Poemas de Lamento
Não há rumor na terra....
O silêncio se abriu...
As feras se aquietaram...
Em direção ao pó os corações jazem nas sombras...
De mãos em arcos os anjos oram...
Onde estão os inocentes?
Aqueles apontados por dedos tortuosos...
Cadê as flores que foram pisoteadas pelos hipócritas?
Onde estão as vozes que foram silenciadas pelas bocas amaldiçoadas?
Ao levantar do vento...
De ser todo só o meu exterior olho e choro...
Mesmo que eu ouça só esse estranho zumbido...
Vendo cair os pássaros...
Em meu coração emudecido grito...
Nas pessoas que passam na rua...
Com elas não me identifico...
E só lamento...
De ver o amor tornar-se perdido..
Cada um perdido no próprio sonho...
Até no sorriso que vem e que vai...
Todo mundo é convicto...
Dos próprios ais...
E eu, que não sou mais do que eles...
Volto a olhar para tudo...
Como antes do amanhecer...
E faço-me, assim crer...
Que bastaria apenas mostrar...
Minha alma num olhar...
Para tudo diferente acontecer...
E o mais estranho do que todas as estranhezas...
É que as cousas sejam realmente o que parecem ser...
Sandro Paschoal Nogueira
A Noite
A noite em que vago
Lento, leve, pesado
Trago peso nulo nas costas
Peso, mais pesado que o mundo
O peso está na mochila
Mochila que não existe
A mochila é suja, surrada
O peso é morto, é triste
Às vezes, escapa o peso
Pela minha face desaba a mágoa
Às vezes, exponho a mochila na rua, em casa
Um grito de lamento e agonia
Ando eu em ruas, bairros escuros
Meu peito cansa, pede ajuda, em apuros
As mãos não obedecem sempre,
No meu rosto se jogam e voltam
Machucam, recupero
Desaparece, mas sempre arde
A lua se vai, o sol levanta
A noite permanece e nunca acaba
Chove, alaga, lama
Afundados meus pés permanecem
Antes certo que não se quisera passo, mas o silêncio...
Gente suja...
De pés feios...
Falando alto...
Embriagados com putas velhas...
Roupas surradas...
Cheirando a fumaça...
A noite decreta o cancro...
Qualquer música degredada em pranto...
Gargalhadas torpes...
Viciados da rotina...
Quem diria...
Um pensamento que não se esconde...
Nem mesmo disfarçados pelas bebidas pagas...
Das pedras que colho...
Só gente cambaleando...
Sujos...
Feios...
Excrementos de seres humanos...
Um só destroço...
Corpos fedidos e suados...
Rugas fundas...
Dentes tortos e amarelados...
Esquecendo para sempre as loucuras do vinho atrevido...
Falam cuspindo...
No Português errado...
Buscando distração...
Quem sou eu de fato...
Entre os porcos...
Um diamante jogado...
Meu Deus...
Meu Deus...
Tratar a todos com respeito...
No túmulo não há diferença...
Mas será que de fato..
O céu pertença a essa gente tal como rato?
Recolho-me em sonho e mágoa...
Óh tristeza descendo em meu olhar...
Sonho moribundo...
Gente feia...
Não há como se misturar...
Diz-se que a solidão torna a vida um deserto...
Mas antes só que mal acompanhado...
Posso ter respeito...
Mas amor é negado...
Sei que embora essa luz nem para todos tenha o mesmo brilho...
Tudo o que existe em nós de grande e puro...
Nem sempre esconde o lamento...
Dobrada é minha ventura...
Em poder escolher com quem convivo e me deito...
Sandro Paschoal Nogueira
livre sem ser presa.
*
Já apontei o céu com o apontador. Disfarces para a dor é sonhar acordado sem ter um leito, um lugar de paz. Arruinar o casebre e jogar água gelada na febre, o sintoma é o mesmo de anteontem. Hoje estou enclausurado ao infinito que me cospe, e, agora, alimentando essa ave de rapina, julga-me e atropelos tu dá com seus falatórios. "O pó é a página seguinte, ali, escreve-se e se deixará só.".
