Poesia Morena Flor de Morais
Pianíssimo...
Mais uma vez
sentei-me ao piano
e dedilhei canções
como se escrevesse versos
de um poema!
Meu pensamento viaja
ao transcendental
como se todas as questões
da vida fossem divididas
em partes harmônicas nos
acordes das notas musicais.
Companheiro de longas jornadas
meu amigo fiel suavemente
- pianíssimo -
responde a meus lamentos e ais
e entre melodias divinais
recolhe minhas lágrimas
que teimosamente pingaram
em suas teclas de marfim....
Estrela minha...
Se eu pudesse mergulhar no céu e buscar
Uma estrela para ser só minha...
Esse brilho que se alastra...
Atravessar o céu voando e
E neste vôo... Nesta magia abraçar – te
e alcançar o minuto de um brilho que te clareia
E Com os anseios que minha alma inventa...
Ficar para sempre contigo
Uma estrela..
Feche os olhos
pense em mim
fui um sonho
encantamento
magia
um mistério!
Estive aqui o tempo todo!
no romper das ondas do mar
na brisa
no infinito que não tem fim!
te esperei longo tempo...
Sentei-me na areia alva
fiz versos e canções
que viraram poemas pra ti
Chorei
gritei teu nome
eu era o amor desejado
...não reconhecido
Nas noites de luar
com cheiro de damas da noite
- flores perfumadas -
contava estrelinhas
e em cada uma
mais um dia vivido por ti!
Feche os olhos! Não chore!
Sinta meu corpo colado ao teu
roube-me todos os abraços
aperte-me em seus braços
sinta minha mão a te acariciar
meus olhos nos teus!
Esperei
demoraste
não vieste
vamos celebrar
agora sou aquela estrelinha
que guia teus passos...
Podes ver?
Aquele lugar...
...não era só o piano...
Havia algo mais... Talvez...
Tudo em volta irradiava encanto... Harmonia...
Era como se o tempo tivesse parado ali...
Notas musicais... Dançavam quais pêndulos...
Pareciam com suas melodias
Sonorizar aquelas paredes brancas...
O teto com grandes lustres de cristal antigo
Cujo tilintar ao vento acompanhava
Aquela canção de amor tão doce
- Talvez executada por anjos –
Olho ao meu redor
É tudo tão transcendente... De uma misteriosa beleza
... Sinto a presença marcante do amor... Da paixão...
Tudo irreal... De sentimentos tão antigos...
Hoje, este piano guarda na memória as digitais das almas...
Que dedilharam aquelas teclas alvas
E de cada canção tocada naquele lugar ...!
E te amo...
E estarei sempre contigo...
És tu a minha saudade ausente...
Tu és meu anjo... Um ser puro...
Muito amado...
O dono de meus dias... E te escuto
na ternura dos versos e das minhas palavras
Vindas da alma... E que
brotam sem ecos...
Na eloquência do silencio
da noite que se derrama em mim...
De ti não encontrei mais nada!
Uma brisa corre rasteira, sussurrante
Medi o alcance do horizonte, para além do amor
Há sempre o vazio numa esperança imensa
Estou cansada dos passos nesta estrada...,
E sempre esboçar o perdão...e nunca encontrar nada!
O que seria do azul do Oceano sem o ósculo do céu
e ainda vereis todos os dias o por do sol...
Ele não morre se põe...
Chamejam devaneios neste caminhar
em mim os anseios, guias, quereres ocultados
Na vida, surgiram ao meu embate, mágoas e louvores...
Sufoquei um grito dentro de mim
E em estrondos abrandei a minha dolente alma
eu fui sincera...despi meus anseios e falei pra ti...
Inquiri ao vento quem sou, por que estou sempre aqui?
Respondeu-me que a calmaria e a doce noite
Eram apenas mais um sonho ...um sonho longo talvez...
Tem sonhos que são feitos para torturar...
procurei por ti dentro de mim...
Já era uma ave sem voo... De ti não encontrei mais nada!
Sorvo nas águas deste mar que me deslumbra
Qual eu fosse ondas a quebrar-se nas areias...
E cujas espumas perfumadas... Transparentes...
Desenhasse frases e verdadeiros versos de amor... Escritas
Por anjos apaixonados... Que desceram a terra
Trazendo mensagens de amor!
Abençoada as mãos que me afagam o coração
Que acarinha com tanto amor meus cabelos e que alcança
A minha alma...
Sagrada à mão que me tira da solidão...
Hoje...ao entardecer!
Neste entardecer saudosa... Escuto canções
Eu mesma as estou tocando ao piano...melancólica..
No êxodo deste sentimento que me aperta o peito
Escrevo frases... Apenas frases...
De dor outras de doçura...
Ai! Este tempo que enlaço e que passa veloz...
E ressoa em enigmáticos e solitários
Sentires...
...tenho a alma ausente de alegrias...
Arde em mim esta fragrância de sonhos arredios...
Escorrem lágrimas destes olhos tristes...
Memórias de mim... Uma poetisa triste...
Talvez...
Sou um pássaro sem asas neste lindo entardecer!
Eu apenas...Sou Mar!
Sou mar rasgando as rochas...
Sou maré errante enfurecida pelos ventos fortes
Atravessei montanhas... Vales... Serras...
Percorri em fúria magoada ...lugares...arrebatados...
Em mim nas minhas geladas águas mergulharam dores...
....o lamento dos deuses...grandes amores..
alegrias...tristezas...enfim...
