Poeta
SONETO EM DESPEDIDA
Até logo! Aqui ficam férteis momentos
do meu viver. Na lágrima levo a aurora
na bagagem o mundo, vou-me embora
o abrigo que cá havia, agora lamentos
Na memória a saudade em penhora
se foi inglória, porque tive detrimentos
e é nas perdas que tem ensinamentos
e vitórias na vida, basta, é hora agora
Nesta mais uma passagem, portentos
vim com amor, e vou com amor afora
tento no coração bons sacramento
Sigo, para trás fica o tempo outrora
o céu claro são alvos adiantamentos
Goiás, despeço-me, a gratidão chora
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
Cerrado goiano
ALVORADA NO CERRADO (outono)
O vento árido contorna o cerrado
Entre tortos galhos e a seca folha
Cascalhado, assim, o chão assolha
No horizonte o sol nasce alvorado
Corado o céu põe a treva na encolha
Os buritis se retorcem de lado a lado
Qual aceno no talo por eles ofertado
Em reverência a estação da desfolha
Canta o João de barro no seu telhado
É o amanhecer pelo sertão anunciado
Em um bordão de gratidão ao outono
A noite desmaia no dia despertado
Acorda a vida do leito consagrado
É a alvorada do cerrado no seu trono
Luciano Spagnol
Agosto/ 2016
Cerrado goiano
SONETO "MEA CULPA"
Você que sempre foi especial, errei
Então, no meu erro, desculpa peço
É difícil perdoar! Sei! Árduo regresso
Eu confesso: -com remorso fiquei!
E nesta "mea culpa", algo lhe direi
Se o coração escuta, é progresso
Não é fácil arrepender sem acesso
Tão pouco indulto de quem o fazei
Então, com um afeto lhano modesto
No nada é impossível, o meu gesto
De contrição... Na minha incorreção
Nem tudo na vida nos é tão funesto
Pra que seja no amigo ato molesto
E neste soneto de amor: -Perdão!
Luciano Spagnol
27, agosto de 2016
Cerrado goiano
Homofóbicos são aqueles que agridem, discriminam, injuriam, ofendem, perseguem e negam justiça a um homossexual. Mas a livre e consciente discordância de seus posicionamentos é apenas um sagrado e democrático direito de todo cidadão que prefere os seus princípios!
De todas as regras universais, somente uma está acima dos debates e conceitos relativistas humanos: o amor!
Nunca se envergonhe de já ter chorado por amor, pois as lágrimas de quem ama são um dos últimos resquícios de pureza que ainda sobrevivem na natureza humana!”
A solidão é a verdadeira companheira da honestidade, pois ninguém que viva a plenitude da franqueza, terá amigos de verdade!
Eu não fumo, não bebo, não sou boêmio e nem dado a colecionar amantes. Sinal de que também não sou poeta!
Um homem é tão puro em suas intenções de amizade com uma mulher quanto um rato é leal ao seu dever de vigiar um prato de queijo!
Eu tenho profundo respeito por todo e qualquer ser humano, mas a minha reverência é algo exclusivo para as almas comprovadamente humildes!
Eu não aprovo a presumida substituição de um grande amor, assim como não creio que o advento da lua invalida o legado do sol!
A triste trajetória da vaidade humana começa no primeiro trágico momento em que recebe o primeiro elogio!
Se onde há fumaça, há fogo e onde há sintoma, há doença; então onde houver ciúmes e saudades, há amor!
