Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
A Dialética da Hipocrisia
Tem gente que sonha e não busca seu espaço.
Tem gente que briga, mas é um eterno covarde.
Tem gente que adoece e jamais procura a cura.
Tem gente que planeja e nunca se organizou.
Tem gente que se diz discreta, mas adora fazer alarde.
Tem gente que é lenta para o dever, mas veloz para o interesse.
Tem gente que é tagarela, mas não quer ouvir.
Tem gente que grita e não se cala na hora certa.
Tem gente que chora e não suporta ver ninguém chorando.
Tem gente que crê em Deus, mas vive chamando pelo demônio.
Tem gente que canta e não deixa ninguém assobiar.
Tem gente que reclama e nunca reivindicou coisa alguma.
Quando a política tenta substituir a ciência
O discurso antivacina não se limita a questionar a ciência: busca deslegitimá-la e substituí-la por uma ramificação política na qual opiniões pessoais, senso comum e desinformação são colocados no mesmo patamar de pesquisas, evidências e conhecimentos cientificamente comprovados.
Não espere desculpas, gratidão e perdão…
Faça a sua parte e siga em paz, com a certeza de que o essencial foi cumprido.
ODE AO NADA
Se a simetria tivesse volume, estaria errada;
Se a luz fosse opaca, não acenderia.
A sua vez chegou, e você não agarrou;
A hora H se atrasou, e o tempo passou.
O sol clareou, e o homem não acordou;
O medo cessou, e a covardia ainda reinou.
As forças do mal não foram derrotadas;
As leis caducas se modernizaram.
Os sinos dobraram, e não tilintaram;
O grito ecoou, e nem foi ouvido.
Ícaro nem sonhou e logo acordou;
Rapunzel sucumbiu à alopecia.
Meu rumo pegou o trem fantasma;
Meu ego foi afogado pelo coletivo.
Um leão não abandona os seus!
Até quando percebe que envelheceu e que não é mais útil, retira-se da alcateia para ajudar os seus!
Nos meus dias não tão bons, duas perguntas fundamentais vieram à mente, sendo:
- Quem me serviu como jantar aos leões?
- Quando fui servido de jantar aos leões, quem me ajudou?
Foi aí que adquiri plena ciência de quem sou...
DE EXEMPLO
Seja honesto o máximo possível isso não irá mudar o mundo,mas você sera um canalha a menos....Valdeir.Vieira
Se a liberdade de expressão não é tão importante para nós humanos, por que tentam tirar isto de nós?
(isto não é sobre política)
Tempo: Não o Traia
O tempo é rio selvagem e impiedoso corre sem parar, não volta, não perdoa erros. Desperdiçá-lo em bobagens vazias, telas viciantes que hipnotizam a mente, rancores estéreis que envenenam a alma, ou rotinas mecânicas é suicídio lento e cruel. A vida real, pulsante e autêntica, implora por você: dê-lhe seu melhor agora, antes que o instante se evapore! Priorize o essencial com ferocidade: abraços reais que aquecem o peito, sonhos ousados que desafiam o medo, risos livres compartilhados sem máscaras, momentos que ecoam no eterno. Cada segundo perdido é uma eternidade roubada para sempre, um pedaço de si mesmo lançado ao abismo. Viva com urgência feroz. Incendeie o instante e transforme o efêmero em legado imortal.
