Poesias de Tristeza Pois Perdi meu Avo
Pra eu gostar
não é preciso ter nada demais
me basta aquela beleza
que não se vê
pois esta não se desgasta
Uma franqueza única
daquelas que não se explica
tampouco sabe que tem
simplesmente existe
Quando tudo mais se vai
é isso que fica
aquele tipo de alegria
que não carece de sorriso
Que não quer e nem se ocupa
Em pensar no que a gente pensa
Deixa a gente feliz
com sua modesta presença
Não é preciso fazer festa
nem ter nada que mande buscar
aquilo que o mundo venda
As pessoas de maior valor na vida
São aquelas que não se compra
A pessoa mais bela
nada diz e nem pergunta
sabe daquilo que a gente gosta
e faz
sabe o que a gente não gosta
e não faz
e gosta do que eu faço
sem fazer propaganda
Não obedece e nem manda
e mesmo assim, faz tudo certo
Se eu gostar
Quero que esteja por perto
e conte comigo
Praquilo que vier e não vier
e que me faça sentir saudade
Sempre que não estiver
Amanhece mais um dia
A luz distante desvia a atenção
de meu amigo solitário
Pois prenuncia o nascer de um lindo dia
A tristeza no coração desse homem
Que muitos pensam ser de lata
Faz pensar em lembranças que o consomem
Sentindo-se perto do fim
Fica na duvida
Se ele simplesmente não se mata
Ou se cuida do jardim
Afinal,
Talvez chova hoje à tarde
Melhor não pensar nas dores
Se eu me infligir este mal
Quem é que vai cuidar das flores?
Os milagres que existem no Mundo
Eu os vejo nas menores coisas
Mesmo que sejam grandes
Pois é nos detalhes, que se escondem
os seus significados mais profundos.
A escuridão que precede o amanhecer
traz junto a si uma paz e uma temperatura
Que a gente não há de ver ou sentir
Em todo restante do dia
O canto dos pássaros ao longe
Misturando-se ao silêncio
entrecortando-lhe, extingüindo-o
Findando-lhe aos poucos
A coloração acinzentada
misturada a uma tonalidade rósea
é a luz do Sol brincando entre as nuvens
Tornando menos plúmbeo
o milagre pluvial
Algo lindo de ser ver!
E assim
A noite e o silêncio morrem
Na rua as pessoas correm feito loucas
Quando cumprimentam-se, velozes
Suas vozes denunciam, roucas
Um misto de tristeza e alegria
Pelo milagre do nascer de mais um dia
Bom dia!
Se Deus me concedesse hoje
O direito a um único pedido
Eu não pediria prata e nem ouro
Pois nunca os tive e jamais precisei
Não pediria beleza ou juventude
Pois já as tive e não soube o que fazer
Não pediria nem saúde ou paz na vida
Optaria por pedir
Somente sabedoria
Pra saber dividir o pouco que tenho
Com aqueles que trilham comigo
Pra nunca angariar inimigos
Pra conhecer a palavra certa
E ouvir o silêncio das pedras
E enxergar os espíritos das árvores
E orientar corretamente
A quem de mim precisasse
E nunca desperdiçar uma semente
E saber compeender a ingratidão
E pisar corretamente
Em cada chão por onde eu passasse
E compreender e saber respeitar
cada opinião, cada sonho e cada religião
E saber traduzir cada mensagem
Que Deus nos envia
Através dos ventos
Através dos séculos
e até por intermédio do sofrimento
Eu não pediria a Ele nenhuma resposta
Pois eu já as teria em mim
E seria eu a solução
Pra tanta angústia que domina
A cada coração sem Deus.
Em penso em coisas pra dizer
e muita coisa não digo
Pois suspeito ter perdido o prazo
Deixo em suspenso
Pode até parecer que não ligo
e que não vem ao caso
Aquilo que não tem mais jeito
Levo comigo aqui no peito
Essas coisas me dividem em quatro
Corpo, alma, coração
e sonhos que sonhei antes de ir dormir
Quando acordei eu percebi
Que eles de fato tinham ido embora
Mas nasce o Sol
e doura a terra de outra cor
Não faz diferença
Quantos Sóis que nasçam
ou quantos planos faça a alma
Uma hora a noite vem
Meus olhos não veem ninguém
Pra sonhar junto
tudo fatalmente se despedaça
Procuro coisas que me façam
Pensar em outro assunto
Tento outros sonhos pra esquecer
Tem horas que eu paro e penso
Que custa muito caro este querer
Quando cada manhã
Amanhece mais ingrata
Se eu tivesse uma alma barata
venderia tudo isso
Por muito ouro
e muita prata.
