"Cuidado com as Lembranças
As sensatas Renovam,
As insensatas Aprisionam".
Andando pelas ruas do Éden te encontrei.
Sorriso largo no rosto eu registrei
No esboço satisfeito sussurrei
Bermuda branca anunciando a paz
Seu semblante tranquilo se faz
Ah! Você está bem.
Entre murmúrios hem
E conversas do bem
Nos despedimos meu bem
Lá no lar do Éden eu te vi
Saudade de você meu bem-te-vi.
Sou o milagre que um dia migrou em ti, mas agora preciso partir, pois nada de novo encontrei, apenas novas barreiras, cada vez maiores. Sombras escuras tornaram-se suas únicas companheiras. Quando digo que não és o senhor de mim, acredito que você entende o que quero dizer. Sua boca sorri, mas seus olhos me leem erroneamente, como sempre. Vives como um santo, mas sem aprender nada! Habito no esterco deste amor e, às vezes, penso que não vale a pena. Mas quando o bem chega, tudo vale, tudo impera, tudo brilha e me inspira. Olhando para trás, vejo mil estrelas brilhando intensamente—era o que eu enxergava em seus olhos. Tudo foi bom, e caminhei anos-luz sob o brilho desse sentimento, mas o apagão destruiu a ponte que nos unia. Então, beba a mídia, se isso o faz sentir-se melhor.
MINHA RIQUEZA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Caminhava para o ponto do ônibus, quando encontrei o Professor Rogério Lopes. Ele saía de uma loja de rações, e carregava nos ombros um saco de trinta quilos. Olhou fixo para mim, pediu que aguardasse um momento e pôs o peso no chão. Feito isto, abriu aquele sorriso largo, me deu um abraço de quebrar os ossos, um beijo no rosto, e disse bem alto:
- Cara! Que alegria ver você! Faz tanto tempo! Ainda bem que sempre o vejo na internet! Leio tudo que você escreve! Não perco nem um texto seu! Obrigado por tantas coisas maravilhosas!
Não conversamos por muito tempo, mas foi um momento especial para mim. Não é todos os dias que nos deparamos na rua, com alguém tão disposto a nos cumprimentar, e com tanta efusividade, alegria sincera e calor humano, mesmo estando com tanta pressa. Também é muito simbólico ver uma pessoa se despojar de seus pesos, desocupar os braços, as mãos e os ombros, para ter o prazer e a liberdade de abraçar um amigo e lhe dizer palavras amáveis.
O Rogério é, de fato, leitor constante de meus textos. A cada vez que publico algo em rede social percebo sua leitura, sua presença, e leio seus comentários ponderados; coerentes; dentro do contexto.
São várias as pessoas que me privilegiam com suas leituras, e às vezes os comentários, mesmo sabedoras de que minhas vindas ao computador são sempre ligeiras e limitadas às postagens e autopromoções como escritor e fotógrafo. Isso resulta poucas retribuições expressas, de minha parte, podendo até me deixar marcado como alguém esnobe ou antipático.
No dia a dia, são muitos os curiosos que me perguntam sobre quanto ganho, em dinheiro, como escritor. Ganho pouco dinheiro. Se não tivesse o meu emprego de arte-educador, pelo qual também não recebo grandes quantias, e alguns trabalhos como fotógrafo de vaidades pessoais e autoestima, passaria por privações com o que angario por escrever, lançar livros e permitir a utilização de meus textos em veículos diversos.
A grande riqueza, riqueza mesmo, que não enche barriga e bolso, como tantos dizem, mas enche minh´alma e meu coração de alegria e desejo de viver, viver muito, para também escrever muito, é tão somente a existência de amigos e leitores sinceros, que me pagam com carinho. Com admiração verdadeira. Com respeito. Com palavras sinceras e a certeza que me fazem ter, de que meus escritos fazem efeito em suas vidas.
O QUE A VIDA ME DEU
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Encontrei meu lugar, é jamais tê-lo
entre a sombra dos anos que se vão,
sob gelo, silêncio e nostalgias
ou saudades de chãos que nem pisei...
É jogar a minh´alma em cada corpo
que prometa o remédio pra carência;
cada forma de olhar na qual me aqueça
ou encontre dormência pro que dói...
Aprendi a me achar, é me perdendo
e me vendo nas linhas de horizontes
onde os mares me chamam sem destino...
Tenho apenas o dom de não saber
o que a vida me deu pra perguntar,
meu lugar é não ter pra onde ir...
A MULHER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Todo mundo procura o que há muito encontrei;
a mulher cujos olhos vão além das vistas;
que não sei definir, apesar de poeta,
pois excede o poder das palavras buscadas...
Encontrei a mulher que me acolhe aos pedaços,
recompõe o mosaico e depois me relê,
reanima os meus passos pra recaminhar
e me faz merecer o que há tempos me deu...
É alguém que me aceita, mas rejeita em mim
o que só me apequena e se põe contra nós,
cria em nós tantos nós e nos ata pra vida...
A mulher que algum dia perdi pra mim mesmo,
mas me achou novamente quando fui ao fundo
e fiquei tão sem mundo, num mundo sem ela...
No vazio eu encontrei a verdade, na realidade, o vazio são suas palavras seus olhos brilhavam, mas que estrelas é ouvir o som do silêncio? Percebi que cada momento, era vazio cada segundo era solitário, mas sua própria palavra se tornou vazia.
Retrospectiva
Muita coisa aconteceu. Sorri, sofri, me perdi, me encontrei, errei, acertei, magoei, perdoei, ganhei. Senti paz, aflição, solidão. Partilhei, afaguei e venci.
O meu ódio é a minha principal fonte de inspiração, escrever é uma maneira civilizada que encontrei para "dar o troco"; é meio que um jeito de ir me refazendo, de ir juntando os "caquinhos" e continuar seguindo em frente; sem fingir que eu não importasse ou que não me lembrasse.
Navegando pela jornada espiritualista e com minha alma emancipada encontrei meu propósito...
Vivendo neste mundo, mas não sendo parte dele; agora habito na Terra prometida por Deus, onde minha alma encontrou a verdadeira liberdade.
A harmonia fez morada em minha vida.. Não há lamentos, pois não existem mais sofrimentos. Com a descoberta da verdade, tenho a liberdade de me conectar com o mundo espiritual através da projeção astral. A sincronicidade não permite que a maldade trilhe o meu caminho; toda má intenção que interfere na evolução, Deus desvia. Nos braços da paz eu adormeço e mereço acordar todas as manhãs de bem com a vida. Eu ando pelo mundo com a certeza de estar no caminho certo, fazendo a coisa certa.
Na imensidão do cotidiano, onde sonhos são tecidos com a linha da realidade, encontrei o verdadeiro luxo. Era a brisa suave acariciando meu rosto ao amanhecer, o som de risadas compartilhadas ao redor de uma mesa, e os olhares cúmplices que falavam mais que palavras. O luxo não residia em posses grandiosas, mas na vivência plena dos pequenos momentos que fazem a alma vibrar. Viver a realidade, com suas imperfeições e beleza genuína, é o mais puro dos luxos, um presente que nem o mais rico dos tesouros poderia igualar.