REALIDADE PARALELA
Vivemos em réplicas de espelhos quebrados, onde o reflexo não devolve o rosto, mas o eco de um grito engolido. As mentes, lascadas como vidros sob o martelo do tempo, teias entre o frisson e o divino: o delírio vira profecia, o tremor das mãos se ergue como hino aos céus partidos. O que parece cura é veneno disfarçado de salvação, e o veneno, ah, ele se veste de milagre, cuspindo promessas em línguas que ninguém mais ouve. Aqui, o real se contorce como fumaça em vento contrário. Um homem ajoelha ante o altar de comprimidos partidos, crendo que a náusea é êxtase celestial, enquanto a multidão aplaude o surto como visão apocalíptica. Não é loucura, dizem; é revelação. Não é doença, insistem; é deus infiltrado nas veias. Mas o que aparenta ser santo desaba em abismo, e o abismo, fingindo luz, engole o que resta de nós. A distorção rasteja, invisível, reescrevendo o mundo: o céu chove cinzas que chamamos de bênçãos, o chão se abre em feridas que juramos serem portais. Fragmentos de mentes se chocam, confundindo o pus com óleo sagrado, e o que é se desfaz no que parece. Nesta paralela, a verdade não existe, só o eco de si mesma, distorcendo até o silêncio.
Há uma angústia silenciosa que se instala quando se percebe que já não se consegue resolver sozinho boa parte da própria vida. Não é apenas a dificuldade prática que pesa, mas a sensação profunda de invalidez, como se algo essencial tivesse sido retirado sem aviso. A autonomia, antes natural, passa a ser um privilégio distante, e cada decisão depende de terceiros, de permissões, de circunstâncias que fogem ao controle.
Essa condição corrói por dentro. O indivíduo sente-se diminuído, não por falta de vontade ou capacidade intelectual, mas por estar aprisionado a limites que não escolheu. Surge a frustração de querer agir e não poder, de saber o que precisa ser feito e ainda assim permanecer imóvel. A dependência forçada fere o orgulho, a identidade e a dignidade, criando um conflito constante entre o desejo de reagir e a realidade que impede qualquer movimento efetivo.
O feminicídio é uma das faces mais cruéis da violência no Brasil. Ele não é “apenas mais um crime”: é o assassinato de mulheres por serem mulheres, resultado de uma cultura de desrespeito, posse e desvalorização da vida feminina. Sentir repulsa diante disso é o mínimo; o necessário é transformar essa repulsa em consciência, postura e ação.
Cada mulher que sofre violência é filha de alguém, muitas vezes mãe, irmã, amiga, é uma vida inteira de histórias, sonhos e contribuições interrompidas. E há um ponto que deveria nos tocar profundamente como homens: todos nós nascemos de uma mulher. Foi uma mulher que nos gerou, que enfrentou dores para nos trazer ao mundo, que nos alimentou, amamentou, cuidou e sustentou nossa vida nos momentos mais frágeis. Nossa própria existência começa no cuidado de uma mulher.
Como, então, pode existir ódio, agressão ou indiferença contra quem representa a origem da nossa vida e da vida de toda a sociedade? Respeitar mulheres não é favor, não é gentileza é princípio básico de humanidade e justiça.
Repudiar o feminicídio é dever coletivo. Isso passa por não normalizar agressões, não rir de desrespeito, não silenciar diante de sinais de violência e educar meninos e homens para o respeito, a empatia e a igualdade. Uma sociedade que não protege suas mulheres está falhando consigo mesma.
Que a indignação não seja só discurso, mas mudança real de atitude. Porque toda mulher merece viver com dignidade, segurança e liberdade. E porque a vida de uma mulher nunca pode ser tratada como algo descartável.
A cadeira não sabe que cansa. Suas quatro pernas, verbo intransitivo de sustentação, aguentam nossos silêncios sem conjugação. A janela divide o mundo em sujeito e predicado: lá fora chove, aqui dentro falta.
Objetos não falam, mas nós falamos por eles. A porta decide, a chave permite, a xícara espera — todos verbos humanos, emprestados. É nossa projeção que dá sintaxe ao neutro. A mesa não sente solidão quando vazia; sentimos nós, projetando gramática onde há apenas existência muda.
E assim vivemos entre sujeitos ocultos e objetos que carregam nossos sentidos. A casa inteira é uma oração que nunca termina, pontuada pelo nosso ir e vir. As coisas permanecem, inertes e eloquentes, enquanto nós, desesperados por significado, lhes atribuímos vozes que elas jamais pediram.
