Primavera

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Já fui inverno, hoje sou primavera em reconstrução.

Seus olhos não são pombas, mas o arrulho silêncio que convoca a primavera e faz o tempo da colheita parecer uma espera doce.

O inverno da alma é necessário para que a primavera das novas forças floresça sem pressa.

O desemprego é o inverno que congela a primavera dos planos de uma família.

O tempo de dor é o tempo de semeadura. Continue trabalhando no silêncio, a primavera chegará.

A depressão é um inverno que se instala na sala de estar e decide que não haverá primavera este ano, nem no próximo. A gente aprende a estocar lenha de poesia e a se cobrir com cobertores de memórias mornas, torcendo para que o gelo não alcance o coração.

A vida é bela, porém na maioria das vezes fria e sombria como uma noite de primavera⁠

Vislumbrada com a colorida primavera que de tempos em tempos invadia o azul daquela pequena e vibrante esfera, Romã escapuliu escondidinha da sua constelação de virgem e mergulhou no mar das estrelas cadentes que passam a vida toda viajandode cá pra lá e de lá pra cá rapidamente, e foi assim pegando carona nelas que ela chegou aqui na terra e pode ver de perto as flores, cujas cores refletiam deliciosos cheiros e sabores nas gotas de brilho da casa dela.


"Romã, o segredo dos amantes" fl.1

Amor sem verdade é como a primavera num sombrio deserto árido.

Viva os emocionados que são intensos como o calor do verão e românticos como as flores da primavera, porque de frio já basta as noites do inverno e sentimentos frágeis já basta as folhas caídas do outono.

A primavera pousa
devagar no coração
de quem ainda sabe
ouvir a melodia das flores.

O amor tem algo
de primavera:
regressa sem explicar
como venceu o
inverno da alma.

Domingo de primavera. Depois de uma semana enterrado num escritório e de algumas noites oferecendo meu fígado aos deuses baratos dos bares, resolvi sair para tirar o mofo da alma. O sol fazia um trabalho honesto. Não prometia felicidade. Apenas lembrava que a pele ainda era capaz de sentir alguma coisa.
O parque estava cheio de gente satisfeita consigo mesma. Dá para reconhecer esse tipo à distância. Carregam diplomas como soldados carregam medalhas. Aprenderam meia dúzia de palavras elegantes, descobriram uma profissão rentável e passaram a acreditar que o universo inteiro cabe dentro do currículo. Falavam de carreira, mercado, investimentos, produtividade. Nunca da morte. Nunca do medo. Nunca daquele silêncio que aparece às três da manhã e pergunta se tudo isso valeu a pena. Talvez porque certas perguntas não caibam em salas de reunião.
Sempre achei curioso que uma pessoa possa estudar durante vinte anos e ainda não saber conversar sobre a única matéria obrigatória para todos: a condição de estar vivo.
Mas havia outros. Sempre há.
Não fazem alarde. Não precisam parecer inteligentes porque vivem ocupados demais tentando compreender. Olham para uma árvore e enxergam mais do que sombra. Olham para um velho e veem o próprio futuro. Olham para uma criança correndo e lembram que um dia também acreditaram que o mundo era infinito.
São pessoas perigosas para qualquer sociedade construída sobre distrações. Pensam na morte sem desespero, porque entendem que ela dá valor às manhãs. Pensam no amor sem transformá-lo em mercadoria. Desconfiam das respostas prontas e das certezas vendidas em palestras motivacionais.
E o mais bonito é que não vivem presos nessas profundezas.
São capazes de rir de uma piada idiota até faltar o ar. Sentam para tomar um café sem pressa. Observam a chuva escorrendo pela janela como quem assiste a um concerto. Fazem pequenas loucuras só para lembrar ao coração que ele ainda não virou uma máquina de bater ponto.
A maioria das pessoas escolhe um dos extremos. Ou vive afogada nas banalidades do cotidiano, anestesiada por contas, status e compromissos. Ou se perde em labirintos filosóficos até esquecer o sabor de uma tarde de domingo.
Talvez a sabedoria esteja justamente no meio do caminho.
Ter coragem suficiente para olhar o abismo sem desviar os olhos, mas também humildade para sorrir quando uma criança cai na grama e levanta rindo. Pensar na eternidade enquanto o café ainda solta fumaça. Conversar sobre a morte e, logo depois, admirar um pôr do sol como se fosse o primeiro.
Quando deixei o parque, percebi que os homens mais interessantes nunca foram os que tinham todas as respostas.
Foram aqueles que carregavam perguntas demais e, apesar disso, ainda encontravam tempo para brindar a vida, rir de si mesmos e sentir o calor manso de um domingo de primavera sobre o rosto.
No fim, talvez seja isso que nos salve. Não os diplomas, não as certezas, não as biografias cuidadosamente polidas para impressionar desconhecidos. O que nos salva é conservar a estranha capacidade de habitar dois mundos ao mesmo tempo: o das perguntas que jamais serão respondidas e o das pequenas alegrias que jamais deveriam ser subestimadas. Contemplar o infinito sem deixar de notar o aroma do café, o riso espontâneo de uma criança, a sombra fresca de uma árvore ou o dourado silencioso do fim da tarde. Porque a vida nunca foi apenas um enigma a ser resolvido. Ela também é um instante para ser sentido antes que desapareça.

