Poetisa
Alguns amores são efêmeros como bolhas de sabão. Iludem, fascinam, brilham e depois se desfazem, deixando apenas vestígios pelo chão.
Há uma melodia divina,
composta entre as estrelas
tendo a amplidão como partitura,
timbrando junto a Deus, em silêncio,
Essa melodia encanta
os que tem corações puros,
imersos na paz que tem em seu interior,
flutuando livres de quaisquer grilhões,
Junto a ela, a alma voa tranquila
numa viagem de som e luz,
levando-a extasiada
aos pés do Criador...
Tudo aquilo que regarmos com fé no canteiro de nosso coração é o que germinará e nos deixará mais fortes.
Quem poderá entender um poeta que fala a linguagem do coração, não do dele, muitas vezes e sim aquele da inspiração? Manda assim palavras ao léu para que caiam onde sejam necessárias, aconchegando almas como num céu ou dando alento aos que lutam sem vitórias.
Mesmo em condições adversas, quando nada mais parece favorável e o dia está nublado e cinza, de repente uma pequena nesga de céu azul e sol aparecem mostrando que a esperança existe. Preste atenção nisso, a vida continua...
Alegre-se, são quatro as estações,
foi-se o verão escaldante, ligeiro,
deixou para trás suores e trovões,
a natureza outonou, n'alma é um esteio
Iremos depois ao lindo inverno
que perfumes bem gelados trará
dos píncaros dos montes eternos
e nosso corpo se aconchegará
O coração em compasso de espera,
seguirá, porque sabe, tudo vai passar,
entoando hinos à imponente primavera
que virá logo para nos abraçar
Fuja de língua afiada
ela nunca dá desconto
gosta de ser exagerada
conta um conto
aumenta um ponto
prejudica as pessoas
se alimenta de fofoca
não tem índole boa
quer ver os outros em derrota
Que tua noite seja de paz
como de paz é o silêncio das estrelas,
que Deus te conceda bom sono
e nos sonhos possas colhê-las
O sol, farol do mundo,
o ilumina sem cessar,
forte, imponente e distante,
mas basta uma pequena nuvem
para ocultá-lo...
É noite plena, misteriosa, envolvida em sombras,
a lua sem dono, vaga lentamente, distante,
imponente, nos leva a ter alguns sonhos,
Já é a hora do descanso do corpo
e da mente que precisa um certo abandono
entre lençóis, envolvendo-se docemente
Lá na amplidão tudo é silêncio profundo,
há um vazio e promessas de infinito,
ao dormir nada somos, apenas pausa da vida
numa canção que nem percebemos, tocamos...
em notas de amor afinado ou de saudade, um grito...
Plante sempre uma nova árvore
de qualquer espécie que seja,
frutífera, arbusto ou que apenas floresça
ajude assim a nossa mãe Natureza
Quero da vida um pouco da imensa paz,
a que deve haver no sono de uma criança,
para saber dar valor ao que me rodeia,
plantando sempre um pouco de esperança
A poesia está em tudo, dentro e fora de nós, mas só toma forma quando deixamos que os sentimentos aflorem. Tão especial é essa alquimia, que muitas vezes o poeta cabe inteirinho num só verso.
Sabe o que te desejo?
Felicidades e numa "salada" de vida, toda misturadinha com amor, saúde, paz, fé e esperança.
Acalento no coração o sonho
de que poderei abraçar o mundo,
acordo o dia antes do sol risonho,
sentindo a poesia em cada segundo !
FENÔMENO QUASE NATURAL
Vinham três homens pela rua.
- Olha! Uma estrela cadente!
- Não é estrela não!
- É sim!
- Não é não!
- E o que é então?
- Opa! O chão tá tremendo!
- Era uma estrela!
- Era um avião!
E o terceiro...
- Bobagem! Foi uma estrela que bateu no avião,
Que caiu no chão!
Iam três ébrios pela rua...
Pela calçada...
Pela rua...
Pela calçada...
ALGUMAS
Algumas palavras nos chegam
Rabiscadas em papéis rasgados.
Formando textos difíceis.
Desprovidos ou carregados
Ao extremo de emoção.
Mas alguns papéis carregam,
A graça de conduzir secretamente
Algumas palavras tímidas.
Impossíveis de serem ditas,
Apenas com os lábios.
ANIMAIS DOMÉSTICOS
A manada de dois
Era o sonho de poucos
E a insegurança de alguns.
Mas a lua que do céu brilhava,
Não permitia a formação de sombras.
Para não calar o canto dos lobos
Brutalmente domesticados pelo convencionalismo.
NADA MAIS
Por favor, me perdoe!
Se já não sei reconhecer
Quando teu corpo ardendo em desejo
Chama apaixonado pelo meu nome
Se meu corpo frio
Não sabe mais esboçar os gestos
Que te agradam e te saciam a vontade.
Perdoa se teu grito não me é mais audível.
É que não tenho mais
O mesmo desejo por ti.
E se não podes aceitar um sorriso,
Nada mais tenho para dar-te.
