Poesia eu sou Asim sim Serei

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De saudade podemos chorar
trazendo de volta o passado
mas não conseguiremos tocar
o que no coração foi guardado

Tão linda e misteriosa é a lua,
rainha da noite e majestosa
ilumina em arabescos toda a rua
e no jardim beija a rosa
Linda lua que em meio ao sereno
segue em direção à madrugada
manda boa noite em acenos
mesmo que nem seja notada

É abobrinha

Sempre enganado, sempre jogado, sempre esquecido
Nunca amado, nunca teve felicidade, nunca relatou

Afundado em sua própria mente
Dominado por embalagens de si mesmo
Enjoado de viver
Enjoado a toa, pois nunca viveu

Não vai ter fim
Sempre estará atrás de algo
Sempre estará padecendo

Sempre crítico
Mais crítico de si, mesmo enjoado
Não vive em paz

Olhando no espelho
Só vê duas crateras
Padece em desespero
Em medo
Em auto amor
Em auto ódio
Padece por ajuda

Ajudem esse ser
Esse ser não é ser mais
É um brinquedo
Só existe na hora de brincar
Não se preocupe
Ele sobrevive

Não respeite-o
Use-o e jogue-o
Não leve-o a sério
Ninguém leva

É tudo brincadeira
É tudo Shakespeare
É tudo abobrinha

Nós somos os seres
Mais apegados da terra,
Ate males quando se vão
Disfarçado de amor,
nos fazem chorar.

Acredito que o amor exista movendo mundos mas que não se movimenta no meu. Nas histórias de princesas salvas da morte por épicos príncipes em cavalos muito ligeiros, sempre acreditei mais nos cavalos. Os cavalos são a força e a celeridade. Os cavalos são os verdadeiros heróis.
Isto que acabei de dizer não é uma conclusão — é uma mão no peito.

Olhar de Anjo

Dizem que os Anjos aparecem,
Apenas para crianças.
Elas não os reconhecem, porque
Eles sempre estão disfarçados.
São aqueles que, lhe fizeram o curativo,
Quando caiu da bicicleta.
Que ficou, acordado a noite inteira,
Quando você estava com febre.
Que levou você para passear,
Mesmo sem te conhecer,
Junto com os amiguinhos da escola.
Que te presenteou com balas, bolos, festas.
Aqueles que tiveram sempre um olhar terno.
Quando mais você precisava.
Quem disse que Deus não cuidou de você....
Só que; você só lembra de tudo isso;
Depois que cresce.
Achava, no seu mundo infantil,
Que tudo o que acontecia, lhe pertencia
Por direito.
Na verdade lhe pertencia. Mas os Anjos
Que lhes guardavam de tempos em tempos.
Eram tão especiais, que não mediam esforços
Para fazer uma criança sorrir. Mesmo,
Eles possuindo, seus próprios problemas.
Olhavam-no com olhares de Anjo.
Te formaram. E foram para o Céu dos Anjos.
E isso, se repete, em cada geração.
Mesmo que a criança, não reconheça,
Os Anjos em sua volta.
Eles estão sempre ali com seus olhares.
E sentir-se só. É quando; nos lembramos,
Daqueles Anjos, que nos cuidaram.
E não tivemos tempo de agradecer.

Marcos fereS

Iniciação

Infalível, dia após dia
mergulhas no mar das trevas
decúbito na cama esquife
entre lençóis mortalha.
O cansaço te prostra
e arrasta pelas sendas
abissais do nada.
Em parêntesis de tempo
sonhos irrompem tênues
devolvendo-te do mundo
quebra-cabeças e farelos.
Firme instala-se o hábito
da ausência e da renúncia:
vais ensaiando a morte,
última exigência do corpo,
em teu colchão de espuma

Navio-esquife

Correm as águas do rio
Corre veloz o navio
Entre as faces do vento
Entre as faces do tempo
Corremos nós.
Ao abraço de que foz
Viajam as águas
Viajamos nós?
Árvores nas margens
Céleres passam
Sob remansos de céu
Onde se apaga o sol.
Eis que longe o porto acende seu colar de luzes:
Grinalda para os mortos
Que no navio-esquife
Ante-somos todos.

Tragediazinha

Cansou-se da eterna espera
o morno amor chove-não-molha
e retirou seu cavalinho
da chuva peneirando lá fora.
Casou-se com a igreja
o fogão a máquina de costura
e recheou os frios dias
de tríduos e novenas
biscoitos bolos rendas.
Mas na calada da noite
no recato escuro
ainda embala o velho sonho
de um amor absoluto.

pôr de lua

estou naquela fase
cheia de resumo

foge-me o verso
a rima escapole-me

peço a são jorge
lave-me leve-me

love me

Sonho interrompido

É como um sonho impossível
Que está se realizando
Me sinto cada vez mais sensível
Com essa mudança de planos
Estava tudo programado
Data, hora e lugar marcado
Mas esse "serzinho", causou muitos danos.

Eu sonhei com aquele dia
Em que veria seu sorriso
Pensei até na poesia
Que eu faria de improviso
Mas um "serzinho" insensível
Microscópico e invisível
Causou um enorme prejuízo.

