Poesia Morena Flor de Morais
TRANSCEPTO CRUZEIRO
No mar da velha poesia,
Dois navios vão singrando:
Um carrega a dor da história,
Outro segue renovando.
Entre o ontem e o agora,
Vai o verso navegando.
Castro Alves levantou
Sua voz de claridade,
Denunciando as correntes
Da cruel desumanidade.
Fez do poema um clarim
Em defesa da liberdade.
Seu Navio Negreiro, então,
Foi um grito contra o mal,
Retratando o sofrimento
Do cativeiro brutal.
Cada estrofe era um açoite
Na consciência mundial.
Negreiros Neto, por sua vez,
Lança a Nave ao infinito;
Não conduz corpos cativos,
Mas o sonho mais bendito.
Leva esperança na proa
E Deus guiando o seu rito.
Se um navio foi prisão,
Outro é ponte e travessia;
Se um cruzou mares de sangue,
Outro semeia poesia.
Um revela antigas sombras,
Outro anuncia o novo dia.
No transcepto do cruzeiro,
Onde os rumos se entrelaçam,
A memória encontra a fé
E os destinos se abraçam.
O passado vira mestre,
Sem que as feridas desfaçam.
Castro Alves fez da pena
Uma espada de justiça;
Negreiros faz do cordel
Um altar de boa liça.
Cada qual em seu tempo
Cultivou igual premissa.
Não disputam grandeza,
Nem procuram primazia;
São faróis de um mesmo porto,
Cada qual com sua guia.
Um combate a escravidão,
Outro exalta a harmonia.
Transcepto Cruzeiro é ponte
Entre o pranto e a esperança;
É o encontro das palavras
Com a eterna confiança.
Quem conhece o seu passado
Dá ao futuro segurança.
Que o Brasil jamais esqueça
O valor da consciência;
Pois a arte quando é livre
Transforma toda existência.
E a poesia permanece
Como luz da resistência.
Conselhos,
de gente idosa.
Experiência.
Poesia.
Eu já errei nisso,
não erre também;
pois se errar,
vai ser ruim.
Se a poesia é a expressão do sentimento, já nasceste poeta?
_Estas a levitar na microgravidade. Não escrevo poema.
_Sinto muito!
_ Se sentes tanto assim, és poeta.
_ Poesia só poema tem, ou todo poema é puro poesia? Perscrute
230626
Carrego em mim a essência da vida,
força que nasce sem se explicar,
no cromossomo X, a poesia escondida
de quem aprende cedo a amar.
Helaine Machado
Às vezes me sinto como se a poesia me usasse…
como se cada palavra fosse um jeito
de sobreviver ao que eu não sei explicar.
DeBrunoParaCarla
Ecoando a minha alegria.
Espalhando poesia.
A minha, a sua, a nossa.
Entre versos e rimas.
Os ecos da cidade.
Pelo Brasil, aflora.
Quero tanto e não quero nada.
Das incertezas, nada é meu ou seu.
Tudo é nosso!
Nesse Brasil, lá fora.
Nos becos, estradas e vielas.
No subúrbio ou na zona sul.
Ouve-se os
Ecos da cidade.
De norte a sul...
Banalizaram até a poesia.
Tentando encontrar uma.
Aqui.
Não fiz nem a minha.
Compreendo que é pensando.
Então não vou ficar,eu
Aqui.
Julgando!
Minha casa virou o museu de uma poesia que não mora mais aqui.
A solidão é o único móvel que não consigo tirar do lugar,
uma dor sólida, que tem quinas e me corta no escuro.
Entre o crachá esquecido e a saudade de Itaipuaçu,
descobri que o invasor, trancou a porta por dentro...
E eu tive que quebrá-la. O barulho da madeira partindo
foi o som do meu último refúgio desmoronando.
Agora, nem trancar eu posso mais estou exposto ao mundo,
com as mãos feridas e a alma do avesso.
Lembre de levar seus pertences, Carla.
Eu perdi a chave, a porta e, por um instante, a mim mesmo.
DeBrunoParaCarla
PARA QUE SERVE POESIA?
Dizem que poesia não enche a barriga.
E estão certos.
Também não troca o óleo do carro, não paga o aluguel atrasado nem impede que o mundo continue fabricando idiotas em série.
Mas experimente viver sem ela.
A vida vira uma fábrica. Um relógio. Uma fila. Você acorda, trabalha, sorri por obrigação, envelhece e morre sem nunca ter descoberto quem estava respirando dentro da sua própria pele.
A poesia é o que sobra quando todas as desculpas acabam.
Ela é o sujeito bêbado olhando a chuva pela janela e percebendo que ainda existe alguma coisa que dinheiro nenhum consegue comprar. É a mulher que ri no momento errado. É o velho cachorro esperando o dono voltar. É o silêncio entre dois amantes que já disseram tudo.
