Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Os Espinhos no Caminho das Rosas
Institua o perdão para curar feridas.
Simplesmente ame,
liberte-se,
abrace a vida.
Seja feliz enquanto o sol brilha.
Antes que se apague a luz do último dia.
ANTÚRIO
Se belo, o teu belo á alguns é espúrio
no murmúrio da vaidade de um olhar
és tu, variada cor, ó flor do antúrio
no vermelho da paixão a celebrar
é natureza em esplendor purpúreo
flor do antúrio como não poetar!!!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
outubro de 2020 – Triângulo Mineiro
CRIANÇAS DO ESPAÇO
Eram seres
De um planeta distante.
Únicos no universo,
Todos se chamavam crianças.
Falavam um dialeto estranho,
Que só eles entendiam.
Alegres,
Alimentavam-se de picolé,
Bombons e pirulitos,
E comiam algo chamado pipoca.
Esses visitantes
Não queriam nos dominar.
Brincavam todo o tempo,
Possuíam armas de raio laser,
Que não feriam nem machucavam,
Eram feitas de plástico colorido,
E atiravam água,
Ao invés de fogo e chamas.
Felizes,
Trouxeram-nos presentes:
Peões, pipas, bonecas e bolas,
Objetos chamados de brinquedos.
Depois de uns dias, partiram
Em suas naves espaciais.
Percebemos que vieram da Terra,
Um planeta onde há outros seres
Chamados adultos,
Esses, sim, mais perigosos,
E poderiam nos invadir.
Foi muita sorte a nossa,
Pois não fomos encontrados
Por cosmonautas ou astronautas,
Mas, sim, por doces criaturas,
Pequenos seres do espaço,
Que os chamados de criançanautas.
Equilíbrio
Nem tudo se diz e nem se cala para tudo.
Nem tudo precisa ser levado ao extremo.
Nem tudo deve ser lento demais.
Nem tudo deve ser esquecido.
Nem tudo precisa ser lembrado.
A mentira não é cem por cento ruim, nem cem por cento boa.
A verdade nem sempre é verdade e as certezas também são incertas.
Sentimentos não duram para sempre. Magoas podem ser curadas e os amores esquecidos.
Nem todos precisam ser fortes, afinal, as muralhas também desabam.
Nem todos precisam ser frágeis, as rosas mais delicadas também possuem espinhos.
Nem tudo precisa ser limpo demais, as sujeiras também são importantes.
Nem tudo precisa ser exposto. Nem tudo precisa ficar escondido para sempre.
O grande desafio é encontrar o estado de controle das nossas dores, dos nossos medos e enfrentar os desafios olhando para frente. O equilíbrio vem de uma dose de oportunidade que todos nós recebemos do céu. Deus nos presenteia diariamente com oportunidades para sermos melhores e tudo depende das lições que tiramos da vida.
Receita para fazer um poema Dadaísta
Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pensa dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Depois, recorte cuidadosamente todas as palavras que formam o artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Seguidamente, tire os recortes um por um.
Copie conscienciosamente pela ordem em que saem do saco.
O poema será parecido consigo.
E pronto: será um escritor infinitamente original e duma adorável sensibilidade, embora incompreendido pelo vulgo.
As formas, as sombras, a luz que descobre a noite
e um pequeno pássaro
e depois longo tempo eu te perdi de vista
meus braços são dois espaços enormes
os meus olhos são duas garrafas de vento
e depois eu te conheço de novo numa rua isolada
minhas pernas são duas árvores floridas
os meus dedos uma plantação de sargaços
a tua figura era ao que me lembro da cor do jardim.
Contar a vida pelos dedos e perdê-los
contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada
contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho
e depois contar um a um os teus dedos de fada
Abrir-se a janela para entrarem estrelas
abrir-se a luz para entrarem olhos
abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala
e depois ruidosa uma dentadura velha
E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro
E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata.
Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra
Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
Uma vida esquecida
Eu conheço o vidro franja por franja
meticulosamente
à porta parado um homem oco
franja por franja no espaço
meticulosamente oco uma porta parada.
Um relógio dá dez badaladas ininterruptamente
dez badaladas por brincadeira dança
um homem com pernas de mulher
e um olhar devasso no Marte
passo por passo uma criança chora
uma águia e um vampiro recuados no tempo.
Alguns o chamam de mestre,
Outros o chamam doutor,
Crianças o chamam tio,
Uns chamam educador.
Tem função de lecionar,
O mesmo que ensinar,
Parabéns pro professor!
O silêncio foi a resposta.
A ausência um forte tormento.
Minha inspiração calou-se.
Sua memória entregou-se ao esquecimento.
Mas, a minha mente ainda lúcida,
Lembrará com gratidão,
Quem reconheceu em mim talento,
E eterna será em meu coração.
A dor da saudade ficou somente para mim.
Pois, agora seu coração descansa, e sua dor teve fim.
Sei que de mim já não lembra, e nem poderá me ouvir.
Mas, o meu coração ainda sofre a perda por vê-la partir.
Como uma vez ela me disse, quem tem amigos deixa saudade.
Mas, além disso, ela deixou um legado, de perseverança e lealdade.
Agora só me resta a lembrança,
De seu sorriso e sua alegria.
Toda a nossa história foi um conto,
E, agora, será poesia.
"Vejo que o jugo dos seres ultrapassa a humanidade.
Segue sem freio, sem consciência e muito menos linha tênue
Pois, o dedo julga, o pensamento retrata e mata.