Às vezes navego em calmaria...
Em mim moram sereias encantadas...
E em mim prendi teu verde olhar...
E sou mar. sempre serei Mar..
Sou quase um sonho... Encanto os enamorados...
E deixo que a lua brilhe e ilumine as noites fazendo de mim
Um encantado!
Sou maresia de outono... Dentro do teu olhar...
Sabes meu amor... Sou uma essência fria... Talvez banal!
Hoje abro minha alma aos mais belos momentos...
Eu apenas ... Sou Mar!
A minha mal amada alma se revolta...
E decidiu dar outros rumos à minha essência...
Fazer-me caminhar por entre flores e perfumes...e muitas cores...
Deixar de caminhar em rumos incertos...
Sentir em minhas narinas aromas de saudades das rosas
Do jardim de minha infância...
E em arrepio e suspiros...
atravessar montanhas floridas de lírios fulgentes...
E abrir os braços ao vento de todas as almas
... e despi-la ...
Esta alma mal amada
quer apenas adormecer nos braços de tua alma querido e
Nunca mais ver nossos devaneios cessados!
Voos de fantasia...
Busco-te numa estrela poética
Em estrofes... rabiscos...versos e rimas...
Convoco o vento forte...
Para que me leve nas suas asas
e nesses meus voos de fantasia
saboreio o vai e vem das marés...
E volto a sonhar e te vejo
E fico encantada...enamorada
Ao ver o sol deitar-se...
E neste entardecer
Fico a recitar poesias loucas
Com palavras cheias de paixão...
As palavras dançam...numa harmonia encenada
Nossos corpos unidos...na minha visão de ilusão!
Sonhos...o que restou da vida!
( )...e eu sonhei contigo...
E te vi nas noites cálidas em frente ao mar...
Fecho os olhos e recordo-me
Em tempos idos teus doces abraços
Enquanto eu navegava mansamente pela vida...
Estive longe... Onde os anseios renascem...
e o crepúsculo se finda... Encontrei a noite...
... e uma lágrima de profunda saudade...( )
Tormentas...ventos!
Arrastam-se no murmurar secreto das tormentas
o eco dos versos recheados de anseio
que escureceram no calor distante dos corpos ausentes...
dos translúcidos afagos...
Memórias devastadas pelo tempo..
E que sempre arrasto pela vida...
Onde pernoitam fragmentos de segredos entorpecidos...
De repente ruíram os sonhos...hoje...
Deixei de ver o teu vulto desenhado em minha retina...
A fúria dos ventos...
Deixa-me envolver
no murmurar musical das ondas do mar...
e nelas num bailar de melodias
entre seus gemidos abandonar-me
a fúria dos ventos que me arrebatam de ti
Letárgico...
Eu me chamo solidão e tu te chamas saudade...
Escuto os passos do tempo...
E neste letárgico é a minha sina de poeta...
Nesta ansiedade rejeitada
levo comigo a tempestade
e na melodia dos raios e trovões.
Tu não vês a minha amargura
e esta dor verdadeira
deste sonho fragmentado queria apenas
Enganar o acaso...
Sussurro do tempo...
No giro completo de um luar
Voa este espírito ardendo de paixão...
Ergue anseios nos montes do tempo
Como ama este coração... Não se cansa de amar!
Inventa poemas, em tardes frias...
Tatua memórias no meu peito... E deixa
Palavras perfumadas que invadem o meu ser...
Não existe distância entre o coração e a razão
No êxodo deste instante sinto a fragrância das lembranças
o aroma do incenso...cravos e flores...
Estou aqui calada
Escutando o sussurro dos tempos..
qual tocasse as nuvens ao vencer o mar bravio...
FUGA...
E passei...e não olhei para trás...
Não te vi...nada vi...
Não te sorri...fugi...
E desde este dia nunca mais te vi!
Aqui ainda sou eu que assim de passagem
neste mesmo lugar desta viagem
onde meu corpo maculado pelos
ventos que sopravam dos desertos
refugiado....
e que a brisa me receba com
seu tépido ares e no meu findo
Alento poder prosseguir...
E o silencio que acerca-se
Nos meus murmúrios que sussurram
Nas trevas insolúveis
Das noites onde repousa a minha quietude de ti!
E voam anjos...
...
...eu os vejo pela janela...
e pra eles sopram os ventos nostálgicos...
E a efígie acorda os sentidos... As emoções...
procuro na memória momentos perfeitos...trilhas perdidas...
Alucinação... no orvalho da manhã
somente o teu rosto esculpido na vidraça
por meus dedos... Desnudos...
O real e o irreal da paixão nos permite viajar
Na brandura do tempo... E no meu silêncio existe um mundo intenso
De sons...na metamorfose dos meus sentires!
UM OLHAR PARA ALÉM DA NOITE
E vejo o mar... e sinto a brisa a afagar meu rosto...
e o aroma das flores na minha varanda... E beijo o silêncio
Qual se fora folhas de outono a volitar na tentativa de
Alcançar o tempo que se foi...
Ah! E as nuvens viajam no palato celeste
Cruzando as alturas...
Em meu peito ardem as lembranças que sorvo
E viram estrelas que brilham nas noites dessa profunda solidão...
E arde em meu peito esta saudade... Que incendeia e sangra a minha alma solitária
E fantasio com sonhos que se eternizam em meus versos...
... inquieta lanço um olhar para além da noite
À espera de ti!
