Poesia Morena Flor de Morais
"Grande Amor"
As rosas são bonitas
e é uma bela flor!
Pois você também é linda,
porque é o meu GRANDE Amor.
Sugestão
Sede assim — qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Flor que se cumpre,
sem pergunta.
Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.
Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.
Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.
Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.
À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.
Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Não como o resto dos homens.
Regues uma planta e ela te presenteará uma bela flor;
Cultives uma amizade e terás um porto seguro;
Promovas a bondade e alcançarás, como fruto, a mão de Deus.
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela.
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Pobre coração, o dos apaixonados
Que cruzam o deserto em busca de um oásis em flor
Arriscando tudo por uma miragem
Pois sabem que há uma fonte oculta nas areias
Bem-aventurados os que dela bebem
Porque para sempre serão consolados
Flores
Ninguém
oferece flores.
A flor,
em sua fugaz existência,
já é oferenda.
Talvez, alguém,
de amor,
se ofereça em flor.
Mas só a semente
oferece flores.
Quando eu flor
e tu flores
nós flores seremos
e o mundo só florescerá
quando tu, amor,
a mais bela flor,
encontrar um beija-flor
que vai tirar o melhor de você
e dizer: quero te ver.
Quando menos esperar
esse vai aparecer
e transparecer.
Poema de um Amor Divinizante
Somos um, embora dois.
Assim como a flor e o perfume são, em essência, eles mesmos, a mesma coisa.
Numa única essência cristalina nos fundimos e me sinto sem forma, indefinidamente vivendo o Abstrato que traz em si o Substrato... do Imperecível, do Imortal, do Eterno, do Absoluto.
A divindade desse Amor que nos une também é sem forma, tal como Deus.
Assim, me sinto vivendo em Deus, sendo Deus, amando Deus.
Deus em mim é Deus em você!
Somos Deuses!
Eu O encontrei em você!
Que delícia!
Eu encontrei você!
Girassol
Você é linda como uma flor
Perfeita como uma fada
Maravilhosa como o entardecer
Que traz sonhos e alento
Promessas e desejos
Por ti sou um admirador
Um fã enlouquecido
Entregue a uma foto
Como um devoto
Da paixão
Que consome a razão.
Levado pela emoção
Absoluta obsessão
Que suspira e por ti se encanta.
Você
Minha linda flor, eu insisto em procurar
Procuro seu sorriso
Procuro seu olhar
Esse seu jeito diferente
Seu modo de falar
Quando penso em você
Sei que posso ser melhor
Sei que posso chegar a qualquer lugar
Quando caio ao chão
Você é a força que me faz levantar
Que me faz lutar, lutar e sempre lutar
Ao seu lado me sinto forte e fraco ao mesmo tempo
Sinto medo, sinto coragem
E aos poucos começo a perceber
Que aí é o meu lugar
Perto de um sonho, perto de um amor
Sim, pois é junto de você que quero estar...
Quando uma flor se abre,
nunca é apenas uma flor
- ela ativa um processo;
então, flores continuam a se abrir.
A primeira flor pode ser difícil,
mas as outras simplesmente virão.
A primeira experiência é difícil,
porque você não a permite.
Uma vez que a permitiu,
então não é só uma flor que se abre
- mil e uma flores vão se abrir...
No dia em que a flor de lótus de desabrochou
a minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez meu coração doer de saudade.
pareceu-me ser o sopro ardente do verão, procurando completar-se.
Eu não sabia que a flor estava tão perto de mim.
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.
Conquista
Com o toque do amor
Sutileza de uma flor
Surge uma bela mulher
No meu caminho
Me deixa, louco!
O que fazer?
Pra conquistar você
Por toda a eternidade
Nos caminhos a percorrer
Desfrutar o amor
Faço o que quiser
Sua face me encantou
Seu corpo me fascinou
Seus olhos iluminam, os meus
Como uma pérola
A vida é o paraíso perto de você
Sempre estarei no seu caminho
Na vontade e satisfação
Quando for preciso de conquistar
Choram as rosas beija-flor
nesta velha rua de barro molhado
choram as lágrimas do velho amor
quando viram o vento passar
choram as rosas beija-flor
nos cantos borrados de um quadro
nos velhor vasos sem vida
passa o vento devagar
para que as rosas não chorem mais
Intimidade
Libidos acorrentados a códigos morais e normas éticas...
