Preciso e Gosto de Intensidade
Quando, durante a oração, percebo a minha miséria diante de Deus, acontece uma coisa extraordinária: meu pensamento se torna mais claro, episódios mal compreendidos adquirem de repente todo o seu sentido, e áreas inteiras da minha inteligência que estavam adormecidas voltam a funcionar. Conclusão que me parece bastante razoável: o sentimento adequado da nossa miséria é o centro da nossa consciência, a chave do nosso senso das proporções, a única via eficiente para um ser humano se instalar na realidade da sua vida com uma perspectiva correta.
o jeito é aproveitar esse meu espírito caótico; na medida certa; sem me perder dentro de mim mesmo; neste meu mundo que guerreia o tempo inteiro; sempre acabo ficando perdido no meio de tanta indiferença e desafeto; em meio aos longos silêncios gritantes cravados na minha mente rígida.
mas é que eu nunca fui do meio termo
tudo que me alegra, me faz vivo
tudo que me deixa triste, me quebra, me parte, me mata.
mas isso não é louco?
se nós somos a nossa essência
por que somos tão julgados pela nossa aparência?
O nosso maior legado é o caráter! Esse patrimônio o tempo não destrói e as intempéries não consomem!
Amor?... Amor não é efeito, nem causa, nem princípio, nem fim, e é tudo isso ao mesmo tempo; é uma coisa que... sim... finalmente, para encurtar razões, amor é o diabo.
SÍNDROME DA DESILUSÃO
Após a derrocada da decepção, por vezes resgatamos uma euforia interior que nos diga que somos mais fortes que nossas emoções... Que nos faça acreditar que estamos acima da dor que nos é infligida. Ah! Mas como esta euforia é fugaz... Jamais irá conter o desmoronar de ilusões.
Assim, inconformados, resta-nos provar à desilusão que traga nossos sonhos, sentindo o seu amargo sabor, no palato das profundas reflexões. Mas não se engane... Porque por mais amargo que seja, este é o remédio... Por vezes, desiludir-se é o caminho para a cura.
Sei que é de praxe o suicida invocar grandes razões, e se possível belas, para justificar seu gesto tresloucado. Se eu quisesse, certamente poderia encontrar uma dúzia (de razões) capaz de justificar não apenas o meu suicídio como o suicídio de toda a humanidade, no dias que correm como em todos os tempos.
Você quer ler o John Rawls, o Fukuyama ou o Robert Nozick? OK, mas primeiro termine de ler o Eric Voegelin, o Louis Lavelle e o Bernard Lonergan.
Pouca gente espera pela chuva como quem espera por um grande amor. Quase ninguém celebra um pôr do sol como quem é promovido no trabalho ou tem qualquer ganho material. Conheço poucas pessoas que se emocionam com o colorido de uma paisagem. Conheço pessoas muito sensíveis que têm muito mais vocação para a anestesia autodestrutiva que para a canalização desta sensibilidade para a criação do Belo. Pessoas procuram sossego e confundem a paz com o tédio. Alguns, quando estão melancólicos, se acham miseráveis em tudo. Nada basta. Há quem saia para contemplar o mar e não consiga ver uma gota de água a sua frente.É muito fácil se agarrar ao sofrimento e, num momento de alívio, dizer que aprendeu a dar valor às coisas pequenas, simples da vida. Leia-se: a ter para onde voltar, cama quente para dormir, um dia bonito para ver, olhos para enxergar, agasalho num dia frio, um abraço de um amigo, companhia para quando a solidão apavora, um céu estrelado, o cheiro de terra molhada que a chuva traz, as sementes que se fertilizam, as árvores que dão sombra quando o sol está inclemente. Meu Deus, estas podem ser coisas simples, mas não são as pequenas coisas da vida, são as grandiosas! As maiores. As que permanecem para lembrar o movimento de tudo, o ritmo da Vida. As "pequenas" coisas são as imensas, meus amores. As mais importantes. E as paisagens, chova ou faça sol, ainda são as que emolduram o encontro deste tal grande amor. E que enchem de adornos qualquer sorriso de alegria.
O desejo pinta e some
A paixão explode.
Já o amor é desejo que se aprofundou
E uma vivência intermitente da paixão.
A fidelidade só interessa como valor moral quando suas promessas do passado contradizem as inclinações afetivas do presente.
A vida para uns são cheias de curvas que dá impressão que eles seguem para o calvário conduzindo uma cruz que se chama "custo de vida".
A leitura nos faz ganhar tempo, quando podemos reunir tantas lembranças e conhecimento, num espaço de tempo que se conta em centenas ou até milhares de anos. Aproxima-nos de povos numa fração de segundos, sem ao menos tirar os olhos do papel.