Saudade é o vazio que pulsa, um eco silencioso do que já foi e não volta. Não é mera ausência; é a presença fantasmagórica de momentos que se infiltram na alma como brisa úmida do mar. Ela chega sem aviso, num cheiro de café antigo, numa melodia esquecida ou no contorno de um rosto que o tempo borrou.
No peito brasileiro, saudade é patria: o samba que embala ausências, o carnaval que mascara lutos, o abraço que o oceano separou. É o que nos humaniza, nos faz poetas involuntários. Dor agridoce, ela entrelaça fios invisíveis ligando o agora ao ontem, transformando perdas em relíquias eternas.
Mas cuidado: saudade em demasia paralisa, vira prisão de memórias. Aprenda a dançá-la, como frevo leve, deixando que ela venha e vá, sem raízes profundas. Pois viver é saudade em movimento – do que partiu, do que virá. Ela nos lembra: o amor verdadeiro nunca some; apenas espera, paciente, no limbo do coração.
Há momentos em que o silêncio entra na vida como quem não quer nada, mas, pouco a pouco, ocupa todos os espaços. Ele se senta entre duas pessoas, paira sobre uma lembrança, repousa no canto de um quarto vazio e, sem dizer uma sílaba, revela o que nenhuma palavra consegue alcançar. O silêncio também fala, e muitas vezes fala com verdade do que qualquer discurso.
Ele se manifesta no olhar cansado de quem pede ajuda sem coragem de pedir, na pausa de quem guarda um sofrimento antigo, no abraço que dispensa explicações. Há silêncios que são muralhas, erguidas para proteger feridas. Outros são pontes, construídas com afeto, compreensão e presença. Em ambos, existe linguagem.
Ser humano aprender a escutar o que não foi dito. Nem todo silêncio é ausência; às vezes, é excesso. Excesso de dor, de amor, de medo, de saudade. Por isso, ouvir alguém vai além de prestar atenção às palavras: exige sensibilidade para perceber o que a alma sussurra quando a boca se cala. E talvez seja nesse espaço invisível que nascem as verdades profundas.
**"Lutar sem saber por quê: a alienação como projeto, não como acidente"**
Conta-se uma antiga história de um cavalo de circo que gira em torno de um poste a vida inteira, mesmo depois de removida a corda que um dia o prendeu. Ele continua girando porque aprendeu que aquilo era o mundo. Muitos de nós somos esse cavalo: lutamos, corremos, competimos, sem perguntar quem amarrou a corda primeiro.
A alienação não nasceu por acaso. Ela foi desenhada, testada, refinada ao longo de séculos, como um projeto de engenharia social. Ensinam-nos a competir pelo pão antes de nos ensinarem a perguntar por que o pão é escasso. Ensinam-nos a admirar o dono da fábrica antes de nos ensinarem a questionar quem construiu os muros dela.
É como uma peça de teatro em que decoramos o papel sem nunca ler o roteiro inteiro. Aplaudimos o enredo, choramos no final combinado, sem saber quem escreveu o script nem por que ele sempre termina do mesmo jeito.
Lutar sem saber por quê não é ingenuidade pura, é resultado direto de um sistema que lucra silenciosamente com nossa distração. Acordar, aqui, significa parar de girar em torno do poste e, enfim, perguntar com coragem quem prendia a corda desde o começo.
Já caminhei no escuro e senti o amargor do que não me pertencia. A venda caiu, a lição ficou e o meu acesso se tornou inalcançável.
A ponta da língua guarda a memória daquele veneno antigo — o suficiente para eu reconhecê-lo de longe e recusar a repetição.
Quem me vê hoje com esse ar sereno, não imagina a força inabalável do meu 'nunca mais'
Longe de mim querer causar medos,e espantos.
Não souberam me domesticar,
Continuo com meu faro apurado,e finlig afiado.
