Porta Janela
Não é sobre ter coragem, é sobre ter força. Fechar a porta e pular a janela. Buscar respostas dentro de si e reponde-las para o mundo. Originalidade. Ser voz em silêncio e a voz da verdade, da sua verdade, da sua força e da força daqueles que, as vezes, precisam de apenas um empurrãozinho.
Daqui a pouco se vai o dia; a noite vem. O sono faz barulho, bate na porta, na janela e a nossa única vontade é abraçá-lo, é nos entregarmos ao cansaço, àquele vai e vem gostoso dos sonhos nos roubando a consciência.
Qualquer que seja o sentimento, é sempre através do olhar que sabe. Os olhos são a porta, a janela pra dizer o que sente um coração.
Um dia a porta da sua alma se fechou. Sua música parou de tocar. Você olhava pela janela enquanto o amor te deixava. Pode ir, você disse, e jurou que nunca mais sentiria essa dor. Espalhado pela casa com os cacos do seu coração, a última coisa que você queria era amar outra vez.
Rejuntar estilhaços até se fortalecer de novo é um processo que leva tempo, e a duração desse tempo é muito pessoal, assim como o tamanho da dor que cada um carrega. É como se você ainda vivesse, seus órgãos e sistemas do corpo funcionam, você respira, mas falta algo. Falta vida no robô que rejunta as suas peças.
Foi assim, com muito esforço e angústias, que você tropeçou em seus próprios pés para reaprender a andar. Iluminou seus passos com seu brilho esmorecido. Mas você nunca parou, nunca desistiu. Não sabia o que ia encontrar lá na frente, somente sabia que era para lá que tinha que ir. Nem sempre você achava aquilo que procurava. Algumas vezes, acabou encontrando quem nunca imaginaria encontrar. Outras vezes, você mesmo foi atrás de pessoas queridas que dormiam nas suas lembranças. Por fim, você achou a sua imagem que se escondia atrás do espelho.
E agora você está aqui, sentindo-se inteiro. Você voltou a brilhar, a pulsar! Está batendo suas asas pelo mundo novo que deseja conhecer. Porém, mesmo no auge de suas mais novas descobertas e da confiança de um dia melhor que o outro, vira e mexe, você tem medo.
O medo sopra pela fresta da porta do seu quarto à noite, em seu silêncio secreto. Mas não é aquele pavor ao se deparar sozinho na plataforma de embarque rumo a um país desconhecido. E nem de ter outra cólica renal ou levar uma bronca do chefe. Isso tudo você encara. A coisa toda complica quando não se encontra o sentido das coisas ao fim desses dias longos e incertos, quando o cansaço penetra pelos poros a ponto de derreter a pessoa por dentro. Quando se cai em uma rotina mecânica de acordar, trabalhar, reclamar, pagar as contas e fazer parte da massa de conformados cidadãos inconformados desse mundo louco.
Esse mundo que te obriga a assistir gente ser decapitada e queimada viva. O medo de sair de casa e ser assaltado no trânsito, e, por isso, ficar com receio de abrir a janela do carro para dar um trocado ao pedinte que parece doente. A falta de vergonha na cara de políticos que zombam da sua inteligência. O medo de pegar dengue. A espera ansiosa pela chuva para encher rios e sentimentos.
No meio disso tudo é que se descobre que fazer-se completo dá um trabalho danado. E por mais que você saiba que esse seja um processo lento e interminável, e que você esteja focado em procurar a felicidade na sua jornada e não em seu destino, nestas horas de silêncio no seu quarto à noite acontece o imprevisto.
Nesse fluxo da vida que segue, entre as dores e as curas, revisitando tristezas e alegrias, como um dia nublado, quando menos se espera, ela chega. Toca a campainha da saudade, abre a porta da ausência e te abraça apertado. Ela não foi convidada, mas mesmo assim a solidão vem e fica por um tempo.
Ser feliz sozinho é fácil, difícil é ficar triste na solidão. Especulando que o amor não é algo tão fácil assim de ser encontrado, como se vê nos filmes e livros de romances, você se lembra de Rubem Alves, “Temos uma capacidade quase infinita de suportar a dor, desde que haja esperança”.
É nesse pressentimento que o peito ardido encanta o silêncio, atravessa a madrugada fria e amanhece na alegria. E encontra a esperança, com seus olhos de menina, equilibrando-se entre o inferno e o céu, pulando amarelinha na poesia. Ela joga uma pedrinha e te convida para brincar, enquanto esperam pelo amor, o seu novo amor que já vai chegar.
Porque frio, medo e tristeza, passam. Dor também passa. Até amor que foi embora passa. Só não passa a vontade de amar outra vez.
Então sua música volta a tocar e você sonha com Vinicius de Moraes: “a maior solidão é a do ser que não ama”.
Nas minhas habituais divagações, conclui que toda porta sonha ser janela. Veja bem, as portas são essenciais, não nego, mas servem apenas de passagem. As janelas, inúteis, são dadas a contemplação.
Não sei você, mas se eu fosse porta, viveria com inveja das janelas.
A Caridade é um Dom que Deus nos dá, para ser o nosso espelho da alma a janela para o bem e a porta para a esperança.
