Poesia do Carlos Drumond - Queijo com Goiabada

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A Dança/ Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda
NERUDA, P. Cem Sonetos de Amor. Porto Alegre: L&PM, 2006.

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles
Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana
Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. 2005. p. 469

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Canção da Torre Mais Alta

Mocidade presa
A tudo oprimida
Por delicadeza
Eu perdi a vida.
Ah! Que o tempo venha
Em que a alma se empenha.

Eu me disse: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
De algum bem que seja.
A ti só aspiro
Augusto retiro.

Tamanha paciência
Não me hei de esquecer.
Temor e dolência,
Aos céus fiz erguer.
E esta sede estranha
A ofuscar-me a entranha.

Qual o Prado imenso
Condenado a olvido,
Que cresce florido
De joio e de incenso
Ao feroz zunzum das
Moscas imundas.

Adoro teu jeito de falar comigo.
Teu sorriso, tua alegria, tua liberdade.
Adoro teu jeito louco de ser.
Tuas tatuagens, e tua pele encostando na minha.
Adoro os seus “sins” que fazem meus dias mais felizes.
E adoro até seus “nãos” que me fazem rir de mim mesma.
Rir da minha loucura de querer você a todo custo.
Adoro seu jeito esquisito e carinhoso ao mesmo tempo.
Essa mistura e dosagem que só você sabe fazer.
Adoro quando me faz pensar além.
Além do que posso ser.
E ainda mais quando me faz sentir.
Sentir além do explicável.
Adoro quando você chega.
Quando você vem mesmo por tempo determinado.
Minutos, segundos e gestos contados.
Adoro até quando você vai embora.
Pois gosto saudade que vOcê me faz sentir.
Adoro quando você fica desconsertado.
E quando me questiona o óbvio.
Adoro nossos beijos proibidos
Nossas pequenas aventuras
As suas caras e o jeito que me olha.
Acho graça do seu jeito de insistir em não querer
E ainda assim querer mais ainda.

O grande problema, agora, é que você já está morando em meus pensamentos.
A imagem do seu rosto está estampada em meus olhos.
Seu olhar me fala: "Não sei realmente o que sinto. Mas fica aqui quietinho do meu lado. Não vamos passar disso, ao menos por enquanto!"
Estou ciente de que tudo isso não passa de uma grande cilada, que armei para mim mesmo.
Estou me algemando em você cada vez mais (as algemas já me machucam)

O amor se multiplica a cada sorriso teu.
Me balanço de ouvir sua voz chamando meu nome - quão aguda que atinge meu âmago!
Sim. Me aprisionei nos meus sentimentos, e não sou nenhuma vítima.
O tempo vai me libertar, eu acredito!
Mas, se liberte de mim primeiro.
Não me perpetue com essa amizade toda bagunçada - como uma sala revirada por uma criança inocente.

Faça com que eu te odeie.
Cuspa em mim, me humilhe, chute minha cara...
Me mata de vez! Acaba com esse sofrimento contínuo, que parece sem fim - essa cava depressão!
Desaparece do meu mundo. Aliás, não seja o meu mundo.
Desaparece de mim, dos meus sonhos, dos meus planos futuros...
Ou senão se entrega de vez. Se joga em meus braços. Aprenda a me amar, assim como eu te amo.

Já estou cansado de disparar balas de canhão, e ser impedido por um grão vizir, assim como o Zé.
Estou cansado de atirar limões n'água e receber respostas de peixinhos consoladores, como Drummond.
Também me cansei de jurar tanto, como o saudoso Tim Maia. (Foram tantos "Por você", tantos... Não dá pra contar nos dedos).

Chega!
Chega de cegueira amorosa.
Chega de desamores.
Chega de você.

Amar é coisa séria.
Estou por aí, aguardando um novo rostinho com um belo sorriso.
O olhar me seduz e induz ao errado, à confusão e a ilusão.
Sempre penso que tudo vai dar certo, e isso sempre falha.
A solidão dói mais do que pensei...
A carência em si parece desnecessária e cheia de "nove horas", mas não. Posso confirmar - não.
Nas pontas dos meus dedos em cima do teclado, escorrem dor e martírio. Está bem, um tanto quanto sem valor, mas cheia de verdades. As minhas verdades.
Depois de um amor não correspondido, não me comporto mais como antes...
Estou estranho, ansioso e cheios de esperanças despedaças.
Choro em qualquer canto de cômoda... Oh, que coisa mais melancólica e depressiva. Nem parece o desbravador da família portuguesa machista!
Chega de prosa, vou dormir e refletir. Depois acordo para um novo começo sem fim. Aquela mesma tortura diária cheia de "homendádes" que acabam com minha rotina. Ora, que belo saco de vida.

