Poemas Vazio
Nossa essência
A necessidade de buscar o equilíbrio interior nos torna seres espiritual. A natureza todos os dias apresenta esse espetáculo de constância ou a busca da mesma. Fazemos parte dessa essência, da substância mais rica de toda a terra, a NATUREZA.
Entendê-la não é assim de imediato, a natureza cria furações , tempestades , redemoinhos e tudo o que sabemos. Isso ela faz para manter a inalterabilidade de sua essência, o equilíbrio.
A natureza humana também cria todos esses fenômenos com apenas um objetivo: “ O que ficará ou que será descoberto quando toda essa força se dissipar ? “ tamanho estímulo para exploração do nosso íntimo. Assim como a tempestade leva tudo o que está exposto e o que ninguém observava se torna visível, também é com o nosso ser. Atrás dos escombros existe algo que nunca atentamos, algo que só após da exuberância turbulência é reconhecido, a essência do nosso “ EU “, o que eu sou? Aonde eu estava esse tempo todo?
Atinar o que posteriormente surgiu talvez seja penoso, porém faz-se necessário o evento. Eventualmente não saibamos o quanto a Natureza padece no processo de cura e estabilidade, contudo percebemos em nós mesmos o quanto é ímprobo e doloroso.
Não perca sua essência, não deixe que as ruínas tomem conta da sua natureza, pois se isso acontecer repetidamente o processo de cura será eterno.
cafés da manhã
A ressaca do acordar traz a sede de satisfação e de calor para quebrar o gelo solitário da manhã.
Seus instintos imediatistas a levam ao empoeirado boteco da esquina.
Copo barato, que na noite passada serviu de alguns goles, na tentativa de tirar o amargo do peito com o amargo da cerveja, mas a trava da garganta não se tira com álcool, apenas se disfarça por alguns instantes, peito pede sangue, boca pede saliva e o corpo pede outro corpo... esquece, hoje é o dia seguinte, outro propósito, outra história.
Enquanto a boca mastiga um pão seco com manteiga, quase um tira gosto, o café lhe sacia de calor e ânimo suplicado por cada célula.
Naqueles poucos segundos entre um gole e outro, sua mente pede mais, a vontade grita, pensamentos balbuciam seus demônios, mas entre flashes de consciência eu estou por lá, aliás sempre estive.
Não lembra mais de mim? acho que mudei desde que nos conhecemos… ou foi você que me mudou? sei que em algum momento eu servi pravocê.
Amanhã talvez de novo… uma pergunta inquieta minha já embaçada mente. o que você me fez de mim?
Eu sou o copo quase vazio de café frio que você deixou em cima da mesa, esquecido até que alguém me lave por dentro e por fora, me renove, se eu não quebrar nas mãos descuidadas de qualquer um que me manipule posso servi outra boca, não escolho muito, mas só espero quero que venha com sede, pra que me seque e me sugue por completo, melhor do que largado pela metade ficando morno com o resto de mim que ninguém quer.
Eu vi as pessoas que eu me importava e amava me trocando
eu nunca esperei por isso mas me aconteceu
a solidão me corroeu.
eu só quero que saiba. que isso doeu
Luto
Após perder-te...
Luto pra sobreviver.
Luto para acordar.
Luto para sorrir.
Luto para dormir...
Luto todos os dias para
Continuar apesar
de tanta saudade,
de tanta ausência.
Apesar de tudo, Luto.
Mais um ciclo se vai,
mais uma fase demolida.
Se deus fosse pai,
Não haveria despedida,
mas apesar de dolorida
despedida há.
Deixa a vida colorida
e nos traz um novo ar.
Sinto-me livre pra viver,
livre pra voar,
mas já sei que vai doer
enquanto procurar.
Procurar sem saber
nem mesmo o que encontrar,
se a vida já mostrou
que começar é terminar!
Tudo que um dia começa
compõe um caminho.
A vida é como uma peça
órfã de carinho,
mas se afeto for necessário
como assim acredito
encontrarei um relicário
com todo o amor bendito!
Nesse quarto escuro,
Nessa noite fria,
A lua não posso vê-la,
Por motivo inexplicável,
Nunca conseguirei esquecê-la.
Conceição, Ediliano. Diário de um Garoto Solitário, 2012.
Yin Yang
Não te entendo, não me entendo, não sei o que ela quer,
Não sei quem ela é, e não sei quem ela quer.
