Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Não me canso de repetir isso:
Como o Sol da Venezuela nasce no Esequibo,
A liberdade está para o General.
Não me canso de repetir isso:
Como o Acordo de Genebra de 1966
está para a integridade territorial,
A liberdade está para o General.
Não me canso de repetir isso:
O General continua preso injustamente,
e sem acesso ao devido processo legal.
Não me caso de repetir isso:
O Sol da Venezuela nasce no Esequibo,
e o Sol da liberdade não pode
continuar sendo negado ao General.
O dia ainda não
((se levantou)),
O piloto do F16
muito cedo voou.
O Capitão de Navio
(((foi transferido)))
para aquele lugar
que me dá arrepio.
Há quem infelizmente
((não se atentou)),
da tropa eu nada sei.
O General
(((foi transferido)))
para aquele lugar
ao arrepio da lei.
Há quem infelizmente
((não se acordou)),
que para eles não houve grei.
Há quem infelizmente
nem satisfação deu,
Do General e do Capitão
ninguém sabe, nem eu sei.
Só se tem certeza
((que segue o desastre)),
dos Direitos Humanos ninguém sabe.
A dor da saudade
não rima com nada
além do absurdo
que tem crescido,
E anda golpeando
em absoluto
os corações dos filhos
dos presos políticos,
É desse jeito que para
todos assim tem sido,
É da minha janela
que tenho sempre visto:
A consciência não
permite fingir
que não é comigo,
Em pleno Natal
nada se sabe o quê
vem acontecendo com
os presos de consciência,
Não me permito viver
do mal da indiferença,
nada mais se sabe do General.
Não há enigma
a ser decifrado,
Não veja chifre
em cabeça de cavalo,
(Apenas uma poetisa
injetando versos
nas veias abertas
da América Latina),
Para talvez tentar
a sorte e a calma
galeana por qualquer
lugar que precisar,...
Testemunha sensitiva
das prisões políticas
no afã de cada uma
delas pela liberdade
serem socorridas,
Pois até lá na Bolívia
que caiu a Ditadura,
evoltou a democracia:
Ainda não libertaram
Orestes e Alejandra,
e outros tantos mil,...
Contando estas e outras
tantas cruéis histórias,
ainda sobra espaço
para insistir em querer
saber do General
injustamente preso
que ninguém sabe,
e ninguém nunca mais viu.
América do Sul, Pátria minha,
peço que não me deixem órfã como filha
e cada um dos teus amados filhos,
nas tuas mãos estão entregues os nossos destinos.
Um país que não era
uma zona de guerra
sendo virado do avesso
pela truculência
de uma parte do povo
que não consegue
conviver com nenhum
tipo de diferença,
(((Tudo isso me dá muito medo!!!)))
Não sei o rumo
que tomaremos,
só sei que não está diferente
por todo o nosso continente,...
Onde tiranos seguem livres
e os heróis da justa revolta
no Chile continuam presos,
(((Tudo isso me dá muito medo!!!)))
Não sei o rumo
que tomaremos,
só sei que estamos sozinhos
e isolados em nossos caminhos,...
Tão sós quanto o General
preso injustamente,
sem devido processo legal
e isolado totalmente,
(((Tudo isso me dá muito medo!!!)))
Só sei que o ideal seria,
se houvesse perdão, reconciliação
(((sem implicar em impunidade)))
e união contra o ódio e o ressentimento
em conformidade com a mensagem
deixada pelo General há mais de três anos,
O triste rumo de todos mudaria,
(((E uma nova história nasceria!!!)))
O General está preso injustamente,
Não há nenhuma notícia de medida humanitária,
O General está isolado simplesmente.
O General por ter exercido
a livre expressão
onde há muito tempo
já não mais se podia,
e ainda não pode;
ele segue há quase
três anos na prisão
e a opressão contra muitos
em igual situação
permanece estendida.
Só sei que se ali eu estivesse
com toda essa poesia
também reclamaria.
O General é um símbolo
de honra e dedicação,
com a Pátria dele
e isso é e sempre
foi uma continental constatação
onde falta oxigênio e justiça,
desconfio que neste momento
devem de novo ter
proibido de receber visita,
se indignar e falar ali sempre
tem virado caso de polícia.
Só sei que se ali eu estivesse
com toda essa poesia
também estaria apreendida.
Só sei que se ali eu estivesse
com toda essa poesia
pela reconciliação insistiria.
O General está preso há mais
de dois anos e meio,
e de novo não deixaram vê-lo.
O General está enfermo,
e de novo não deixaram vê-lo.
As filhas pediram a liberdade
do dedicado Pai,
e de novo não deixaram vê-lo.
O General é inocente,
e de novo não deixaram vê-lo.
O General está preso
injustamente,
e de novo não deixaram vê-lo.
Tudo acontece neste continente,
e de novo não deixaram vê-lo:
Acabou Constituição de Pinochet,
as cotidianas tiranias estão vivas
e de novo não deixaram vê-lo.
