Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
O Fogo Que Não Se Apaga
Ele me pediu calma,
mas não sabia
que meu caos era poesia.
Tentei me moldar,
mas sou vento,
sem argila.
Queria me entender,
mas sou oceano,
não piscina tranquila.
Achou que poderia me conter,
mas eu transbordo
em cada esquina.
Eu não sou linear,
sou curva,
sou chama,
sou ruína.
E quem quiser,
que dance com meu fogo,
sem apagar minha sina.
Sonatina (soneto II)
Não pode ser sempre inquieta poesia
Está morna poética, cheio de torpeza
Os versos tão enevoados de lerdeza
Há de isentar-se desta sensação fria
Num vendaval de solidão e de agonia
O choro apodera da rima em tristeza
Quando a inspiração só quer alegria
E numa sonata vê-se sons da utopia
Hei de subir ao tope da imaginação
Vencer procelas e alaridos, emoção
Ali, triunfante, cheio de doce louvor
Em poema, aclamante, e com intento
O sol da glória há de ornar o momento
E eu, hei de toar: - em versos de amor!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
16 janeiro, 2024, 20’38” – Araguari, MG
[...]
Mas tu não és como aqueles ninguéns,
És minha poesia favorita,
És minha paixão pré-escrita,
És o sentimento que dá valor à vida.
Casa de Versos
Escrevo pra poucos.
Poesia escolhe os seus.
Vem mansa, mas não mente,
toca onde o barulho não chega,
acende o canto dos olhos,
sussurra o que o peito calou.
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Não escrevo pra multidões,
nem pra mãos apressadas.
Escrevo pra quem cultiva silêncios,
pra quem sente o mundo em segredo
e se emociona com o que não se diz.
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Poesia não bate à porta —
chega como brisa de fim de tarde,
se aninha sem alarde,
faz morada sem pedir.
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Quem habita meus versos
ouve música como quem respira,
sente o vinho como memória,
dança com a própria sombra
e descansa na solitude,
como quem voltou pra casa.
Jonatas Evangelista
ENLEVO NA POESIA
Não quero por saudades na poesia
Quero é ter nos versos só sensações
Aquela alegria com ternas emoções
E um pouco de poética em quantia
Não quero por tristuras com clamor
Na prosa, eu quero a rosa, a paixão
Para, então, com a sorte ter razão
E, assim, narrar em versos, o amor
Preciso da poesia causando sentido
Não aquele sentimento tão dividido
Quero um olhar, os gestos, enfim,
Ter os cânticos sensíveis e o agrado
Sem temores, sim, o enlevo velado
Aí, tendo-a eu, e ela tendo a mim!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 setembro, 2022, 21’46” – Araguari, MG
CHAMO
Sou eu! Não me ouves, poesia? Piedade
Sinta está sensação que pulsa no pranto
Olha este sentimento que me pesa tanto
Que brada, dói, que me faz pela metade
Pois, não vês a poética que traz saudade
E meus versos com versos sem encanto
E que o canto traz tristura no seu canto
Portanto, ouça-me, e não seja maldade
Quero prosa e agrado, não de centavos
Quero bravos, ver o verso maravilhado
E em cada versar um versar com ardor
Eu tenho mais que somente os agravos
Tenho o ritmo na alma tão cadenciado
E no coração a exatidão doce do amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 novembro, 2022, 17’20” – Araguari, MG
Ela é a poesia desse instante
Ela é a rima que não sai da cabeça
Mas eu não quero que ela seja
só mais das minhas palavras
Porque ela é que nem Chico Buarque,
dá um sossego na alma
E faz que a gente queira ficar
assim pra sempre
Que ela não se perca
(Que eu não a perca)
Na minha vã filosofia
de que tudo é poesia.
Minhas habilidades não podem se limitar à rotina.
E buzinar uma marginal poesia não retrata a mais autêntica rima...
Andei em busca da poesia, não sabia onde procurar.
Tampouco se ia encontrá-la!
Vi um senhor a escrever, me aproximei e o indaguei:
"O Sr. pode, por favor, me orientar?
Onde posso a poesia buscar"?
Ele me olhou, sorriu, e respondeu:
"Tá na cascata, tá no mover das águas, tá no remanso do rio, tá no mar, nas ondas que beijam a areia.
Na ilusão da existência da sereia.
Se você passou e não a viu,
refina o olhar.
A poesia tá em toda parte, em todo lugar.
Tá no raiar do sol,
na força do dia,
na beleza do entardecer,
no brilho cintilante das estrelas,
tá na luz do luar,
não precisa esforço pra encontrar, é só olhar.
