Por Voce eu Pegaria mil vezes

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Querido, eu tenho evitado te escrever porque sabia que, quando pegasse na caneta e rabiscasse alguns versos, meu coração começaria a sangrar. Contudo, parece que agora a hora chegou.

Eu não consigo viver sempre na corda bamba da incerteza. Eu sou feita de certezas, de pontos de exclamação e de pontos finais quando necessário. Seu excesso de pontos de interrogação foi até fofo no início, mas, com o tempo, esgotou. Com o tempo, me esgotou. Não se pode viver em cima do muro pelo resto da vida, Humpty Dumpty, porque, quando chega a hora, é preciso saltar sem hesitar.

hoje terminei com meu namorado só por que eu estava conversando com um amigo?

Eu te amei, querido, em cada estação, em cada música de amor e em cada momento de nós dois, mas amar não significa engolir todas as frustrações e lutar por tudo sozinha. Relacionamento é um ato bilateral, meu bem, e ninguém aqui é Atlas para carregar o mundo inteiro nas costas.

Eu tenho graves
perturbações
poéticas.


✍@MiriamDaCosta

Não me afaste com o silêncio do seu olhar; eu já aprendi a decifrar olhares com quem mais me amou.

E hoje vai ser uma trade vazia e uma noite melancólica como toda sexta feira e eu vou desejar desesperadamente que alguém me abrace quando a depressão chegar.E vou desejar mais do que nunca ouvir um “eu te amo”.E vou sentir uma saudade tão profunda por ele que ela vai me consumir e me dar vontade de chorar.E minha razão vai apitar dizendo “não chora,não vale a pena”e vai fazer as lágrimas ficarem paradas nos meus olhos sem cair.E esse esforço para elas não saírem vai me dar uma dor de cabeça insuportável.

Posso suportar tudo , mas se ele for embora , ah, daí já não conseguirei viver direito.Aí eu vou me rasgar inteira , chorar todas as noites e gritar quando ele for tirado de mim , quando a vida se impor sobre mim com toda sua força ,quando o vento o soprar para longe e o tempo se arrastar como uma tartaruga .Quando eu não suportar mais o peso de meu próprio corpo , de meu próprio coração . E também , quando o sol não brilhar mais no horizonte .

Eu queria seguir o lema "carpe diem" dos árcades, queria sentir a brisa, rir, e viver intensamente...Queria ignorar as pessoas rudes, más, sem amor e sem loucura. Só queria a felicidade, pois no final das contas, ser feliz é o que realmente importa.

Descobri que eu não gosto das garoas e chuvas de verão . Elas me estressam, me irritam . Eu gosto é das tempestades e dos furacões . Eu gosto é de dramas, mensagens na madrugada e reconciliações . Eu gosto é dos beijos cheios de paixão e fúria , alma e desejo. Eu gosto da forma com que o amor colore o mundo. Eu gosto de borboletas no estômago e sua mão na minha. Gosto de como suas reticências exageradas cabem perfeitamente na minha poesia . E da maneira como você me faz rir... Acho que no final das contas eu gosto mesmo é de você .

E ele disse que precisava de mim, que sentia minha falta e eu disse também, eu, essa pessoa que não expressa sentimentos me atirei em uma rede de dúvidas e me expressei,com um medo absurdo da menor demonstração de sentimentos de minha parte fazer ele sair correndo a milhas e milhas de distância.Ele riu e disse para eu não iludi-lo em plena quarta-feira, mas não foi embora. Ele não foi embora, não resolveu parar de falar comigo por o assunto "sentimento" estar em pauta, não deu uma desculpa idiota para parar de falar comigo, não me deixou sozinha no meio da rua com o coração em pedaços em um frio cortante de inverno. Você deixou.

Eu sou bossa nova da cabeça aos pés. Sou Elizete Cardoso com a canção do amor demais, explodindo de sentimentalismo, sou João Gilberto cantando a Insensatez que você fez, semeando amor e colhendo saudade. Sou a consequência inevitável de você em cada música de amor, em cada poema, em cada frase minha, em cada corte no " T" e em cada pingo no " I" . Sou a poesia viva e sobretudo o amor, que é 200% de mim.