*
Ricardo Vitti
Nasci...
E vim para ser amado e para amar...
Mas esqueci-me e me perdi em algum lugar...
Tanto de meu estado me acho incerto...
E meus soluços sobem à eternidade...
É tudo quanto sinto um desconcerto...
Se me pergunta alguém porque assim ando...
Respondo:
Ansiedade...
Lamento...
Procurei me enganar, acreditando...
Que tudo poderia ser diferente...
E perdi-me mais e mais fundo...
No silêncio desse vasto mundo...
Até o amor nos mente...
Hoje bem sei...
Só nele acredita quem é louco...
Mas vale, nem que seja só por um instante...
Não me acordes...
Deixai-me sonhar...
Meus olhos, minha boca vão sedentos...
De um encanto maior entre os encantos...
D’estrelas que andam dentro em mim cantando...
Sandro Paschoal Nogueira
tropeça e bate.
*
"Barrenta e de um aspecto ascoso e fétido. Sim! Minhas lágrimas já não causam estrondos por onde quer que desembarque. Fogem descompromissadas com a vergonha de juntar o pó da estrada e ninguém ou alguém nada dizer, nem mesmo uma palavrinha, mas fica em mim o orgulho que se apaga no esgoto.".
*
Ricardo Vitti
E SE POR UM DIA...
Ao invés de lamentar o que de ruim te aconteceu, você agradecesse por isso?
Parasse um pouco pra pensar que tudo não passou de um grande livramento de sofrimentos insuportáveis.
E SE POR UM DIA... Você deixasse de lado o orgulho, prepotência, presunção e desse o braço a torcer, admitindo que também erra e tem falhas?
Permitindo que pessoas te conheçam pelo ser que você é não por aquilo que tens.
E SE POR UM DIA... Ao invés de correr atras de vento, diminuísse seus passos permitindo que alguém caminhe junto a você?
Podendo ser alento, para a alma, balsamo para as feridas ou as mãos para te levantar se por ventura cair.
E SE POR UM DIA... Lutasse sem medo de perder, desse dois passos para frente, sem ter que categoricamente dar um para trás?
Procurando vencer seus desafios, superarando o que se opõem a ti.
E SE POR UM DIA... Se convencesse de que o sofisticado pode não ser o bastante? E perceber que o simples é a coisa mais importante que se precisa ter.
E SE POR UM DIA... Resolvesse não parar ou desistir por circunstância alguma?
Certamente encontraria contentamento, felicidade, alegria, paz.
E SE POR UM DIA... Tentasse colocar tudo isso em ação, somente por um dia,
Como seriam os demais?
Tente... SÓ POR UM DIA!!!
A.S.F
http://papelcanetas.blogspot.com.br/2013/05/e-se-por-um-dia.html
"Morreste?
Não! Tu eternizastes,
Pois,
A morte é apenas um manto
Transparente na minha mente,
E tu, cubriste o no barro."
Ezequiel Barros
Lágrimas secas b/e1, em memória de Genenciano Filipe Batista, saudades de te Pai.
O tempo é precioso
e há vários momentos incríveis aguardando pra serem desfrutados, mas é preciso ficarmos atentos,
cientes de que nunca estaremos
cem por cento preparados
pra que assim, possamos evitar
o lamento por não termos aproveitado.
Saudades de vivenciar aquele momento,
De ver aquela pessoa querida,
De sentir aquele aprazível sentimento
que faz diferença pra vida,
Uma ambígua sensação
entre o Lamento e a Gratidão
por algo que nos deu
uma tamanha satisfação.
Ela é muito admirada,
Sabe chamar atenção,
Por muitos, é invejada,
Sua falta traz decepção
Tem o seu valor,
mas com a pessoa errada
pode causar alguma dor
se for subestimada,
Então, melhor tratar a Beleza
com o devido respeito
e sem superestimá-la
pra que não se torne
uma ameaça
causando vários lamentos.