Somos como Romeu e Julieta, não o de Shakespeare, aquela sobremesa de queijo com goiabada um é doce o outro salgado, tem nada a ver mas quando se junta é bom de comer.

Ela gostava tanto das flores que de tanto olhar, cheirar,
Escolher, colher e acolher acabou ficando com os seus
Odores e cores e assim atraindo amores de beija-flores,
Cheinhos de mil biquinhos de beijos e sabores de desejo!
Guria da Poesia Gaúcha

Pelas poesias que vi,
Pelos sonhos que sonhei,
Pelas coisas que curti,
Pelos homens que amei.

Pelo que dei e perdi,
Por ti e por quem nem sei,
Por tudo até agoraqui,
O que sofri e cantei.

Pelo sim e pelo não,
A vida não é em vão!

Summer - Eu não acredito em amor.
Tom - Porque não?
Summer - Porque ele não existe.
Tom - Como sabe que ele não existe?
Summer - Como sabe se ele existe?
Tom - Vai saber quando sentir.

ELO PERDIDO
(Luiz Islo Nantes Teixeira/Carlos F.Teixeira)

Não precisa ser bonita no espelho
Basta saber falar e a hora de calar
Basta guardar segredos e saber ouvir
Saber amar, não porque o amor seja belo

Deve tentar me levantar de minha queda
Mesmo que seja a minha última queda
Deve ter um ideal e dividi-lo comigo
Preciso de uma amiga, mas que me chame de amigo

Saber quem será ideal
Seu grande amor
Pode ser a ilusão
Ou grande dor

Não precisa me dizer que é pura
Basta respeitar e não ser jamais vulgar
Basta fazer-se amiga e me compreender
Basta mostrar que ainda vale a pena viver

Deve tentar me achar em mim mesmo
Pois é preciso que haja vida neste elo perdido
Deve saber que o importante é meu interior
E não o exterior que parece às vezes colorido

© 2007 Globrazil/Islo Nantes Music(ASCAP)

Poesia da Vida

A vida é uma poesia

Preste atenção aos pequenos sinais,
as entrelinhas da poesia da vida.
Sim, a vida é uma bela poesia,
que tem seus momentos trágicos,
tem seus dramas e sentimentos confusos,
mas tem muita comédia, alegria e amor,
que dependem mais dos seus olhos
do que dos fatos em si…

Como poesia, a vida conta com a natureza
que se mostra linda e cheia de cores
para alegrar o seu dia.
Pássaros que cantam, flores que se abrem,
perfumes delicados, cheiro de terra molhada,
o orvalho que lembra as lágrimas da lua,
e você, a obra perfeita de Deus,
que tem tudo isso a sua disposição,
para viver e fazer da vida,
um caminho de transformação, de conquistas,
sem esquecer jamais da ternura,
de colocar o principal ingrediente no seu dia,
para que tudo seja cada vez melhor:
o seu amor.

Então, em meio a poesia da vida,
deixe o seu amor vazar pelas ruas,
abrace mais, ligue para alguém
e diga o quanto ela é importante para você,
exprima o seu amor, fale, grite,
nada é mais poderoso que o amor,
e nada é mais poético que a vida,
que te convida em um verso que diz:
Vem!
Vem, mas vem sem medo de ser feliz!

Definição de poesia

Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto desafio.

Um doce ervilhal abandonado
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas –
Geada no canteiro, tombado.

Tudo o que para a noite releva
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim uma estrela
Nas palmas úmidas, tiritando.

Mormaço: como pranchas na água,
Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,
E no entanto o universo está surdo.

Boris Pasternak
My Sister - Life

E pra minha poesia é o ponto final
É o ponto em que recomeço,
Recanto e despeço da magia que balança o mundo

Bailarina, soldado de chumbo

Neste mundo em que toda a informação,
música, cinema e poesia
dão a volta ao mundo em questão de segundos,
sucessos efêmeros aparecem todos os dias,
e por isto nunca foi tão salutar seguir a caminhar
como os mais velhos e mais sábios:
devagar e sempre.

Emoção e Poesia

Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem quão mais fácil é escrever um bom poema (se os bons poemas se acham ao alcance do homem) a respeito de uma mulher que lhe interessa muito do que a respeito de uma mulher pela qual está profundamente apaixonado. A melhor espécie de poema de amor é, em geral, escrita a respeito de uma mulher abstrata.

Uma grande emoção é por demais egoísta; absorve em si própria todo o sangue do espírito, e a congestão deixa as mãos demasiado frias para escrever. Três espécies de emoções produzem grande poesia - emoções fortes e profundas ao serem lembradas muito tempo depois; e emoções falsas, isto é, emoções sentidas no intelecto. Não a insinceridade, mas sim, uma sinceridade traduzida, é a base de toda a arte.