Eu elegi quinta- feira como meu dia preferido, mesmo preferindo a sexta, porque era na quinta que eu o via, que ele me cumprimentava e eu correspondia com um sorriso. Passei a amar as terças, porque era nas terças-feiras que ele conversava comigo por longos minutos até o ônibus parar em seu destino e ele me acenar um adeus. Coloquei as quartas-feiras em um altar, porque era nas quartas que ele me beijava, dizia que me amava, me cobria de elogios e promessas me dizendo um "até logo" cheio de segundas intenções. E eu odiava as segundas- feiras, porque era tudo cinza e sem graça sem a presença dele ali, como se nada tivesse importância e perdesse o tom, o sabor, a cor. E agora eu prefiro as segundas porque não preciso vê-lo, porque na segunda o coração não dói, porque não preciso me fingir distraída para não vê-lo quando ele passa, porque na segunda eu consigo respirar aliviada. Porque na segunda-feira, de algum modo, o coração não sangra.

Ele ficou me esperando como um cavalheiro e isso fez com que eu me derretesse por ele. Ele conversava animado sobre as pessoas à nossa volta, mas eu não ligava para elas. Na verdade, eu queria congelar todas as pessoas ali exceto nós e beijá-lo até o coração se revirar do avesso, as pernas fraquejarem e eu me derreter tipo manteiga no chão do estacionamento.

Eu queria consolar a Mariana , eu queria consolar a Victoria, eu queria consolar todas as garotas que tiveram o coração partido por ele depois de mim. Eu queria consolar todas as garotas que ele ainda vai partir o coração com seu amor de papel e falsas declarações de amor. Eu queria abraçá-las e dizer que o mundo não terminaria ali, que o mundo é muito grande , e que há tantos outros amores por aí... Queria dizer que às vezes temos que suportar a tempestade para vermos o arco íris.

Meu querido,
Essa é a última carta que lhe escreverei. Eu sei que já falei isso antes, mas não era verdade. Não era verdade pois eu estava desesperadamente tentando dar um ponto final em você no meu coração, mas meu coração ainda não estava pronto para isso, porque na ocasião tocava 'Pérola negra"', do Luiz Melodia e eu sussurrava "'Baby te amo, nem sei se te amo"', com o coração e a alma confusos, pesados, machucados, e milhões de músicas me lembravam você. E agora nenhuma música me lembra você, e se toca alguma e eu ocasionalmente lembro, não é com raiva ou tristeza, nem com uma saudade insana, mas com alegria, pois foi bom enquanto durou. Porque foi, não vou ser hipócrita a ponto de dizer que não foi bom. Nosso amor foi como uma chuva de verão, algo doce e maravilhoso, mas que acabou rápido demais. E eu te odiei por terminar com tudo cedo demais, sem motivo e de forma imatura, como se brincar de amar fosse um passatempo para você. Há muito tempo sua irmã disse que o que você fez não foi por maldade, mas por confusão e imaturidade, e eu entendo. Agora eu entendo. Todos nós cometemos erros, o ser humano é falho e cheio de emoções, confusões, pensamentos, qualidades e defeitos, e acho que essa é a beleza de nossa espécie.
Desculpe pelo meu ódio, por eu ter me fechado em um casulo de frieza e indiferença perante o mundo e ter te culpado por isso. Desculpe por não ter vivido nosso amor intensamente, e sim medida por medida, economizando o amor para quando acabasse, porque eu sabia que acabaria logo, e acabou. Desculpe por ter te tratado mal quando veio atrás de mim após partir meu coração, é que eu estava envenenada pelo ódio. E eu te perdoo também...Te perdoo pela sua impulsividade sem limites, por me roubar e depois ir embora furtivamente, como um ladrão. Te perdoo pelas vezes que me enganou e me tratou mal, fez eu me sentir a mais insignificante e desprezível criatura, com seu julgamento sobre potente e suas palavras ácidas. Te perdoo por me enganar, e por todas as coisas que você fez de errado e eu nem lembro mais...
Como eu disse, as pessoas cometem erros e sempre vão cometer, por isso não devem fazer tempestade em copo de água como se fosse o fim do mundo. Mas no amor tudo é tempestade em copo de água, com sentimentos intensos e amores infinitos enquanto duram. E eu quero um amor infinito enquanto dure à lá Vinícius de Moraes, com a doçura de uma flor e a intensidade de uma chama. E eu sei que eu vou achar. Uma hora alguém vai aparecer e transformar todo o meu mundo.
E eu te desejo grandes realizações, beijos longos, viagens incríveis e amores que durem mais de uma estacão, pois me perdoem os poetas, mas bons são os amores perenes, assim como os rios. Eles não têm tanta emoção quanto os efêmeros, ou reviravoltas, loopings e agitações, mas eles duram. E talvez durar seja a solução, talvez durar seja a coisa mais linda do mundo em um amor. Eu vejo meus avós, por exemplo, com quase 50 anos de casados e ainda tão meigos e apaixonados. Então é isso, eu lhe desejo um amor que dure, e eu vou achar, vou achar alguém que seja...extraordinário. Obrigada pela aventura e adeus uma vez mais.

