Poesias de Gregorio de Matos Guerra

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⁠#O #TREM

Soavam 5 horas da manhã...
No ar um cheiro forte de café fresco...
Um pão banhado na manteiga...
Badalo de um sino...
Um dia um trem passou por aqui...

Levava e trazia as pessoas...
O túnel dava seu ar de mistério e medo...
Em bons tempos de criança...
Caminhando sobre os trilhos...

Tanta busca da felicidade...
Tanta gente simples...
Outras tantas humildes...
Muitas cheias de vaidade...
Hoje tudo só é saudade...

Carregou gente pobre...
Carregou gente com dinheiro...
Carregou imperador...
Escravos e fazendeiros...

Levou e trouxe amores...
Para a guerra partiu...
Muitos foram e não voltaram...
Muitos ninguém mais viu...

Gente feliz de verdade...
Coração banhado em bondade...
Lenços acenados...
Belos olhos marejados...
De corações apaixonados...

A viagem, se longa, não sei...
Mudar o rumo, talvez...
Será sempre um passeio viver...
Conduzir e ser conduzido...
Dar à vida...
Um sentido...
De poder ter existido...

De tudo que viver, uma coisa é certa:
Não se canse da viagem, prossiga
Um trem hoje parado...
Já passou por aqui...
Nunca desista...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠É a minha lei viver de amor...
Morrer não quero...
Desfalecer...
Sufocar de prazer...
Até na dor...

Sim...
Amar também dói...
Aperta o coração...
Nos tira o chão...
Faz a gente contar as horas ...
De agonia ...
Não ver o tempo passar...
Também nos tira a sabedoria...

Mas amar é bom...

No encontro das mãos...
Na troca e entender de olhares...
Saudades que não tem fim...
Pensar sempre na pessoa amada...
Em qualquer tempo...
Em todos os lugares...

Não há tempo consumido...
Nem tempo a economizar...
Além do amor, não há nada...
Apenas amar...

Um querer diferente...
Que envolve e doma a gente...
Harmonia suave...
Mas também insensatez deslumbrada...

Buscar sem saber o que busca...
Sem perdão e sem disfarce...
É lume que arde...
Na alma e no peito...
Deixando a gente sem jeito...
Igual a criança tola...
Que acredita no que, às vezes, não vê...

É viver entre a paz e a guerra...
Derrubando as distâncias...
Fazendo manhas...

Fatigado é procurar abrigo...
No seio ondes moras...
Enquanto a vida acontecendo lá fora...
E o antigo vazio...
Sendo preenchido...

Que hei-de fazer senão sonhar...
Não quero morrer de amor...
Quero viver...
Vivendo para te amar...

Sandro Paschoal Nogueira

#Me #diga #uma #palavra...

Para que eu possa fazer os sinos dobrarem...

A dança das horas pararem...

O tempo não escoar...

Me diga uma palavra...

Para que o céu seja sempre azul...

Para que eu possa criar asas...

Brincar com o vento...

E nas auroras douradas moldar as nuvens...



Me diga uma palavra...

Para que as flores sejam sempre viçosas...

Os caminhos sejam sempre floridos...

Pássaros e cotovias cantem em uníssono...



Me diga uma palavra...

Para acalmar os rios...

Refrescar a terra...

Trazer a bonança...

Acabar com as guerras...



Me diga uma palavra...

Que contenha o universo...

Que o mistério da vida seja revelado...

Para que o verdadeiro amor seja um fato...

Para que eu possa dançar em meus sonhos...



Sandro Paschoal Nogueira

— em Valença (Rio de Janeiro).

⁠A gente percebe que os países morreram dentro das pessoas quando se vê uma platéia aplaudindo a invasão de outro país ou defende uma invasão futura a um país. Gente assim não é gente. Gente assim é nada ou passou
a ser um nada na vida. Simplesmente morreram em vida.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠O tempo está passando
e eu não estou brincando,
Muitos ali morreram,
e eu sigo clamando...

