Poemas Sombrios
Não vivo das sombras do passado, porque tenho Deus comigo.
Os equívocos de ontem não me atormentam mais.
Os lírios que andavam abandonados nos campos de minha alma,
renasceram. Tenho provas disso diariamente. Com minhas orações,
minha FÉ se renova a cada dia.
E minhas convicções, aumentam cada vez mais
Sombras de um Castelo
Sob as pedras frias do salão
O eco canta
Mas sem coração
Velas choram
Luz se desfaz
No espelho
Um rosto que não é meu
Na janela
Um tempo que se perdeu
Sombras dançam no castelo vazio
Cada passo é um adeus tardio
Tudo o que fui
Tudo o que dei
Perdeu-se aqui
Onde a alma calei
Arcos altos guardam segredos
Entre as fendas
Sussurros quedos
Histórias que ninguém quer ouvir
Nas paredes
Fantasmas do que vivi
Nos meus olhos
O que eu nunca esqueci.
. Ela se acostumou com os olhos.
Ele aprendeu a andar entre sombras.
Ela precisa ser lembrada para se sentir viva.
Ele só respira quando é esquecido.
Enquanto ela floresce com palavras,
ele sangra em silêncio — e sorri com dentes partidos.
Sêneca diria que a alma forte não espera aplausos.
Epicteto mandaria suportar e calar.
Platão veria nela a ilusão.
Nietzsche o veria — e chamaria de vontade.
A dor o moldou como a espada molda o aço:
não para ser bonito,
mas para não se quebrar nunca mais."**
— Purificação
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Há mais sombras em mim
para uma estadia eterna no inferno,
do que luz suficiente
para uma simples visita ao céu.
Mas ainda assim, clamo por misericórdia,
pois sei que a graça é maior que minhas falhas.
Sombras do Amor Traído
Que lágrima é essa que teima e desce,
como um rio que já conhece seu fim?
Seus olhos me negam o ódio que mereces,
mas o coração, fraco, ainda te quer em mim.
Grito ao vento tua mentira amarga,
teu nome ecoa como faca na alma,
mas se o mundo exige que eu te renegue,
só sei te chamar, só sei te dar calma.
Que castigo é esse, cruel e sem nome,
que me faz te amar quando só há dor?
Deveria te odiar, queimar teu rastro,
mas em mim só existe o mesmo amor.
Se a traição é sentença que tudo mata,
por que teus passos ainda busco ver?
Se a tua boca desfez promessas,
por que meu peito ainda quer te crer?
Abençoados
O sopro da vida,
alma bendita,
um brinde aos espelhos e as sombras,
de joelho ou em pé,
do suor a fé,
um milagre acontece todos os dias sem ser visto.
A imensa escuridão que insiste em ofuscar meu brilho
Me arrasta às sombras mais densas da minha alma.
É tão frio… tão solitário…
O medo e a incerteza são constantes em meus pensamentos.
Tantos motivos me fazem querer desistir,
Seria tão mais fácil…
Tão menos doloroso.
Vejo teus olhos brilharem por outro alguém,
E me torno o mais insignificante dos seres.
O ciúme que me consome
Desfaz cada pensamento, cada vestígio de alegria,
Massacrando minha mente
Como uma tortura que nunca tem fim.
Pensar que tua boca tocou outros lábios que não os meus
Me afunda em um abismo profundo,
Me prende no infinito da solidão.
Tudo é tão vago, tão frio, tão vazio…
Quem sabe…
Desistir seja mesmo mais fácil…
E indolor.
A Cortesia das Sombras
Gentileza é flor que encanta,
Mas há espinho sob a manta.
Sorriso dócil nem sempre é luz,
Às vezes, é máscara que o ego conduz.
Fui gentil para ser aceito,
Engoli o não, fugi do peito.
Ofereci paz por conveniência,
Com medo de olhar minha própria essência.
Carregava gestos educados,
Mas por dentro, ressentimentos guardados.
A sombra sorria, disfarçada em virtude,
Na alma, um abismo pedindo atitude.
Foi quando a dor me chamou no escuro,
Que decidi romper o muro.
Não bastava agradar o mundo,
Era preciso ser inteiro, ser profundo.
Jesus virou mesas com mão de fogo,
Amou com verdade, não com jogo.
Sua bondade não era silêncio opressor,
Mas coragem, justiça e ardor.
Descobri que ser bom é dizer não,
É proteger o coração.
É dar sem se perder,
É servir sem se esconder.