Nesses anos que eu tenho de vida
Nunca vi nada perfeito
Pois eu jamais busquei a perfeição
Se algo assim passou por mim
Simplesmente não dei-lhe atenção
Nesses anos que vivi sem atenção
Nem nos meus piores pesadelos
Tive a pretensão de parecer
Artista, Poeta ou algum tipo de eleito
Me contento em ser apenas
Este ser, que alguém fez de qualquer jeito
E que depois desses anos
Enxerga mal, caminha lento,
não dorme de madrugada,
acorda cedo e passa o dia a fazer nada
E tem vivido dias perfeitos
Ciente que a perfeição não existe, pois
Se há no mundo algo perfeito
é exatamente aquilo
Que a gente sabe
Quais são e onde estão
Todos os seus defeitos.
Quando me vires rindo
Não penses que está tudo lindo
Pois, talvez eu esteja só mentindo
Sempre propenso a me esquecer
Há coisas que eu até aprendo
Me arrependo e desaprendo
Começo tudo de novo
Eu faço a prova dos nove
e fico fora
Me movo pelas calçadas
Vou-me embora
Sobra o nada
Existem coisas tão bonitas
Que a gente pensa
Que não estão aqui,
Não acredita e não espera
Pois elas estão escondidas
Atrás daquela densa atmosfera
Que criamos ao nosso redor
Que é pra nos proteger
E tornar este mundo
Um lugar um pouco pior
Essas coisas bonitas
Existem de verdade
Estão espalhadas
Nas coisas grandes
escondidas nas pequenas
Aguardando apenas
Um pouco de boa vontade
Pra poder saltar aos olhos
de quem não acredita
Que fadas vem na madrugada
E que há Anjos
caminhando na Avenida
Não crê
No Sorriso de Deus no pôr do Sol
E Seu Olhar, a nos guiar no escuro
Nosso Farol, Nosso Porto Seguro
Seu carinho na chuva que molha
E a nova vida que brota
Protegida
Sob a folha rota
E se oculta aos olhos de quem
Não vê e nem quer ver
E passou pela vida
Sem ter aprendido nada
Quando a tarde estiver cinzenta
e você se sentir sozinho e esquecido
não desista, pois nem tudo está perdido
nos momentos em que o mundo te vira as costas
sorria e continue fazendo as suas apostas
quando aqueles a quem você ama
te deixarem perceber
que o amor deles não é mais igual ao seu
não lhes deixe perceber
que a sua esperança se perdeu
não, não desista de ter esperança
este mundo é apenas um palco
e sua vida é uma dança
mesmo que seja uma dança das cadeiras
talvez seja isso mesmo que ela é
portanto, quando perder
você ainda estará em pé
haverá de chegar o dia
em que, antes que ela seja
para sempre e completamente esquecida
você terá a chance de olhar para trás e dizer
Esta foi minha vida.
Voltando pra casa
vou cantando pela estrada
estou sorrindo
pois não há hoje
nada
Que me tire esta alegria
de Olhar pelo caminho a luz do Sol
As verdejantes folhas
passeando no caminho
Os pássaros alegres
Num alegre vai e vem
Pelos seus ninhos
e outros
Num alegre vai e vem
a formar novas famílias
borboletas e romãs
Maçãs e silhuetas
de anjos
alguns tocam trombetas
outros Harpa
e outros banjo
Eu estou à caminho de casa
Mas não da casa
Aonde não gostavam de mim
Eu estou a caminho de outra casa
De onde eu parti há muito tempo
E volto hoje com o sentimento
e a certeza
de ter finalmente cumprido uma missão
cuspiram no meu rosto
Me enganaram
Recusaram-se a apertar a minha mão
então
Estou feliz
Pois mesmo assim
consegui fazer
tudo que eu fiz
e nada mais me resta
A não ser
caminhar
caminhar de volta
para a linda festa
que me aguarda
no meu lar
de onde
há muito parti
"Entre os que pouco fazem, os que nada farão.
Que eu consiga seguir fazendo pouco!
Pois receberemos de volta
as mesmas ações as quais dedicamos
ao próximo como fruto.
Pois essas ações serão como sementes
as quais plantamos durante a vida.
E uma pessoa que nada pode fazer
por condição ou por escolha.
Se ela mesma se nada fizer, por si só
já estará fadada ao próprio fracasso"
(Do nosso amor próprio para um outro amor)
"Não me procure em outros templos,
pois não é lá que eu habito.
O templo em que estou, você mantém fechado,
mas, às vezes, você abre...
Mesmo quando outros como eu veem a porta do seu peito,
você disfarça, pois reconhece:
é por mim que seu coração bate mais forte.
