Poemas Sombrios
Mulher
Um dia morremos de amor, mas no outro renascemos puras, como um lírio sob a sombra da lua, exalando toda nossa beleza, e perfume de mulher.
Estive ao teu alcance
Como sombra e como vidro
Como inflexões e como nuance
Partido, ruído, perdido
Ao teu alcance estendia mãos
Sem lampejo, sem grito e retorno
Ironia da comunicação
Frio, pesado, morno
Ao teu alcance um coração sutil
Sem batimentos nem cor
Furtivo, larápio, ardil
Sem promessas nem dor
Ao teu alcance estive milhares
Na sinfonia triste dos últimos olhares....
O cacto fazia sombra para a rosa
Feio, arenoso, fétido
Escolheram a rosa
Bela, ardilosa, odorífera
E o cacto continuou cacto, intacto
Sombra e Espelho
Olho no espelho e vejo o rosto do meu pai,
E neles, os olhos de quem veio antes.
É uma história que não morre, que não sai,
Narrada em traumas e gritos distantes.
A pobreza não é só o prato vazio,
É o medo constante de nunca chegar.
O abuso é um nó, um emaranhado fio,
Que as mãos da criança tentam desatar.
Somos prisioneiros de um ciclo invisível,
Moldados por sombras que não são as nossas.
Onde a alegria parece algo impossível,
E as raízes da dor são fundas e grossas.
Porém, o "Eco das Gerações" pode mudar de tom.
Se a consciência desperta e a ferida se trata,
O que era castigo torna-se um dom:
A força de quem a própria sombra resgata.
"É melhor ser um pé de madacaru, do que uma árvore que dá sombra . Sabe por quê? Porque sendo um mandacaru, ninguém ousará a mexer contigo e muito menos aproveitar-se de você. Mas,se preferir ser uma árvore que dá sombra,fique na certeza, de que todos a sua volta,irão aproveitar-se de você e de sua boa vontade,como se não houvesse amanhã."
---Olívia Profeta---
Quer ouro mas entrega bronze,
Quer sombra mas não planta uma árvore,
Quer estar aquecido mas ignora o frio dos outros,
Quer receber aquilo que não oferece!
Reflexos no espelho
Mesmo que veja mil formas em mim
Cada olhar é só sombra do que não tem em si
Eu caminho pelas minhas ruas de vento
Cada passo meu é poema que invento
E se me julgar pelo que faço ou deixo
É reflexo dela, não do meu desejo
Faço por mim, canto por mim
Não é culpa, não é dívida, não é fim
O mundo pode sentir, pode comentar
Mas o coração que pulsa é só meu lugar
A cada nota que solto na noite vazia
Eu devolvo ao silêncio a minha alegria
Se houver espinhos no que deixo passar
São sementes que nela vão brotar
E que veja o que falta, não o que tenho
Que a sombra do outro não apague o meu lenho
Porque cada gesto, cada fio de voz
É meu, é meu, não importa o que ela sós
Faço por mim, canto por mim
Não é culpa, não é dívida, não é fim
Que ela veja, sinta, chore ou sorria
O que eu busco é só minha poesia
Sou vento, sou sombra, sou chama acesa,
sou o que fica e o que se desfaz,
um enigma que aprende com a própria incerteza
a ser inteiro…
Assim mesmo, encontro
Paz.
A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!
Deixa cair a máscara
Escondes-te na sombra da verdade
Buscas tudo e nada te satisfaz
Vives de fantasias, iludes como um mágico
Alimentas-te da mentira e aplausos.
Entre a Culpa e o Perdão
Caí…
O peso que sinto é insuportável.
A sombra que plantei sem perceber
voltou — fria e silenciosa —
como quem cobra o preço do erro.
Matei meus sonhos,
feri quem me amava,
e me perdi de mim.
A culpa virou meu pesadelo,
um eco no escuro da alma,
e me abraçou… como a morte.
Gritei…
mas só o silêncio respondia.
Chorei até o choro secar…
e ainda assim, doía.
Achei que Deus não me ouviria mais,
que o céu havia fechado pra mim.
Mas foi no chão…
entre a culpa e a morte…
que eu escolhi recomeçar.
Quando todos disseram “não”,
O Pai disse “vem.”
Ele não me cobrou explicações,
não perguntou o que fiz, nem onde estive.
Apenas me olhou —
e o olhar d’Ele…
me trouxe de volta à vida.
Valei-me desse sol
que nasce já cansando.
A blusa pesa,
o cabelo desiste.
A sombra é pouca,
a paciência também.
Eu ando devagar
porque até o tempo
resolveu suar.
Valei-me ...
Mas nem tanto.
Tem dias
que a gente só derrete
com dignidade.
Apenas se importe - I
Dizem que elegemos líderes que refletem nossa sombra coletiva.
Será que todos nós temos um pouco de cada politico vilão dentro de nós?
