Porque
Escrevo porque não sou
muito propensa a falar
e porque escrever
é a forma que encontrei
de me manter sã
em um mundo doente.
Escrevo porque a fala me fere,
me atravessa,
me expõe demais
num mundo quase surdo.
Escrevo para não adoecer
junto de um mundo enfermo
que normaliza a loucura
e estranha quem ainda sente.
Escrevo porque o silêncio
me entende e traduz
melhor que a voz.
Escrevo para permanecer inteira
enquanto o mundo
adoece de si mesmo.
✍©️@MiriamDaCosta
Perguntaram o que penso sobre o BBB
e porque não escrevo nada a respeito.
Respondo assim:
Eu tenho dificuldades cognitivas,
de interesse e até uma certa forma
de analfabetismo seletivo
para determinados assuntos.
O BBB simplesmente não dialoga
com nada que me instigue,
provoque ou acrescente.
Meu silêncio sobre isso
não é desdém,
é preservação intelectual.
✍©️@MiriamDaCosta
Deve ser porque
talvez…
a vida seja,
simplesmente,
essa trajetória audaciosa
que me empurra para além das margens
que me desafia a romper o contorno
que me recusa o raso.
Talvez seja isso:
um chamado constante
para atravessar os limites
que eu mesma desenho
com receio e desejo.
Ir além
não como fuga,
mas como expansão.
Muito além
do que me ensinaram,
do que esperavam,
do que tentaram podar.
Porque há em mim
essa fome de horizonte,
essa sede de infinito,
essa inquietação
que não se aquieta
com migalhas de mundo.
E se a vida é travessia,
que seja ousada,
que seja vertigem,
que seja salto.
Porque ficar
nunca foi o meu verbo.
✍©️@MiriamDaCosta
Não quero estar
em nenhum lugar
que não seja em mim,
porque sou raiz
e asas ao mesmo tempo.
Porque já me exilei demais
em expectativas alheias,
em mesas onde o meu silêncio
era mais aceito que a minha voz.
Já morei em olhares
que me diminuíam,
em afetos apertados demais,
em paisagens onde minha alma
trilhava com sapatos estreitos.
Hoje, não!
Hoje eu quero a morada
do meu próprio peito.
Quero a arquitetura imperfeita
dos meus pensamentos
e a mobília sincera das minhas emoções.
Se eu estiver em mim,
inteira,
qualquer lugar será extensão.
Mas nenhum endereço
me abriga como o meu Eu.
É nele que me construo
e finco os fundamentos
do meu viver e ser.
✍©️@MiriamDaCosta
Há diálogos que não florescem,
porque uma das partes
já plantou certeza em solo raso.
Como falar de horizontes
a quem se prende
a um único ponto de vista
e nele finca, irrevogável,
o seu veredito?
✍©️@MiriamDaCosta
Eu não me abaixo para recolher provocações
porque faz mal a minha coluna...
que prefiro mantê-la ereta.
Mas ...
se for para recolher pérolas...
minha coluna se curva com imenso prazer.
Hoje o brinde é cru: por essa raiva chegando atrasada, mas chegando — porque talvez seja o primeiro passo pra eu parar de só sentir saudade e começar, enfim, a sentir tudo o resto também.
Hoje senti pena de algumas pessoas. Não por estarem doentes, mas porque a enfermidade que carregavam parecia ser de outra natureza: uma enfermidade intelectual.
E quem sou eu para falar de sabedoria? Um zé-ninguém, sem grande conhecimento escolar ou mesmo daquele conhecimento comum que se adquire pela simples disposição de observar, ouvir e pensar.
Estava eu apenas observando e ouvindo as junções de vogais e letras dos coleguinhas, que nem palavras conseguiam formar, mas estufavam o peito como pombo, sem sequer saber por que permaneciam sempre tufados.
Entretanto, quando juntavam várias palavras para formar frases, revelavam não apenas a ausência de nexo, mas uma espécie de moléstia educacional diante dos ouvintes. As palavras estavam presentes, mas o pensamento parecia ter faltado ao encontro.
Foi então que percebi: talvez eu também seja um analfabeto. Porém, ainda não fui completamente bestializado, porque consigo ouvir uma palavra maltratada e sentir vergonha.
Vergonha da pá(lavra).
Um termo meu, talvez estranho, mas que carrega uma ideia que me agrada: a palavra precisa ser lavrada. Assim como a terra, ela precisa ser trabalhada para que alguma coisa nasça. Uma palavra não deveria apenas sair da boca; deveria carregar consigo algum sentido, alguma coerência, alguma possibilidade de pensamento.
Lavrar a palavra é cultivar o pensamento.
E talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira pobreza intelectual: não na falta de palavras, mas na abundância delas sem pensamento.
Falam muito, juntam letras, empilham frases, estufam o peito… mas nada nasce.
Nem sequer uma ideia.
1 Pedro 5:7
Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
"O cuidado de Deus é mais importante do que qualquer preocupação."
Porque escrevo
Por que escrevo?
Se tenho pressa.
Pressa de ir, pressa de vir
Os pensamentos dissipam-se
Se estou atrasada, não consigo me acompanhar
Das idas corro, das vindas ignoro
De tantas idas e vindas enlouqueço.
A vida me busca e eu corro
De atraso basta minha ida
Nos sonhos imaginados paro
Reparo no caminho que deixei
Sem a pretensão de seguir
Corro para não desistir.
Sempre que olhamos para o futuro, ele muda. Muda porque olhamos para ele de uma forma diferente da realidade e isto, muda todo o resto. O futuro mora no futuro, onde tudo deverá acontecer no tempo determinado.
Sempre fui otimista e sonhadora. O que não aconteceu foi porque não era para acontecer e o que aconteceu foi o que a vida me deu de presente, e eu aceitei.
Desafio
Eu sempre desafio o mundo. Desafio porque quero provar certas coisas que nem eu mesma sei se estão certas ou erradas. Só sei que sou capaz – capaz de qualquer coisa. Sou forte o suficiente para seguir sem me ferir.
Essa luta de provar algo é para que eu mesma entenda. Porque a vida não quer saber de provas; ela exige demonstrações. A vida quer que eu assuma meus erros e meus acertos. Quer que eu supere os obstáculos.
E eu, sem entender seus propósitos, sigo vivendo.
Rita Padoin
Escritora
A ignorância está sobrepondo a inteligência, porque a primeira é produzida em série, ao passo que a segunda é fora de série.
“Ninguém poderá te defender de você mesmo, porque os maiores tribunais da vida funcionam dentro da própria consciência. E é diante dela que todos nós, cedo ou tarde, precisamos prestar contas.”
