Poesias que falam de Olhos
Ponha-me em seus olhos e me veja
Ponha-me em seus olhos e me veja,
não pela imagem que o mundo criou,
mas pela alma que tantas vezes se escondeu
atrás dos medos que carregou.
Veja minhas cicatrizes em silêncio,
os sonhos que não deixei morrer,
as batalhas que ninguém enxergou
e as noites que precisei vencer.
Não procure perfeição em mim,
procure a verdade que ficou,
porque quem olha apenas a superfície
nunca conhece o amor que restou.
Ponha-me em seus olhos e me veja,
como quem lê uma velha canção,
não com os olhos da razão,
mas com a delicadeza do coração.
Me conheça de novo.
Agora eu carrego outro cheiro,
outros olhos,
uma nova voz.
Não procure em mim
a pessoa que você deixou partir,
porque aquela versão de mim
ficou perdida entre antigas estações.
Eu voltei com novas tempestades nos cabelos,
com outros silêncios no peito,
com histórias que minhas próprias mãos
ainda tentam decifrar.
Meu olhar mudou.
Ele já viu abismos,
já atravessou noites compridas,
já aprendeu a enxergar beleza
onde antes só existia ruína.
Minha voz também mudou.
Ela não pede mais licença para existir.
Ela traz o peso dos dias vencidos
e a leveza de quem descobriu
que renascer também é uma forma de vingança.
Então me conheça de novo.
Não tente encontrar quem eu era.
Escute quem eu sou.
Eu ainda tenho a mesma alma,
mas agora ela veste outra pele,
respira outros sonhos
e caminha por um caminho
que só eu conheço.
Simplesmente o seu olhar,
vai além das ondas do mar,
brilham com o clarão da lua!
Seus olhos, como de crianças, brincam inocentes pelas ruas.
Abra os olhos e faça brilhar a Luz que o envolve através de Jesus!
Sinta que os momentos que passam, tristes ou alegres, mas tudo passa e saibamos que tudo que plantamos, colhemos.
Olhe dentro de você e sinta a orquestra vibrando seu coração, que sempre reflete suas emoções. Então faça harmonia nos seus sentimentos e vibre cada instante de sua vida, pois vida é milagre!
LABIOS DE PAPEL!
Você negou seu beijo
e os meus lábios secaram.
Mas as lágrimas nos olhos
deixaram um sabor amargo
esperando em vão e solitário
um beijo com sabor de mel.
Contemplando o horizonte
nele desenhado a sua boca
vermelha como doce morango
enchendo-me os desejos
que eu não mais provaria.
Foi então que troquei seus beijos
por uma boca beijada
e guardada numa folha de papel
que um dia você beijou
para eu nunca esquecer
os contornos lindos dos seus lábios.
Ah, doce consolo!
E quando a saudade aperta
beijo seus lábios no papel
ainda com aquele gostinho
e perfume de morango.
Parece tolice minha
mas ameniza meus desejos
beijar na boca este papel
como beija-flor buscando mel
e na fantasia torna-se real
no encontro de sua boca
traçada numa boca de papel!
Feio e belo aos olhos de quem vê
Tornam-se quase nada
As artes criam a beleza do feio!
Belo e feio não se mostram de forma real
Aquilo que é belo pode ser mal?
O feio pode ser assim tão bom?
Pode se criar o belo através do feio
Ou vice-versa, em diversas formas
Belo e feio numa perfeita contradição.
Do feio pode se contemplar o belo
Numa visão assim distorcida
Por que o belo é bom e o feio ruim?
Ambos não tem aparência existencial!
NÃO DESANIME
De onde vem as lágrimas de seus olhos?
Por que essa tristeza que te lança no desânimo?
Onde estão aqueles que estavam do seu lado?
Cadê os que disseram estar em todos momentos?
Que na alegria e fartura
Quantos com você juravam amizade
Agora sumiram como fantasmas.
Mas um novo dia vai acontecer
Seu choro pode durar um tempo
Mas vem o tempo de Deus
Que está olhando sempre por nós
E jamais abandona seus filhos
Que acreditam e lutam mesmo na dor
Que mesmo entre fracassos e lágrimas
Não perdem a fe ou se desviam do amor
Por não acreditar no milagre
Que vem somente do Senhor.
Todos podem ter abandonado você
Mas nunca se esqueça que mesmo Jesus
Pregado e sangrado na Cruz
Morreu para salvar e nos dar vida eterna.
Não desanime pois somos filhos de Deus!
Suas lágrimas serão enxugadas
Sua dor e feridas serão curadas
Pois o tempo virou a seu favor
Deus está contigo todo momento
Ele sabe de todos seus sofrimentos.
