Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Poeta sem vergonha
Disseram-me que eu deveria
ter vergonha de escrever poesia
porque a minha escrita é comum,
Graças ao meu bom Deus
que muitos dizem me entender, diferentemente da tal
pessoa que disse não gostar
e desconfio que ela não sabe ler.
Ler não é o ato isolado de ler,
existe gente que só de escutar
ou até simplesmente tatear
sabe com maestria entender,
Na vida só se pode dizer
que sabe ler só se você
de fato consegue entender.
A tal infeliz ainda ratifica que
eu deveria ter vergonha do que
escrevo e de ser chamada de poeta,
Vergonha mesmo eu não tenho,
porque ser poeta sem vergonha
é só para quem nasceu com talento.
Noite de Ipê-vacariano
florescido e coroado
pela adorada Via Láctea,
Há algo que mantém
em mim viva e ainda
mais forte a minha Pátria,
Sigo nadando contra
as correntes que desejam
vê-la no futuro derrotada.
Uma madrugada encantadora
que me levou para ver o Sol
nascer debaixo do Ipê-vacariano
e ver você chegar de longe
para o nosso amor que irá florescer.
Vamos fazer um acordo?
Se dê uma chance bonita
de encontrar alguém que queira
uma nova vida como casal,
E que a ordem seja viver
o amor fundamental
para não deixar perder
o quê une de maneira essencial.
A ária da Via Láctea
me veste de estrelas
e despe com milhões de beijos,
Ainda há na cena uma
Rosa Juliet nos meus cabelos.
Rendamos culto aos desejos
de seda e de atrevimento ondulantes
que fazem tapeçarias de diamantes.
Não há nada meu que não
seja seu num único dístico
feito de luz e sombra,
Nada mais assoma
no jardim interno das romãzeiras.
Dancemos os passos do amor
enquanto muitos perdem tempo
de viver com total enamoramento.
Poema para Rodeio
Um poema por dia
para agradecer
a minha cidade de Rodeio
a dádiva e a alegria
de morar nesta linda
terra onde os pássaros
cantam e o verdor
das matas encantam
e dão sentido a vida.
Poema vespertino para Rodeio
Buscar uma fruta direto
do pé da árvore,
Agradecer a Deus
por estarmos cercados
por esta beleza
do Médio Vale do Itajaí,
Escrever um poema
vespertino para Rodeio
com toda a gratidão
por morar aqui e ter
amor por este lugar
no fundo do meu coração
seja no Inverno ou no Verão.
Mais marcante a cada
instante como presença
inabalável no seu coração
porque há em nós afinação.
Amor, paixão e sedução
de todas noites em viração,
perenal estrela das estrelas
no universo dos teus afetos.
Incenso perpétuo e desejo
crescente sem regresso
do escolhido destino certo.
Das horas a cara cavalgação
que fortalece tudo ao redor
e confirmação sem hesitação.
Sutilmente convido você
a dançar com os nossos espelhos
para romper com os seus medos,
e fazer você se reencontrar.
Nenhuma religião verdadeira
foi criada para você se desumanizar,
e os teus afetos e o apreço
pela alegria e beleza abandonar.
Se por acaso você cair na armadilha
e se flagrar fazendo o contrário,
recomendo você respirar e repensar.
Tudo aquilo que vier te desligar
da vida, do amor e da bondade,
não vale a pena continuar.
Eu uso armas a nosso favor
Que não disparam fogo
Somente alegria e amor
Chega de morte
Chega de guerra
Chega de problema nessa grande esfera
Sólido Olhar
Tem seu olhar que se deita sobre mim
Incumbido de me sucumbir
Quando ainda lhe resta minha poeira nos cílios
Nessa guerra só é certeira minha poesia dos seixos e ciscos!
As faltas de inconsistências de um contra o outro nunca são medidas como falhas, ou brigas mais de um que do outro.
Pois sempre tem um iniciante da guerra e o outro que vive em plena Paz...
Deus Nos Livre
A farsa tem seus propósitos
Que somente cegueira oculta
São impostos dogmas, hábitos
Mantendo o poder que resulta
E a força vem em seguida
Caso alguém discuta a prisão erguida.
Pare, observe... pense
Sobre toda essa confusão
Onde nada há que compense
Deus nos livre da religião.
Mas eles tentarão seduzir
Com promessas sem garantias
Ou até ao medo induzir
Por meio de falsas profecias
Estórias, hipocrisias
Contos, fantasias.