Mata-se vida por aqui, independente de qualidade.
Pode ser meia dúzia de gente ou uma árvore, por acreditar que quem está à margem não tem nada a dizer.
Agora, diante de tanta beleza dessa criatura, me torno pequena e imatura ao julgar que esse ser vivo não tem nada a dizer.
Seduzida pelos seus encantos, tu agora guarda meu pranto e meu imenso querer
Mudar o mundo com as letras
Tu serás mais uma ou serás a mesma arvorê?
Mais uma vez:
Mais uma no vazio uma sala vazia e chaves na mão!
Mais uma vez faço uma lista de "a fazeres" sem saber como será, lá do outro lado, à esquerda ou à direita do desconhecido!
Mais uma vez, pernas trêmulas: incertezas.
Mais uma vez eu mudo para sempre, cheio de vontade de chegar do outro lado.
Mais uma vez, eu mascate saltimbanco, com o saco nas costas e vibrando com a incerteza das buscas.
Mas uma vez, de novo no mesmo lugar de antes...
Mais uma vez, faz um ano que mudei e agora é definitivo...
Mais uma vez, se não é "novo" é novamente de novo!
Até a próxima... e, se você não entendeu, imagina eu, um ano depois da última mudança, refletindo sobre a insustentável leveza do ser!
Extraio então o pensamento
numa tentativa desesperada
de lidar com o tempo
Evitando notar os defeitos
não somente os meus
sem preconceito.
Extraio então palavras
algumas ralas, insensatas
outras raras.
Extraio então a ideia
aquela boa e velha
de ser feliz até em miséria.
É leveza sobre aspereza
É paciência sobre aspereza
É acalanto sobre aspereza
É vida sobre aspereza
Os corações ásperos carecem
de leveza, paciência, acalanto e vida.
Falta-lhes poesia...
AMIZADE VIRTUAL X REAL
Verão quem são os de verdade
Matemática da realidade e números cheios de falsidade
Descobrir o segredo da amizade é arte
Muitos com maldade, poucos com intimidade
Na sequência de prioridade
Qualidade é a primeira parte
Quantidade só no aplicativo do Mark
Ânsia para descobrir esse enigma
Alienado por essas algemas
Admita muitos nem querer ver a legenda
Grande maioria vive de curtida
Realidade nada vivida
Na rua não tem nada de empatia
Ninguém compartilha
Dois cliques na tela é para ver sua descida
Escolha a dedo os que fazem a diferença
Os ninhos de cobras querem sua sentença
Alimenta e ame na perseguição
Respeite, cada um tem sua opinião
Universo fornece sua plantação
Se plantar o bem colherá iluminação
Verá todos entrando em contradição
Futuro não está nas suas mãos
Resposta dessa aflição
Vem através da meditação
Escolher com atenção
Os bons permanecerão
Já os que são colegas se manifestarão
1, 2 e 3
Como diz salmos 23
Inimigo comigo não tem vez
Oásis em meio ao caos, nada banal
Óculos invisível, meu sexto sentido
Escolhendo amigos
Eu sinto, os que verdadeiramente estão comigo
Familiares destroem o vírus, prestarei honestidade até o fim da vida
Cai de paraquedas, passei pelos obstáculos estou na aquarela
De quinhentos sairão as críticas dessa poesia
Não importa, sou feliz com os 5 que estão comigo todo dia
A velha torre
Ela era uma torre forte, muito bem firmada
mas habitou nela por logos anos um vírus letal.
Hoje essa torre está desmoronando, deformada
extremamente sensível, em uma nevasca sentimental.
Não está pronta para ninguém habitar
está fechada para uma grande reforma
sem querer as vezes despenca, tende a precipitar
e atinge alguém que quis se aproximar
Nesse momento é melhor nem à visitar
suas rachaduras, indicam grande risco
precisa primeiro se alicerçar
e só então levantar, colocar tudo no lugar
Não sei quanto tempo essa pode durar essa reforma,
mas será para o bem de todos que a admiram
no momento, está vazia e totalmente transtornada;
mas garanto, que surpreenderá a todos que a sucumbiram.
Em lampejos me recordo
sombras de noites viradas
um sorriso acalorado
colhendo sinceras risadas.
Contra a maré de paradigmas
um encontro breve e intenso
depois de um relativo tempo
me sinto um tanto ainda tenso.
Ela abordava alguns assuntos,
mas eu ainda não entendia...
Com certeza um outro mundo
e hoje vejo o que eu perdia.
Infeliz de ter encontrado
justamente naquele tempo
com meu ser despedaçado
tempos difíceis, lamento.
Mas eu realmente agradeço
eu carecia dessa amarga dor
a consciência me acompanha
lhe pintarei com muita cor!
Errou o homem cujo calo lhe gritou
ardendo dentro do sapato
amanhã choverá. E também o cara
(ou aquilo dentro dele) que previu:
cem mil diminutos relâmpagos
se desatarão do corpo da garota
na minha direção
Não que não tenha relampejado
mas porque um só relâmpago
(fora daquele céu) foi necessário
para abatê-lo. E agora sabe
o quanto (ainda mais que nós
que sabemos do homem com seu calo
ardendo ainda dentro do sapato)
o nosso corpo é essa antiga máquina
falaciosa de premonições
Die Aufgabe
Chegar em casa um pouco mais
do que cansada e puxar ainda assim
e aos poucos o fio longo da mortalha
até fazer da noite sair enfim um dia
dentre todos os dias a morrer na praia
