Poemas sobre o Brasil
Colher da Bacaba
e preparar cantando
para a gente ter óleo,
e nem por um minuto
desistir de viver tudo.
A malícia que não
tenho por mim
há um alguém que
sempre dá conta,
O pacto é com Baíra
que na ponta
dos pés vai atrás
de quem merece
e até nos sonhos
por mim persegue.
Os ramos do Madroño
são misturados nas festividades
aos incensos dos altares
pela liturgia em todos os lugares.
A fertilidade, a abundância
e a sabedoria são representadas
por este abrigo que conta sobre
até das resistências não contadas.
Sob uma Madroño na Nicarágua
hei de te encontrar pleno de amor
e de primavera que não passa.
Mesmo que você não tenha
ainda próximo de mim chegado,
sei que tenho o teu peito apaixonado.
O Maquilíshuat sob
a luz Lua além da data
festiva de San Antonio Abad
abriga cada nossa alegria.
Nossos bailes de máscaras
e tantas outras festas sob
o Maquilíshuat me pertencem
e de mim nunca mais saem.
E quando por dentro florescer
parecendo igual um irá me ver
e facilmente doce irá se abrigar.
Falta pouco para se arrumar
por dentro e vir morar em mim
com todo o amoroso sentimento.
Bumba Meu Boi Canarinho
O Capitão avança, dança
e anuncia levantando
a alegria e a festança
que com ele vem chegando
para fazer a gente sacudida.
Bumba Meu Boi Canarinho
caiu no laço do Vaqueiro,
coitado, pobrezinho,
O Bumba Meu Boi agonizou,
e depois ninguém
mais ouviu se ele suspirou.
O Pai Francisco e a Mãe Catirina
estão preocupados
com o Dono da Fazenda
porque o Bumba Meu Boi Canarinho
era dos bois o preferido.
Pares de indígenas,
eles rapazes e elas meninas,
Junto com os Caiporas
acompanham o ritmo
dos músicos e a direção
que apontam os Caboclos.
O Cazumbá mantém
a ordem entre os Brincantes
enquanto a Burrinha
chora pela perda do querido
Bumba Meu Boi Canarinho.
O Dono da Fazenda foi
com fé atrás do Pajé,
E foi assim que ressuscitou
o Bumba Meu Boi Canarinho,
e todo o mundo pela rua comemorou.
A Lua Crescente de braços
dados gentis com a tarde
por aqui no Médio Vale do Itajaí,
É a Lua do Folclore Brasileiro
que conheço e ainda não conheci.
Na vida para tudo tem um começo
e também um recomeço,
É por isso que com poesia, arte
e música o Folclore Brasileiro
desde Rodeio sempre fortaleço.
Porque da Pindorama sublime
a herança honro e carrego,
Trago na mística as veias
a fascinação pelo Hemisfério
cultivando este universo.
Voos emprestados
As badaladas da Igreja Matriz
São Francisco de Assis
sempre semeiam o imutável
que reinicia para a vida.
Lidar com a franca neblina
por Rodeio e que habita
no meu peito jamais desafia,
porque cada canto conheço.
O tempo não é o problema
porque passo por ele
e verdadeira é a recíproca,
e vira por método poesia.
Para onde o mundo caminha
a minha consciência acompanha,
e o coração nunca se engana
nem mesmo na rota que traça.
Porque das aves sublimes
do Médio Vale do Itajaí
sobre o Rio Itajaí-Açu na direção
do amoroso Pico do Montanhão,
os pés pediram o voos emprestados.
O Taperebá florido
recorda que teremos
frutos para fazer
doces com amor,
Se isso não é poesia,
não faço a mínima
daquilo que seja,
Mas sei que Taperebá
tem algo parecido
quando se beija
e a gente se enleia.
Ninguém é obrigado
a nada e a minha ideia
é pé de Jenipapo,
A nossa amada Terra
é aqui, e ainda bem que
não é nenhuma outra;
Sou realista e não ligo
que me chamem de louca.
Se for falar da nossa
Terra que seja doce
até para falar com
quem quer que seja,
e até do que é amargo,
Sei que não é fácil
o quê se tem passado.
Claro, que pode ficar pior,
se não embalar o seu
coração tranquilizado,
por isso busque ser
a tua paz, o seu amor
e o melhor tratando
bem todos ao seu redor.
Quando não conseguir
o modo pacificado,
Lembre-se que o silêncio
sempre será o aliado,
porque no final o quê
importa é um convívio
sereno e equilibrado.