Seja qual for a extensão em que o psicopata, o megalomaníaco, o narcisista, o indiferente, o impotente, o impenetrável ou o tendencioso vivam em você, esta é uma oportunidade de ser tão significativamente responsável perante o estado da humanidade e, por sua vez, conceber maneiras de mudar de forma.
Sua voz, postura, ação, não-ação e comprimento de onda são consequentes de nossa coexistência, relevantes e essenciais.
Há uma deficiência cognitiva monumental em nossa psique que começa com a falta de compaixão, com o pensamento de separação, com auto-obsessão.
A escala de auto-obsessão é ampla. Vai de chafurdar em nossa miséria a invadir uma nação soberana (repressiva/reativa opressiva) ou de deixar a própria nação na miséria,a não ser por algumas cidades. E mesmo nelas, nos suburbios...naqueles lugares em que você não tem o que fazer e não iria por nada.
Visto com olhos verdadeiros, o opressor é uma expressão defeituosa da consciência, desenraizada da eterna lei da unidade.
No entanto, o opressor não é apenas aquele que declara guerras ou as mobiliza ou aperta alguns botões cataclísmicos. Não é aquele que não administra com responsabilidade, pensando em todos, de todas as classes. Mas também aquele que justifica o crime e aquele que se cala.
Cresci assistindo na TV os noticiários de guerras, injustiças do outro lado do mundo ou das ruas e bairros, de algumas cidades em que morei.
Não consigo entender que dizer não às guerras e injustiças sejam um assunto de discussão para alguns.
Paulo H salah Din
“Algumas pessoas passam pela nossa história. Outras deixam uma sombra tão profunda que continuam existindo mesmo depois da partida.”
— Juliana Hoffmann Liska
"Não há fato mais miserável do que o ser que não tem brilho ou sombra própria e precisa eclipsar o brilho do outro. Ter uma sombra exige profundidade. Quem só sabe copiar é tão oco que nem sombra consegue projetar sozinho — precisa da luz alheia até para existir."
- Leandra Pinheiro
O desgosto é uma noite profunda da alma,
uma sombra que pousa silenciosa sobre o peito
como se o mundo perdesse, por instantes, a própria cor.
Mas até a noite mais escura
carrega em si o sussurro de uma aurora.
Assim também é o desgosto:
um véu que desce,
não para sufocar,
mas para revelar o que estava invisível na luz.
Ele chega quando a alma está madura o bastante
para compreender o que ainda não queria aceitar.
E no seu amargor, há um convite secreto:
o de voltar-se para dentro,
onde mora um sagrado que não se abala.
O desgosto dobra o ser humano por fora,
mas desperta, por dentro, aquilo que jamais se dobra:
a centelha divina,
o fio luminoso que liga cada coração ao eterno.
A dor, então, deixa de ser ferida
e se torna passagem.
A queda vira caminho.
O silêncio vira oração.
Porque cada desgosto,
por mais duro ou injusto que pareça,
é também um gesto misterioso da vida
guiando-nos de volta ao essencial —
ao que não depende de ninguém,
ao que não se quebra,
ao que é nosso desde antes
de qualquer tristeza.
E quando o espírito percebe isso,
o desgosto não some,
mas se transforma:
vira sabedoria,
vira força,
vira luz que, lentamente,
começa a brilhar onde antes havia apenas sombra.
Sombra e luz
Dizem que todos nascem com a semente da sombra, um traço silencioso escondido no fundo da alma.
Mas eu me pergunto por que regá-la, se também carregamos luz?
Caminho entre rostos e gestos,
vendo bondade e crueldade dividirem o mesmo peito.
Há mãos que acolhem
há mãos que ferem
e ambas pertencem à mesma humanidade.
Às vezes me pergunto se realmente pertenço a este lugar.
Talvez eu seja apenas um anjo cansado
não expulsa,
mas enviada.
Não vim salvar nem julgar…
apenas observar
Observar os excessos, a frieza disfarçada de força,
os absurdos humanos, a dor atrás do orgulho, a pressa em ferir, o medo,
a escolha constante entre construir ou destruir.
Se todos carregam a sombra,
também carregam a luz.
E talvez minha existência seja só isso:
lembrar, em silêncio,
que nem toda sombra precisa virar escuridão
Essa solidão é um eco que ressoa no vazio dentro de mim. O medo, uma sombra a dançar nas paredes da minha mente demente. A tristeza, uma chuva fina a molhar minha alma sem aviso. O desânimo, um peso a amarrar meus pés ao chão. Juntos, tudo forma uma tempestade silenciosa... cada gota carrega o sabor amargo da ausência de tudo. Mas e que bom que sempre há um 'mas'...
mesmo na noite mais escura, estrelas teimam em brilhar. Respiro fundo e lembrar que toda nuvem é passageira, mais ou menos ligeira...
e a luz, por mais tênue, nunca desaparece de verdade. Mantenho sempre um pouco de sanidade.
