Poetas Portugueses
XIII - Emissário de um rei desconhecido
Emissário de um rei desconhecido
Eu cumpro informes instruções de além,
E as bruscas frases que aos meus lábios vêm
Soam-me a um outro e anómalo sentido...
Inconscientemente me divido
Entre mim e a missão que o meu ser tem,
E a glória do meu Rei dá-me o desdém
Por este humano povo entre quem lido...
Não sei se existe o Rei que me mandou
Minha missão será eu a esquecer,
Meu orgulho o deserto em que em mim estou...
Mas há! Eu sinto-me altas tradições
De antes de tempo e espaço e vida e ser...
Já viram Deus as minhas sensações...
"O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito."( Fernando Pessoa) / "Vem daí a importância do saber perdoar".(Juan Galvez)
Se me perguntardes se sou feliz, responder-vos-ei que o não sou.
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.
E ponde na cobiça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente:
Milhor é merecê-los sem os ter,
Que possuí-los sem os merecer.
Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro em mim a vibrar.
Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.
E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão nocturna que me guia.
Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.
A necessidade do exemplo sempre logra com êxitos o aprendiz que se alegra, se fazendo necessária no preciso tempo maturado, fato que recua as impobridades das audácias que se beneficiam dos mesmos eventos.
A proteção com que guardas as dádivas da vida jamais serão confundidas com o medo a que se refere a importância decorrente de seu suor interno.
É verdade que nossa alma guarda sentimentos, os preciosos ninguém jamais conseguirá tocar, por seu significado universal chamado pureza de melodia.
Pouco sei das escondidas causas incontidas em náuseas, muito menos do que é asquerozo mas capricho é algo insuportável.
Àquele que vive a beira de regras linguísticas, jamais conseguirá compreender que nem sempre se separa vírgula (dê) sujeitos.
O medo e o respeito à muito se fundiu, (benefícios do tempo) a ambos guardo reverência, sua renovação está no movimento o ponto em que se "guarda" suas respectivas providências.
O verbo encarcerado suspirou por sua amplitude de significados, sorvendo com a canalização dos facultados egos ordenados, regra dos emplacados.
O perfume é um ser espargido por todas as flores, um agora que ocasiona sua real natureza, especificamente orquestrada.
A verdade é que muitos querem transformar água em vinho, mas esquecem que é (de) fé que se procede o caminho.
Não se perca re-criando àquilo que já está criado, transmute em translúcidos, respeitando a superioridade do passado.
Imobilizar o passado é o mesmo que deflagar o tempo, um modo in-quântico cárcere, um fenômeno causado por àqueles que se lançam e depois fogem das lições da vida.
