Pouco
Eu já fui muito ruim, hoje sou menos ruim um pouco e amanha quero ser bom o suficiente para me achar apenas ruim.
A condição é se dar um pouco mais para se ter a atenção que se quer. A via de mão dupla trás o sentimento de harmonia e descanso na alma. Não se pode querer do outro aquilo que não o damos.
Usado pouco
Me certifico que não tem mais
Usando tudo
Analiso que já acabou
Quando iremos a Vegas amor ?
Cidade onde nada dorme
E tudo que acontece em Vegas, fica em Vegas
Como manobrado do ditado tão popular
Me testifico
do amor que por hora foi meu
Em tempo mínimo se comoveu
Aos pés da paixão
Aquela que não sei se morreu
De morrera
Fora jovem
Me lamento no carro
De vidro fechado
Embaçado
Só pra ninguém ver
Que o amor que senti
Ainda sei que mora em você
Fora tão grande
Que por hora não chega a existir
De tão imenso
De tão profundo
Como o sentimento
Peço desculpas por não me envolver
Na ilusão de um dia de sol
Que um dia iria voltar
Como volta passarinho para o ninho
Se for a mãe, é claro
Pois os filhotes logo saem voando
Como pensei que voltaria
Por razão, já esteve aqui ?
Ou seu corpo fumegante
Cheio de desejo
Que esteve ?
E se for isso, qual seria o problema?
De uma paixão de momento
Com o coração fora do peito
Com tempo determinado
Pra acabar.
Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia
de Pessoa ou Drummond
Ela pouco sabia de democracia
de Sociologia,
de Foucault ou Proudhon.
No mundo de hoje, ensinar o que é mais importante em pouco tempo é o que torna um orador eficiente.
DISTRAÇÃO
Como um vaso raro
A vida eu encaro
E pouco a pouco
Não raro
Perco-me
E distraio-me
Olhando o mundo.
Assim iludo-me
Com a projeção da alegria
Bebo em goles fartos
O vinho da fantasia
Então esqueço-me
Por um segundo
Que nada do que temos é nosso
E que nada posso alterar
Neste mar profundo.
A distração não é perene
Basta olhar em volta
O caos em movimento
Produzindo morte
Revolta e desalento
Impossível suportar o verbo
Cortando o ar
Ceifando a vida
Roubando a sorte
Dos inocentes
Que Esperam sempre o dia seguinte
Pobres ouvintes passivos
Da palavra esperança
De que o amanhã
Trará a realização do sonho
Do homem adulto
E da criança.
Queira eu falar ao ouvido do mundo,
Poeta rouco, que sabe pouco dessa função.
Mas, agindo com bravura, fingindo loucura,
Alcança, sem rima, a erudição.
Poeta nasce por acaso,
Entre um suspiro e outro do caos...
O absurdo me atrai; diante do abismo,
Acelero o passo. O rito sacrossanto
Repete o mantra da má sorte,
Que suplanta qualquer dúvida da esperança,
Que pergunta ao homem sobre a eternidade
