Poesia do Preconceito Vinicius de Morais
Os pensamentos que eu Refleti
Todos os livros que eu li,
todos os versos que eu não escrevi,
todas as poesias que eu esqueci,
todo o mundo que eu me perdi
e todos os amores que eu parti,
estão ainda aqui.
Todas as garrafas que eu bebi,
e cigarros que acendi,
todos os casamentos que eu pedi,
toda minha vida que eu vivi,
e todos os corações desenhados pra ti,
juntos com aquelas flores que eu colhi,
estão por ali.
E as mortes que eu ainda não morri,
andam a me seguir
no passeio que eu corri
lá na casa que eu construí,
da mulher que eu vim,
nos dias que eu amanheci,
nas noites que mal dormi,
e em todas às horas que eu sofri.
Mesa Formada
Me deem uma garrafa de vinho
batata palha
requeijão
creme de leite
frango desfiado
e um amor para poder dormir no frio.
Bula
Aviso para os seguintes sintomas.
Se você estiver com:
Tremores no corpo,
suor exacerbado nas mãos
frio na barriga,
complexo por medo de rejeição,
falta de ânimo,
alucinação.
Batimentos cardíacos acelerados,
cegueira incontrolável,
tato arrepiado,
impaciência,
aumento do ritmo da respiração,
tontura e sonolência,
escassez de ar,
isolamento
e preocupação.
Ataques de risos inexplicáveis,
juntos com ansiedade,
combinada com impulsividade.
Atenção!
Corres um grande risco de se perder.
Por quê? Cuidado.
Estás completamente apaixonado,
de coração.
Todos precisamos mergulhar dentro de nós mesmos
e encontrar o nosso próprio caminho
as vezes reorganiza-lo
outras vezes refaze-lo
Descansar para se reciclar é imprescindível.
Tenho Meus Motivos para Dormir Tarde
Sentir a paz das pessoas,
não ouvir nenhuma voz, só pesadelo,
em cima do prédio bem grande
e subir no terraço descalço, guiado pelo vento,
refletir em sintonia com o escuro derradeiro
desenhar debaixo da cama monstros
com papos enormes, esmiuçados
pelos pijamas de ursinho da criança
curiosa que o puxa pra dançar,
com os cabelos tocados ao chão,
só por desejo e tentação
da proibição de dormir tarde dos pais
"Ele te pega filhão"
tomar antidepressivos com vodka
muita vodka, o máximo de embriaguez
possível com doses de procura,
vontade
de dormir depois que o sol nascer,
lembrar do zelo geado nas árvores
sobre a pessoa que me deu bom-dia
enquanto eu comia pão-francês
na padaria da esquina, ao lado do boteco
de cerveja barata.
Acordar alguém de propósito,
receber ofensas junto com os
uivos dos lobos ou cães de estimação,
medo de bala perdida, há muito ladrão,
assassino de inocente.
Sou um vigia do ócio, não por peregrinação
sem contrato ou negócio,
movido por castigo da solidão.
Estou livre, tenho nove anos
e nenhum pai ou mãe pra xingar,
faço traquinagem olhando
a janela da vizinha com insônia.
Escuto apitos da polícia contra
os baderneiros bêbados
encerrando assim a sinfonia da madrugada
com meu bocejar cansado
do dia penado,
Depois de revirar e me achar,
procurar companhia na fantasia,
sentir-me completo, ouvir o primeiro
sino da igreja a chamar o morador
que gosta de café quentinho,
condiz com sua tradição
de interior.
Escutar o galo, mesmo na cidade,
cacarejar bem forte
pra bola de fogo raiar.
A maior raridade da terra e,
o mais precioso cantar.
Nada é concreto,
Tudo dá pra poetizar.
De Cara na Porta
Toda vez que tento ir à sua casa
sinto que seria como escrever,
foge da minha compreensão.
Um sentimento abstrato,
uma ousadia no vácuo,
grande insistência no inato,
tentativa de reconciliação.
A borrifada de ar no meu rosto marejado
despertado no vazio
entender que não consegui o perdão.
O jeito sempre é voltar pra cama
e dormir sozinho,
no frio e solitário colchão.
O Presente não Dado
Ao pé do fim do morro,
com o mais fino embrulho,
carregava embaixo do braço
um presente não dado
que eu há anos afundo.
Fazia tempo que pairava
que até a cor perdera.
Na minha estante repousava
junto com o medo de ir entregá-lo
para a pessoa que o merecera.