Agora, sou gentil com verdade,
E minha sombra não me rouba liberdade.
Pois não nego o que mora em mim,
Mas escolho, com Deus, um novo fim.
Bondade é luz que enfrentou o porão,
Gentileza real nasce da transformação.
Não Está Aqui
Guardo labirintos de palavras.
Entre sombras e colunas antigas,
mais que livros repousa o mistério.
Sem buscar, mãos tocam
o mais espesso dos tomos,
aquele que murmura entre poeiras:
decifra-me ou devoro-te.
Olhos distantes, o objeto contempla.
Folha a folha, uma alma se abre.
Cada página, um suspiro,
cada linha, um abismo.
Leitura feita em silêncio sagrado,
onde o tempo se curva
diante da persistência.
Mesmo o guardião da palavra
não ousa compreender.
Um menino detém o gesto.
O corpo se cristaliza.
O silêncio se parte:
— Que houve?
Lábios tremem:
— A página… em branco.
Mas eis que o branco se move.
Letras nascem do que se vê.
No convento onde tudo cala,
escreve-se o invisível.
E assim,
o manuscrito respira.
Em caminhos por onde sombras vão,
não me entrego a mágoas sem razão.
Amigo é chama que aquece, que acolhe. Conhecido, névoa que se esconde, que se dissolve.
Livro: O respiro da inspiração
O ABISMO ME OLHOU DE VOLTA
As sombras começaram a devorar tudo ao redor, e as cores se perderam tão rápido que mal pude perceber. O chão sumiu aos meus pés, mas continuei parado, olhando para baixo, como se algo lá embaixo estivesse me chamando pelo nome. O ar ficou mais denso, quase sólido, como se cada inspiração fosse um esforço. O silêncio fazia barulho demais, e por dentro de mim um medo antigo se contorcia, tentando me convencer a recuar.
O abismo respirava comigo. Era mais do que um vazio; era um espelho distorcido, mostrando todas as partes minhas que eu sempre tentei esconder. Os olhos dele me fitavam com paciência cruel, como quem espera que eu desista. E, quanto mais eu olhava, mais ele se tornava familiar, como se uma parte de mim já estivesse caída lá dentro e agora me convidasse a completar o salto. Havia uma vertigem que não vinha do corpo, mas da alma.
Eu entrei. Não havia outra escolha além de atravessá-lo. Cada passo doía, mas me fazia entender que o abismo não queria me engolir — queria me devolver. Quanto mais eu caminhava por dentro dele, mais as paredes dele perdiam força, e eu descobria que era eu quem as sustentava. No centro dele, finalmente percebi: ele não era infinito, eu é que não ousava ir até o fim. Quando alcancei o outro lado, minhas pernas tremiam, mas eu respirava leve como quem volta do fundo do mar.
Então ergui os olhos. Do outro lado, à distância, já me esperava um novo abismo, diferente, mais profundo. E por um segundo, antes de seguir, eu sorri: a travessia nunca acaba — e isso não é um castigo. É a prova de que ainda estou vivo.
Nas sombras de sua arrogância eu vivo, escondido do seu julgamento
Uma peça desbotada de algo grandioso que já fomos, se dói tanto aobservar meu lamento
Seu amor que foi uma promessa, ainda vale a pena pagar pra me ver chorar?
multiplicam-se sombras
ténue pestilência
sigilo absoluto
infestam mudas
o chão
a parede
o tecto
e a alma
à luz da noite
brotam
impetuosas
precipitando a diáspora
do corpo humano.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "infestação")
Eu ainda vejo suas sombras no meu quarto
Não posso pegar de volta o amor que te dei
É a tal ponto que eu amo e odeio você
E eu não posso te mudar então devo te substituir (oh)
Mais fácil falar do que fazer
Pensei que você fosse a única
Ouvindo meu coração em vez da minha cabeça
Você encontrou um outro, mas
Eu sou o melhor
Não vou deixar você se esquecer de mim
"Escuro, escuro meu,
Tuas sombras tão sublimes quanto os versos que não escreverei.
Escuro, escuro meu,
Tua intensidade destrói seus próprios paradigmas.
Escuro, escuro meu,
Aprendi com você a apreciar a mim como a ti mesmo."
Diante da janela que não é minha,
Se estende o sol solenemente,
Algumas sombras dançam,
Ao som das notas escuras,
Carregadas, ameaçadoras,
Enérgicas, repentinas,
Ando somente nas sombras.
A luz costuma me queimar.
Dentro de minha estranheza
Você não sabe o que encontrará.