Preparei meu melhor abraço
Para entregar todo à você
E assim teria feito
Se fosse do meu querer
Mas as portas se fecharam
E os sorrisos se calaram
Tudo por conta desse ser.

Mas aprendemos que não importa
Se é homem ou mulher
Se é rico ou se é pobre
Ou a cor que tu tiver
Esse "serzinho" tremendo
Mostrou que mesmo pequeno sendo
Não é um "serzinho" qualquer.

Mulher menina

Menina bonita.
Menina sapeca.
De ponta cabeça
Para brincar.
Menina alegre.
Menina amiga.
Que a Vida anima,
Para cuidar.
Menina madura.
De cabeça pra baixo,
Fazendo traquinas.
Para encantar.
Menina Amiga.
Alegre menina.
Que veio para mundo.
Para Amar.

Marcos fereS

Oh morte
Sei que anda comigo
Apareça e me leva embora
Tire de mim esses dias sombrios
Mata-me as sensações de dor
Cura-me desses traumas

Afasta-me esses demônios
Leve-me ao vazio
Tire-me a consciência
E me apresente a inexistência.

Toda história tem seu texto
tem seu pretexto e pronúncia.
Tem seu remorso, seu sexto
sentido de arte e denúncia.

METAMORFOSE ÀS AVESSAS, SE FEZ LAGAR À BORBOLETA…


⁠Havia um ar maléfico,
Uma sombra no modo de olhar…
Talvez, quem sabe…ali sempre estivesse.
Debrucei-me no algibe da minha solidão,
Senti o peso das correntes…
Absurdamente grossas e enferrujadas.
Percebi que a minha dor não fazia ruídos,
Como alguém que sufoca em uma sala abafada
Lentamente fui sendo entorpecida e não fiz nada…
Eis ali, sem casulo de transmutação, enclausurada…
A borboleta em mim estaticamente petrificada
Observando tudo sem fazer nada.
Havia um que de contentamento
Nos olhos do meu algoz,
Ao ver-me sufocar em meus aposentos.
Ali o mais feroz dos monstros,
Faminto voraz dos meus dias
…Era o tempo.

⁠Postes Laranja

Avenida barulhenta
Se cala na sarjeta
Postes Laranja
Na beira da falência

Gasolina fedorenta
Poluição da grande empresa
Postes Laranja
Ignoram sua presença

Cidades isoladas
Vidas isoladas
Postes Laranja
Invadem nossa mata

Progresso é o que se diz
E escreve com um giz
Postes Laranja
Se espalham como chafariz

Está ficando estrelado
Está ficando clareado
Postes Laranja
Apagam o estrelato

Eu preciso ficar calmo
Fugir do urbano no marasmo
Postes Laranja
Me perseguem por todo lado

Postes Laranja
Postes Laranja
Postes Laranja
Postes Laranja
Por onde eu vou não tem mais vermelho
Verde, azul, amarelo
Roxo, branco, preto,
Cinza, marrom ou caramelo
Tudo o que vejo na distância
São apenas Postes Laranja

⁠Grosseiramente Selvagelmente

Acho meio estranho
Como geralmente
As conversas mais legais
São feitas sem a mente

Sim, raciocino quando converso
Sim, memorizo & observo
Mas os papos mais divertidos
Os papos mais descontraídos
Vem da emoção
Vem do coração

Não pense que é só por paixão
Nem pense que é falta de razão
Na verdade, deve ser meio óbvio
Talvez eles enxerguem enquanto uso óculos
Mas se pensa demais
Acaba tendo medo
Medo de falar o que não devia
Medo de não falar e ficar na fria

Usar a razão leva tempo
E é tudo o que não deve fazer
Demorar, deixar passar
Gastar neurônios inutilmente
Com variáveis que mentem
Sobre sua capacidade
De não trazer felicidade

É questão de personalidade
Se tem caráter ou é um covarde
Pois não deve se mascarar
Bolar um jeito de falar
Deve se expor, se mostrar
Mostrar quem é de verdade
O você sem medos, sem ressentimentos
Se criar um outro eu
Será mais complicado, não?

É questão de instinto
Só vá e faça um novo amigo
Sem pensar se vai falhar
Se vai se enrolar

Não seja quem não é
Não se iluda, não seja a mentira
Senão o você pode virar a ilusão
Sem graça tentando, divertindo quem engana
Não chame atenção, seja a atenção
Não siga modinhas, seja a modinha

Sim, estou te pedindo pra agir naturalmente
Grosseiramente, selvagelmente
Não quer ser reconhecido
Como alguém que tem um apelido
Só desligue a cabeça
Deixa que vá
Deixe rolar

⁠⁠[…]veja as árvores da minha cidade
estão floridas, coloridas, é primavera
em cada avenida ela, - sua majestade
a árvore, singela, como ela é bela!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
outubro, 2020 - Triângulo Mineiro

⁠Soneto à maneira de Camões

Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento.

Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que mo dês - pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.

Mas como és belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.

Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.

⁠Verdejar de uma esperança.
A paciência de quem espera.
O realizar de uma quimera.
Quem age sempre alcança.