Poesia Felicidade Fernando Pesso
A poesia que escrevo é tentativa de consolo atrasado. Chega fora de hora e, mesmo assim, serve. Alguns versos aquecem como chá morno em noite fria. Outros queimam e despertam limpezas necessárias.
Escrever é esse movimento de cura e descoberta.
Olho o mundo com os olhos da inocência,
Onde cada detalhe vira poesia.
Viver é um presente sagrado e bonito,
E amar é transbordar essa doce energia.
Sou loba, sou rastro de luz no caminho,
Sou o afeto que acolhe e que abraça o irmão.
Seja bem-vindo ao meu mundo de paz,
Onde a vida pulsa na alma e no coração.
---------- Eliana Angel Wolf
O galo não é despertador, é poesia,
Cantando o início de mais um lindo dia.
E o cheiro... ah, o cheiro! Café em brasa,
Se misturando ao perfume que mora na casa.
O bolo de milho, de receita guardada,
Era a ponte doce da vida adoçada.
Mas nada, nada superava o calor
Do abraço da Vó, feito de puro amor.
No colo macio, o tempo parava,
Tudo de ruim ali se apagava.
Saudade que pulsa, lembrança que fica,
Daquele tempo onde a vida era rica.
PREMÍCIAS DE UMA DOCE- AMARGA VIDA EM POESIA
Na espreita a luz se acende
Alma pura em impura transcende
E viva-morta ninguém sente
A dor e o prazer de ser gente
Nesses caminhos que a inspiração leva-nos
Os poetas dormem acordados
Fogem da ilusão real
E mergulham na ireal ilusão
Dos pobres apaixonados
A história conta por si so
O eterno conto das palavras
E amargas emoções doces sabores
Deixam na garganta um nó
Que se abre em flor de meio-dia
Doce amarga poesia
Que o sol nascente some
E em versos , sentimentos se consome
Doce amarga poesia
Persistir é imoral
Quando a falta nos e fatal
Aos olhos alheios
Poetar é coisa pra imortal
E nessas primicias que les
Ves um sonho real
Miha singela
Doce amarga poesia
Brotando a cada dia
Flor mais bela do jardim da fantazia
Te sigo e te vejo sorrir
As lágrimas que choro
MINHA DOCE
MINHA AMARGA
POESIA
Poesias pré-fabricadas
Construir uma casa
É compor uma poesia
Quero tudo no lugar
Onde sonhei desde criança
Nada de alugar
A poesia é meu lugar
Onde deposito toda minha esperança
Quero fazer uma poesia
Compor uma casa
Construindo um futuro melhor
Num compor-me desventuroso
Aventurar-me na poesia de cada dia
As idéias me vem com força de ser
Discernimento
E é impossível
A vontade de escrever conter
Da vida social
Na eterna terna construção
Se abster
No meio dessa obra
Esse canteiro de cimento verde esperança
Indomável inspiração concreta
Doce e amarga ferrugem que corrói
Os vergalhões da saudade
De um tempo de criança
Poesias são eternas
Como as moradas eternas
Poesias se reformam
Como as casas se remodelam
Coisas que vem do coração
Geradas toda hora
De instantes descartáveis
Poesias afáveis
Pré fabricadas na alma
A poesia é o grito do inominável
é o urro do imprevisto
a poesia e o inicio
é o fim e do poeta o vício
A poesia
Me dá azia
Deixa um travo
Na boca
De gosto amargo
Quem me dera
Ser poeta
Em outra era
Em que a verdade
Era sincera
Eu tentei procurar
Uma poesia que pudesse passar
esse sentimento que tenho por ti
É estranho, eu não consigo explicar
Nem mesmo pude encontrar
E por isso, então, eu escrevi
Ahhhhhhh! Esse seu sorriso!
Ele sempre me pareceu
Como aqueles que você dá com a alma
Aqueles que vem e acalma
Que contagia e você nem percebeu
Eis que tive a oportunidade
De poder observar de pertinho
O seu jeito e como chama seu paizinho
E todo o seu carinho
Pela nossa brasilidade
Você veio até mim
E como um final de semana sem fim
Vários momentos foram eternizados
E nem por quem fossem narrados
Conseguiriam se sentir assim
De ver o Sol nascer,
Tomar chimarrão e conversar
Aquelas conversas que encantam o olhar
Que fazem a alma e o corpo arrepiar
E o brinde que fez o olho brilhar
De cavalgar na lua cheia,
Dormir de conchinha e te ver na areia
Te ouvir dizer que era isso que precisava
E quando eu te fotografava
Em minha memória também ficava
Sua luz virou em minha alma poema
E então apareceu esse dilema:
Que sentimento é esse?
Eu não sei, e nem consigo explicar
E olha que procurei das montanhas até o mar
É um sentimento que quero contemplar
Eu quero apreciar, olhar e admirar
Toda a beleza que tua alma é
E poder fazer isso durante o café
Do encontro que o universo vai arrumar
Quero ver você voar
Como o voo de uma borboleta
Que vence o vento e a tormenta
Enquanto escolhe o lugar para pousar
E eu fico aqui, cuidando do jardim
Esperando que os ventos te tragam até mim
E que as flores mais bonitas e cheirosas
Aquelas bem majestosas
Façam você ficar enfim...
Sou muito da poesia, mas se a vida me empurrar para a artilharia,
jamais vou me furtar.
Porque há em mim uma inclinação natural para as palavras que curam, para os silêncios que acolhem e para as metáforas que ajudam o mundo a respirar um pouco melhor.
A poesia, afinal, é o território onde a sensibilidade ainda tem cidadania e onde a humanidade tenta se lembrar de si mesma.
