Pouco
A Viela de Badacosh
Úmida e insecável era aquela rua, um pouco depois daqueles limites o sol reinava, mas ali não, não ali. Aliás, o cheiro de mofo exalado pelas alvenarias e madeiramentos depreciados, marcava característica e peculiarmente aquele beco, com o esverdeado e vívido musgo que saltava por entre os seixos que assentavam a calçada; um catingueiro interminável forrava os jardins dos casebres que se pareciam mais com caixotes de verdura do que com habitações.
Lindo aquele lugar, quando não gostamos do que é bonito, mas me agradava. A garotada encharcada corria pelas poças, sapateando na lama, brincando de roléfas, atividade saudável para essa idade, consistia em segurar uma cinta com a fivela solta, perseguindo seu colega para enfim acertá-lo com o instrumento, berrando: roléfas. Não me pergunte o porquê, nunca soube.
Mas o mais curioso naquela viela, não era a chuva que nunca cessava, nem os hábitos e costumes pouco convencionais, demasiadamente estranhos e inapropriados de seus habitantes. E sim um personagem, talvez o mais antigo daquele local, talvez o mais antigo de qualquer localidade entre a latitude, a longitude e a altitude. O fundador da Viela de Badacosh, um visionário misantropo com a idade de 320 primaveras.
Ia pouco importando e se a onda viesse,
Represada nos diques, da imensa represa,
Irrompia em chiliques,
Baita delicadeza.
Rodopios, cambalhotas,
Corrupios, piruetas.
Não é o mais caro que dura muito mais
Ou o simples que dura pouco
É o cuidado com o que é seu que faz ser duradouro.
A inversão de valores chegou ao amor. Pouco importa quem te ama e muito importa qualquer um. Se perde o importante e fica com o que não vale. Escolha estranha pra humanidade olhando do meu disco voador. Esquecem de manter o que já conquistaram e se não mantem perdem para uma jardineira melhor. Pois o jardim floresce cuidado e morre ao contrário. Povo estranho estes humanos. Carentes em tempo integral.
Há pouco tempo descobri o prazer de plantar uma árvore e cultiva-la todo dia. Fui aprendendo aos poucos, acertando, errando e cuidando. Algumas conversas, alguns toques, uma mistura ao transplanta-la de um vaso para outro que fosse melhor para ela. Todo dia um presente ela me deixa. Um galho novo, uma folha, uma flor. Às vezes me preocupo, pois ela murcha um pouco e caem folhas. Descobri que tem haver com a estação do ano. Troco ela de lugar, passeamos pela casa em busca do melhor sol, da melhor lua. Durmo com ela e acordo com ela. Jogo água, olho e olho e olho mais. Mexo na terra, coloco borra de café para alimenta-la e protege-la. Cada dia vou gostando mais dela e ela me fazendo Feliz. Contei para ela que conheci uma menina mulher e que ela todo dia fazia como eu com minha pitangueira. Fez tanto que sai da caverna no pântano para vê-la melhor e assim em cada dia deste pouco tempo ela foi me cativando e eu mudando. Mudando tanto que o coração voltou a bater. Aí pensei que que ela de tão especial que é devia ser cuidada e q[guardada no meu coração. Que eu devia cuidar do nosso amor e dela como cuido da minha pitangueira. Foi então que o desejo que lá estava de plantar uma nova árvore, uma Scaltata, surgiu e começou mesmo sem eu saber. Desde o primeiro dia que a conheci!
Quero cultivar esse amor quando ele aparecer!
Namora comigo!
" Se ser pobre é ter pouco
lembro-te que o tempo pode estar escasso,
findando
então corre
ainda dá tempo para viver...
" Muito pouco para quem sonha infinitos
e torce para que a eternidade seja real,
entre um gole e outro, os dias passam
levando o pouco que resta
a esperança, o desejo
levando a eterna juventude cativada duramente
Eh! Senhor tempo, és magnifico, impecável
porém desumano...
" Talvez eu seja apenas um louco
achando que por pouco
sou poeta
mas modéstia à parte
dessa poderosa arte
sou ainda incompleto
um quase perfeito idiota
ou um tolo por completo...
" A vida às vezes nos dá pouco, mas a grandiosidade dela e fazer com que esse pouco seja o nosso sustento. Pessoas que vivem atrás de fortunas, normalmente têm em algum momento da existência, uma enorme frustração, justamente pela simplicidade das nossas necessidades. Enfim felicidade é ter nas mãos aquilo que a alma precisa e não a materialidade que o egoísmo e o corpo quase sempre desejam...
" Quem quiser me cobrar ou pagar alguma coisa, que se apresse, daqui a pouco estaremos velhos e a única coisa que teremos, serão histórias para contar...
" Quando descobri que tão pouco, poderia dar plenitude, eu já tinha um grande passado e um pouco de futuro, então decidi fazer desse pouco que resta, o melhor da festa, decidi ser feliz...
" A casa era um pouco velha, porém sempre cheia
os olhos levemente avermelhados, teimavam em não chorar
o riso aberto e carinhoso, anunciava um novo dia
o cheiro de café...
o amor sempre tão presente, não parava de cantar...
" A água está fervente,
vem cá tomar um café,
se demorar um pouco
ganha também cafuné
e se insistir,
pode ficar até quando quiser...
