Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Simplesmente um pássaro
Que não podia voar,
Raramente se queixava,
Se empenhava em insistir,
Particularmente, nunca o vi reclamar,
Sua grande qualidade era sorrir ao partir.
Verso Corrido: Do que têm não falta nada
Na rampa ela me acurrala,
Chamando pra brincadeira,
Desvia, faz volta e meia,
Corro dela, ela é corredeira.
Na arena baila quadrilha,
Escorrega rega a soleira,
Foi quem inventou a cartilha,
Dengo ela, ela se zangueia.
Aprecio com dever cumprido,
A mensagem imortalizada,
Quando solto esse verso corrido,
Do que têm não falta nada.
A primeira puxa a fileira,
Calada me arma cilada,
Saltitante esquenta a chaleira,
Do que têm não falta nada.
Debate de pura bobeira,
De meiguice a rabugice,
Corro dela, ela é corredeira,
Dengo ela, ela se zangueia.
Aprecio com dever cumprido,
A mensagem imortalizada,
Quando solto esse verso corrido,
Do que têm não falta nada.
Dou-me conta que não posso transportá-la
Pruma tela; tintas não expressam-na.
Ou montá-la em argila, rocha ou mármore,
Nem harmonias em consenso manifestam-na,
Se rabiscasse os casos tornar-se-iam folclore.
Soluções para as questões,
Que não precisaremos preencher.
Poderíamos ter feito mais,
Como poderíamos ter feito menos,
Portanto, está de bom tamanho aquilo que fizemos.
CYN
Soluções para as questões,
Que não precisaremos preencher.
Poderíamos ter feito mais,
Como poderíamos ter feito menos,
Portanto, está de bom tamanho aquilo que fizemos.
Sim, Cynthia.
Será que conseguiremos,
Realizar todos os planos, plenos ?
Será que encontraremos alguém,
Que nos ame intensamente, veemente ?
Algumas dessas pessoas já encontramos.
Outras sempre estiveram conosco.
Sim, Cynthia.
Será que seremos bons profissionais ?
Éticos possivelmente, triunfantes talvez.
Será que teremos as coisas
Que gostaríamos de ter ?
Sei que teremos divisas
E o temor de não chegar a obter.
Sim, Cynthia.
Será que seremos salvadores,
Nessa via vitimada ?
Vitoriosos sim, noutra pista.
Seu próprio nome já leva a conquista !
Sim, Cynthia.
Mas ela não nasceu para alguém,
Que ame-a mais, do que a amo.
Pois neste quesito, sou bendito e soberano.
Não necessariamente nesta sequência
Ligo o ventilador
Quando está quente,
Logo esfria;
Cubro-me com lençóis.
Participei duma pescaria
Antigamente,
Nada pesquei,
Esqueci iscas e anzóis.
Sinto-me esquecido,
Os sintomas se agravam,
Sou comprimido
Sem prescrição.
Nunca aprendi
A calcular divisões,
Talvez por isso, minha vida
Tem sido uma grande multiplicação.
Não me interessam as pesquisas,
Nem os avanços da medicina,
Se os astronautas vão a Marte,
Ou se a Arte sincera ensina.
Me atenho ao rito da salvação,
Glória a ti, diva da devoção !
Sara
(ao surgir tinha ido)
Rangeu o taco,
Trepidou o piso.
Fingi não ter ouvido,
Mas ela era e estava.
Atrás, nas minhas costas,
Quietinha.
Respiração semi-ofegante,
Ela se continha.
Aguardei-a,
Ela tinha seu próprio andamento.
É maravilhoso repassar,
A sensação de ter fingido.
Guardei-a comigo.
Naquele abreviado baque,
Assustou-me.
Deixei-me assustar
E ao surgir tinha ido.
Margô fica angustiada,
Por não realizar suas proezas.
Margô fica assustada,
Só de pensar nos desacertos.
Fique Margô
Margô fica angustiada,
Por não realizar suas proezas.
Margô fica assustada,
Só de pensar nos desacertos.
Margô fica frustrada,
Com o acúmulo das despesas.
Com a quebra financeira,
Fruto de concertos na cozinha
E as prestações da geladeira.
Margô fica chateada,
Pensa estar congelada,
Numa monotonia de desventuras.
Anteontem saiu sem rumo à surdina.
Em sua quentura rancou as cortinas,
Desorientada e desiludida,
Nem o abajur apagô.
De todos os pedidos
Que desejo lhe pedir,
Peço apenas um:
Fique Margô !
De todos os pedidos
Que desejo lhe pedir,
Apenas um peço:
Fique Margô !
Por favor.
Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis
Estava a pensar algo
Que não importa,
Passando a me importar
Com o que nunca pensei.
Materializando em cores vivas,
Letras palavreadas invisíveis.
Inauguro neste instante,
Iluminado e supersônico:
O Improvável Florilégio
Das Aventuras Impossíveis.
A não ser que teus neurotransmissores,
Projetem de ti potência incalculável,
Fique no chão, não se levante.
Não adianta ouvi-los, nada tendo a dizer,
Te querem prostrado, de joelhos, deitado,
Rastejando no chão, donde não se levante.
Te queremos de pé, flexível potente,
Soberano supremo de porte imponente,
Não fique no chão, respire e levante.
