Poemas Sombrios
Onde antes floresciam debates, agora restam trincheiras. Cada opinião, uma bandeira; cada silêncio, uma suspeita. O medo de falar cala, sufoca, e a liberdade de expressão definha, encurralada pela vigilância implacável da hipersensibilidade. Escolhem-se as vias do ódio e da vitimização, em vez do entendimento.
Eu posso ter inúmeros defeitos, mas desde de criança, eu era o que era: autêntica e verdadeira! Doendo a quem fosse doer! Sendo assim, eu não suporto as pessoas que não são verdadeiras umas com as outras; nem tampouco, assumem quem verdadeiramente são. Vivem escondidas pelas sombras tétricas das mentiras.
Não julgue as memórias antigas, pois o eu de ontem sempre será mais limitado do que o eu de hoje. Assim como o sol nascente dissipa as sombras da madrugada, o eu de hoje ilumina as limitações do eu de ontem, revelando o constante fluxo de transformação que somos destinados a vivenciar.
Hoje me deparei com alguém carregando um cachorro reborn — Platão talvez dissesse que estamos cada vez mais fascinados com as sombras, enquanto esquecemos a essência das coisas reais.
A postura do homem público deve ser clara e precisa. Precisamos, mesmo, de nos cercar de todas cautelas de estilo, para afastar qualquer tentativa de argumentos perniciosos, e desairosos. Onde houver área de sombras devemos lançar luzes para clarear o caminho por onde se deve trilhar com segurança.
A mente é capaz de ignorar a emoção, mesmo que o corpo se manifeste. A mente pensa ser forte e inabalável; "Eu não me abalo com isso." Mas a emoção está lá, dentro de você, até de fato ser resolvida.
Lavramos o solo com mãos e sujamo-las com pó da terra para que do chão cresçam plantas. Removemos com as nossas mãos as entranhas da terra e enterramos lá dentro os nossos sonhos quando morrem para que das cinzas despertem sombras.
Aquele que sabe do peso que carrega, atrai para sua vida as consequências mais equivalentes com este peso.
Deveriam aqueles indivíduos que se definem como pensadores simétricos, criar alianças, dando vida justa a seu próprio senso de justiça a ser aplicada, e, mais importante, aplicando-a somente uns aos outros, sem que suas concordâncias jamais incorram em repressão dos indivíduos dissimétricos localizados fora desta aliança criada.
Um ato de intervenção em nome da justiça é um ato de corroer uma liberdade; a ruptura de uma liberdade infere, em primeiro instante, no medo mais moderado, discreto, quase que inconsciente; onde há medo, o amor se dissipa; e onde o amor é ausente, cortam-se boas cabeças em nome de uma boa justiça.
Criam e seguem as leis aqueles e aquelas que desejam equilibrar o mundo fora de si, esquecendo-se da sua própria condição de incompletude.
Tornar-se iluminado ou iluminada, diz respeito à forma como tu usas a tua luz já reconhecida para iluminar não ao mundo exterior, mas ao fundo interno e íntimo da tua própria sacola das ações reprimidas.
Tens tanto medo de olhar com carinho, respeito e admiração para teu lado reprimido, que guias o teu próprio processo evolutivo a uma falsa ideia de iluminação.
As caretas que se transformam em rugas ao longo dos anos são reflexos de corações perdidos na ingratidão, sombras de almas esquecidas na desvalorização.
O amor é, afinal, o brilho eterno da alma. Nós apenas esquecemos que somos a expressão viva desse amor, em busca constante de reconexão com sua forma mais pura, ultrapassando as sombras da imaginação.
As virtudes de uma pessoa não estão apenas em suas luzes, mas também em como encara e trata suas sombras.
Na batalha entre verdades e vaidades, apenas as verdades resistem ao teste do tempo, enquanto as vaidades desvanecem como sombras ao amanhecer.
O "amigo da onça" não se revela de imediato; ele se disfarça de companheiro, enquanto, nas sombras, sabota, diminui e desvaloriza.
Confia-te. Pois, a pessoa que não confia no que propriamente achas que acredita, busca que os outros acreditem por ela.
