Poesia sobre pensamentos
DÉCIMO SEXTO HEXÁSTICO
minha boca tão assim calada
meu corpo tão assim distante
meu abraço jamais revelado
justificam minha desordem
imanência de qualquer nada
neste abstrato mundo líquido
Cores maravilhosas
Em nuvens formosas,
O céu brinca de me hipnotizar
Enquanto estou a olhar
Esse maravilhoso lugar,
Ninguém precisa estar
No vigésimo andar
Para poder observar,
Basta prestar atenção
E verá então
Maravilhas que parecem ilusão.
DÉCIMO SÉTIMO HEXÁSTICO
baila com a modernidade
sem consciência quaisquer
como um anjo desgarrado
sem qualquer virtude ou ética
de toda sorte miserável
todo sujeito pós-moderno
Não era um amor comum.
Era daqueles amores de encher os olhos e a vida.
Amor de tatuar beijos na pele, amor de impregnar cheiros na alma.
Mas se tornou amor de guardar, amor de lembranças.
- Flavia Grando
DÉCIMO OITAVO HEXÁSTICO
homens de vidro… transparentes
andarilhos faltos… ocultos…
invisíveis todos... carentes…
estilhaçados na caverna
escravos de única pauta
que lhes oprimem e governam
DÉCIMO NONO HEXÁSTICO
transcende teu aqui e agora
conhecer faz-se necessário
muda de pele como a cobra
germina como nova espiga
nela todo milho é santo
onde todo verbo é vida
DEUS PLENO
Deus Rei,
Que te direi,
Diante do teu amor?
Deus vivo,
Que dia lindo,
Pra te dizer que és Senhor,
Deus Pai,
Que me atrai,
Quando sozinho estou.
Deus pleno,
A ti me rendo,
E te ofereço o meu louvor.
Rodivaldo Brito em 30.04.2019
T
Temos todo tempo
Todavia temo tudo
Talvez tudo traz tédio
Tenho tanta teimosia
Tento ter tranquilidade
Teria temido trair
Trêmulo travo todo
Tenso tépido Tairan.
para maio:
quero alegria, leveza na alma,
boas escolhas, confiar na vida,
quero fé, quero amor e coragem.
quero viver de coração aberto.
quero luz e muitos sonhos.
VIGÉSIMO HEXÁSTICO
todo desejo que me existe
cobre de possibilidades
toda vontade de potência
da natureza numinosa
que cria e recria criador
que me revela na ossatura
VACILO
Não invento mais
nem face, nem volta
nem futuro algum
Estou dentro da roda
viva
remoendo
temas surrados
repetindo
palavras legadas
revendo
gestos vários
vivos
entranhados
e perdidos
na minha própria
invenção de viver
DUETO
No teu corpo
rodopiar
um passo novo.
No teu ventre
semear
um claro intento.
No teu ritmo
aprender
um destino incerto.
No teu caminho
cultivar
um fruto do acaso.
Na tua vida
lançar
a minha:
um novo invento
incerto do acaso.
VIGÉSIMO PRIMEIRO HEXÁSTICO
soma do desconhecimento
alma política diabólica
anjo de guru pederasta
verme que se arrasta em palácios
“até quando, vulgo Catilina,
abusarás da consciência?”
Escolha sempre o silêncio.
Não faça das redes sociais, muro de lamentações.
Dispense a plateia, problemas não precisam de palco.
VIGÉSIMO SEGUNDO HEXÁSTICO
o que importa a educação… o saber… a cultura?
vencedores desejam o subjugar da ideia
desejam degolar a nação sem paideia
formar a juventude sem qualquer arete
castrar a atitude da ética e da política
daí produzirão em toda nação a desvirtude
VIGÉSIMO TERCEIRO HEXÁSTICO
aprendi a fugir do externo
seara de todos meus infernos
hoje cada vez mais interno
vivo toda lucidez nobre
longe de pensamentos pobres
ilusão de ser auricobre
