Poesia Morena Flor de Morais
O retorno de uma lembrança
Nos lagos bailam estrelas que brilham do céu...
Uma garoa de leve molha as folhas das acácias
No espelho da água ecoa os caminhares leves das garças
Por ti... Retornei de outros eternos anseios...
Brotei sonhos... E neles todas as minhas emoções...
Então deixei cair nas águas sementes do meu olhar...
E lembro-me de ti todos os dias... Do teu sorriso...
A tua voz... O teu acarinhar...
E meus olhos se perdem no horizonte
No palato celeste o retorno de uma lembrança...
Onde habitam todos os anjos... Envoltos em névoas e véus...
O teu sorriso os anjos guardaram... Lá onde os sonhos não morrem!
Meus versos são sempre iguais...
Não me ouves... Minhas palavras pra ti são mudas...
Mesmo que eu te fale de pássaros de flores e de amor...
Teu coração pra mim é surdo!
Eu contava todas as estrelas que via
Mas numa delas quase te vi...
Caminhei sobre a onda fascinada pelo mar...
Achei que te encontraria no mar
Mas era tudo fantasia... Sonhos de uma poeta...
Ironias do destino!
Assim daqui pra frente te darei o meu silencio...
Saberás então que este amor poderia ter sido eterno...
Se mais tarde pensares em mim podes lembrar-se
***de ti já me esqueci!***
E em doce murmúrio ouvirás minha voz que
Cantava pra ti noutras eras!
Canção dos passarinhos
Nada abranda a canção dos passarinhos nas manhãs...
parecem cantatas de saudades infindas...
Eu da minha janela
Viajo no topo da brisa... Sou vagante no enigma da vida...
Ou talvez uma semente deixada ali e que germinou da melancolia...
E ficou a recordar doces momentos...vividos!
O teu silencio...
Este pensar em ti a cada segundo
Quais anseios de alento infindo e de
Um ultimo beijo que te dei...
Nossos segredos ficaram ocultados nas noites
De esse amar com ares antigos... E nostálgicos
E entre ritmo febril da essência
Onde o pranto não dilacera a saudade...
Tua voz calou-se... Então eu te perdi...
Vou amargando os temores do silencio
- murmúrio secreto e indivisível -
E assim o sonho se perde na lembrança do tempo!
Noite fria...
Nesta noite fria de inverno
Deixo meus segredos
Silenciados na penumbra deste quarto...
Sabes as saudades que sinto neste momento...
Quando os sonhos se perdem na vastidão do tempo...
São tantas...!
Amanhece...
Olho na vidraça do meu quarto
Com os meus olhares passeando
Pelos prados verdejantes... Que se descortina a minha frente
E a solidão das minhas noites é levada pelos ventos. ...
...para lugares distantes...
Então vejo a manhã vencer o nevoeiro
E me visto de amor só pra te amar... E perco minha alma
Neste olhar!
Versos por escrever...
Meu caminhar perde-se
No amontoar dos destroços de um passado distante
E meus passos vagam por estas paisagens
Assistindo o desabrochar de uma flor...
Porque o querer deve sempre ser o mais profundo
Da essência...
E sigo admirando o voejar de uma gaivota...
Pouso a visão sobre à tarde do mundo enquanto meus olhos se perdem
Num belíssimo horizonte azul num sem fim
E respiro... E me inspiro... E atiro ao mar todas as minhas magoas...
E em meus passos incertos rumo ao infindo...
No meu coração exorcizo a dor que marca cada gota salgada das lágrimas
Que escorrem em meu rosto qual um sonho destroçado
Silenciando o brado induzido e rouco que na garganta se figura flébil
Busco forças para caminhar só mais um pouco
Por todos os versos que ficaram por escrever...!
Sou eu...quem te ama!
Tu és um poema magnifico escrito no silencio
Das minhas noites insones...
Um anjo que os meus olhos seduz
Meu mais belo sonho... Minha eterna espera...
A mais linda canção...