NÃO OLHE A VIDA PELA JANELA,ABRA A PORTA E SINTA AS MAIS DIVERSAS SENSAÇÕES QUE A SUA VIDA QUER TE OFERECER
Ainda tenho feridas cicatrizando e já me cortei de novo...
Fecho a porta... o vento abre a janela...
Tranco a janela... os vidros partem-se...
A traição entra pela porta, o amor e a confiança se vão pela janela. Na maioria das vezes, sem volta e sem perdão.
Abre a janela, já que a porta está difícil de abrir. Talvez você tenha perdido a chave, talvez ela tenha ficado tanto tempo fechada que emperrou, enferrujou. Então abre a janela.
Deixa que entre o ar novo, tira esse cheiro, esse jeito de mofo, volta a enxergar de novo. Sai desse quaro escuro, renova esse ambiente sujo.
Vai, tenha coragem, dá só uma espiada. Mas depois escancara, pula para fora se for possível.
Sinta a luz do sol, olhe ao seu redor, há tanta vida lá fora. Há, lá fora, tanto esplendor!
(... Ou talvez abra um buraco na parede. Há tanta coisa sem importância guardada aí, há tanta coisa pesada, desajeitada, que não serve para nada... Certamente você encontrará algo para fazer de machado, de martelo, de enxada).
Talvez seja você
Entrando pela parte que falta fechar da janela
Ou pela fresta da porta entreaberta
Talvez seja você
Prendendo o meu sono com as mãos
enquanto mantenho os olhos arregalados
de tão fechados a procurar
resquícios seus pelo quarto
Talvez seja você vagando por aí
dizendo o meu nome, pensando em mim
enquanto a minha memória grita
o grito dos abafados pelo travesseiro
Quem sabe você já tenha me esquecido
E o talvez seja apenas a fenda aberta
Que me mantém vivo e acordado
na esperança alimentada
pela minha esperança
de você voltar
Talvez por isso
a parte que falta fechar da janela
e a porta entreaberta
ficam noites inteiras
a te esperar.
MEU PEQUENO LUGAR
Gosto do acorda,
Da pureza do ar,
Da Vó na janela
Da porta aberta.
Gosto da vida mansinha,
Das ruas serenas,
Dos amigos,
Das alegrias.
Do café? Do gosto e do cheiro.
Do tradicional pão-de-queijo.
Gosto do doce da feira,
Das rezas das freiras.
Gosto do queijo curado,
Do frango ensopado,
Da abóbora, do quiabo,
Do gado no pasto.
Gosto do leite “gordo”,
Da fava do coco,
Do cavalo arreado,
Do Vovô e seus causos.
Gosto do cheiro da pinga,
Do bar da esquina,
Do pingo de gente,
Do brinquedo inocente.
Gosto do jeito festeiro,
Do povo hospitaleiro,
Do canto do galo,
Do meu CANTAGALO.
2013
E se a porta não se abrir, podemos optar pela janela??
Veja, talvez este caminho não é o seu.
O melhor a se fazer é mudar de rota
CHUVA CARINHO
A chuva afaga a casa
que se abre janela porta
coração rebentação suave
murmúrio enchente rio
dilúvio lava delírio
carinho princípio
fio a fio caminho
você inunda presença
afago distância
Cheiro molhado
enche de saudade
nossos corações
balões voadores
tocam canções
distância melancolia
(Re)encontro alegria!
principia via rodovia...
PORTA FECHADA, JANELA ABERTA.
Tenho que me desfazer dessa minha mania de deixar a porta aberta, para entrar a saudade, sair a alegria e todo esse entra e sai de emoções e nostalgia. Não agüento mais esse meu jeito de ser durona e mole ao mesmo tempo, é que eu não consigo ser ruim na mesma proporção que eu falo, então, as pessoas entram de um jeito, saem de outro e ficam ilesas a todo mal que me fizeram. E me deixam aqui, machucada, sem cura, sem nada. Outras gostam tanto que permanecem intactas do começo ao fim, me curando com sorrisos, me esquentando com abraços e juntando todos os meus pedaços.
Descobri que deixar a porta fechada é melhor, quando algo quiser entrar, que bata, que insista, isso é prova que o que tem pelo lado de fora vale a pena. Vou fechar com cadeado, com sete chaves que é para ter certeza de que ninguém irá arrombar, derrubar, me roubar aquilo que eu mais prezo, o meu sentimento. Mas vou deixar a janela aberta, para que tudo continue claro e evidente na hora das minhas escolhas. Também preciso de ar, do vento, da brisa que entra pela janela e espanta todos os meus medos, levam todos os meus desassossegos e me deixa em paz com meus erros.
Eu vou continuar aqui, com os meus pensamentos gritando para que eu faça algo. Até que eu reaja na luta contra mim mesma, até que acabe essa guerra de sentimentos, de momentos que se foram e me encontrar em momentos que estão por vir. Continuarei sempre aqui, apesar dos apesares, na espera de algo que me faça acreditar que a sinceridade realmente exista. Continuarei a mesma, mesmo com a distância, mesmo mudando de rumo para chegar aonde eu definitivamente me encontre de verdade: dentro de mim.