Agora, encontro-me debaixo de chuva,
no início do morro íngreme,
tentando encontrar palavras
e dizer para a menina matuta
o tanto que ela me inspire.
O embrulho é prateado
bem, era.
A água revolta tratou de deturpá-lo,
junto com o tempo adiado
com isso, das minhas lembranças levado
na correnteza foi para o ralo
que de cor ficou apagado.
Menina, me perdoe por antes não ter falado
que eu tinha um presente guardado
lá na estante empoeirada
feita de madeira, no meu quarto.
Sinto que consegui ser amaldiçoado
pelo fracasso de amar.
Se agora choro, fustigo meu coração.
Amasso-o como um padeiro trabalha o pão.
Sou aspirante a poeta, menina bonita, peço perdão,
pela falta de fala expressa pessoalmente,
e o grande número de escritas correntes
no papel escondido na gaveta da minha prisão.
Voltei todos os dias pra casa,
hoje também voltei.
Com a mão firme, cheia e suada
carregando o presente que nunca dei.
Recoloco-o na estante mais uma vez.
e deito ao relento da noite
me odiando por todas às vezes que fraquejei.
Amor Bobo
Me nutro por amor bobo.
Engraçado e recheado
todo colorido palhaço
e tolo.
O que é motivo de chacota
o famoso casal que sente a beleza no olho.
Amor que faz pessoas sorrirem
por ser inacreditável
impossível de ser amado.
É, aquele bobo,
pro outro invejado.
Amor gostoso
igual café com bolo morno.
Gosto de amor bobinho
simples e ousado
a bobice que debaixo das cobertas
esquenta o frio exato.
Juntinhos, sem maldade,
amor que é completo, de graça
e que não se paga.
A falta de preferência
pela medíocre aparência
para ambos baterem asas.
Ah, como é bom amar,
ainda mais se o amor for bobo
por nada.
Ave ufana de Pátrias
Araponga sem-vergonha,
fica nas restantes árvores escondida
gritando aos setes ventos
uma rima forte e partida.
Araponga brincalhona
na janela do ferreiro.
Cata verme e compete,
canta por doçura e brinquedo.
Se o martelo bate no ferro
sua mãe é esverdeada
o pai branco como geada
tu só poderia ter nascido,
no litoral das terras salgadas.
Se agora eu apanho
na Mata Atlântica,
ou no interior do continente
o fruto no chão,
todo sangrado e ferido,
entendo um bocado,
a falta de comida
e sua perseguição.
Araponga voe livre
para longe inclusive
de toda à prisão.
Sua liberdade imponha,
é seu direito em ser viva
e tocar às pessoas
com seu murmurejar marcante.
Araponga inesquecível,
sem-vergonha.
Por que sentes dor?
Não sei! Se eu fosse detentor deste conhecimento, ia lá no fundo,
lá no motivo inicial, o ponto de partida
e entenderia sem pestanejar o porquê de tudo isso.
Entenderia, não com a intenção de findá-la ou
retirá-la com as mãos da terra que é meu corpo
arrancando com raiz, caule, verme e pétalas
mas sim para afrontar os meus medos e desejos
e descobrir o motivo no qual escrevo
e entro em seguida no desespero.
Porém, este entendimento, tenho pavor em conhecê-lo.
Posso deixar de poetizar pelo simples fato
de ter elucidado a causa mais íntima,
que briga submersamente para que permaneça no anonimato,
e só saia em forma de poesia.
É por isso que tenho essa dor crônica
pelo fato de que eu nunca me esforcei para encará-la de frente.
Não tenho a pretensão
de ser sabedor do motivo pelo qual dói
e em seguida olhar o medo que tanto me encoraja
e saciar o desejo que tanto me impulsiona.
Desde modo, nunca conseguirei responder essa pergunta.
Minha dor é dos papéis e das declamações
minha dor é relógio na madrugada que fofoca às almas
os nuances sobre o dia dos vivos
é linguajar popular acessível a todos.
Minha dor é um código indecifrável de palavras
que não perco tempo em decifrá-lo
apenas em escrever o que é necessário
para que essa dor continue a pulsar forte
e me inspire até o dia em que eu for embalsamado.
Pela fé vencerei reinos.
Pela fé alcançarei promessas.
Pela fé calarei a boca do leão.
Pela fé apagarei a força do fogo e porei o mal em fuga.
Pela fé, e apenas pela fé chegarei até a Deus e o agradarei de verdade.
Cuidado com o que falas de si próprio! É muito fácil falar e auto elogiar-se.