É qual o volitar de uma gaivota varrendo o horizonte
Em manhãs primaveris... E neste delírio constante em te ter
Anseio por ti... Amo-te
E te penso...e te tenho...
Sou eu quem te ama...
Nas minhas mais profundas fantasias...!
De um tempo fugaz...
No meu olhar a alma que habita em mim
Reflete a canção adoçando
O meu rosto num sorriso cintilado poético
Que vem de meu coração vibrante...
Gotas de orvalho brotam docemente
De um firmamento gris
Fulguradas pelas luzes sofisticadas
De um tempo fugaz...
Na visão marejada e carente de ti
O tempo não se detém nem retorna
Prossegue inexorável
Os sentimentos confundem-se...
No distante horizonte... Onde um pássaro
... Voa... Disperso... Maltratado...!
Ao assistir o entardecer prodigioso...
Escuto os passos do vento em minha varanda...
A saudade trás a lembrança de ternuras antigas...
E penso que morro todos os dias
Enxugo as lágrimas na solidão do crepúsculo
E encanto-me com a canção dos passarinhos...
Sussurrando nos lábios o encanto infindo...
E num longo devaneio misterioso viajo
No voo de poesias não escritas...
E continuo a escutar as canções dos ventos e seus passos
Que me fazem adormecer e sonhar contigo!
Vem dividir comigo este mar...
Admirar os céus azuis unindo nossos olhares
E de mãos dadas sorrindo junto corrermos na praia...
Vamos voar como pássaros num júbilo entorpecido...
Se vieres... Será a lágrima doce
Que me escorre na face... E que molha meus lábios...
Existem muitos anseios em minha alma...
Quero muito mais que te ver!
Eu te quero sentir... Todos os dias...
Seguir teus passos
Como se eu fora a tua majestosa sombra...!
Vem... Abraça-me como se fosses o vento...
Liberta-me desta longa espera...
Para depois amarmo-nos loucamente neste divino momento!
Nada sou...sem ti!
Sou lágrima que escorre dos teus olhos....
Sou aquela que te espera... Sempre esperou
Sou quem continua crendo
No voo misterioso dos sonhos que não mais existem...
Sou poesias esvoaçantes e meditativas...
Sou o teu esquecimento... Nas noites de solidão...
O teu mar íntimo do seguir... Invasora do teu coração fechado...
Sou tua saudade!
Sou passarinho insano que grita sussurrante no silencio
Dilacerando o vácuo...
Cintilei meu caminho com o teu olhar...
Será sempre escuridão sem o teu chegar
És vida ...e nada sou sem ti...sem mim...sem nós!
Saiba que te amei...!
Confiei a ti
Os segredos do meu coração
E todos os meus sonhos
E o que havia de melhor em mim...
Até o meu primeiro arrepio...
O primeiro beijo de amor... e de mãos dadas
Caminhava contigo naquelas tardes
De primavera... Onde flores perfumavam todos os nossos caminhos
Sentia a brisa a voejar beijando nossos rostos e
Esvoaçando meus cabelos...!
Vivemos esse encantamento... Pra ti entreguei minha alma...
E o mais terno dos meus sorrisos...
Foram tão doces tempos...
- E éramos tão jovens...! -
Faz tempo te perdi dentro de mim... Vaguei por
Muitos dias buscando esse amor na canção dos passarinhos
Ou no silêncio das noites...
Encontrei apenas o caminho da Solidão...!
O sorriso do vento...
O vento sorri por entre as rochas...
E na sua impulsividade pisa na alma de quem
O sente... E de quem também lhe sorri...
E na vastidão das florestas rasgando o silêncio
Daquele lugar...
Sopra-me a boca como se quisesse beijá-la
E eu em delírios... Sufoco um lamento
E deixo fluir aquela gota de lágrima...
E sinto uma coragem enorme...para entregar-me...
Não há rocha que resista a violência do vento...
Não há ventos que destruam um grande amor!