O pedido de socorro ainda
não chegou na caixa-postal
correta para salvar as vidas
dos heróis feridos de Azovstal.

O tempo está passando
e ninguém está escutando,
Muitos ali morreram,
e eu sigo gritando...

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠A Orquestra Kalush
venceu o festival
e pediu ajuda aos seiscentos
heróis feridos de Azovstal.

O festival acabou
e não se esqueçam dos Heróis...

O som de Stefania continua
na boca do povo,
e continua a guerra de novo.

O festival acabou
e não se esqueçam dos Heróis...

Das trincheiras do mundo
serei sempre o último soldado,
e por nada iria me entregar.

O festival acabou
e não se esqueçam dos Heróis...

Da trincheira poética
eu mesma me comando,
e da rebelião eu sou a pedra.

O festival acabou
e não se esqueçam dos Heróis...

Bombas de fósforo sob Azovstal
estouraram nos meus olhos,
mas não os meus sonhos.

O festival acabou
e não se esqueçam dos Heróis...

Não se esqueçam que ali
abandonados a própria sorte
feridos estão os heróis e eu aqui.

O festival acabou
e não se esqueçam dos Heróis...

O festival acabou,
Azovstal está no limite
e Mariupol sob mira resiste.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠O mundo todo sabe
que se foram
cento e dezesseis,
Neste instante já
devem ter sido mais,
Por causa de gente
que despreza
a paz e a vida
sempre tanto faz:

(Não foram os primeiros
e nem serão os últimos);

Enquanto existir
quem busque
qualquer desculpa
no passado o cajado
para tergiversar
criminosamente
a realidade presente:

(Só sei que gente assim não é gente).

Nenhum crime serve
para justificar outro
diante de tanto
sangue derramado;
E a vida de gente inocente
sobrevivente continua
correndo perigo no vil jogo
daquele que mente
e de quem cala consente.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Onde a paz não é cantada
prefiro não escutar nada,
o meu coração pertence
aos nobres guerreiros que
lutam por amor à Pátria.

O Mal que acusa uma
Nação daquilo que ele é,
nem mesmo apelando
à todo o alfabeto para
ocultar não vai dar pé.

Estão nos meus dedos
florescendo girassóis
para romper com medos,
e com toda a fé do povo
a Nação será reerguida.

O azul e o amarelo são
as cores do meu escudo
que iluminam mesmo
neste momento escuro
retribuindo a ofensiva.

Os artifícios do passado
para incitar genocídio
e crimes de guerra estão
vindo via folhetins e almas
vendidas fazendo vítimas.

Da trincheira universal
sou a combatente constante,
porque ninguém me põe
submissa ao autoritarismo
e pela liberdade sempre resisto.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠O perfume do terror invasor
está espalhado no ar,
Debaixo da ponte destruída
para salvar a minha vida
proteção tive de buscar;
Porque o teu amor
ainda quero encontrar
custe o quê me custar.

O jogo sujo não terminou
e quando li a ameaça sobre
Mariupol uma lágrima rolou,
É fato que o pesadelo
não cessou: e te amo
na escuridão sem medo.

Ei, Linda Crimeia! Ouvi
teus acordes na entrada
do metrô em pleno cessar
fogo deste jogo imundo:
Que muita gente não se tocou
que a Ucrânia desafiou
a se tornar a muralha do mundo.

Ucrânia, muralha do mundo,
trago as tuas dores para mim
e teus sonhos por um minuto:
Nada justifica a falta de mão
estendida de quem por poderia
dar as cartas para mudar o rumo.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Os primeiros acordes
de Ei, Linda Crimeia!
tocaram no piano
na entrada do Metrô,
Quem ao povo mentiu
sobre o cessar fogo,
Deveria se tornar crime
acreditar nele de novo.