Então levante os olhos ao céu
Abra as janelas e deixe a luz entrar
Sua vida vai começar a mudar
Pois existe um Deus que sempre vai te amar!
SENTIMENTOS
Sentimentos ... estalos repentinos
Brilho que bate em nossos olhos
Por vezes nos deixando cegos
Mas depois vai tomando formas
Posso dizer que você brilha em mim
Mas sequer sabe ou não interessa
Talvez por não entender o que sinto
Confesso que já amei assim
E da mesma forma fui ignorado...
Talvez tenha errado meu jeito
Ou quem sabe não era pra ser ...
Mas que por algum motivo
Conceda-me ao menos conversar
Tentar explicar tamanha admiração
Quem sabe o tempo não mostre
Que meus sentimentos são puros
Na realidade exalando perfume
Onde sinto sua presença constante
Nesta emoção que torna presente
Todo querer desejando por você !
JOÃO BATISTA BARBOSA
POESIA
POUCO TEMPO!
Temos pouco tempo
Pra dizer palavras simples
Olhar dentro dos olhos
Esperando um sorriso.
Temos pouco tempo
Brincar como criança
Correr pelas calçadas
E tomar banho de rio.
Vamos então dançar
Chutando poças d'água
Sentir gosto do beijo
Na chuva lavando a rua.
Vamos que o tempo é pouco
Amar os sonhos desta vida
Encontrar novo brilho.
Vamos que o tempo é pouco
Pra gritar pra todo mundo
Que o amor assim no ar
Nas linhas sem dimensão
Do pouco tempo que corre
Eternizando os pensamentos.
Da vida girando ventos
Desejos antes contidos
Agora purificados
No milagre do tempo!
AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA
MUNDO SEM EMOÇÃO
Mundo na retina dos olhos
Vai além dos pensamentos
E quando embora se inclina
Palavras perdem a rima
Quase ninguém tem sentimentos
Parece o congelar das emoções
Quase ninguém sente paixões
Daquelas que rolavam lágrimas
O tempo soprou bem longe
Cheiro bom que antes colorido
Agora nada mais tem sentido
O mundo se perdeu na fonte
Que pulsava coração ardente
Ele fugiu e nem deixou semente
Todas flores do romantismo
Virou buquê sem realismo
Não tem graça nem fantasia
Cessou a doce poesia
O mundo gira sem sentido
O homem assim corrompido
Sem desejos sinceros
Adormece na solidão
Pois que antes havia emoção
Já não existe mais coração!
João Batista Barbosa
Poesias e pensamentos
O lugar onde se quer chegar
Chega a ser exemplar
O simples mirar de olhos
Não te leva lá
O lugar onde não se quer
Visto de longe, chega a parecer melhor
A estrada é mais bem calçada
E quase não existe obstáculos
O mirar remoto
Traz à vista vultos indefinidos
Que lhe aguçam a curiosidade
E a cobiça, sobre a qual você se cala
O lugar onde se quer chegar
É ímpar e singular
O lugar onde não se quer
Parece sempre ser o melhor
Tendo inclusive o acesso facilitado
E a fachada florida, a partir da entrada
O lugar onde se quer chegar
Possui caminho escuro
É andar à bera do abismo
Durante uma tempestade
Observando, aqui de longe
De onde a vista abrange a quase tudo
E posso ouvir com clareza
Aos pensamentos de um mudo
Sei que tua vontade
Te mostra o lugar difícil
Mas teus passos, decisões e desacertos
Te convencem que há um certo alento
Em quase tudo nesta vida
Nesse espaço de vida, onde caminhaste
Ganhaste mágoas no peito e nos olhos
Conservaste a alma dorida
E teus passos pelo mundo
Por vontade decidida
As indecisões da vida fazem ter no final
Decisão sem par ou igual
E te levam fatalmente
Para o segundo lugar.
Edson Ricardo Paiva.
Outra vez é noite alta
é madrugada
Eu acordo do nada
ou de um sonho ruim
Eu procuro
com os olhos no escuro
O meu velho fantasma
que em criança me fazia medo
Num tempo em que sonho
era sempre algo bom
e que eu tinha tanta vontade
de sair pra rua e viver a tudo que eu vivi
Eu queria tanto acordar
quando já fosse dia
Perguntar pra minha velha assombração
aquele medo bobo, que me protegia
De criança que chora por alguma falta
Não sentia essa falta de ar, que eu sinto agora
Qual era a tua sensação
Por que foi que sumiu
Que segredo guardava sobre mim
e de onde vinha o cheiro de hortelã
Combinado à brancura das vestes
Só restaram perguntas
A fazer pra quem me guardava
e nunca mais voltou
Num tempo em que eu me deitava
E, sem medo nenhum dessa vida
Eu dormia até a próxima manhã.
Edson Ricardo Paiva.
