Poesia Amor Clarice Lispector
Sim , você me trouxe a vida realmente ,pois estava vivendo por viver , estava ficando por ficar , não tinha sentimento algum em mim mais , você me trouxe a esperança , me trouxe o mundo e se tornou meu pedacinho de tudo , de tudo que eu gosto de tudo que eu faço de tudo que eu sinto , e até de tudo oque eu penso , mais paro e penso será que com você é assim ? por um minuto queria sabe oque se passa na sua cabeça quando ouve meu nome ..
Subterfugindo da exposição, eximindo-se dos julgamentos e isentando-se das condenações. Lá estão nossos críticos, com pedras em punhos, escornados nas arquibancadas da vida.
Vez por outra precisamos enlouquecer até perdermos o tino, somente para sermos capazes de fazer algo que a prudência da sanidade nos cesuraria.
Divido-me em intermináveis interrogações, espantosas exclamações, mas salvo pelos imorredouros três pontos (...)
Tudo nesta vida escapa de nossas mãos, a vida é efêmera, os momentos são fugazes. Nada se leva, até mesmos as frases e as palavras já não são mais minhas. Então por que escrever se nem elas me pertencem? Elas ficam aqui de presente, por fim, ao mesmo tempo são eternas. Mas entanto por que não escrever? Se elas surgem, tratarei de escrever!
Se você procura uma leitura prazenteira, leve e serena, que faça o tempo passar ligeiro, e despercebido como uma brisa suave de fim de tarde, recomendo qualquer outro autor mais comedido, ameno e formoso. Eu não escrevo para leitores delimitados pelas letras, nem para olhos subordinados às palavras. Aos sem imaginação – que enxergam somente aquilo que as vistas revelam – creio que cartões postais, fotografias e revistas coloridas, valerão muito mais do que a minha busca visceral para tentar suscitar em palavras tudo àquilo que verdadeiramente sinto.
Alguns relacionamentos são como Tom & Jerry: Eles se provocam, se batem, se irritam, se odeiam, mas não podem viver sem o outro.
– Não se precipite ao caos, não ache que o mundo é do tamanho da sua compreensão (Do Livro – O Segredo de Clarice Lispector).
Ela veio atrás de água, da água que Deus não manda lá pro sertão, pois é justamente a água, a mesma desejada e perversa água, que lhe rouba a vida. Isso é injusto, é desumano... (Do Livro – O Segredo de Clarice Lispector)
Escrevia para afugentar as amarguras, para exorcizar velhos fantasmas. As letras vigoravam além de toda manifestação compreensível das palavras. Tornavam-se a única sobriedade remanescente da sua introspecção doentia. (Do Livro – O Segredo de Clarice Lispector)
Buscando consumir parte da ociosidade, e procurando ocupar o imenso vazio no qual se afundou inevitavelmente, nutriu também uma mania obsessiva pela literatura. (Do Livro – O Segredo de Clarice Lispector)
Existia nela uma razão infinitamente maior do que o reles desejo de ser apreciada. Não escrevia por ideologia, nem para ser julgada pelos punitivos olhares dos críticos literários. Não fazia cobiçando as variadas tentações da fama, nem por algum tipo de vaidade enrustida. Escrevia por urgência, por uma necessidade quase que vital de manter-se lúcida. (Do Livro – O Segredo de Clarice Lispector)
Qualquer que tivesse sido o crime dele [Mineirinho], uma bala bastava. O resto era vontade de matar, era prepotência.
À distância
À distância, amo e sou amado
Com a esperança de me encontrar
No momento certo e adequado
Com quem também vive a me amar.
Não importa quanto tempo leve
Para nosso encontro acontecer
Tenho a esperança que seja breve
Mas o tempo é quem irá responder.
Obstáculos estão entre a gente
Impedindo nosso pulcro abraço
Superaremos de forma prudente
Buscando juntos o mesmo espaço.
Enquanto isso não acontece
Vivo pacientemente a esperar
Com força e fé em minha prece
O dia perfeito para te encontrar.
Te amo.
O amor platônico mais lindo, o sol e a dona lua!
Ele raia, pra ela luar...
Eles cintilam, eles se amam, sem se tocar!
Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro. Tempo para mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa. O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos.
Vou te dizer o que eu nunca te disse antes, talvez seja isso o que está faltando: ter dito. Se eu não disse, não foi por avareza de dizer, nem por minha mudez de barata que tem mais olhos que boca. Se eu não disse é porque não sabia que sabia – mas agora sei. Vou te dizer que eu te amo. Sei que te disse isso antes, e que também era verdade quando te disse, mas é que só agora estou realmente dizendo.
É. Eu me acostumo mas não amanso. Por Deus! eu me dou melhor com os bichos do que com gente. (...) E quando acaricio a cabeça do meu cão – sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.
Há pessoas que têm vergonha de viver: são os tímidos, entre os quais me incluo. Desculpem, por exemplo, estar tomando lugar no espaço. Desculpem eu ser eu. Quero ficar só! grita a alma do tímido, que só se liberta na solidão. Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas.
O mundo parece chato mas eu sei que não é. Sabe por que parece chato? Porque, sempre que a gente olha, o céu está em cima, nunca está embaixo, nunca está de lado. E sei que o mundo é redondo porque disseram, mas só ia parecer redondo se a gente olhasse e às vezes o céu estivesse lá embaixo.