Olhares que refletem, como um espelho da alma.
Toda uma essência de desejos luxuriosos.
Que a boca tenta a todo custo esconder
Mas que o corpo inocentemente, revela.
Todo os sentidos viajam por colinas de volúpias
Onde o tato percebe texturas aveludadas, hora lisas, hora úmidas...
Onde o olfato percebe uma fragrância floral que transforma um mar de hormônios do desejo em um sublime riacho de prazeres...
Olhos captam curvas e traços de perfeita harmonia.
E a boca se deleita em uma dança onde sedentos lábios
Parecem através do beijo tentar provar da essência da alma.
E já não há como saber onde inicia um amante ou onde termina a outra
Gemidos e sussurros compõem uma sinfonia de intimidade
E surge no ventre, uma centelha de energia. Que ganha força segundo a segundo.
E na velocidade do piscar dos olhos, explode...
Como se uma nova estrela nascesse no universo do corpo.
O prazer viaja pelas artérias e aniquila qualquer outra sensação.
Arranhões, mordidas e gritos expelem o prazer que não é possível suportar..
E ali jazem os dois amantes...
Inertes...
Relaxados...
E deliciosamente afundam entre lençóis e almofadas...
Tendo nada mais que um corpo nu e uma imensa sensação de satisfação para se prender...
Então, em meio a abraços cansados e beijos sonolentos. Adormecem.
Crônica da Pandemia
Fui criado com princípios morais e comuns e nunca fui tão verdadeiro em dizer que houve um tempo...
Houve um tempo que mudanças inevitáveis nos acompanhou tanto.
Houve um tempo que tivemos que nos adaptar para se quer sobreviver
Houve um tempo em que o pobre se assemelhou tanto ao rico.
Houve um tempo que tivemos que mudar nossa forma de viver nesse planeta
Houve um tempo que dinheiro não pagou a vida de muitos
Houve um tempo de inúmeras mentiras ditas pela boca dos sensatos
Houve um tempo que não basta ouvir choro de saudade tens que ouvir choro de perda
Houve um tempo que não existiu empresário ou desempregado
Houve um tempo que a doença não foi plausível
Houve um tempo que não bastou para o ser humano aprender a ser mais “humano”
Houve um tempo...
Sim, houve um tempo...
Vícios e Virtudes
Vícios são prazerosos e momentâneos,
Virtudes são morais e particulares,
Vícios são fáceis de serem adquiridos,
Virtudes se aprendem com o tempo,
Vícios nos tornam egoístas,
Virtudes nos tornam altruístas,
Vícios são tolos,
Virtudes são essenciais,
Vícios aumentam com os hábitos,
Virtudes aperfeiçoam com os hábitos,
Vícios são amorais,
Virtudes são morais,
Vício é uma verdadeira inclinação, para o prazer.
Virtude é uma verdadeira inclinação, para o bem.
Vício é êxtase do ideal alcançado.
Virtude é obrigação/predisposição para fazer o bem.
Vícios e Virtudes,
Tenha o vício de ser uma pessoa virtuosa.
Os grupos são capazes de ser tão morais e inteligentes como os elementos que os formam; uma multidão é desordenada, não tem objetivo próprio, e é capaz de qualquer desatino com exceção de ação inteligente e de pensamento realista. Agrupadas numa multidão, as pessoas perdem o poder de raciocínio e a capacidade de escolha moral. A sugestibilidade pode ser fomentada até o ponto em que cessam de ter qualquer juízo ou vontade própria. Tornam-se excitáveis, perdem todo o senso de responsabilidade individual ou coletiva, são sujeitos a acessos súbitos de ódio, de entusiasmo e de pânico
(Admirável Mundo Novo)
