Poesias que Falem em Mãos
É melhor ser luz sempre. E ficar feliz por ser a pessoa que estende as mãos para ajudar. Mesmo para aqueles que não merecem. Pois há muita ingratidão neste mundo.
Mas a vida vai retornar na mesma proporção.
Trago tintas nas mãos.
Cara respingada.
Paredes brancas, que eram ...
Nova imagem do sertão ficou e tem cor, cor de calor..
Mãos que criam,
que pintam e escrevem sem medo.
Sem travas.
Que travas??
Não se trava
Quais são suas placas, suas palavras, seus riscos?
Não diga nada.
Não critique, se tu não faz e não tem os teus.
A arte é livre...então crie.
Arte que se renova.
Todo dia ela levanta cedo e troca de roupa.
Nem as palavras que foram ditas, cantas e escritas.
Nem a tinta que ficou rente as unhas, não ficou pronta.
não foi terminada
Do meu ventre sai...a vida!
Da minha cabeça sai imagem em plena ação.
Nunca paro, nunca durmo.
Nem nossa arte
Nossa arte.
[Minha arte.]
Nossa poesia.
[Minha vida.]
indivíduo.
Ser que também não é sozinho.
Segurando em suas mãos
meu desejo foi algo simples,
apenas encontrar a "felicidade" !
Como sempre foi . . .
se perder nos devaneios
de um desejo sem igual
de cada instante de luxuria exaustiva
de um prazer quase saciável.
Dos lábios que um dia chegaram a encantar
um cuspe de desdém estancou o desejo
e desfeito o desejo tudo se foi . . .
Deixo aqui a resposta de que nada deixou,
nem mesmo a saudade do vazio.
palavras de coração para um coração vazio.
MÃOS INQUIETAS
Escolher aonde deixar as mãos
Pra não imitar ninguém
Ficou difícil com tanta gente no mundo.
Se vou pra praça
Tem gente sentada com as mãos no queixo, parece que pensa
Tem gente com as mãos na testa, parece que espera respostas
Tem gente com as mãos nas pernas, parece inquieta e quer partir...
Se ando na rua
Tem gente andando despreocupada com mãos nos bolsos, a vida parece boa;
Tem gente com as mãos na nuca, parece que não quer perder a cabeça;
Tem gente com as mãos na boca, parece que quer falar, mas não e a hora e o lugar.
Tem gente que balança as mãos, Parece ter raiva
Tem gente parada com as mãos no nariz, parece um chafariz e não saber aonde ir.
Sou de gente que ver tudo isso, pareço com todo mundo e sigo o meu caminho,
Tento controlar minhas mãos.
Bondade
Estenda as mãos. Se tens o quê dar O quê for seu, E se podes ofertar. Nada espere, pois a esperança fere a alma.
Estenda as mãos Seja voluntário sem culpa Sem desculpas de afeição Sem entrega cega de agradar.
Estenda as mãos Com porção medida na necessidade, Nas suas e das dos outros Nas necessidades da alma, nunca nos desejos que passam.
Estenda as mãos Espere as palmadas Espere a negação. Espere as piadas da ingratidão... Espere a solidão do caminho Espere o sangrar das mãos que estendes Espere o sangrar da alma.
Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Salmos 19.1. A cada manhã que o sol surge no horizonte,é Deus falando conosco, renovando sua misericórdia e seu amor pela humanidade, dando vida a terra, e consequentemente a todos nós.
Nas suas entranhas,
mãos estranhas.
Era violação.
Arrancaram-lhe
a inocência.
Arrancaram-lhe
a vida.
Sentiu-se morta
mesmo sem culpa!
Sentiu a dor,
engoliu seco o rancor
daqueles monstros
que até falavam sobre amor!
esperando contato
entre nossos corpos
de mãos dadas
vivendo nossos sonhos
numa reação de amor
uma dança animada.
o tempo foge das mãos
enrugando a pele em detalhes
ao amortecer da vida,
declarando um novo alvorecer.
Num sonho distante
Vejo em minhas mãos
O desejo de vencer
Sentir a liberdade
Abraçar a vida
Andar de mãos dadas com a alegria
E ser melhor amigo do amor.
Escrevo de olhos vendados
Na imensidão do ser,
Mãos amarradas ao corpo
Vontades que ficam no caminho
Entre perdas e ganhos
Vou tecendo sonhos
Como se não houvesse amanhã.