Eu admito que não sou fácil de lidar mas acho que o que é belo deve ser saboreado aos pouquinhos, como um capuccino ou um pedaço de bolo: pouco a pouco, mordida por mordida, saboreando a doçura de cada momento. Não é como um sorvete em um dia de calor quando você nem sente o gosto e o devora rapidamente antes que derreta. O amor não é um sorvete, ele é um bolo, é a habilidade de sentir cada momento e a possibilidade de parar e ouvir o canto dos pássaros. O amor deve ser sentido, apreciado, resguardado e valorizado e não tratado com banalidade. Já temos tantas banalidades no mundo, não é mesmo? Então por que não preservar pelo menos os sentimentos nesse mundo caótico em que vivemos?

Ele é só um garoto e há tantos por aí. Ele é só um garoto e eu preciso de um homem, mas preciso sem precisar. Preciso para me sentir bonita e amada de vez em quando, mas não que a conveniência seja uma necessidade, porque não é. É que é idiotice e até masoquismo condicionar nossa felicidade a uma pessoa, porque uma não depende da outra; a felicidade só depende de nós mesmos. É como naquele filme, "o diário de uma adolescente" em que a protagonista diz: "Talvez ninguém me ame. Talvez ninguém nunca me ame, mas talvez não se trate de ser amada por outra pessoa". E essa frase é verdade, pois trata-se de se amar, de sentir o vento bagunçar os cabelos e o sol aquecer a pele. Trata-se de viver como se não houvesse amanhã, de viajar e seguir seu caminho sem olhar para trás. Trata-se de abrir o coração e de perdoar, por mais difícil que seja, de rir, mesmo que de modo escandaloso e deixar a alegria te inundar de dentro para fora. Trata-se de sentir saudades, mas não deixá-la criar raízes em você. Trata-se de dançar, mesmo que pareça ridículo, e de se deixar levar pela música. Trata-se correr na chuva, sentir o perfume das flores e não abrir mão dos amigos. E finalmente, trata-se de ler muitos livros e viver infinitas vidas em uma só e fazer dessa vida algo extraordinário.

É engraçado, não é? É sábado à noite e ele está se enchendo de bebidas, mulheres e orgias, e eu estou em casa estudando o Estatuto da OAB e o Código Civil, lutando para ser alguém na vida. Somos tão diferentes muito embora estivéssemos em sincronia uma vez; dois planetas que certa vez giraram em perfeita sincronia e agora giram em órbitas opostas. Eu me vejo daqui a dois anos, formada -graças a Deus- talvez advogando, talvez assessorando, talvez fazendo residência judicial, mas eu não consigo visualizar o futuro dele. Formado? Talvez...Bem sucedido? Dificilmente. Bêbado todo fim de semana? É possível. Talvez nem a Tanatologia possa explicar o estado de putrefação em que ele se encontra. Coliquativo, talvez?

Eu era um misto de ansiedade, medo e estresse e me entreguei a essa viagem como um herege que se atira ao fogo, como quem dá-se ao carrasco, esperando, aguardando ver minha alma queimar. No entanto, minha alma não foi consumida pelas chamas,minha alma, não sei se por influencia dos rios ou das marés, aprendeu a virar água e submetendo-se às adversidades,apagou quaisquer chamas que pudessem existir, Eu descobri que viajara para buscar, não para fugir. Eu viajei para buscar e achei. Achei minha desorientação como resposta e não como pergunta e isso me encheu de paz, como se a resposta fosse fluir tal qual a água, como G.H no romance de Clarice Lispector.