Sou poeta que fenece existindo
Na tua voz calada que um dia disse que me amava
Um fantasma solto do exilo
Um piano que toca enquanto escrevo
Uma emoção... A palavra que abre o coração
O estonteamento de anseio que nunca se detém
Em mim... Há aguas brandas... Vindas de um dilúvio
Chamado Saudade...!
Não quero perder-me na solidão das noites
Vem... No sussurro da noite ao encontro do amanhecer!
celina vasques
Eterna espera...
Cavalguei no tempo sentindo o vento no rosto...
Levei anos e dores para a ti chegar
Ouvi pedras no estalar melodioso das carências
Quais lamentos que vem de um lugar distante... .
Entre mim e as palavras há um tinir de punhais
Nas lembranças dos olhos... Sutis tremores
O mar sempre ao fundo cauteloso ao sopro da terra
E este amor em eterna espera
Acho-te na imagem das lembranças do mar
E planto o vento... E o amar...
E ainda assim sonho com teu amor por um momento
Imagino-te... Amando-me com os olhos fechados no amanhecer infindo!
DERRAMANDO PÉROLAS...
Sois bravios colore o horizonte... Lançam
Feitiços e enxugam lágrimas
Segredam as paginas alvas da poesia
Escuto-te na ternura do verso
Em sonhos trançados de alucinações
E no silencio da noite e nas palavras por escrever nascem ecos...
Onde o devaneio pressiona meus caminhos
Com assombrado desânimo!
Subi ao celeste azul para te admirar
Mas derramei pérolas de um lento penar
Neste silêncio que faz parte de mim
Cuja possível palavra
Morre no próprio silêncio.
Lamentos doces...
...horas a fio sentada neste banco de praça...
O pensamento beija minha alma num anseio que a custo reprmo...
Vejo folhas dançarem ao vento...
Qual tivessem asas...suavemente...
Eu ainda consigo sentir o perfume das flores
nesta minha solidão tão presente...
Escuto canções que são trazidas pela brisa
parecem lamentos doces... E a emoção vai tomando conta
De mim... Meus olhos fitam ao longe o infinito
Que me parece matizado de cores ultravioletas... Neste fim de tarde...
E eu sinto arrepios delirantes de saudades tuas...
A noite vai esplêndida...
...ao longe a vista céu de estrelas...
Praia... Mar. nada se vê...
Apenas o cheiro de chuva brisa de jasmim...
Há dessa imagem... o silêncio de mim...somente o
marulhar das ondas..
Qual voz que faz estremecer e que apaixona...,
Absorta e saudosa na minha varanda...
Pergunto-me: "Por que sofres? O que é essa dor desconhecida?"
E eu melancolicamente suspiro!
Queria que pensasses em mim...No júbilo selvagem
De uma noite assim...ardente...
Gostaria de ter naquele momento teu sorriso
Embriagado de amor e desvairado....a falar-me palavras de amor...
Na madrugada...
Para esquecer-me de ti...
Apago as Estrelas...
E clamo por tempestades...
Não quero ver a lua... Nem escutar canções...
Disfarço-me de poeta e escrevo no
espelho poemas sem usar muitas palavras
Somente a saudade consegue rabiscar
Nem penso
em ver o mar
Nem quero navegar
Não suportaria a solidão do cais...
Nem poderia ver a onda que quebra nas pedras...
Não poderia ver a lua sumir atrás
dos montes na madrugada...
Para esquecer-me de ti
Terei de esquecer o encanto... A beleza... A magia...
Mas ficarão os sonhos
a poesia...os sonetos...
e a emoção de te ter amado!!!
Perdida em meus sonhos procuro desvendar
A minha alma...
escuto as notas de um piano... Procuro ouvir o som
Do vento... Quem sabe num harmonioso encantamento...
Nada escuto... Uma sombra de dor diz-me quem sou...
O que fui... Quem serei....
numa distância infinita deixei habitar o mal
Gargalhadas que vem com a brisa... rasgam minha sensível essência...
São tão estranhos os tempos...
Muitas vidas, anel alucinante, caminho prolixo...
Nebulosos meus olhos... Não mais vislumbram horizontes...