Tá no espinho, tá na flor.
Tá na chuva, no frio e no calor.
Posso falar noite e dia.
Tá na canção, no manuseio do violão.
Tá no amor de Romeu e Julieta.
Na fraternidade, na solidariedade, na bondade do coração de irmã Dulce, de Gandhi, de Betinho e tantos mais"...
E a prosa continuou,
aquele senhor me falou:
"Convivo com a poesia, escrevendo cartas de amor todo dia!
Comecei escrevendo para o meu amor, mas daí ela foi se achegando e em mim se instalou!
Fazendo moradia".
Rosely Meirelles
🌹
ASCENSÃO
Não será sempre amargor na poesia
Versos a arrelia, ousadia com torpeza
Sem gentileza e enevoada de tristeza
Há te ter sentimentos e a pura alegria
Hei de poetizar agrados, com certeza
Criando na imaginação doce fantasia
Gestos leves, carias, raios de beleza
Desenhando versos com fina sinfonia
Hei de versar: - o olhar, o beijo a flor
Ter na rima, os sons sem escarcéus
Ritmando sensação e amor sem dor
Em um soneto alvo, polido, sem véus
Ah! a glória há de dourar cada louvor
Da ascensão, eu, penhorado aos céus!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23 julho de 2023, 16’52” – Araguari, MG
*paráfrase Affonso Lopes de Almeida
Pediram-me uma poesia autoral sobre mãe. Digo a vocês que não sou poeta; seria muita, mas muita pretensão de minha parte, abraçar e/ou adotar esta condição artística-filosófica.
Mas se fosse para eu associar poesia à mãe, diria que:
Mãe é sinônimo de amor que é sinônimo de poesia que é sinônimo de mãe; fim.
MINHA POESIA
A minha poesia já não é mais triste
Que chorava as agruras de outrora
Pois no meu verso a ventura existe
E o agrado, mora na estrofe, agora
Cada versar de dor, outro arrojado
Apagando as sensações sangradas
Não mais quero verso abandonado
Que sejam as emoções iluminadas
Em muitas prosas sozinho versei
Numa cena em vão, triste cenário
Porém, outra poética ao verso dei
E deste modo rompe nova fantasia
E todo o amor de antes, necessário
Aqui se encontra na minha poesia...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Setembro 30/2021, 13’50” – Araguari, MG
RECOMEÇO
Pensava eu, não mais versejar o amar
E a poesia vazia de tão doce melodia
Pensava eu, a viver com a poética fria
Mas a prosa, ousou novo prazer brotar
Cada verso, agora, o afeto é impresso
Após tantas as sensações fracassadas
Vejo o versar em prosas apaixonadas
É poética de uma paixão eu confesso
Ó poema tão repleto de tanta ternura
Trazendo agrado a quem já foi sofrido
Dum remoto tempo de ilusão e agrura
Que dizer eu, deste canto de sensatez
Que na inspiração adiante tem sentido
Ao enrabichado que ama mais uma vez...
© Luciano Spagnol poeta do cerrado
01, outubro, 2021, 18’00” – Araguari, MG
"" Não matem a poesia
somente se quiserem e por ironia
matem (ou tentem matar) a ilusão que molda o poeta
matem o sonho
porém, não matem a poesia
Ela é única, verdadeira
se entrega sempre por inteira
principalmente quando quer namorar
por isso peço
não, não me matem na poesia
antes despejem criticas
as elas dou valor e aprendo
vejam que mesmo assim não me rendo
ouçam minhas súplicas
mas, por favor não matem a poesia
sem ela eu não saberia viver
ela é a dona do meu coração...
"" Depois de um soneto
a poesia e o poema não se contiveram
tiveram um caso
não por acaso
nasceu a trova
como prova
de que os poetas não só imaginam
mas existem sim
histórias e histórias de amor..
"" Não explique a poesia
complique
as formulas são segredos dos velhos
é preciso inovar
acordar cedo, lenhar
não complique a melodia
com notas que não existem
sorrir é sempre um agrado
para quem ao seu lado também sorri
a vida é simples e complicada
mas nada que não tenha graça
lá na praça, amanheceu
e eu por amor
ainda espero você..
" Poesia não é só a palavra
pode ser um olhar
um beijo
ou até mesmo um sim
poesia, se não é tudo
é quase
e só não é mais
por conta da dureza de certos corações...
Poesia é coisa séria
Não é matéria
Pra se consumir
Mas é encanto
Perfeito no coração
Que insiste em florir...