O mundo vive perguntando para que serve a poesia.
É a pergunta errada.
Ninguém pergunta para que serve um pôr do sol. Um beijo. Uma gargalhada. Um coração que insiste em bater depois de ter sido partido vinte vezes.
A poesia serve ao mesmo propósito de continuar vivo quando tudo ao redor parece empenhado em convencer você de que sobreviver já é suficiente.
E sobreviver...
Isso qualquer máquina faz.
Viver exige versos.
As palavras fogem da mente,
talvez hoje não seja um bom dia
pra poesia.
Depois do fim da gente,
nada mais faz sentido.
Sinto que estou perdido,
procurando você em cada detalhe.
E, por mais que eu trabalhe,
buscando te encontrar,
sei que não vai querer voltar.
A poesia é o vírus da liberdade num mundo programado para calar.
Quando o mundo cala, a poesia fala, e ninguém consegue silenciar.
Para que eu escreva poesia que não seja política,
devo ouvir os pássaros, e para ouvir os pássaros,
os aviões de guerra devem estar silenciosos.
Por mais poesia em nossas vidas
Por mais momentos nos quais a beleza do dia a dia nos faça perplexos
E agradecidos pela vida !
Sou muito da poesia, mas se a vida me empurrar para a artilharia,
jamais vou me furtar.
Porque há em mim uma inclinação natural para as palavras que curam, para os silêncios que acolhem e para as metáforas que ajudam o mundo a respirar um pouco melhor.
A poesia, afinal, é o território onde a sensibilidade ainda tem cidadania e onde a humanidade tenta se lembrar de si mesma.
Mas viver não é apenas contemplar.
Há momentos em que a realidade deixa de pedir versos e passa a exigir coragem.
Momentos em que a delicadeza, sozinha, já não protege quase nada — nem a dignidade, nem a verdade, nem a própria vida.
Nessas horas, permanecer apenas na poesia pode ser confundido com ausência, e silêncio pode parecer concordância.
Não porque a poesia seja fraca, mas porque existem tempos em que até a beleza precisa aprender a defender-se.
E nem se trata de abandonar a poesia, mas de compreender que ela também pode vestir armadura quando necessário.
Que quem cultiva sensibilidade não está condenado à passividade.
E que defender aquilo que dá sentido à vida também é uma forma de honrar tudo aquilo que a poesia sempre tentou dizer.
Ser da poesia é escolher, sempre que possível, o caminho da palavra antes do confronto.
Mas é também saber que a dignidade não pode ser permanentemente desarmada.
Porque quem ama profundamente a vida não luta por amar guerra — mas para que ainda exista mundo suficiente onde a poesia possa continuar respirando.
Você não sabe
e tampouco viu,
A minha poesia
tem asas
capaz de voar
pelo Brasil
onde a noite caiu:
Por ousadia ser
a memória
de milhões de caídos,
A memória
dos desaparecidos,
E ser a voz dos
que não tem voz
na América Latina.
Caiu a noite aqui
em Santa Catarina,
Onde as estrelas
estão próximas,
A pressa é mais
do que urgente
e a Lua sempre
deslumbra
os campos do Sul.
É exatamente lá
no km 36, na BR-470,
em plena Gaspar,
Não preciso nome
e sobrenome
mencionar,
Todos conhecem
quem são muito bem:
Eles querem a todo
o Jequitibá-Rosa
e outras jóias raras
a todo custo derrubar.
A sexta-feira para muita
gente tem a sua magia
e sempre traz a sua poesia,
para perceber como
ela chega é só buscar
ter tranquilidade,
paz na cabeça e serenar
para enxergar o quê
faz bem para a alma,
e também ao coração
para nenhuma escolha
trazer nenhuma decepção.
A poesia é a alma
do poema,
o poema é o corpo
que tudo pode
e quem escolhe é você.
O poema pode ser
escrito ou pode ser
tudo aquilo que você quiser,
ou simplesmente não quiser.
Poesia é subjetivismo,
e sem subjetivismo até
o poema não faz sentido.
A poesia só existe
se você ler e entender,
e sem os teus olhos
a poesia nunca irá existir.
(Poesia e poema têm
o compromisso de coincidir).
Poesia Concreta
Poesia Concreta é isso:
o nosso amor bonito,
os dois íntimos reunidos
pela graça do destino
com verbivocovisualidade,
Um sendo o verbo
e o corpo para o outro
sem pudor e sem virtualidade.
Não me esqueço de que
o Menino Jesus nasceu em Belém,
A minha poesia e o meu
dom de fazer o bem sempre
ofereço sem ver a quem,
É Natal e o importante não
desistir e sempre seguir além.
Poesia em Rodeio
Todos os sons da minha
cidade de Rodeio formam
a poesia em explícita
sonoridade que põem
a inspiração para dançar
e escrever versos que
encorajem a continuar a viver.