Para o auxiliar do autoproclamado
houve escape diante de todos,
e para a inocência do General não
tem havido nenhuma misericórdia.
A única prova que existe é que
não há provas contra o General,
e de novo não deixaram vê-lo:
Para quem não se dedica
há glória e oxigênio de sobra,
e para o General e uma tropa
a injustiça oligarca transborda.
A única prova que existe é que
não há justiça a favor do a General,
e de novo não deixaram vê-lo.
Deixaram os amores do General
o visitar,
O correto é o General não
permanecer ali,
A vida deve voltar ao seu lugar.
Onde a paz não é cantada
prefiro não escutar nada,
o meu coração pertence
aos nobres guerreiros que
lutam por amor à Pátria.
O Mal que acusa uma
Nação daquilo que ele é,
nem mesmo apelando
à todo o alfabeto para
ocultar não vai dar pé.
Estão nos meus dedos
florescendo girassóis
para romper com medos,
e com toda a fé do povo
a Nação será reerguida.
O azul e o amarelo são
as cores do meu escudo
que iluminam mesmo
neste momento escuro
retribuindo a ofensiva.
Os artifícios do passado
para incitar genocídio
e crimes de guerra estão
vindo via folhetins e almas
vendidas fazendo vítimas.
Da trincheira universal
sou a combatente constante,
porque ninguém me põe
submissa ao autoritarismo
e pela liberdade sempre resisto.
Superam os cento e oitenta
dias de tribunais fechados,
não tenho nada para festejar:
a tropa, o General e outros
presos de consciência como
eles estão nos calabouços
completamente encerrados.
A Noite dos Lápis continua
mais viva do que antes
e espargida pelo continente:
aqui ainda é lugar de prender,
desaparecer, matar e torturar.
Muitos não me compreendem
porque me importo tanto com
povos que lutam pela liberdade:
é porque não tenho encontrado
sequer notícia de igual heroísmo
(em meu próprio amável solo)
chagado pela chama da ambição.
A Amazônia, o Pantanal e o Cerrado
estão indo como cinzas ao vento
vítimas do sopro da indiferença,
e se continuar assim nem mais serão.
O vento faz os campos
de pastagem e rios
chorosos como cuatros,
o tempo não levou
a bondade do velho pai
que sofreu na pele
a perversidade e injustiça
contra o honrado filho.
Passaram mais de três
anos e o velho pai
pela força do destino
foi levado desta vida
sem ver o sol da justiça
para o filho perseguido
e injustamente preso
por um atroz enredo.
Como a testemunha
da janela vendo sempre
a maldade dos homens
só sei que tudo que
vejo tem me dado medo;
sigo mesmo assim
despedindo-me do velho
pai que se foi sem
ter visto para o filho
o raiar do sol da justiça.
Com o chapéu no peito
como o bom vaqueiro
e prece sonora erguida
misturada a Alma Llanera,
nas linhas a despedida
tão distante e próxima,
que por cada um esta
minha letra também chora.
O vento faz os campos
de pastagem e rios
em notas desmanchadas
deste meu cuatro triste,
só sei que por este filho
em memória deste Pai
agora mais do que nunca
não desistirei de rogar
pela liberdade porque
tenho quero acreditar
que a bondade ainda existe.
(In Memoriam a Don Jorge)
I
Saudades não será
mais uma tragédia
esquecida na Pátria
onde no mesmo dia
o riso foi arrancado.
A dor dos nossos
não comove nem
mesmo os nossos,
o meu coração
continua doendo.
Insone porque falta
o oxigênio essencial,
sobra provocação
a todo o instante
e urge todo cuidado.
O nosso drama não
comove ninguém
por todos os lados,
o meu coração
está aos pedaços.
Nesta América Latina
onde nos pisoteiam
o tempo inteiro e vidas
escapam como um
furacão entre os nossos dedos,
como as que perdidas
nos campos do Império.
As mortes banalizadas
em todos os instantes,
e tem gente que acha
que há como viver como antes.
II
Não sei mais o quê
falar onde possíveis
falsas notícias dizem
que presos políticos
civis foram levados
aos cárceres comuns.
Não sei mais o quê
falar onde possíveis
falsas notícias dizem
que presos políticos
militares foram levados
para Ramo Verde.
Perguntar até onde
foi parar o General
que está preso inocente
é falar com as paredes,
mas mesmo sem
sucesso ainda peço
confirmação ao Universo.
Nesta América Latina
viciada em indiferenças
e traições como
as sofridas por El Salvador
que brincam nas estações
com cada um dos nervos
e fazem perder paradeiros
como os de jovens na Colômbia,
e seguimos fingindo que
nada disso está acontecendo.
A Semana Santa vem,
mas reconciliação com
quem pensa diferente:
tragicamente não tem.
O Comandante saiu
do Cárcere de Yare
há vinte sete cattleyas,
ele está na eternidade.
A Semana Santa vem,
a Justiça que convém
de verdade não tem,
triste estou por isso também.
