Poesia eu sou Asim sim Serei

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Poetisa

A alma poetisa.
Se espreme.
Se exprime
E agoniza.

Ela se despe.
Atenua.
Perpetua
E se veste.

Ela rumina.
Digere.
Difere
E abomina.

A alma poetisa
Adoece.
Anoitece.
Mortaliza.

Castelo de Areia

Somos feito crianças
Brincando junto ao mar.
Tão cheias de confiança
Vivendo sem se preocupar.

Construímos nossas casas
E torres de areia fina
Perto de águas rasas
Sob um sol que ilumina.

Mas vem o mau tempo
Nuvens mudam de cores.
É certo que o vento
Desfará nossas torres.

A vida é oceano.
Sua vontade é maré cheia.
Nossos sonhos e planos
São castelos de areia.

AMIGO

Há certos momentos na vida,
Que ignoramos os desejos,
Não queremos sequer um beijo,
Nem prova de paixão desmedida,

Há certos momentos que preferimos um abraço apertado ,
Uma mão no nosso ombro,
Um socorro que nos tire dos escombros,
Alguém que em silêncio esteja do nosso lado!

Há certos momentos que querermos desabafar,
Extravasar a dor que estamos sentindo,
Ouvir alguém dizendo: estou contigo,
Alguém que sempre está pronto a nos escutar!

Há certos momentos que precisamos mais do que beijos ou paixão,
Alguém que nos queira do nosso jeito,
Que não nos condene pelos nossos defeitos,
Que sare as feridas do coração!

Há certos momentos que precisamos de um abrigo,
Alguém que reparta contigo as aflições,
Que divida segredos e confissões,
Que seja simplesmente teu amigo!

Rodivaldo Brito em 24.02.2019

DEUS NO CONTROLE DE TUDO

Quando o tempo anunciar,
Que tudo vai dar errado,
Não te deixe amendrontar,
Deus sempre estará ao teu lado!

Deus sabe como agir,
E vai dirigir os ventos da tempestade,
Não deixará nada te atingir,
E te fará mais forte a cada adversidade!

Deus cuida de você sem pressa,
Como um artesão vai moldando o teu ser,
Ele cumpre cada detalhe da promessa,
Não há nada que o impeça de fazer você vencer!

As vezes você pensa que planeja o seu futuro,
Que a sua vida está em suas mãos,
Mas é Deus que tem o controle de tudo,
É ele que te guia e te mostra a direção!

Deus te conhece como ninguém,
Ele te entende sem precisar demonstrar,
Não adiantar querer encontrar em alguém,
O que somente Deus pode te dá!

Rodivaldo Brito em 23/02/2019

Ode a Mulher

Minha viola me chamou
E baixinho me falou
É a hora de escrever
Uma ode ou uma loa
Uma canção bem boa
Para a mulher oferecer.

Diga que pra ela tudo é nada
Ela é porto seguro, estrada,
Acalanto, aconchego
Ela é a coisa desejada
A flor mais bela e mais perfumada
O caminho mais curto para sossego.

Diga para ela que se for mãe e tudo
Que é capaz de qualquer absurdo
Por um filho fraco, ou um vencedor
Se for esposa é deusa e rainha
É a segurança que você não tinha
É sua razão, seu verdadeiro amor.

Se ela for filha diga que promete
Ser seu maior fã, seguidor, tiete
Se for sua irmã diga que agradece
Que hoje, como ontem ela merece
Respeito de irmão, que mesmo homem ainda é pivete.

Ah, se for amiga, colega, cliente
Diga que ela é forte, doce, inteligente
Seja o que ela for, ela é mulher
E você homem forte
Seja filho, amigo, pai, irmão, marido
Será só um homem, faça o que quiser.

Suzano está em toda parte

Mais uma escola derrubada
O ódio entra pela frente sem pedir licença,
Mais um caso, fatos fortes banal
Um verdadeiro free fire da vida real.
Só pra deixar bem claro a culpa não é do jogo,
É da vida que é o inferno pegando fogo!
Chamas como na cheche em Janaúba,
Inferno embaixo da terra coisa nenhuma!
Como é querer orar se você não tem fé?
Estado é laico mas anda em marcha ré
Sei que vai ter hashitags pra confortar a dor
Mas não importa mais nada:
A dor já é uma mãe perdida na estrada
O importante é o verde amarelo eles dizem,
Vestir a camisa da seleção
A revolução já está vindo armada!
De frente, da direita, da esquesta, pelas costas
Ninguém está seguro,
Nem mesmo quem fica em cima do muro.
Mas quem disse que precisa armas?
É só não haver amor:
A Isabella não tinha asas
Quando da janela o próprio pai a jogou.
Bernardo também tava lá
Perdido, enterrado no meio do mato,
Crimes que a justiça se arrasta...
Mas um caso de pai e madrasta
Von richthofen quem nunca ouviu falar?
A Susane filha dos pais que mandou matar
E o Amarildo ninguém mais vai achar?
Deve ter mulher ainda esperando por notícia
Pelo menos um corpo pra enterrar.
Maldita hora que até isso vira alívio
Como muitos perdidos na lama de Brumadinho
Inferno é na terra eu li num bilhetinho.
Agora finalmente acreditei:
Acreditei quando vi um rapaz morto esguelado
Gerar menos mídia que o caso de um cachorro
Acreditei que nós erramos,
A carne mais barata não é a carne preta
E a do ser humano!

