Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Não era dia de encontro, nem de encantos, mas, de repente, ali estava você.
Quando entrei no ambiente, seu olhar me percorreu por completo.
Eu já sabia quem você era.
Te conhecia de nome, de rosto, dessas coincidências da vida.
Só não fazia ideia
de que um dia você me veria assim,
com esse tipo de olhar,
com esse tipo de interesse.
Você pediu ao garçom uma bebida para mim.
Um jeito antigo de se aproximar,
uma gentileza rara hoje em dia, que nunca havia recebido, pelo menos, não desse jeito.
Um completo cavalheiro.
Logo depois, e de forma natural, você pediu meu número.
Como quem sabe exatamente o que quer
e não tem medo de ir atrás.
E eu disse meu número, ansiosa para ver onde aquilo iria dar.
Foi uma noite inesperada,
daquelas que a gente não planeja,
mas que ficam na memória.
Depois daquela noite, confesso, não esperava ver suas notificações chegando ao meu celular ao longo do dia.
Aqui estamos nós.
Mas, como nada é perfeito, e nessa história não seria diferente,
existe um passado meu que se esbarra em você.
Um passado que, querendo ou não, faz parte do cenário.
Como seria, por exemplo, se um dia eu me reunisse com a sua família?
Todos estariam confortáveis?
Ou memórias antigas ocupariam um lugar à mesa?
Não tenho todas as respostas,
e talvez nem precise ter.
Não sei se isso vai longe,
nem se deve.
Mas foi diferente. Foi marcante.
Foi, acima de tudo, inesperado.
E como eu amo o inesperado.
Sigo sem pressa, sigo sem saber,
mas aberta para me surpreender.
Viver assim; sem ciúmes nem saudades simplesmente não é para mim. Quando olho sua boca fico louca, anseio por ti perto de mim, anseio teu abraço, anseio pelo nosso passado. Viver assim com certeza não é para mim.
Te vejo pelos corredores; te olho, tu me olhas, amantes antigos se olham. A chama do amor ainda é a mesma? Eu te encaro - você nem percebe -, admiro seu sorriso, sua risada escandalosa, e o seu jeito de olhar de forma amorosa que transborda amor aonde passa.
Saudades sinto do teu jeito. Saudades sinto do teu beijo. Saudades sinto dos momentos felizes que tive com um tal sujeito que anda por aí com o resto da minha fita vermelha em seu dedo mindinho; ah, meu garotinho... sentes saudades da mesma forma que sinto?
Simplesmente não consigo viver sem ti.
Jesus chamou Judas de amigo, não por conveniência ou falsidade, mas porque a traição do outro nunca teve poder para alterar a Sua essência.
A falta de caráter de Judas não foi capaz de contaminar a dignidade de Jesus.
Então, deixe que falem, deixem que traiam...
Mas não permita que a maldade alheia transforme a mulher de valor que você é.
Continue firme, doce, forte e inteira.
Seja luz, mesmo quando o mundo tentar apagar você.
Não desista de ser você mesma.
"A verdadeira inteligência não se exibe — ela observa.
Não grita para provar razão, escolhe o silêncio como estratégia.
Ser sábio não é parecer ignorante, é saber quando calar, quando agir e quando deixar o ego de lado.
Quem pensa diferente de você não é burro — é um espelho que pode ampliar sua visão.
O problema não é a discordância, é a arrogância disfarçada de lucidez."
"Amizade é Laço que não Aperta"
Amizade é um sopro divino que nos encontra no meio da travessia. Não exige promessas nem contratos. Ela apenas é — como o nascer do sol, que não pergunta se queremos a luz. Surge serena e, quando é verdadeira, instala-se na alma como morada sagrada.
Está no olhar que compreende antes mesmo da palavra, no gesto simples que alcança sem invadir. É quando a ausência não fere, porque o coração sabe que há presença mesmo no silêncio. É quando o tempo pode passar com sua pressa e urgência, mas o afeto permanece intacto — como um jardim que floresce, mesmo sem testemunhas.
Amizade é laço que não se desfaz com a distância, não se rompe com as mudanças. Ela se molda, se refaz, se reinventa — mas nunca deixa de ser. É o ombro que acolhe, a palavra que acalma, o riso que divide o peso do mundo. É o espaço onde podemos ser inteiros — ou mesmo em pedaços — sem medo da rejeição.
Amigo é quem vê o invisível em nós. Quem conhece nossos bastidores e, ainda assim, escolhe ficar. É quem atravessa as noites da nossa dor com uma lanterna acesa de esperança. E, quando todos se vão, é quem permanece: silencioso, presente, eterno.