Sorrateiro
Os olhos se viam felizes
Refletidos pelo espelho
Mas o tempo, sorrateiro
Envelheceu seu rosto
Ao longo de um dia inteiro
Como gotas de chuva
As noites que desabam
Sobre nossas casas,
Nossas coisas, nossas vidas
As horas correm felizes,
suaves por uma fenda
O sinal de saída, o apito do trem na curva
Hora de dormir e descansar
O brotar das uvas em novembro
Felizes idas e vindas
Pode ser que a vida seja
Não um fim em si mesma
Mas um laço indefinido, que liga
Entre futuro e passado
Uma pergunta retórica
Mesmo assim, ser respondida
Depois deixada de lado
Pra no fim, passar despercebida
Por ser o assunto indissolúvel
Questão que, de mal resolvida
A gente vai se apegando
Às alegrias passageiras
Que o tempo vai trazendo, sorrateiramente
Nada nessa mão, nada na outra também
Sorria! Você viveu mais um dia!
Edson Ricardo Paiva
" O pássaro suspende o voo diante de tua presença,
como se encontrasse em teus olhos
a seiva que as pétalas não possuem.
O jardim floresce em redor, indiferente. "
Basta fixar os olhos para o horizonte
e trilhar com passos firmes pelo trajeto rumo ao objetivo previsto,
e Deus lhe direciona
dando lhes o sustento preciso...
Seus olhos vão brilhar na esperança de ter encontrado alguém incrível. Alguém com quem vale a pena encarar a vida e receber também o melhor. Não sabe ao certo aonde quer chegar, mas sabe o que quer viver na vida. Alguém que ama ler e ficar em silêncio, ficar consigo ao mesmo tempo, cheia de vida e adora aventuras e coisas novas. Te envolve, encanta e tira do chão.
Alexandre Sefardi
ESMERALDAS DE SOMBRAS.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Ah… teus olhos.
Teus olhos esmeraldinos — não simples gemas, mas abismos translúcidos onde a razão vacila e o verbo morre. Como desejaria eu colhê-los, não com a volúpia do desejo vulgar, mas com a devoção de um monge alquebrado que recolhe as relíquias de sua santa. Tê-los… não em meu peito, mas suspensos num relicário de silêncios, entre as páginas que ainda choram por ti.
Mas tu sabes…
Sabes que eu te amo — e em mim esse amor é um espólio de lâminas cravadas por deuses mudos. Ser atravessado por mil espadas seria um refrigério frente ao que sinto ao ouvir teu nome no mármore frio do esquecimento. O teu nome, Camille, dilacera-me com a precisão de uma nota errada no adágio final de um maestro enlouquecido.
É mister, sim, dormir — dormir não para esquecer, mas para habitar os interstícios oníricos onde tu ainda existes sem dor. Nessas infinitas noites de ti e em ti, faço do teu perfume um incenso que queima devagar nos altares escurecidos da minha alma.
Porque tu sabes —
Sabes que meus olhos só foram feitos para contemplar o teu universo pairante, esse cosmos que se verte do teu semblante com a serenidade trágica de uma musa condenada a existir apenas nas entrelinhas. Viver, criar e pairar sobre mim — pobre poeta das sombras, órfão de sol e exilado da tua claridade.
E eu permaneço — espectro lírico e infecundo, sobrevivente do teu último olhar, compondo com palavras rarefeitas a sinfonia muda da tua ausência.
Joseph Bevoiur.
O CRIME DA BELEZA.
A beleza, quando contemplada apenas pela superfície dos olhos humanos, frequentemente transforma se em um estranho paradoxo moral. Aquilo que deveria elevar o espírito para a contemplação do belo, muitas vezes converte-se em motivo de julgamento, inveja e até condenação silenciosa. A esse fenômeno simbólico pode se chamar o crime da beleza.
"O universo foi feito somente para os teus olhos; e tua respiração é o sopro que o alimenta, a essência que me faz existir."
— Marcelo Caetano Monteiro
O UNIVERSO NOS TEUS OLHOS.
O universo dormia em silêncio encantado,
guardando segredos de estrela e luar;
mas viu teus olhos, tão claros, dourados,
e aprendeu novamente a sonhar.
Tua respiração, suave melodia,
é sopro de vida no imenso jardim;
alimenta os mundos com doce poesia,
e faz o infinito florescer dentro de mim.
Se uma rosa distante pudesse falar,
diria ao pequeno viajante da imensidão:
“Há corações que nasceram para amar,
pois carregam o céu dentro da mão.”
E quando a noite beijar a amplidão,
e a lua repousar sobre o mar,
o universo guardará tua recordação:
um olhar onde estrelas vieram morar.
- Marcelo Caetano Monteiro.