Não importa o quê vier,
sempre escolho ficar
em nome da floresta nas veias,
do ar que se respira,
das águas que se bebe e banha,
em defesa da vida
com os dois pés na terra
mesmo virados
para trás: sou Curupira
indo adiante e para cima
sempre de quem merece,
desrespeita e desacredita.
22/10
Quero que tenha
em mente o seguinte:
Só merece a sua confiança
aquela pessoa que não
faz com que você brigue
com as pessoas ao redor,
Busque só manter
quem te põe em harmonia
e em busca de viver
a cada dia melhor.
22/11
Verdadeiros discursos
de paz jamais propõem
choques no convívio,
E sim buscam conquistar
harmonia e alívio.
22/12
Não acredito
em metáforas
alarmistas,
E sim em falas
de vontades destrutivas.
(É sobre não minimizar)
Não esquecer genuinamente
daquilo que traz paz
como quem busca serenamente
colher Pequiá,
É assim que se deve entender
para se chegar onde quer.
Manter-se jovem
por dentro é cultivar
o olhar de bondade,
e buscar nas palavras
a precisa serenidade.
O substantivo feminino
poetisa com aspas ou sem,
não me sendo negado
sempre estará tudo bem.
Manter-se poetisa
com letra inicial maiúscula
somente em alguns casos,
assim se mantém a grei;
porque a guerra em mim
nunca fixará residência e lei.
Só sei que poesia é mais
forte do que você pensa,
e ela não tem a ver com volta,
e sim segue adiante a rota.
Nos disseram que palavras
não mudam o mundo,
nos disseram também
que as guerras começam
sempre por elas;
a corda bamba da contradição
não serve de mordaça
para o verbo e nem intimidação.
Daquilo que me é caro,
não paro e não pararei;
se para você sou de Nárnia
do teu mundo jamais serei.
Pintei os meus lábios
com uma Pitanga Vermelha
para colar nos teus lábios,
Assim se fez um poema
sem nenhuma palavra
e com toda a entrega,
Ali no meio do mato,
com alegria poética
do peito que te venera.
Teu beijo de sabor
suave de Pitanga Amarela
me leva desta terra,
faz com que eu viaje
e com que esqueça de guerra.
Doces pitangas brancas
balançam sob Curupira,
que nasceu de calcanhares
para trás e andando
sempre em frente,
tudo é o jeito de falar
quando se trata de gente.
É preferível não julgar,
e outras coisas deixar
seletivamente passar,
em nome daquilo que
é para nos importar
ou deixar o vento levar.
Decidir que por pouca
coisa jamais buscar
com quem quer que
seja nos incompatibizar,
o importante é respirar
e a alegria cultivar.
Não precisamos com
razão ou mesmo sem,
rimar ou remar no rio
onde tudo nos dança,
e a palavra se faz lança
para quem sabe pescar,
buscar a rota e superar.
Se por acaso faltar espaço,
poesia ou entusiasmo,
silenciar é convite apropriado
porque não precisamos
falar sobre tudo e nem tudo
merece ou precisa que seja falado.
Aquela Iara com
um beijo de sabor
de Pitanga do Mato
capaz de te levar
e deixar-te enredado,
Num piscar de olhos
ficará apaixonado.
(Considere-se avisado).
Minha ancestralidade
sempre honrada,
Mani renascida,
eterna raiz sagrada.
Jamais esquecida,
louvada e adorada
com sabores e aromas
por mim recordada.
O coração sabe bem
quem é o seu dono,
e o seu espírito tem
o seu suave descanso.
Nunca precisei fazer
o caminho de volta,
aqui é minha terra
bela e sem adorno.
Nenhuma tempestade
estremece o amor
que é chama e refresca,
e não há quem me afaste dela.
Meus olhos se parecem
algumas vezes com
olhos de Mbaê-Tata diante
do ocultamento de alguns,
Só que não importa
a escuridão da noite,
é ali que eles são íntimos
e enxergam até as raízes,
Se esconder por
muito tempo é cavar
o próprio sepultamento,
O seu malfeito sem
esforço há de fazer por
mim a Lei do Retorno.
(O camarote da vida me pertence)
Seja de manhã, de tarde,
de noite ou de madrugada,
no lago do teu pensamento
a tal Naiá transformada
em flor do seu sentimento
e Jaci com todo o amor,
além do nosso tempo
dentro do peito embalador.
(O sentimento encantador).