Porque amizade é isso: um amor sem pressa, sem cobranças, sem explicações. É afeto que se traduz em liberdade. É raiz que firma, asa que impulsiona, porto que acolhe e mar que leva adiante.
Amizade é amor que não precisa de rótulo. É vínculo que não se mede. É alma que reconhece alma, num pacto invisível de eternidade. E isso... ah, isso é raro. É sagrado. É infinito.
"Voar com leveza ao som dos bandolins"
Voar… não com asas, mas com a alma acesa,
no instante suspenso em que tudo silencia,
e só resta o som — sutil — da natureza
tocando os bandolins da melancolia.
É nesse fio invisível entre o tempo e o vento
que o espírito se desfaz de seus espinhos
e se veste de luz, de música e sentimento,
como se a vida coubesse em poucos dedinhos.
Oh, bandolim que chora, tão pequeno e tão imenso!
Em ti há mares, luas, lembranças e alvoradas.
Cada nota tua é um verso que eu lanço, intenso,
ao céu que me abriga em suas madrugadas.
Voar com leveza... é despir-se do mundo,
desatar os nós das dores que se calam,
é entregar-se ao som, profundo e fecundo,
que os bandolins, com ternura, embalam.
E, nesse voo que não conhece altura,
onde o corpo não pesa e a alma é verbo,
descubro que a música é forma de ternura
e que amar... é tocar o invisível, sem reserva.
Ah, se todos soubessem do milagre escondido
no instante em que a nota vibra no vazio,
veriam que o som é um gesto adormecido,
e o voo… é um poema escrito no brilho.
Brilho do céu, brilho da terra, brilho da eternidade,
um chamado mudo que só o sensível entende.
Voar com leveza é tocar a imensidade
sem jamais perder a alma que se estende.
E quando finda o som, quando se cala o mundo,
ainda ecoa, dentro, o que jamais se explica:
a certeza de que o voo mais profundo
é aquele que nasce da nota mais lírica.
A vida não se importa com o que você acha justo.
Muitas pessoas passam toda uma vida reclamando das
dificuldades, das barreiras e das injustiças. Mas a
verdade é que a vida não está nem ai para isso.
O mundo não vai se adaptar para facilitar sua jornada.
O que importa é a sua decisão: Ou você se adapta e age,
ou vai passar o resto dos seus dias chorando pelo que
perdeu, o que não tem, e ainda pelo que não conquistou.
Não penso em ser tudo, mas não queria ser apenas suficiente, não quero ser talvez, quero ser certeza.
Sê minha, e eu não te mostrarei incerteza, sem ofensa, mas és para mim uma princesa de realeza.
De ti, quero teus sonhos, teus sentimentos, e teus olhos, mais importante continuar escrever para ti.
Eu dormi, não com vontade de acordar amanhã, com vontade de te ter amanhã, fiquei sem o medo de chorar, pois eu sei que tu irias me abraçar.
Depois de ti, poesia ficou sem graça, eu usava para me esconder, mas falar contigo me faz entreter e entender que falar com quem fala, eh mais simples do que escrever.
Maia/Troubled
Máscaras
Eu te olho e sei que você não
é verdadeiro comigo.
Mas, tudo bem.
Todos nós escondemos nossos
verdadeiros eu, tampando
tanta fraqueza e insegurança
através de máscaras.
Seria hipocrisia lhe pedir para
tirar esta tua máscara, até
porque, eu não sei se te
mostraria a ti meu verdadeiro rosto.
Tenho medo de que você me
conheça e não goste de mim.
Na verdade, eu tenho medo
de que eu não seja essa
mentira que eu inventei.
Então continuaremos neste
baile de máscaras, pelo resto
de nossas vidas.
Dançar pra sempre.
Não me prendo a nada que me defina. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Sou eu, de uma forma bem resumida, livre para chegar e livre para sair...
Ves🪽
Há palavras que não salvam.
Há silêncios que gritam tão alto que rasgam a pele da alma.
Escrevo para não explodir.
Porque falar não adianta — já tentei.
As cicatrizes que a luz não cura… essas eu guardei.
Não para serem esquecidas.
Mas para que, ao serem lidas, alguém perceba que ainda existe dor disfarçada de normalidade.
Fingir estar bem é uma arte. E eu me tornei um artista.
O nome é Purificação.
Não porque estou limpo, mas porque me tornei consciente da sujeira que o mundo despejou em mim.
Este é o começo.
Que venha a escuridão, porque aqui, ela encontra palavras.
Mesmo que não apareças
Me lembre das suas promessas
Que nunca foram eternas
Me colocando no sol quente
Como um soldado ardente
Saia não quero escutar
Onde estou
Quem é você
Vá embora
eu vou me bater
Você vai parar de responder
Quem esta aí
Você vai me estremecer
E esses olhares ao entardecer
Me tire desse consultório
Não estou louco para enlouquecer
Não quero morrer ao lado de você
Eu até queria conversar,
mas o tempo não vai esperar.