Chuva que invade a madrugada
e dispersa meus pensamentos
deixando minha mente agitada
com dádivas e lamentos.
Normalmente, a expressão "amor de verão" remete a algo temporário,
impulsionado pelo o calor da emoção,
todavia, quiçá, possa referir-se também
a um amor verdadeiro, acalorado,
repleto de uma euforia
que aquece o corpo e alma,
que não se encontra facilmente,
somente numa estação exata,
então, a partir do momento
que é encontrando,
deve ser tratado com o devido esmero,
senão, desprezado, irá embora
sem ao menos um beijo de despedida
e restará apenas o lamento
por ter ignorado o agora,
por ter sido tão desatento
até que um dia se repita
este raro evento.
Aparente fracasso do homem espiritual
Por que me fizeste sentir tão fundo,
Se tudo o que toco se vai?
Carrego nos olhos o mundo,
Mas dentro… só há o jamais.
Fui verso jogado ao vazio,
Fui fogo querendo calor.
Fui rio pedindo abrigo,
Mas só recebi desamor.
Falei com o alto silêncio,
E ele me ouviu sem falar.
Toquei no tempo que escoa,
Mas ele não quis parar.
De que vale saber o caminho,
Se o passo me pesa demais?
De que vale ver o destino,
Se ele sangra em sinais?
Quis tanto amar sem medida,
Mas o peito virou prisão.
Hoje sou sombra ferida
De uma antiga canção.
E mesmo sangrando no escuro,
Há algo maior que o reverso.
Não estou só, nem perdido:
Eu habito no seio da Mãe do Universo.
Daniyyel Elan
Ó Deuses e Deusas, a se distrair com tudo que é humano,
Me vigiam? Me vigiam?
Meu coração está doendo. Devem rir enquanto eu choro.
Pobre de mim? Ou sou desgraçada?
Há alguém entre vós ao meu lado?
Alguém torce para que meu sonho se realize?
Ou estou sozinha?
Também contra todos os Deuses?
Há alguém no Céu? Um único Ser que apostou que eu não desistiria?
Há alguém no Céu que acreditou em mim?
Ou estou só com a minha teimosia?
Eu acreditei em mim...
Mas acreditar sozinha é tão triste.
Meus olhos são catadupas que embaçam minha vista e sentidos.
Sou cascata...
Sou sozinha...
Há um único Ser Celestial sequer que acreditou que eu não desistiria?
Me ajude.
Miro meus olhos e meu coração a Ti, estrela pequenina.
Estrela que há tanto não vejo de minha janela...
Estrela que me viu sonhar desde menina...
Sim! Eu te amei mais do que a Lua e ainda te amo.
Te amei mais do que a todos os planetas.
Apostaste em mim, Estrela preferida?
Por que eu não desisto?
Alguém além de mim acreditou que eu conseguiria?
Sim, eu sou suficiente.
Mas acreditar sozinha em mim mesma é tão triste.
Alguém apostou que eu conseguiria?
Meu coração está doendo.
Me deem forças. Me animem.
Não lamente o que passou
Que nunca irás além
Pegue o melhor que restou
Pra agradecer o que vêm.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN Terra dos Cordelistas
07 fevereiro 2025
“” Passará por ti
Num malmequer por perto
Lembrarás de mim
Quando o sol chiar solitário no deserto
Quando tuas noites, fores solidão.
Em su cama pedirdes minha mão
Haverá um sonho pra te lembrar
Que fostes o melhor que pude encontrar
Então chorarás
Lágrimas de pura saudade
Molharás seus lábios no desejo
Que tudo fosse realidade
Amanhecerá o dia
E pela janela verás o vôo solitário da esperança
No gesto que virá da lembrança
Que o coração teima em não deixar apagar...””
O mal proferido pelo outro
Faz mal maior ao outro
Não te entristeças
Nem te aborreças
Seja inteligente
Seja paciente
Faça-lhe um bom favor
Mesmo assim, com dor
Demonstre grande sabedoria
E receba com muita boa alegria
A cura que só através do tempo
Se faz a qualquer, lamento