Ucrânia, muralha do mundo,
não tenho te deixado
sequer por um segundo;
A História te pertence,
minh'alma te ama,
a coroa de louros e a glória.

É exato o ditado que fala:
"Da onde nada se espera,
nada se pode esperar...";
Com a falta de palavra
de quem vocês sabem
já era tempo de nunca
mais a gente acreditar.

Sou bandeira na mão
erguida na entrada
de Chongar contra
a tropa inimiga que
continua ilegalmente
na Crimeia a ocupar.

Ontem eu ainda quis
no cessar fogo acreditar,
Não dá para acreditar
neste infeliz que não
para de ódio destilar,
O único caminho
é o espaço aéreo fechar.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Racismo é uma modalidade de terrorismo de Estado que tem adoecido por séculos as sociedades.

O jogo de manipulação política usa o racismo como ferramenta em operações psicológicas para causar divisão social, desestabilizar, dominar e matar os povos do mundo.

O racismo é o terrorismo na essência.

Inserida por anna_flavia_schmitt

“Não nasci para lutar e nem para se defender, nasci para viver.”
Não nascemos com armas e nem com escudos, mas podemos criar a guerra ou a paz.

Inserida por DAmico

⁠⁠Quando leio ou escuto
estorinhas do velho mercenário,
O nojo torna a minha cabeça
cheia tal qual o volume d'água
da Represa de Nova Kakhovka,
Coloco as cartas na mesa
para você não transformar
o agressor em vítima ou herói:

(O vício da destruição pertence
ao invasor e não ao invadido).

Só cúmplices cooperam com
as estorinhas que não
convencem nem mais os ingênuos
e os desinformados,
O invasor não deveria nem
mesmo ter começado esta guerra
no ano de dois mil e catorze:

(O invasor deve deixar
a Ucrânia e voltar para onde
nunca deveria ter saído).

Este meu poemário tem a verdade
histórica como compromisso,
e jamais cede aos contos do invasor
e as constantes tentativas de feitiço.

A Represa de Nova Kakhovka
vocês sabem por quem
foi invadida e agredida,
Detesto gente ordinária
e que se faz de desentendida.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Uma rebelião curiosa
para derrubar dois
generais que durou
apenas 36 horas e foi
por acordo desmobilizada,
O velho mercenário
cumpriu a palavra
de que iria fazer História.

Por alguns instantes
cheguei a duvidar
de que a História se escreveria,
e ela está aí sendo escrita
entre perguntas e respostas
meio tortas e complicadas,
porque a meu ver,
ela ainda sequer começou.

Os ucranianos, os russos
e todos nós previmos juntos
em rede mundial
que o velho mercenário
iria se transformar no Parsifal,
mas não era essa dele a intenção final.

Só que numa guerra não
existe espaço para contos de fadas,
é ter a consciência de viver
ou morrer no cotidiano brutal,
e ainda com tais certezas crer
que amanhã haverá um bom final.

Para o exílio o velho mercenário
foi enviado e dizem que dali escapou,
Talvez isso seja o evidente sinal
de que a História "não acabou"
e que na real ninguém sabe o final.

Lágrimas de Kramatorsk
e por todos os lugares,
Orações em todos os altares
para não continuarem...,
Porque no final todos sempre
sonham com um valente Parsifal.

Sendo assim por parte de mim
e por parte assim poesia vibrante, provocativa, cortante pela liberdade
de todos os povos da insanidade
desta e de todas as guerras
onde todos saem sempre perdedores para que um dia livres acordemos
de todos os pesadelos e horrores.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Sonho que não venham
nunca mais ser trocados
os nomes dos heróis,
as placas das ruas
e os nomes das nossas
cidades e que entre
nós não haja nunca
mais baleados por
ordem do invasor
que é em si a verdadeira
tragédia para si mesmo.

Há quem perdeu a noção
daquilo que o invasor
faz o tempo todo contra
nós é um crime bárbaro,
Cada poema meu há
de ser mais forte do que
cada míssil pelo invasor
contra a Ucrânia lançado.