Bem comum só é comum para líderes
Ao resto resta guerra pela melhor ilusão
Homens desejando serem mártires
Caem na vala depois da explosão
O futuro paraíso prometido, enfim,
É falho... escuro... é nenhum.
Pare, observe... pense
Sobre toda essa confusão
Onde nada há que compense
Deus nos livre da religião
(Deuses nos livrem).
Cidade Incolor 1
Aqui dentro da cidade, tudo parece tão errado,
tudo parece consumido por um mal, o mal
dos homens talvez, o mal da vida... não sei.
Eu vejo gente se destruindo, vejo o mal as
consumindo. Cheias de clareza, talvez,
de suas ambições perversas, eu sei.
Cheia de atos e fatos, cheia de glórias e
fracassos. Morrendo junto a solidão, sem ver as cores da vida, então.
Sem sentir a vida por chão, mas querendo
conquistar este chão. Destruindo a vida
então, que nos deram com tanta emoção.
Mas agora está tudo indo em vão, por as
mãos de nós mesmos, irmão.
Que sempre buscamos por mais,
e sempre queremos demais.
Mas nunca buscando por paz, nunca
querendo o capaz. Esquecendo que
somos irmãos, e trazendo toda essa
guerra em vão.
Cidade sem cores eu digo,
cidade perdida, eu afirmo!
Sem o brilho intrigante lunar,
Sem a cores do céu estelar.
só com um brilho mesquinho no ar,
que há tanto vem me perturbar.
Lugar onde já reinou a paz,
de um mundo completo de amor,
cheio da vida color, das cores
que ofuscam a dor.
Cores que curam feridas, as cores
que salvam as vidas.
Daqueles que que trazem discórdia,
que nos ferem de todas as formas,
trazendo toda essa escória,
que descolore toda a história,
de uma cidade que foi corrompida,
pela maldade de sua própria matilha.
(...)
Tem horas que você precisa mudar suas estrategias e pescar peixes maiores mas primeiro trocar de iscas lembra isca pequena peixe pequeno isca grande peixe grande....
Elienai candido
#estrategia_vencedor
Antes sonhar acordado,
que viver o pesadelo infeliz
de sobreviver na Terra,
feito um sonâmbulo;
nesse teu mundo cego
de ódio e com vistas a guerra.
Os meninos" de outrora relutantes, as vezes destemidos, crescidos apenas no passar dos anos.
Não lembram que o sorriso interior alimentava vindoura maturidade.
Maduros hoje, limitam o maior dos gestos... Acordar agradecendo aos Infinitos Poderes pelo direito de continuar a jornada.
Outra vez se escondem meninos por falta do atrevimento, que se viesse hoje diriam ser tarde.
Um tiro feriu o silêncio
de pedra;
o homem caiu aos pés do capim
tingido agora de rubro
O sol no horizonte definhou…
de repente
encobriu-se sem nuvens no céu
O vento deixou de se ouvir…
nem sequer aquela brisa
breve
suave
que às vezes nos trazia de longe
o cheiro da catinga
denunciando-nos o inimigo
De repente tudo escureceu…
o sol morreu
e o homem deixou de o ver
para sempre
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
Uma Parte de Mim.
Sou o que sinto, penso e faço;
Desde o ódio até o amor,
Desde a paz
Até a guerra e o terror
Sou o culto que saboreia a incultura,
Mas também sou o inculto
Que muitas vezes troca a cultura
Pelos prazeres daquilo que é inculto.
Sou o desejo, sou o querer,
O querer daquela que eu não deveria desejar,
Mas não sou o poder.
O poder não é o querer.
Poder sem querer é alternativa de quem pode,
Mas querer sem poder é sofrimento de quem pratica o querer.
Sou a contradição
Sou a confiança em uma ideia
Mas também sou o ser que,
Momentos depois, muda de opinião.
Sou o caminhar solitário
Nas ruas silenciosas, escuras e sombrias;
Mas também sou a companhia dos desacompanhados
Para todas as ruas e avenidas, loucuras e alegrias.
Sou o pesadelo no meio da noite,
Que busca distorcer ou acrescentar explicações e fatos à minha realidade.
Mas também sou o sonho
E a vontade de vencer, que geralmente temos nesta meia idade.
Sou o suicídio sem sucesso,
Sou o renascer antes da morte,
Pois hoje sei que minha vida tem outro preço
Um preço que não pode ser pago com morte.
Sou a breve depressão
Que leva-me a grandes reflexões.
Mas não quero ser a profunda depressão
Que agrega um valor maior a morte do que às minhas paixões.
