Poesia eu sou Asim sim Serei
Simplicidade
Queria, queria
Ter a singeleza
Das vidas sem alma
E a lúcida calma
Da matéria presa.
Queria, queria
Ser igual ao peixe
Que livre nas águas
Se mexe;
Ser igual em som,
Ser igual em graça
Ao pássaro leve,
Que esvoaça...
Tudo isso eu queria!
(Ser fraco é ser forte).
Queria viver
E depois morrer
Sem nunca aprender
A gostar da morte.
Felicidade, agarrei-te
Como um cão, pelo cachaço!
E, contigo, em mar de azeite
Afoguei-me, passo a passo...
Dei à minha alma a preguiça
Que o meu corpo não tivera.
E foi, assim, que, submissa,
Vi chegar a Primavera...
Quem a colher que a arrecade
(Há, nela, um segredo lento...)
Ó frágil felicidade!
— Palavra que leva o vento,
E, depois, como se a ideia
De, nos dedos, a ter tido
Bastasse, por fim, larguei-a,
Sem ficar arrependido...
Andamos nus, apenas revestidos
Da música inocente dos sentidos.
Como nuvens ou pássaros passamos
Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos.
No entanto, em nós, o canto é quase mudo.
Nada pedimos. Recusamos tudo.
Nunca para vingar as próprias dores
Tiramos sangue ao mundo ou vida às flores.
E a noite chega! Ao longe, morre o dia...
A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia...
E há mãos que vêm poisar em nossos ombros
E somos o silêncio dos escombros.
Ó meus irmãos! em todos os países,
Rezai pelos amigos infelizes!
A te escrever!
Estou a escrever
Um poema a você
Sem rimas e versos
Apenas sentimentos
Te mostrar o valor
Ao longo dos trechos
Como o mundo é lindo
Apenas ao seu contexto
As linhas longas
O meu amor escrevo
No melhor papel
Os meus desejos
Você está a ler
Apenas um texto
Outrora
Estou lhe sentindo longe como outrora
Num inverno sem sentido
Pularei deste abismo sem pensar
Basta pegar minha mão
Que o inverno vai passar
Estou me sentindo um tolo
Estou aqui apenas para te amar
Mais não queres meu amor
Na solidão irei estar
Péssima outrora de inverno
Em paz tem que me deixar
Morte me leve agora
Com ela não irei ficar
Amargo vasto da outrora
Toda lagrima tem sua história.
Algumas lagrimas vêm como pedras pesadas
Necessitam de um terremoto para que possam fluir
Algumas vem como o arco-íris
Feitas na calmaria e leveza, para o nosso dia colorir.
Pra min não é novidade isso de chorar
Eu chorei quando nasci
Chorei quando perdi
Chorei também quando ganhei
E muito mais quando amei!
Ah como é bom quando a gente chora de felicidade
Chora ao ouvir o choro na maternidade
As vezes é ate bom chorar de saudade
Quando a lembrança de algo bom nos invade.
Choramos muitas vezes por solidão
Por estar longe, por sentir-se vazio na imensidão
Choramos implorando perdão
E quase sempre por frustração.
Toda lagrima tem a sua história
As vezes por luta, por dor, por honra, por gloria
As vezes por emoção, felicidade ou lamento
Mas toda lagrima é acompanha de um crescimento.
Então permita-se chorar
Assim nos tornaremos mais humanos
E vamos aprender que lagrima caindo
Significa sorriso chegando
Essa tal liberdade
Seria uma utópica verdade?
Com a razão e emoção condicionada
Estaria a liberdade acorrentada?
Parece uma verdade abstrata
Mas só a loucura é sensata
O sofrer da menina!
Menina sofrida,destruída e ferida
Se entregou ao amor
E ele há rejeitou
Suas lágrimas a rolar
Sem estrelas há brilhar
No seu céu nada há
Corra agora menina
Busque o seu pensar
Não deixe o atordoar
Seu coração a se calar
Deixe para lá
Isso irá lhe machucar
Busque o seu viver
Viver é amadurecer
O desconhecido.
É na sociedade que este mal se aparenta,
Que consequentemente inquieta-se
Que consequentemente ñ se apresenta.
Escrever é ñ ser desconhecido,
Mesmo sendo autor anónimo
Só se omite um ser adormecido,
Em ti privas o antônimo.
Há quem escreva, há quem pinte.
É um mundo que pouco se sente.
Moda é um extinto,
A vocação é subjacente.
De um ébrio
Às vezes paro e penso:
o passado já era,
o futuro é escuro,
o presente é o que me resta; é o que nos resta,
é o que resta a todos condenados à morte.
O velho Baldelaire
está certo: é melhor existir menos e viver mais.
Se Deus existe, se escondeu de mim,
enquanto carrego os
meus restos para o fim...
Oh, só os poetas compreendem os poetas!
Nem a mulher, a quem jurei amor, me compreende.
Falta pouco para eu acabar esta tóxica garrafa de cerveja...
DUAS PERGUNTAS
Não há palavras soltas!
Um enorme vazio nos cobre, e uma pequena esperança sequer molha nossos lábios.
Mas estamos vivos!
O melhor caminho para sermos grandes é aquele que nos torna pequenos.
Sonhar nos braços da mulher amada, diz Rilke,
já nos basta.
Que dia é hoje?
Que importa?