Não acolho com a minha
boca fechada e nem com
os braços meus abertos
que os caminhos com
gente mesquinha que
nega a agressão contra
a soberania venham
a se cruzar nesta vida.

Chega desta tragédia
distribuída na terra
dos meus ancestrais
e além fronteiras
desta estúpida guerra
de um invasor que tem
se comportado pior
do que qualquer fera.

Onde idioma ucraniano
não tem escapado
da voracidade e tem
sido forçosamente
obrigado a ser silenciado
por ordem deste invasor
que tem espalhado
a tragédia que é para si
diante dos olhos do mundo.

Por causa de tudo isso
na correnteza das águas
do destino eu atirei
o meu Vinok para a paz
e o amor vir de tanta
dor nos salvar daquilo
que está a sufocar.
sem perspectiva de cessar.

Enquanto isso, os campos
de trigo estão a queimar,
o bombardeio a estourar
e muita gente pelo mundo
afora com tanta mentira
sempre está a compactuar;
e eu não posso me calar
e o algoz tem aprender a parar.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Os meus poemas estão
explodindo todos
os dias no seu coração.

Não adianta apagar
os meus poemas porque
as tuas bombas um dia
acabarão e os meus poemas não.

Traidores deixaram escorrer
Kherson pelos dedos
e para nós não há mais segredos.

Você prefere continuar
condenando 30 milhões abaixo
da linha da miséria
para continuar cometendo
os seus crimes de guerra.

Nestes meus poemas tenho
salvo o máximo o quê consigo
de todas as memórias:
Mykolaiv, Kharkhiv e Odesa
foram pelos ares nestes últimos dias.

Você prefere mergulhar
no orgulho e os outros
na comodidade da covardia,
e eu que sou a parte fraca
da corda o quê posso fazer é poesia.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Guerras terminam e tiranos
caem quando entendemos que
só com a união que a amizade
pode trazer a possibilidade
de todos reerguerem as suas vidas.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Estado Ucraniano


Nenhuma bomba tem
o poder de desaparecer
com a História da Humanidade,
O Namysto da infância
com contas de coral vermelho
ninguém apaga da lembrança.

O Estado Ucraniano é lembrado
hoje e não nasceu ontem,
Além de soberano
é um estado de espírito
que o tirano não pode capturar
e a História não irá modificar.

O Estado Ucraniano comemorado
neste vinte oito de julho,
tomado por uma mentira
chamada Operação Especial
que deflagrou uma guerra brutal,
desta invasão irá se libertar.

Cada verso bordado neste bastidor
traz o espírito libertador
para a consciência do maldito pesar,
para cada consciência despertar,
para o povo do transe acordar
e para o quê é de vida regressar.

Porque nem mil exércitos
podem conter eternamente
contra a revolução tridente
do poema, da História e da verdade:
Quando a hora chegar
será liberdade ou liberdade.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Sabor de liberdade,
Salar cor-de-rosa,
Terra dos tártaros
da linda Crimeia,
Liberdade poderosa,
Profunda e poética;
Que nem mesmo
o tempo há de deter...

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Quem não respeita
a população é o invasor
e não quem vem
lutando dentro de casa
para sobreviver
muito antes de Holomodor,
é devido jamais esquecer
de quem ocasionou a dor.

Verão ardente na Crimeia
cercada de armas
e sistemas aéreos de defesa,
enquanto uns vieram
só para passar as férias na praia.

Dizem que todos serão
eliminados mesmo aqueles
que não têm ligação
pátria e emprestaram
o seu coração
em defesa da Ucrânia,
Nada me intimida
e nem mesmo o buraco
mais escuro do Universo.

Porque quando se
conspira contra um poeta,
um tirano sempre cai primeiro,
e deixa o pior de si na História
aos olhos do mundo inteiro.

Inserida por anna_flavia_schmitt