Mãos trêmulas, o medo que prende
Como um aviso, uma premonição
Trazendo confusão e a mente se rende
Ao terror do acaso tirando o atraso
De um amanhã melhor
Que só vejo em sonhos distantes.
Minhas mãos
Secando as lágrimas do rosto
Num gesto de amor,
Dizendo que depois da tormenta
Vem a calmaria e o alívio.
A ingratidão não consegue limpar com suas próprias mãos o mesmo prato no lugar onde fora alimentada
Imagine suas mãos, se estão fechadas, você não consegue receber nada novo.
Agora se estão abertas, tudo pode vim e ir,
Desapego é isso
É aceitar o fluxo natural da vida.
DOCES LEMBRANÇAS
O passado tem braços longos,
Tem mãos como tenazes,
Tem pernas compridas
Tem pés gigantescos
Que pisam na minha cabeça,
O passado é como uma tigresa
Dos dentes de sabre
Que tem minha cabeça
Entre suas presas...
Que tem meu coração
Pulsando na relva
E tem minhalma vagando sobre os lagos
Dançando as valsas
De madrigais inesquecíveis,
Doces lembranças que não se dissiparam...
Tapioca
Com suas mãos sofridas e negras,
A goma molhada é esfarelada
Enquanto me fala da vida...
E nela algo me diz,
Que a áfrica é Vó de todos os brasileiros,
A fécula repousa,
O descanso que os negros não tiveram,
Mas minha Vó tem o sorriso,
Tem o prazer pela vida,
Que correntes, troncos e rebenques não lhe tiraram...
O leite de coco, feito com esmero
Corre entre seus dedos,
Ralado e esmagados por mãos potentes;
Enquanto a tapioca é assada,
Ela me fala com certa nostalgia,
De um amor do passado,
Nesse momento os olhos
De vovó são como o lago,
Mas nenhum guerreiro mostra o seu lado fraco
E quando a tapioca cheira, ela pega a frigideira
E no movimento rápido vira a tapioca,
Então me olha com carinho, neste rico país
Que ela ajudou a construir;
Morando sob uma humilde casinha de taipa,
De piso morto, ela ainda é feliz...
TADEU G. MEMÓRIA
NOTRE-DAME
Mentira do passado... aquela ansiedade, a taquicardia, a pressão, as mãos frias, as pessoas passando e rindo de mim, naquele minuto que você se atrasava... o trem me atropelava lá na estação com aquele barulho e o seu brilho de prata, como uma espada afiadíssima e os meus pedaços se espalhavam até que você aparecia e eu renascia como uma fênix... o que era aquilo? Aquela dependência... eu voava até as montanhas de Nova Iguaçu, até o pote de ouro que guardava o brilho de todas as estrelas, ali eu guardava as luzes daquele sentimento, até que nossas mãos se encontravam e o mundo voltava a ser meu; o sol só se punha quando você dizia as palavras mágicas...então o quasímodo subia na torre da igreja e badalava todos os sinos como uma homenagem à paixão como em Notre-Dame... mentira; a ilusão é fantasiosa e Nova Iguaçu tem seus limites... o Sena da minha imaginação afogou meus delírios e hoje diante do espelho eu me vejo um quasímodo sem nenhuma catedral.
FANTASMAS
meu pai chegava do trabalho
sempre com algum alimento nas mãos
minha mãe alegre fazia uma oração
havia muita harmonia e poucos deslizes
era uma época que eu não sabia que éramos felizes
agora desbota o passado em fotos amareladas
meus fantasmas vão perdendo seus sorrisos suas faces
mas um ou outro olhar vai além de fotografias
se aconchega às reminiscencias do dia à dia
um dia meu pai chegou com um cara muito alto,
era um amigo do trabalho,
aquele cara seria o marido da minha irmã
e foram felizes para sempre,
sempre que foi possível
minhas últimas lembranças de meu pai
mostram ele num canto
com dificuldades pra respirar e muito pigarro
foram sequelas deixadas pelo cigarro
então numa tarde, na editora, enquanto eu empacotava a vida
um telefonema de minha mãe avisara que meu pai tinha partido...
jamais consegui empacotar aquele momento...
fria é a solidão,
de olhar abstrato
e mãos vazias
alfarrábios de sonetos inertes
bustos perdidos
em bronze e concreto