Este belo sentimento tão fecundo
Faz de um simples cidadão a um doutor
Indivíduo realçado em qualquer meio
Instrumento do querer do criador
Seja um negro, branco, ruivo ou moreno,
grande, magro, volumoso ou pequeno
são iguais sobretudo no amor
Dá no mesmo ser patrão ou zelador
Independe de patente ou serventia
Seja um padre, um ateu ou um pastor
O amor não requer teologia
Não se compra ou se acha em cartilhas
Basta plantá-lo, pra colher suas maravilhas
que o Senhor nos dá de graça todo santo Dia
Almas ressequidas pela robusta ignorância
Onde estão em si mortas
Apesar de semivivas
Não conhecem a vida
Apenas sobrevivem
Feliz são as prosopopéicas vidas que as assistem
Sobre meu coração
chovem gotas frias de desalento...
turvas são as águas,
Nelas me sinto como um náufrago
Tento retorquir,
flamejando em meio à multidão atingida pela maldição do facciosismo...
Diante desse tempo úmido e frio
Domados atrozmente por avalanches de distorções e invenções
Carregados de vazio,
Sem ideias,
embriagados pelo inculto...
Suas mudanças revelaram-se navalhas
que não cicatrizam
Feridos, desempregados,desabrigados e famintos
Sob marquises pleiteiam acomodação.
Onde está a rosa?
Te tornaste símbolo, carregada em punhos cerrados
Sempre fostes resistente
Precisamos que cresças entre escombrosde pedras brutas
Que floresças nos corações e mentes,
que transforme a melancolia em esperança.
ESCADAS
Todos querem chegar no topo,
Em tudo isso não há nada de mal,
Mas porquê não esperar mais um pouco,
E subir degrau por degrau!
Suba na vida sem temer os perigos,
E se apresse porque o tempo passa,
Mas jamais faça dos seus amigos,
Os degraus da sua escada!
A subida pede um degrau de cada vez,
E lá no alto prevalece a cooperação,
Não se deixe levar pela altivez,
Use a escada sempre, jamais o corrimão!
Viver é como tentar conquistar o topo de uma escada,
Muitos virão pra querer te impedir,
Mas se você seguir firme na escalada,
Todo o mal que te desejarem, vai te fazer subir!
Rodivaldo Brito em 15.07.2019
OTIMISTA
Não se preocupe,
Se poupe dos aborrecimentos,
Nem se perturbe,
Aproveite os bons momentos!
Seja sempre otimista,
Acredite em Deus e que tudo vai dar certo,
Não seja como o pessimista,
Que morre antes de ver o deserto!
Não dê atenção em tudo que ouvires,
Nem acredite em frases arranjadas,
Porque há mentiras em muito do que ouvires,
E verdades que jamais serão reveladas!
Seja sempre um bom sujeito,
E não o que as pessoas querem,
Trate a todos com respeito,
E perdoe aqueles que te ferem.
O otimismo pode te levar para o teu objetivo,
A um lugar que o medo não dá passagem,
Porque ter medo é não querer correr riscos,
Ser otimista é uma atitude de coragem.
Rodivaldo Brito em 21.07.2019
NA HORA DA CEIA
Na hora da ceia,
Minha alma anseia,
Quer repousar em ti Jesus!
Participo do pão,
Declamando um refrão,
Foi lá na cruz...
Bebo o vinho,
Te ouvindo com carinho,
- foi por ti que eu me fiz maldito!
Vem na memória,
A tua trajetória,
A história do ser mais bendito!
Eu, que sou tão culpado,
Por teu sangue sou lavado,
No vermelho carmesim!
Que não falte aos meus pecados,
O perdão tão esperado,
Que trouxeste para mim!
Rodivaldo Brito em 05.08.2019
ADEUS O ÚLTIMO CARINHO DO REJEITADO
Enquanto a vista alcançava, na tarde ligeira,
Teu corpo, a cada passada, desaparecia,
Num último esforço, a imagem derradeira,
De quem ainda há pouco, o adeus me garantia!
Porque partiste, me deixando de lágrimas banhado?
Tomado por tantos tornados e tempestades,
Não sabes que te amo e que por ti tudo tenho dado,
Porque me abandonas com tamanha crueldade?
Porque teu coração inconstante não responde?
Arde em chamas num instante, logo depois esquece,
Uma hora aparece, outra hora se esconde,
Quem não te ama amor, não te conhece!
Desaparece quando cresce na companhia,
Na ventania carrega os nossos melhores anos,
E conquista a confiança de quem já desistia,
Acabando com o sonho de tantos planos!
Porque mergulhei nesse mar turbulento,
E não procurei evitar esse resultado?
Hoje vendo você partir, disse pra mim mesmo: como me arrependo!
De viver esse adeus, o último carinho do rejeitado!
De Rodivaldo Brito em 16.08.2019
A FLOR E A PRAGA
Numa certa manhã, uma flor desabrocha,
Nasce Linda, com cores vivas e vibrantes,
Sua beleza é incomparável, estonteante,
Veio do galho mais forte, firme como uma rocha.
Uma praga surgiu imponente na madrugada,
Vindo no meio do excesso de adubação,
Num ambiente sem qualquer irrigação,
Se alojou nas pétalas da flor tão desejada.
Durantes dias a flor lutou contra a praga,
Mas suas forças se esvaíram. E desanimada,
Sem os cuidados necessários, murchou.
O amor é como um jardim florido que a todos agrada,
Mas sem cuidados, é como uma flor que não é regada.
A praga se dissemina onde ninguém tratou.
De Rodivaldo Brito em 26.08.2019