Para convencer outrem e fazer calar os que falam mal de você, tens que mostrar mudanças de comportamento.
Fale bem de si próprio com palavras eloquentes e até fantasiosas. Por certo te ouvirei. Mas, para acreditar em tudo que dizes basta que coloques em prática.
As ações não só falam por você como comprovam e convencem.
O amor...
Ele traz sorrisos, momentos inesquecíveis, vontades loucas...
Também ele traz angústia, dores inigualáveis, sofrimento...
Quando ele correspondido não for!
Muita Fé no criador
Toda história tem que ter um final feliz, se o fim ta caminhando pra um rumo diferente, mude o roteiro, mude os atores, mude a direção, enfim as dificuldades e as barreiras estarão sempre aparecendo nas nossas vidas, mas é justamente pra podermos quebrá-las e ultrapassá-las, pra depois lá na frente pararmos e pensar assim:
Difícil não foi chegar até aqui, mas sim enfrentar as
Barreiras que tentaram me
Fazer desistir.
CANÇÃO INESQUECÍVEL
Quando as luzes se apagam
Cessam as vozes na avenida
Tornam-se receosos os pensamentos
E recordo-me a canção.
Toques de saudade
Notas de paixão
Somente ouço com atenção
A melodia da minha odiamada canção.
Para alguns pode ser loucura
Para outros um terrível mal
Para nós alívio
E um segredo eterno e mortal.
Ao amanhecer lembrarei da clave,
Da colcheia , do retornelli
Nessa amplitude em dois tempos enlouqueço
No entanto no meu desencanto, desta canção eu não esqueço.
BORBOLETA AZUL
Borboleta azul que pousa no meu ombro e faz-me sorrir
Suas asas são brilhantes ao dia, a noite apagam.
Onde está teu brilho borboleta azul?
Por que quando preciso não a encontro?
Borboleta azul, minha borboleta azul!
Por que me enganaste?
Por que fizeste-me ver teu brilho, se não podes iluminar-me?
Por que não me revelaste que não podias voar?
Borboleta azul, acabaste com minha alegria
Fizeste-me viver fantasias
Destruíste meus sonhos, meus projetos, minha vida!
Borboleta azul o que fizeste?
De perto nem mesmo ao dia brilhas!
O que era aquele azul?
Não era azul, não brilhava, não era borboleta.
MEU SILÊNCIO
Eu consigo ouvir o som ensurdecedor do meu silêncio.
Um silêncio que não é completo e nem poderia ser.
O pulsar de cada artéria do meu corpo grita mais alto que um agonizante soldado ferido.
Mas, as falas dentro de mim, tornam-me mais audível, viva, serena.
Quisera ser somente eu e o meu silêncio.
Necessário é que seja assim.
Calo-me diante do meu silêncio e busco compreendê-lo. Saio do mundo para entrar dentro de mim mesma.
Por vezes falo mais alto que a voz dentro de mim. Perco-me em pensamentos incompreendidos justamente pelo fato de não deixá- los falar.
Aquilo que não é necessário falar não deveria ser dito. Aquilo que não pode ser compreendido deveria ser falado. Por vezes as repostas estão nas horas silenciosas que insistimos em falar.
As vezes no silêncio de mim mesma ouço outras vozes agonizantes, todas fora de mim.
Muitos que não ouvem seu próprio silêncio buscam ser ouvidos por quem não poderia compreendê-lo.
Minha atitude diante disso é o silêncio, silêncio que fala, que sente, que ouve.
Há um certo egoísmo no meu silêncio, e um certo altruísmo comigo mesma.
Calem-se todos, e fale eu! Eu ouvirei meu próprio silêncio. Mas, serei solicita as vozes que me falam.
Ouvirei muito, ouvirei tanto, até compreender a razão do silêncio dessas vozes. Compreenderei o vosso silêncio, e entenderei o meu.
Enquanto ouvem-se as vozes, eu ouvirei o silêncio, e falarei a mim mesma o que é pedido que eu cale. E, neste meu silêncio e no vosso silêncio, compreendo muito mais do mundo do que pelas vozes que me falam.
Alguns dizem que a esperança é uma ilusão, ela faz a gente acreditar em algo de um jeito tão grande que se não der certo , você fica desolado.
Mas esperança e o que me mantem de pé .
Tenha fé, vc precisa acreditar em algo, acredite em Deus, ou em uma "verdade" imposta a vc, se preferir acredite nas pessoas, ou se tiver esperança ainda acredite em vc .
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