Eu até queria te amar,
mas não sei como me mostrar.
O sonho logo vai terminar,
mas, antes de tudo acabar,
posso ao menos seu nome perguntar?
Me falaram
Relacionar
Socializar
Amigar
Falaram é só chegar
Não entendi porque tudo começou a acabar
Porque tudo de ruim acaba com "ar"
Não existe "ar" bom para mim
Acho que vou sufocar
Aqui vai tudo acabar
E eu vou desabar
Não posso acreditar
Será que algum dia o "ar" pode mudar?
3 de julho
21h48
hoje acordei sem querer.
não por escolha.
não por esperança.
acordei porque o mundo faz barulho demais
e meu quarto não é à prova de dor.
o sol invadiu meu rosto como se eu fosse casa vazia.
fiquei deitada por um tempo,
me perguntando se morrer
é mais calmo que viver.
pensei na morte como um alguém.
alguém que talvez me acolhesse
sem pedir versões melhores de mim.
alguém que não se importaria com o fato de
eu sempre me sentir insuficiente —
até pra mim mesma.
tomei café.
com gosto de nada.
sorri pra algumas pessoas,
mas senti meu rosto falso.
às vezes acho que estou treinando ser um holograma.
e sou boa nisso.
fiquei observando meus amigos —
e essa palavra sempre me soa estranha,
como um sapato bonito, mas que nunca serviu direito.
eles riam.
eu também ri.
mas pensei:
se eu desaparecesse,
eles iam sentir?
iam lembrar?
ou só ia ser mais um nome esquecido nas notificações?
acho que hoje só queria
não existir um pouco.
descansar do peso de tentar parecer bem.
dormir sem prometer
acordar amanhã.
amanhã.
se eu quiser.
—
escrito com a barriga vazia
e o peito cheio demais.
ela deixou o básico porque já tinha provado o real
ela não amava com urgência.
amava com gravidade.
não pedia reciprocidade
mas também não ficava
se precisasse explicar o óbvio.
nenhuma palavra dela era dramatismo.
nenhuma ausência, punição.
ela era do tipo que permanecia
só onde o tempo não fosse desperdício.
não fazia promessas.
fazia chá.
abria espaço.
sabia quando não falar
era a forma mais limpa de amar alguém.
tinha deixado o básico anos atrás.
não por desprezo,
mas porque aprendeu a reconhecer
o que não a fazia crescer.
o amor, quando chegou,
não teve explosão.
foi como quem abre uma janela
e percebe que o ar sempre esteve ali,
mas ninguém ousava respirar fundo.
não era o amor da falta.
era o da medida certa.
o que sabe a hora de tocar
e a hora de recuar sem ser ausência.
nele, ela não virou poema.
não virou museu,
não virou fuga.
virou só o que sempre foi:
corpo que sabe sentir.
voz que não vacila.
alma sem dívidas.
ninguém a chamou de intensa.
ninguém a disse demais.
porque quem chegou tarde
não teve nem tempo de nomear.
o amor bom,
quando a encontrou,
soube que não precisava salvá-la.
só precisava
ficar.
Juliana Umbelino
Caminhos Invisíveis
Há passos que damos sem ver o chão,
movidos por algo que não tem nome.
Às vezes é fé, outras é fuga,
mas sempre há um porquê que só o tempo revela.
O mundo ensina com mãos ásperas,
e nem toda dor vem para ferir.
Algumas vêm para abrir janelas
em lugares que julgávamos muros.
Carregamos perguntas como bagagem,
algumas pesam, outras sustentam.
E no vaivém das estações da alma,
descobrimos que nem tudo precisa resposta.
A vida é feita de curvas e quedas,
mas também de olhares que nos levantam.
E mesmo sem saber para onde ir,
o mais bonito é seguir e sentir.
Eu não acredito que a religião tenha se originado da mágica e da superstição. Ela assume, frequentemente, formas mágicas e supersticiosas, mas creio que a gênese da religião esteja numa ânsia de vida. Tagore diz que todas as coisas buscam a perfeição. Concluo que a ânsia religiosa é esta ânsia de vida tornada qualitativa.
Nós queremos viver não apenas mais plenamente, mas melhor; no momento em que dizemos "melhor", temos padrões; e no momento em que temos padrões, temos religião. Enquanto as pessoas quiserem viver plenamente e melhor, seremos religiosos. Na verdade, somos incuravelmente religiosos. Jesus é a Resposta Divina a isto. Ele finalmente respondeu a esta ânsia de vida. Ele disse: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10.10).