Perspectivas

A libertinagem intesifica a reciprocidade
Não há sentido demonizar quem vive para o prazer
A religião que tornou a conduta profana
Esconde Deuses libertos alados às camas

Do que adianta dar asas aos anjos
se a ética não lhes permitir voar?

Bonecos moldados por uma falsa moral
Guardiões de um exército falido
Travestidos de bem, praticando o mal

Discussões evitadas, palavras não ditas
Quem sempre nega a culpa
Há de amargar o arrependimento

A dor do coração partido
Ao ver ela partir
Me revelou ser inútil
Enquanto esteve aqui

Todo amor vira ódio
Quando vencido pelo tédio
Consciência de inércia
Me fez assim tão só

A minha Musa antes de ser
a minha Musa avisou-me
cantaste sem saber
que cantar custa uma língua
agora vou-te cortar a língua
para aprenderes a cantar
a minha Musa é cruel
mas eu não conheço outra

o pó e o amor
como o poema
são feitos
no dia a dia
o pão come-se
ou deita-se fora
embrulhado
(uma pomba
pode visitar o lixo)
o poema desentropia
o pó deposita-se no poema
o poema cantava o amor
graças ao amor
e ao poema
o puzzle que eu era
resolveu-se
mas é preciso agradecer o pó
o pó que torna o livro
ilegível como o tigre
o amor não se gasta
os livros sim
a mesa cai
à passagem do cão
e o puzzle fica por fazer
no chão

O namorado dá
flores murchas
à namorada
e a namorada come as flores
porque tem fome

Não trocam cartas
nem retratos nem anéis
porque são pobres

Mas um dia
têm muito medo
de se esquecerem
um do outro
então apanham
um cordel
do chão
cortam o cordel
e trocam alianças
feitas de cordel

Não podem
combinar encontros
porque não têm
número de telefone
nem morada
assim encontram-se
por acaso
e têm medo
de não se voltarem
a encontrar

O acaso
não os favorece

Decidem nunca sair
do mesmo sítio
e ficarem sempre juntos
para não se perderem
um do outro

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia como era bonita.
Quando era bonita, as pessoas diziam-lhe:
- Eu amo-te.
E iam com ela para a cama e para a mesa.
Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:
- Não gosto de ti.

COUP DE GRÂCE

Uma mulher
nunca pode
apaixonar-se
por um homem
antes de o homem
se apaixonar
por ela
o homem pune-a
por isso
e por muito mais
o homem não a abate
vai-se embora
fechado em copas
a mulher pune-se
a si mesma
se não tem vergonha
por si
tem pena
menina e mãe
num saco
estóicas
como a pescada
que antes de o ser
já o era

ARTE POÉTICA

Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer

é o mal do século, e mata mais que a bala
é o pior espetáculo se só tem você na sala
não tem cor, nem rosto, nem peso, nem dono
mas muda o jeito do rosto te faz pensar que é teu dono
parece um beco sem saída, um grito sem ajuda
uma alma ferida que sempre se põe a culpa
me desculpa minha querida eu concordo que foi minha culpa
é que eu perdi o brilho da vida, quando vi a vida adulta
trabalha e estuda ou sai e se diverte
emprego fixo é uma luta, é o que meu pai me adverte
a morte é a mulher mais linda, que é impossível recusar o flerte
mas não mal ainda que uma boa poesia no reverte, entende?!
também já me sinto inútil pro mundo
por aqueles que amo totalmente abadonado
também já quis saber o gosto do chumbo
e ver como anda a vida la do outro lado
procure ajuda pois não tem vergonha nisso
eu já estive em seu lugar irmão me senti um lixo
o amor é a cura pra vida não a morte
existe outra saída, saiba disso!

Nós, os ateus, nós, os monoteístas,
Nós, os que reduzimos a beleza
A pequenas tarefas, nós, os pobres
Adornados, os pobres confortáveis,
Os que a si mesmos se vigarizavam
Olhando para cima, para as torres,
Supondo que as podiam habitar,
Glória das águias que nem águias tem,
Sofremos, sim, de idêntica indigência,
Da ruína da Grécia.

De que armas disporemos, senão destas
que estão dentro do corpo: o pensamento,
a ideia de polis, resgatada
de um grande abuso, uma noção de casa
e de hospitalidade e de barulho
atrás do qual vem o poema, atrás
do qual virá a colecção dos feitos
e defeitos humanos, um início.

Hoje quero com a violência da dádiva interdita.
Sem lírios e sem lagos
e sem o gesto vago
desprendido da mão que um sonho agita.
Existe a seiva. Existe o instinto. E existo eu
suspensa de mundos cintilantes pelas veias
metade fêmea metade mar como as sereias.

Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois à nossa boda.

Hoje apetece um interior de esponja
E como estátua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.

Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.

O Testamento dos Namorados

Escolhamos as coisas mais inúteis
o verde água o rumor das frutas
e partamos como quem sai
ao domingo naturalmente.

Deixemos entretanto o sinal
de ter existido carnalmente:
da tua força um castiçal
da minha fragilidade um pente.

Esse hieróglifo essa lousa
deixemos para que uma criança
a encontre como quem ousa
um novo passo de dança.