Estou em uma fase, que não me defino, não te defino,
Somente necessito de um amor recíproco.
Mas a culpa é minha, entrei sozinho nessa jogada,
Mas nunca desconfiei que seria uma cilada.
Uma armadilha fácil, uma armadilha boba,
Mas fui atraído como uma presa tola.
Esse silêncio machuca, maltrata e desarvora meu coração,
Uma multidão de sentimentos em minha volta,
E eu no meio sem munição.
Eis as questões: persistir? Desistir? Prosseguir? Continuar a te amar?
Me sinto um peixe sozinho no mar.
É difícil, é estranho, achei que era verdade,
Mas foi um mero engano. Provei uma dose disso,
E me embriaguei, não me controlei.
Ela pra mim é Yin, eu sou Yang,
Onde os opostos se atraem, e corpos se misturam.
E eu tento te ignorar, juro que eu tento.
Tento sorrir o tempo inteiro para disfarçar o vazio por dentro.
Tento não esperar nada de você.
Tento não pensar em você cada minuto.
Tento não te amar tanto assim.
Eu tento.
meu pesar é de ainda não ter encontrado algm que tenha a coragem de dar fim à minha vida.
Leia-se fim no duplo sentido que lhe convier
Os dois estao certos
Impactante. Momentos em que te encontras sozinha, no meio de uma multidão, dando voltas em seu próprio eixo, entre as luzes, ruídos grosseiros e o silêncio dos teus pensamentos. Você está lá, e ainda assim, pergunta e quer saber o que estás fazendo ali, sozinha, dando-te o tempo para pensar quando não deverias estar fazendo isso, porque é sexta-feira, estás embriagada e alguns segundos atrás tudo era risos, sem sentido e agora estás séria como uma planta sem vida. Falta raízes no solo, mesmo que no fundo mantenha o insaciável desejo de querer lutar pela sua vida, para escapar da loucura, de todas essas pessoas que gastam o oxigênio e aqueles preciosos minutos falando sobre nada, de todos os amigos que te deixaram sozinha onde estás – perdida – de todos aqueles amigos que não são realmente amigos, mas sim companhias, de você mesma, que te fechas em lugares como este, com pessoas deste tipo. Tão masoquista, observadora e provadora de sua própria dor, do sangue que flui em suas feridas. Ali estou, impactada, compreendendo que este século, as traições superam desejos pessoais e a solidão se tornou algo tão normal. Ali estamos todos nós, tentando sobreviver em uma selva, onde tudo que se diz é feito de letras negras, em telas que brilham pelo seu vazio emocional, repletas de palavras que nunca, ninguém vai recordar.
Onecina Alves
Quando você vem,
Me atiro sem trégua
Nos beijos sem regra
me entrego refém.
Quando você vem,
Brotam as sementes
Quebram as correntes
Transmuta o peito em trem.
E quando você volta!
Devoro cada instante,
Quem dera o mundo estanque!
Contigo por escolta.
E agora, quando vem?
desfazer esse desejo,
ouvir meu segredo,
receber todo esse bem.
Te peço, não demore!
Que é infinda essa aflição.
Não faça que eu implore,
Sabe que é teu, meu coração.
Perco o prumo,
meada sem fio.
Faz-me teu rumo
Perfaz meu vazio.
Infelizmente, infeliz mente...
Mente infeliz, distante, vazia.
E você?
É feliz ou apenas sorri?
Chega um momento que as máscaras caem no abismo.
E completamente completa a mente
daquilo que deixou de ser verdade um dia.
À DERIVA
Desbravei todos os mares
na minha grande embarcação,
minha amada era o meu guia,
dona do meu coração.
Uma longa tempestade
levou meu barco ao fundo.
Poseidon tirou-me a metade:
zarpei perdido no mundo.
Hoje,
quando alvorece o dia,
ancorado na janela,
no mar de gente que passa
em vão procuro por ela...
tão bela..
E quando avança a tarde,
fundeado na janela,
o meu peito ainda arde
no vazio que há dela.
A noite já distancia...
Aportado na janela,
navego a vida vazia
no meu barquinho sem vela.
Nem mesmo o ato de fé mais profundo da comunidade, que é o reconhecimento de Jesus como o Senhor, faz que alguém entre no Reino. Se o ato de fé pela palavra não for acompanhado de ações, é vazio e sem sentido. A expressão «naquele dia» indica o Juízo final e nos remete a Mt 25,31-46, onde são mostradas as ações que qualificam o autêntico reconhecimento de Jesus como Senhor.
