Poesia eu sou Asim sim Serei
Aquele tão sonhado beijo aconteceu debaixo da chuva, que chegou de repente, enquanto eu admirava sua boca e, por um instante, desejei ser o seu batom.
A água escorria pelos nossos rostos. Aproximei-me devagar e pude ouvir sua respiração. Quando nossos lábios se tocaram, o tempo parou, tudo ao redor desapareceu.
O gosto da sua boca parecia de fruta madura, tamanha doçura... Lembrou-me o sabor de uva, daquela uva doce que a gente prova devagar, querendo guardar na boca o sabor por mais tempo.
E a chuva continuava caindo, como se o céu também quisesse testemunhar aquele momento. Nossos olhos se encontraram, e naquele instante não existia mais nada: apenas nós, a chuva e o sabor daquele beijo tão esperado.
Depois, quando nossos lábios se separaram, ficou em mim a vontade de voltar àquele instante. Porque há beijos que terminam na boca, mas permanecem para sempre na memória.
E toda vez que eu ouvir “Sabor da Uva”, talvez meu coração volte para aquela chuva... para o encontro dos nossos lábios... e para o doce sabor da sua boca, que até hoje tem gosto de saudade.
De mim...
Pra mim
Eu te vi cair, juntar teus cacos sem ferir ninguém.
Se levantar com dignidade e recomeçar.
E diante do espelho,te aplaudo.
Eu fico fazendo os cálculos da distância,
Quando as pessoas precisam
de mim,
E quando precisei delas.
Sobre lugares e pessoas que eu prometi nunca mais voltar,
Até aqui,
Minha parte do nunca está mantida.
Meu querido eu,
Tire da gaveta aquele par de asas.
Você já cuidou do voo de muitos,
É hora de cuidar do seu.
Sobre meu passado eu vendi o prédio inteiro por uma pechincha.
O tempo até demoliu,
Não existe mais.
Eu recomeçarei quantas vezes for preciso,
Escrever em uma folha em branco tem um gostinho diferente.
Se você soubesse o que eu sei,
e penso ao seu respeito,
Entenderia meu silêncio diante da sua latumia.
Ninguém tem o poder de tirar de você,
O que você se deu.
Exemplo:
Para defender minha paz eu declaro guerra.
Mataram as borboletas no estômago,
Não perceberam,
Que no peito eu tinha uma fênix,
E na mente uma águia.
Aquele convite pra um café,
ainda está de pé.
Mas deixo claro,
Eu também aprendi devolver ausências.
Eu vi quem prometeu segurar minha mão,
Soltar, e ir embora sem aceno.
Aprendi que nem toda chegada vira morada.
Eu construí meu castelo com as pedras que atiraram em mim,
fiz do silêncio meu elo,
para um novo e forte motim.
Não serei mais o mesmo que antes
eu juro que não serei,
sou agora as minhas variantes
Em tudo que me tornei.
Me reinventei, sim, me refiz
Com a luz que em mim encontrei,
Enfim, me achei, fui feliz,
E para sempre serei.