Cultivando minha primavera, para que nunca me faltem flores.
Quem sabe o amor que plantei e tenho regado também venha a florescer?


Sigo cuidando, mesmo quando não há sinais,
porque aprendi que nem toda raiz se revela de imediato.
Algumas crescem no escuro, em silêncio,
antes de ousarem tocar a luz.


E enquanto o tempo cumpre o seu papel,
eu não deixo de me florir.
Porque há beleza em quem permanece,
em quem cultiva,
em quem acredita
mesmo sem garantias.


Se for para florescer, que seja inteiro.
Se for para ficar, que seja com raízes.
E se não for…
ainda assim, minha primavera não se perde.

Nas mãos
eu trago versos
e na alma
a Primavera.
✍©️@MiriamDaCosta

As estações estão perplexas...


A Primavera, no calendário
acabou de chegar
mas, o Inverno com o seu cenário,
não parece querer passar...


A paisagem cinéria na Região Oceânica
me convida à introspecção
enquanto a névoa vai envolvendo a litorânea
escrevendo seus versos cinzas
entre os rochedos e o mar...


A Primavera anuncia-se no calendário,
mas o Inverno ainda resiste,
com sua sombra fria,
tecendo um silêncio persistente
sobre a pele do tempo...


A Serra da Tiririca veste-se de cinza,
a névoa rasteja e sufoca o horizonte,
como se o mar respirasse em versos apagados
e os rochedos guardassem segredos
de um poema que tarda a florescer...


A Primavera sorri no calendário,
mas ao meu redor,
ainda sopra o vento do Inverno,
delineando restos de silêncio
entre um céu turvo e uma lembrança antiga...


Na Região Oceânica, a paisagem cinéria
me acolhe em sua bruma,
e a névoa, delicada, borda poemas invisíveis
sobre as pedras e o mar,
como se traduzisse a estação inspiradora
da minha alma...
✍©️ @MiriamDaCosta

🌵Ode à Flor do Mandacaru 🌵 (Primavera)


Onde tudo é tão árduo,
o cacto resiste,
se erguendo em silêncio
no deserto que insiste...


e quando a noite se abre,
num instante raro,
a flor do mandacaru explode
branca, intensa, luminosa,
como se a própria primavera
tivesse escolhido
um templo improvável
para se revelar...


flor que não teme a secura,
nem a solidão do agreste,
mas guarda em si
um segredo de esperança:
o milagre de florir
mesmo onde a vida parece
tão árida e hostil...


onde a terra é ferida,
o sol é lâmina,
e o ar parece cortar a pele,
o cacto se ergue,
altivo, espinhoso,
desafiando a morte...


e é justamente ali,
na aridez cruel,
que explode em flor,
um clarão branco
rasgando a noite,
um grito de beleza
contra o silêncio seco do deserto...


o mandacaru sangra luz
no agreste inóspito,
como se dissesse à vida:
- Ainda assim, floresço!...


no coração da secura,
onde tudo parece desistir,
o cacto aguarda, paciente,
sua hora de revelar segredos...


e quando a noite desce,
discreta e solene,
a flor do mandacaru se abre
como um sopro de eternidade,
branca, imaculada,
um milagre escondido
nas entranhas do agreste...


É um lembrete suave:
até nos desertos da vida e d'alma
há primaveras adormecidas
esperando o instante exato
para florir... 🌵


✍©️@MiriamDaCosta

Os ursos atravessam o inverno recolhidos à caverna, sustentados pela gordura acumulada na primavera e no verão. Muitos seres humanos sobrevivem das boas lembranças de suas próprias primaveras e verões da vida. O presente virou passado; e o futuro ah, o futuro, uma palavra quase sem sentido.
Pensamento assim está tudo errado. A existência não se cumpre apenas na saudade do que já foi. Cada dia exige o esforço de construir novas primaveras, mesmo quando o inverno interior pareça interminável. O passado alimenta, mas não pode aprisionar.

É imperativo notar o descanso das flores no outono diante do seu bailar com a brisa na primavera.

Foi no outono que os ventos sinuosos do destino desfolharam minhas pétalas, mas foi na primavera que a esperança ao me alcançar me fez recuperar todas as flores.