(nota de rodapé)
De tanto pensar em você, fui me esquecendo.
de tanto viver para você , fui me matando.
E quando você se foi; tive que me reencontrar jogado num canto escuro do meu quarto. E mais uma vez recomeçar sozinho, vazio e com medo de ser trocado outra vez . Mas agora já sabia que o amor só é bom quando se é vivido à dois.
FIM
As vezes me sinto tão só.
Nos momentos deitados,
perdido em pensamentos.
E me revirando na cama,
vejo que a agonia toma conta de mim.
E o vazio se aprofunda do meu ser, engole
minha alma e devora meu espirito.
E nada posso fazer...O porém é que,
nada quero fazer.
NO TEU SILÊNCIO
No teu silêncio
Sonho e divago
Entre delírios
E versos.
No teu vácuo
Me aquieto
Sentindo o gosto amargo
Da indiferença.
No teu nada
Me lanço, perdida
No ar pesado
Entre galáxias e estrelas.
No teu vazio
Permaneço com o que me resta
A solidão
Carente como sempre fui
Do amor essencial.
Abatido, sentindo o mundo em seu giro, sem sentido, apenas voltando ao mesmo lugar. Sempre mais pesado, ainda assim mais vazio.
Abatido, mas forte, mais entendido, maduro. A custa de que? Quanta dor mais um giro pode me trazer? Qual o objetivo? Pra onde vamos?
Será que te verei no lado escuro da lua? Será que existe um muro?
Será?
O mundo era nós e eles, o mundo era meu quarto, o mundo eram teus beijos, meu olhos fechados, seu rosto quente, lágrimas.
Momentos que nunca serão manchados nos espelhos da memória, nunca serão esquecidos. Quem sabe superados?!
O mundo sou só eu, em mais um giro sem sentido. Procurando razão em meio ao caos.
Seguia passando aquelas cores no seu rosto cansado, tentando se convencer que elas realmente a tornavam mais bonita. Um risco sob a marca dos seus olhos distantes, um contorno pela boca desgostosa de sua própria existência, um esfumaço sobre bochechas que continuamente iriam fingir movimento expressivo. Cabelo já artificialmente arranjado, meia calça apertada, sapatos altos suficientemente desconfortáveis, saiu. Ou entrou?
Ambiente de beleza fingida, pessoas sem rostos. Sons completamente mudos que vem e vão de bocas ressecadas pelo álcool são disferidos contra seu ser sem se darem conta de como gradativamente a sufocam. Bebendo mentiras e mastigando navalhas, faz pequenas pausas apenas para forçar gargalhadas. Quando a batida finalmente termina, se despede manchando de sangue invisível a roupa daqueles estranhos.
Senta no banco traseiro do táxi e da janela vê luzes se apagando, moças rindo histericamente abraçadas pelo fulano qualquer que pensa ter conquistado algo naquela noite e alguns senhores limpando a sujeira causada por todo aquele teatro. “Leve-me para longe, por favor. “
Agora é só esperar pela próxima noite de diversão.
Fecho os olhos sem dormir
Ouvindo a vida lá fora
Sentindo que ela não faz parte de mim
Passo dias sem sorrir
aqui ainda não é o meu lugar
Sou uma filha sem pátria
Acreditando na dor que sinto
Fazendo tudo para errar
Desistindo do amor
Insistindo nessa dor
Desprezo o calor
Cruzo os braços diante ao abraço
Viro o rosto para o beijo da morte
Me cansei do carinho invisível
Não encontrei a tal outra metade
E quanto mais fundo penetro em mim
Maior parece o vazio
A hipocrisia me alimenta
Como se me aproximasse do fim.
PERDIDO NA MULTIDÃO
Na minha loucura
Como quem anda à procura
Desvairada ilusão
Encanecido devaneio em que persigo
Um semblante ou um rosto amigo
Extraviado na multidão
Na minha loucura
Aonde o vento murmura
Promessas de um amor distante
Inquietante minha alma vislumbra
Sentindo um vazio na alma
Entre tanta e tanta gente
Na minha loucura
Como quem anda à procura
Minha andança fugaz
Olhares olvidados nos céus
Conclamo à Deus
Que eu encontre qualquer dia
Mais calor humano, perdido nas ruas
Pois, o que vejo é sagaz