Ah, se você soubesse como é bom deixar entrar,
permitir que caminhemos lado a lado.
Não ser escravo(a) da escuridão, nem do passado.
Meu amado(a), deixe-o(a) entrar no seu coração.
E verá o rancor e a depressão perderem espaço.
Comigo, eu e ele(a) faremos sua vida florescer,
transformando sua história em duas histórias de glória.
Eu sei que o mundo tem te assustado.
Mas me dê uma chance de vencer.
Através da sua vitória, continuarei a me espalhar pelo mundo.
Ainda não venci a morte,
mas posso aliviar os seus pecados."
Nem sempre o pensamento
Te traz as melhores respostas
Pois existem coisas
Que simplesmente não as tem
E a ninguém é permitido
Estar correto o tempo todo
Não há quem tenha vivido neste mundo
E que não tenha cometido
Muito mais erros que acertos
E é nesses momentos
Que o pensamento
Muitas vezes surdo e mudo
Tem tudo pra tornar-se um grande amigo
Por não trazer-te
A solução mais errada
Pode ser
Que com um pouco de sorte
O Pensamento apenas conclua
Que se for
Pra confiar cegamente
Nas próprias soluções e inteligência
Melhor não saber de nada
Pois, além de normalmente estar errada
As tuas loucas ideias poderão carregar-te
Pra um lugar escuro e distante
Bem pior que tudo
Que pensa saber que sabe
Essa tua pouca inteligência.
Edson Ricardo Paiva.
Um amor com sentido.
Eu quero um amor que me ame
Um amor que não me amou
Pois, a bem da verdade
Não existiu, não ensinou-me amar
Eu, por não saber o amor
Não o sei dizer como é
Eu quero que um amor me queira
Sem saber que me quer
Um amor que ame sem pensar
Que chame meu nome
De maneira inconsciente
Que fique contente ao saber de mim
Sem saber nada a meu respeito
E que mesmo assim
Esse amor me ame do mesmo jeito
Que acorde com saudade
Que se deite tarde da noite
Feliz por saber que existo
Triste por eu não estar por perto
Um amor que espreite
Atrás da grade da janela
Esperando eu passar
Tentando ser discreta
Feliz por me amar
E que não desperte suspeita
Que ama
Mas que ame sem medo
E que tenha grata esperança em meu lugar
Pois viver sem ser amado e nem querido
É coisa que cansa, mas não mata
Mas, em virtude dos amores ruins
Que eu sei que existem nesse mundo
E quando a gente pensa
Num amor que sempre quis
E sabe possível haver amor assim
Meu espírito feliz, consente
E é nesse momento
Que a vida passa a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva
Poesia Sutil.
Eu penso ser muito bom
O fato de a flor não saber
Pois, se a flor dedicasse atenção
À tamanha admiração
daquele que a fita
Pode ser que aconteceria
de a flor então desejar
Querer ficar mais bonita
A estranha rareza a que se busca
Alçada no ver da vaidade
é beleza irreconhecível
Pois o olhar da cobiça a ofusca
Conduzindo almas perdidas
Nos caminhos da ilusão
Felicidade ... rara; querida!
Pobre plágio de alegria
A transforma num fácil jogo
E vem a falsa impressão
de estar dando as cartas
Farta-se em vê-las perdidas
Difícil esse jogo da vida
Perceba a felicidade
em andrajos vestida
Fingindo desenxabida
Morando na casa ao lado
Simplicidade é ter um valor
Invisível aos olhos de ver
Que nem ao menos pára para iludir
Infinita ... reluzente
Milhões de vezes mais cara
Real essência da vida
Modesta, invisível
Contrasta ao que não se basta
Do desejo em possuir
Àquilo que a alma enleva
Palavra jamais aludida
Uma entrave obsessiva
Insistente em mentir pra verdade
Suave arremedo, perdida
Enquanto a beleza mais bonita
É o fato de a flor
Ser bela sem o saber
A beleza mais bela da vida
É aquela que a gente não vê.
Edson Ricardo Paiva.
" Quando alguém conquistar tua confiança à primeira vista, desconfia... pois à vista, nada se fia. E o que existe pra ser eterno, não se conquista em um dia"
Edson Ricardo Paiva.
Luzes.