O General está preso
há mais de três anos
injustificadamente,
Eles fingem que nunca vêem.
A Semana Santa vem,
do original espírito 4F
eles fingem que nada sabem,
decepcionada estou por isso também.
Levaram o amado
da filha do General
mais antigo e preso,
poderia até condenar,
não é sempre que
eles estão errados.
O lúcido é esperar
e aguardar os fatos
para criticar ou não,
e para rezar que o
os direitos humanos
sejam resguardados
O diálogo nacional
para se reconciliar
com os prisioneiros
de consciência total
como é o General
preso injustamente
já deveria ter
((((acontecido))).
Aprisionam ainda
o velho tupamaro,
a minha Mãe sempre
me pergunta quando
é que vão libertá-lo,
e eu nem sei mais
a ela o quê responder.
O Carlos Lanz segue
((((desaparecido))))
e não há nada que
faça este juízo
((((convencido)))),
não há resposta
plausível para o quê
pode ter ocorrido.
Não dá para ser
plena e feliz só
de saber que o poder
na Colômbia não
se sente em dívida
com as vidas das crianças
que foram bombardeadas.
É deste continente
inundado por golpes,
desgraças existenciais,
prisões políticas, traições,
e onde se beijam
as autoproclamações:
Os meus versos
latino-americanos
têm sido escritos.
A mais frágil filha
de Bolívar levou
a autoproclamada presa,
não me dou satisfeita
porque faltam muitos
responder por crimes
e profundas ofensas:
Os meus versos
latino-americanos
ainda estão amargos.
É do continente dominado
por tramas profundas,
ondas de fanatismo
que a minha poesia
feita de insistência
e de liberdade
com toda potência:
Com audácia reclama
por uma leal tropa
injustamente presa,
e um General que
há mais de três anos
é preso de consciência.
Dizem que há um aceno
para a reconciliação nacional
na Pátria que não é a minha,
Espero que ela ocorra
com toda a justiça e poesia.
Dizem que o Capitão-de-Navio
e o Coronel pai dos cachorros
estão num estado muito mal,
Todos os dias sempre
lembro da tropa e do General.
O General está preso
injustamente há pouco mais
de três anos sem acesso
ao devido processo legal,
Ele está sofrendo como
povo e preso como povo,
numa situação infernal.
Não há como dizer
que tudo isso é normal,
tem gente que não
consegue conviver
com quem pensa diferente,
A cada dia que passa andam
deixando mais preso o General:
evidenciando claramente
que não conseguem conviver
com quem pensa diferente.
(Para saber disso não precisa ser vidente).
Satyagraha: você sabe
que isso não se faz,
eles prenderam
o teu General injustamente.
Satyagraha: você sabe
que a Justiça desapareceu
ali em plena reunião
pacífica simplesmente.
Satyagraha: o teu General
foi caluniado e teve o nome
usado indevidamente.
Satyagraha: você sabe
que eles levaram
o teu General brutalmente.
Satyagraha: deixaram
o teu General isolado
algumas vezes e com
a vida degradada
(covardemente).
Satyagraha: de muito longe
percebi a história e você
parece que está indiferente.
Satyagraha: hoje fazem
três anos de prisão ilegal,
lenta e sem acesso
ao devido processo
(cruelmente).
Satyagraha: nem carta
posso enviar
para ajudar o tempo passar
porque sou estrangeira;
você sabe que a verdade
não se represa
nem poeticamente.
Satyagraha: o teu General
não merece tamanha
indiferença e ingratidão
de uma gente sem coração.
Satyagraha: cada latino-americano
verso é para pedir
que tenha compaixão
tirar ele da prisão,
um continente da escuridão.
Satyagraha: o General é teu filho
e mesmo que uns se calem,
está escrito em oito estrelas
na história do movimento e no destino.
Peço perdão
à Venezuela
por tudo, tudo,
aquilo que não
tem perdão,
eles pisotearam
o meu coração.
O teu ar que
é o teu amor,
que é a tua
própria vida
pôde entrar,
e inúmeros
teus ainda não.
Não há mais
o quê esperar
a não ser
o tempo,
a tempestade passar,
e pedir pela tropa
e o teu General
a justiça libertar.
Versos sul-americanos...
No Rio Mapocho
o inesquecível ocorrido,
As peças do malabaris
não giram mais no sinal,
O Chile e o continente
não se esquecem mais
do fatídico repetido.
Dor sul-americana...
Todo perdão a ser pedido
é ainda muito pouco
Onde o passado virou vício.
Lamento sul-americano...
A frágil filha de Bolívar
ainda vive sob ameaça
de quem não aprendeu
com os mesmos erros,
O fardo da oligarquia
golpista pesa nas costas
e espalham tantos medos.
Chaga sul-americana...
Versos sul-americanos...
Na pequena Veneza,
o General continua
injustamente preso,
Não há notícia de libertação,
e segue da mesma forma
a tropa em igual situação,
Há sussurros de reconciliação...
