Poesias de Luis de Camoes Liberdade
Corra atrás
Mas corra atrás de ti mesmo
E quando correr por alguém
Corra atrás de alguém que também corre até você
Seja assim
Eterno companheiro da proatividade
Amigo da paixão
Da declaração
Do impeto
Mas eterno inimigo da ausência
Da falta
Da passividade
Te bendigo
Eu te bendigo
Porque há uma dor tua
Doendo em mim.
Bendigo ainda mais
Porque há uma luz dos teus
Iluminando os olhos meus.
Te bendigo, enfim,
Porque te abrigo
Dentro de mim.
Escuro
A noite ocultou as ondas,
Sem silenciar meus ouvidos.
Doce embalos de ninar,
Doces ondas de amar.
Desenhei o paraíso
E nele me deitei,
Ouço a canção de sonhar,
Adormeço ouvindo o mar.
O SONHO
Perto de uma curva de uma longa estrada, morava um menino que sempre sonhava...
Sofria demais vendo o tempo passar, calado no canto vendo sua mãe chorar...
Nas lavouras suava, nem sempre queria, sem outra saída,dormia com a barriga vazia...
Perto da curva onde morava, seu futuro o esperava...
Quadro, giz, e um professor, fez ele sonhar em ser doutor...
O menino que tanto sonhava, sorria com os livros que estudava ...
O tempo passou, o seu mundo mudou, sua mãe já não chorava, pois conseguiu ser o doutor que tanto sonhava...
Esse é o poder que um giz, quadro e Professor faz mudar a vida de quem sonha em ser Doutor...
Do seu coração ainda
Nascem flores
Numa magia
De perfumes
Que em senti-los contagia.
Melodias serenas
Canções da infância
Para ninar lembranças
Que o tempo acorda.
Recordações que brotam
Do céu da saudade
Lá mamãe está
Lá está a vida.
A dor?
olha, ela vai ser
sempre menor
do que o alívio
de acariciar a cicatriz
A vida é curta
por isso
não morra antes
de ser feliz
A frente
Um muro
Um abismo...
O Futuro.
Hoje sou feito de versos
E amanhã?
Água descontrolada
Inodoras
Gelo derretendo
Lama escorrendo
Ficção?
É sabido
Nada sei,
Mas ainda sonho.
Na mente surge suave
A imagem da poesia
Estampada na escrita
Que vai surgir.
Mistura homogênea
Entremeio de rimas
Em metáforas buscadas
Na suposta inspiração.
O poeta lírico
Busca nos sonhos,
As verdades,
Ou mentiras críveis.
Na ânsia de libertar-se
Põe os suspiros na boca da alma
Os olhos perdem-se no tempo
E o coração bate compassando
Rimando versos melódicos.
Descansa leve
A porta está fechada
Não haverá
Monstros na madrugada.
Repousa sem medo
A morte não virá e,
Se ela vier, não temas
Morrer é da vida,
A alma em subida
Cantará melodias de ninar.
Nada é mais certo,
Se for a hora,
Em poucos segundos
Dorme-se para não mais acordar.
Para ser feliz é preciso fechar os olhos
E fascinar-se com o que se vê.
Encantar-se com os lábios
E desejar o beijo.
Saber que a beleza aproxima
E o amor perpetua.
Sorrir ao ouvir você dizer meu nome
E sentir o mesmo ao pensar no seu.
Entender o que é saudade
E saber que nunca a sentirá.
Não foi por acaso
É que eu queria cantar
Me inspirar
Ancorado em tua sombra
Sem te citar.
Embalar o amor
Em letras de ternura
Gravando com doçura
Teu jeito de amar.
Janelas sacodem
Vento, nuvens densas,
Raios e trovões.
O medo da tempestade
Preenchendo-me sem dó.
Primeiros pingos
E a infância brinca na memória.
Em meu olfato
Beiras de rios
Gramado descalço
Frutas selvagens
Molhadas no mato.
Anos descritos em
Minhas rugas e
Em meu olhar flash de lembranças.
Deito-me
A vida não costuma demorar.
Lembro que eu vendia alguma coisa
Sempre se tem algo para vender.
Um dia escrevi um texto
Todo mundo escreve algum texto.
Alguém leu minha escrita
Sempre tem algum curioso que lê.
Mais tarde, bem mais tarde
A sugestão para publicar.
Eu vendia alguma coisa.
Era minha profissão (de fé).
Eu escrevia alguma coisa
Coisa qualquer.
Futuro
Como será o amanhã?
Não sei.
Não entendo de futuros,
Observo, apenas.
Sem palavras se diz mais e
O silêncio é futuro que se faz.
Noite fria
A noite prateada entrou gelada.
Só um zumbido do minuano,
Igualmente gélido se ouvia.
Tímida a lua parecia tremer
Ao ver nos vidros partículas de gelo,
E o fogo na lareira a crescer.
Pensei que tudo congelaria
De dentro vinha o frio que eu sentia,
Mas alma arrepiada me blinda,
Pois a noite, assim mesmo, é linda.
E no amanhecer avistei,
Em meio ao campo de branco lençol,
Um cavalo solitário
Parecendo feito de sol.
Super real
Não faço da poesia um drama
Nem da vida uma fantasia
Crie-me num ambiente sem fama
Onde herói não existia.
Caio sem receios no lugar comum
Sem criar nem dizer nada original
Não conheci super-herói nenhum
Cresci num mundo “super real”.
Lá o progresso não tinha chegado,
Lá os poderes eram falhos e normais
Tendo eles seus filhos bem criados,
Heróis de verdade eram nossos pais.
Negou-me, a vida, esta parte.
Talvez pondo outra em seu lugar,
Brinquei com minhas próprias artes
Heroísmo era poder se alimentar.
Em mim
Em mim morrerão os amigos,
Os encantos da juventude
As tardes adultas de matinê
As nadadas nos açudes
As noites de chaminé.
Em mim morrerão os dias
Que antes eu nem percebia
Que poderiam falecer.
Em mim morrerão os que amo
Olhos que brilharam nos meus
A voz feminina da saudade
Os que de mim nasceram
Na plenitude da idade.
Em mim morrerá a lua
O mar azul de encantar
A inspiração não mais brotará.
E a poesia silenciará.
Em mim morrerá a rima
Os versos brancos das composições
De mim morrerá a poesia
E as mais lindas canções.
Em mim morrerá, enfim
O que sempre me cercou
Todos meus versos de amor
De um coração que me matou.