A melhor qualidade da alma
Se esconde na faculdade
dela não poder ser vista
Pois é isso que intensifica
Essa luz que determina
A nossa maneira de lêr
O mundo que nos rodeia
Pois de todas as janelas
Que nele existem
As paisagens sempre haverão
de mostrarem-se diferentes
Olhando por elas se aprende
A enxergar a verdade que vai
Separada do todo que fica
Uma certa sensibilidade
No tato mais apurado
Distingüir de lama
A água cristalina
Sem jamais esquecer
Que do lodo a colheita germina
Pois assim se aprende
Que não nos é dado o direito
A prescindir de nada
As causas da vida são muitas
E a corrente do rio
As vai tornando diferentes
Quando juntas
Eternamente separadas
Apesar de aparentar pequenas
Apenas acontecem
Pra que a gente entenda
Que em todas as dimensões
Um olhar mais acurado
Não desvenda o segredo da vida
Mas indica a direção
Que de certa forma nos aproxima
Ao Sublime conhecimento
Da existência de algumas normas
Unindo a luz, cá de dentro
À luz que vem lá de cima
Em cada Universo um poema
E em cada verso uma rima.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje
Pensei que fosse
por acidente
Pois encontrei-me comigo
Achei que era sorte
Pois era aquele lado de mim
Que era amigo
E que eu nem percebia
Que tinha deixado saudade
Mas como o acaso inexiste
Cheguei a sentir-me um tanto triste
Quando percebi
Que ele esteve sempre aqui
E era eu
Que tinha me afastado
De mim mesmo
Acontece
Que isso acontece
Muito mais do que se pensa
Mas o tempo passa depressa
E um dia, de repente
A gente deixa de perceber
Que existe sim, diferença
Entre viver somente
E viver
E querer estar comigo
Gostar de mim
Assim, do jeito que eu era
Imperfeito, assim como sou ainda
Porém um tanto mais vivido
Pois, não existe
Ninguém neste mundo
Mais indicado que eu
E esse meu lado que gosta de mim
Pra poder me aconselhar
Nas horas que pensar em ficar triste
E agora
Vou estar comigo
Até o fim
Só não sei por que foi que eu permiti
Que a vida toda
Não tenha sido assim.
Edson Ricardo Paiva.
Não tive medo da vida
Pois quando aprendi
O sentido da palavra medo
Eu estava muito ocupado
Vencendo todas as dificuldades
Que, por si só
Teriam destruído a vida de muitos
Não tive tempo de sentir medo
Pois o tempo não parou pra isso
Nem busquei uma causa, razão
e nem motivo e nem sentido
A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia
Qual fosse um castelo de areia
Quando a gente tenta e tenta
E não tem por onde
Pois quando não venta forte
Vem sempre uma onda
De modo que no fim da tarde
A gente percebe
Que nem tudo está perdido
Há uma palavra escondida no vento
O tempo, sem pressa ensina
Que a beleza das coisas
São como promessas, escritas na areia
Mas quando a gente tanto insiste
Em tentar fazê-las
Aprende a fazer desenhos
Nas estrelas que o Céu ponteiam
Por isso não tenho medo
e também não me sinto triste
Existem mais delas no firmamento
do que todas as areias sem firmeza
Que o vento, sem dó
Carrega por entre os dedos
Talvez, por não ter sentido medo
É que descobri
O sentido da palavra vida.
Edson Ricardo Paiva.
Cada coisa em seu lugar
Pois, cada qual tem seu tempo
Somente a dor não tem par
Mas pro erro, há comparação
A todo mal, seu lamento
Lentamente
A folha amarela no outono
O plano antigo de viagem
A chance de ir lá
E ter como certo a miragem
O vazio do deserto
Anda propenso a estar por perto
Penso, que apesar de imenso e frio
É um lugar que não me cabe
A própria vida que se sabe
Uma ilusão
Olhares pra além do horizonte
Além de horizontes, verão
Há, pra cada espera, o momento
Cada flecha lançada, aflição
Para todas escolhas, colheita
A doçura do mel, talvez não
Para toda falsa luz
Existe a sombra da verdade
E, pra toda liberdade, uma prisão
O alento é na outra estação
Quiça, cada luz tem seu Sol.
À boca de meias-verdades
Um ouvinte que se foi
A batalha que você não vence
Era sua e sequer lhe pertence
Na página seguinte
Todas as imagens belas
Mas alheias
A cada mar o seu vento
E pra toda nau sincera
Procela, escuridão, a vela sem direção
À goteira, o telhado que não desabou
O ás do baralho perdido
O curinga que se esconde ao lado
A palavra que faltou
O desconto no mercado
As fases da Lua
Para a frase o ponto final.
Nuances de uma mesma face
A escada que ninguém galgou
Estrada pouco iluminada
O lugar da partida, o adeus
No cume de qualquer montanha
Há o início da descida
No passado de qualquer memória
Vaga lento um vaga-lume
Num canto esquecido, uma noite qualquer
Mas o tempo vai trazer dezembros
Para tantos janeiros quanto houver.
Edson Ricardo Paiva.