Mas viver não é apenas contemplar.
Há momentos em que a realidade deixa de pedir versos e passa a exigir coragem.
Momentos em que a delicadeza, sozinha, já não protege quase nada — nem a dignidade, nem a verdade, nem a própria vida.
Nessas horas, permanecer apenas na poesia pode ser confundido com ausência, e silêncio pode parecer concordância.
Não porque a poesia seja fraca, mas porque existem tempos em que até a beleza precisa aprender a defender-se.
E nem se trata de abandonar a poesia, mas de compreender que ela também pode vestir armadura quando necessário.
Que quem cultiva sensibilidade não está condenado à passividade.
E que defender aquilo que dá sentido à vida também é uma forma de honrar tudo aquilo que a poesia sempre tentou dizer.
Ser da poesia é escolher, sempre que possível, o caminho da palavra antes do confronto.
Mas é também saber que a dignidade não pode ser permanentemente desarmada.
Porque quem ama profundamente a vida não luta por amar guerra — mas para que ainda exista mundo suficiente onde a poesia possa continuar respirando.
Ecoando a minha alegria.
Espalhando poesia.
A minha, a sua, a nossa.
Entre versos e rimas.
Os ecos da cidade.
Pelo Brasil, aflora.
Quero tanto e não quero nada.
Das incertezas, nada é meu ou seu.
Tudo é nosso!
Nesse Brasil, lá fora.
Nos becos, estradas e vielas.
No subúrbio ou na zona sul.
Ouve-se os
Ecos da cidade.
De norte a sul...
Banalizaram até a poesia.
Tentando encontrar uma.
Aqui.
Não fiz nem a minha.
Compreendo que é pensando.
Então não vou ficar,eu
Aqui.
Julgando!
Invicta
Invicta, é poesia inacabada: o mundo poético dentro de uma cidade.
O Douro escreve poesia líquida nas margens das rugas da ribeira.
O nevoeiro na invicta não é clima: é véu. E todo véu oculta um portal.
Há portas na cidade que só se abrem a quem carrega profundidade e revelação. Cada varanda é uma metáfora, cada rua um poema à espera. No Porto, a alma encontra abrigo porque sabe o que é amar em silêncio.
A guerra é poesia invertida:
transforma rostos em sombra
e em terra embebida em lágrimas,
as flores não nascem.
Deram o verbo
a misoginia
a esperança disfarçada de poesia
a ironia
num universo qualquer
os abstratos de um poema
problema?
nenhum!
não fosse a vontade soberana de ousar
criar, buscar
numa colcha de palavras
o descaminho...
"TODO É POESIA "
Manhã de domingo,
pão de sal quentinho
na chapa,
café adoçado ao gosto,
Saulo Fernandes cantando,
tão sonhadar,
e a preta amada vestido o biquíni para desfrutamos das areias de São Tomé e seu mar calmo.
Poesia Ancestral
Somos brasileiros, frutos de migrações.
Chegamos a esta terra que já era Pindorama,
habitada por aqueles que cruzaram Bering
e fincaram raízes na vastidão da floresta.
Somos mestiços de muitas regiões,
acolhedores, enérgicos, diversos.
Em nossa cultura não há fronteiras,
há encontros, há braços que se abrem.
Na gastronomia, temperos se misturam,
aromas dançam, modos se reinventam.
Carregamos raízes fecundadas em terras distantes,
que se entrelaçam às raízes que aqui florescem.
Somos brasileiros com fervor,
não superiores, mas únicos:
resultado da obra divina,
expressão viva do universo.
Forma de sentir
Não sei dizer se o que escrevo é
poema ou poesia…
acho que só sigo o que o meu coração diz.
É expressão em estado bruto.
Talvez uma prosa poética —
quando narrativa e poesia se misturam
até não dar mais para separar
onde termina uma
e começa a outra.
Eu não me preparo para escrever —
eu sinto…
e as palavras vêm.
Às vezes em silêncio,
principalmente quando estou ansiosa,
triste ou nervosa,
elas vêm em rimas,
como se a vida,
por um instante,
virasse melodia
só para me confortar.
Como um drama,
um conto
ou romance antigo —
talvez de filmes
ou de uma época desconhecida.
Escrevo quando algo transborda,
quando aperta,
quando precisa existir
fora de mim.
As palavras apenas saem —
e eu as escrevo.
Não sigo regras,
não penso demais…
apenas deixo acontecer.
As frases vêm como ondas:
às vezes calmas,
às vezes quebradas,
às vezes interrompidas…
como quem respira fundo
ou engasga com o próprio sentir.
Dou saltos —
de assunto,
de emoção —
como batidas irregulares
de um coração apaixonado.
E, muitas vezes,
quando termino,
leio de novo
com um certo estranhamento —
como se não tivesse sido eu…
mas, ao mesmo tempo,
sabendo que nunca fui
tão autêntica assim.
Talvez não seja texto.
Nem poema.
Muito menos poesia.
Talvez seja só
o meu jeito de sentir
ganhando forma. 🌙
Às vezes me sinto como se a poesia me usasse…
como se cada palavra fosse um jeito
de sobreviver ao que eu não sei explicar.
DeBrunoParaCarla
No tecido dessas frases
sobre a haste desses versos
a poesia tremula inquieta
a bandeira da leitura
no poema que mais
esse vento completa
(Leonardo Mesquita)
A poesia precisa do poeta para pega-la
com palavras
como a água precisa de algo
para conte-la,
se não fosse a tinta da caneta
a poesia seria desperdiçada
despalavrada no não
e não declamada
saciando o imaginar
que pede conclusão
contida em cada letra
preciosa em um poema
é só vim e pegar um declamar
e ser
