Poesias sobre palavras
O caráter não se revela plenamente nas declarações que fazemos sobre nós mesmos, mas nas escolhas que permanecem quando desaparecem as conveniências que sustentavam nossas palavras.
A certeza sobre o que existe além de nós exige mais do que percepção: exige fundamentos capazes de resistir ao interrogatório da razão.
Até que ponto aquilo que o Estado considera verdadeiro pode ser convertido em poder jurídico sobre os indivíduos?
Quando uma convicção sobre a verdade deixa de ser conhecimento e passa a funcionar como instrumento de poder?
Até que ponto aquilo que julgamos saber pode legitimar o poder de decidir sobre aquilo em que os outros devem acreditar?
O Estado que pretende conhecer a verdade última sobre o homem corre o risco de esquecer que também é formado por homens.
A dúvida não destrói a razão; impede que a razão se transforme em autoridade sobre aquilo que desconhece.
A tolerância começa quando o poder reconhece que não possui jurisdição legítima sobre a consciência simplesmente porque possui força sobre o corpo.
As emoções não são inimigas da razão; elas também contêm avaliações sobre aquilo que consideramos importante e podem influenciar a compreensão jurídica da pessoa.
Talvez a questão mais importante sobre aquilo que não identificamos no céu não seja o que está lá, mas quem possui o direito de decidir o que podemos saber sobre isso.
As pessoas compreendem suas escolhas também através das histórias que contam sobre suas próprias vidas.
Enquanto os homens disputam interpretações sobre o mundo, a natureza continua produzindo seus efeitos indiferente às nossas narrativas.
Cada indivíduo contém, em sua singularidade, uma espécie de processo completo sobre a condição humana.
A maior forma de liberdade talvez seja não permitir que terceiros detenham jurisdição sobre nossa consciência.
Toda norma revela uma concepção de ser humano, mesmo quando pretende falar apenas sobre comportamento.
O futuro pertencerá não àquele que souber mais sobre uma única coisa, mas àquele que conseguir descobrir as relações ocultas entre todas as coisas.
Escreveria um livro sobre o amor que sinto por você, mas também com apenas um único palito de fósforo, apagaria todas elas.
A realidade não se curva à narrativa que construímos sobre nós mesmos; cedo ou tarde, ela cobra evidências.
Quem confunde desejo com merecimento transforma a própria frustração em teoria sobre a injustiça do mundo.
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