Poemas Sombrios

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"O Abraço No Ar"


Ela apareceu feito sombra bonita,
num tempo em que o mundo me olhava torto. Tinha olhos que pareciam saber de mim sem perguntar nada.
E um silêncio que gritava mais que qualquer voz.


Não disse muito,
mas eu entendi tudo.
Ou talvez…
entendi o que eu precisava sentir.


Ela era a garota da tela, era o mistério da minha solidão. Vestia o preto que eu sentia por dentro. E sumiu sem dizer adeus,
como se fosse um sonho tímido
que teve vergonha de durar.


Desde então,
me pego perguntando
Será que lembra de mim?
Será que doeu nela também?
Será que… ainda existe?


Mas a verdade é
ela vive em mim,
não como pessoa,
mas como marca.


A marca de um tempo onde amar era mais imaginação que presença.
A marca de um encontro que não aconteceu inteiro, mas foi inteiro mesmo assim.


Ela foi o retrato da minha fome de ser visto.
Foi poema não escrito, canção sem refrão,
abraço que só existiu no ar.


Hoje, eu olho pra trás…
e não odeio.
Não esqueço.
Não apago.


Mas também não me perco mais.


Porque ela foi passagem.
E eu sou caminho.

⁠ECLIPSE
Até mesmo a Lua cheia
Ao invocar às virtudes
Sombra terrena golpeia
Fazendo que a cena mude
Mas o Sol em sua odisseia
Continua em Plenitude.
(Alfredo Bochi Brum)

A Dor da Luz

Antes da forma, havia a luz.
Mas luz sem sombra não possui rosto.
Brilhava infinita, indivisível,
e nada podia ser visto dentro dela.

Então a inteligência despertou
no silêncio da eternidade.

E desejou conhecer.

Para conhecer,
afastou-se da unidade.
E nesse afastamento nasceu o limite.

O limite deu contorno ao infinito.
O tempo começou a respirar.
E Saturno ergueu seus muros de pedra
para que a consciência tivesse onde caminhar.

Pois sem limites não existe percepção,
e sem oposição não existe visão.

Assim a inteligência aceitou a dor,
não como punição,
mas como preço da liberdade.

Porque sem liberdade não há erro,
e sem erro não há aprendizado.

A queda abriu os olhos da consciência.
A sombra desenhou o rosto da luz.
E o universo surgiu como um espelho
onde o espírito poderia reconhecer a si mesmo.

A forma é a luz interrompida.
A matéria é a pausa do infinito.

E no coração da experiência
a inteligência aprende lentamente
que a escuridão não destrói a luz,
apenas revela seu contorno.

Assim caminha o ser:

da unidade inconsciente,
à queda na dualidade,
até o retorno consciente à origem.

Pois a jornada da consciência
não é fugir da sombra,
mas atravessá-la.

E quando finalmente retorna à luz,
traz consigo aquilo que antes não existia:

sabedoria.

Porque Deus cria a luz.

Mas é a experiência que ensina
a vê-la.



São José dos Pinhais, 05 de março de 2026.

Mago Trimegista

A CALIGRAFIA DO ESQUECIMENTO



​Sobre nós, nem mesmo a minha sombra que rasteja no chão sabe os versos que contávamos para o silêncio; e nem mesmo os lugares que guardamos na memória carregam lembranças sobre nós.


​Um dia fomos presença em nosso pequeno instante, e fomos o próprio presente do instante. E, mesmo que eterno, o tempo leva tudo ao esquecimento.


​Somos dois abismos no profundo de nossas memórias, memórias perdidas entre o real e as imaginações. Se um dia fui o herói nas tuas lendas ou o vilão na sombra das tuas lembranças, tudo o que posso esperar é a ausência de nunca saber.


​Sou a sobreposição da verdade que jamais compartilharemos. Em nossos pensamentos, os versos que contávamos se vão em direção ao esquecimento — a caligrafia apagando o que um dia fomos.


​Então, o último conto, um eco que retorna ao silêncio; e assim, restando em nós apenas a lenda, a verdade que jamais saberemos um do outro.

Chapéu de abas largas

Na sombra densa da amoreira,
as folhas brilham ao sol;
amoras verdes,
amoras maduras,
amoras doces..
Há doce onde moras?

Viva com um propósito
e não viva à sombra de ninguém!
Jesus te ama muito!

Cada época tem sua luz e sua sombra.
Antes havia mais formalidade e romantismo na aparência.
Hoje existe mais liberdade, mas também mais confusão emocional.
O ser humano, no fundo, continua com os mesmos sentimentos:
amor
ciúme
medo
desejo de ser amado.

Teus olhos são um segredo
que o tempo não desvenda,
um véu de sombra e luz
onde a alma fica suspensa.

De longe, são abismos,
noite sem lua ou estrelas,
mas de perto, claridade
que a meu poema inspira.

Não são negros, nem azuis,
nem cor que o mundo nomeia,
parece-me verdes em tons
que não existe em lugar nenhum.
Têm a cor do que se perde
e nunca mais se encontra,
são ecos de um silêncio.

Se a mágoa fosse visível,
teria esse olhar profundo,
um mar de ausência e desejo,
um céu sem chão, sem fundo.

E assim, entre sombras e luzes,
teus olhos me confundem:
ora são fogo, ora frio,
ora lembrança, ora esquecimento.

Mas se a mágoa tivesse cor,
seria da cor do teu olhar, amor
um mistério que não se decifra,
um verso que não tem fim.

E eu seria o vento que te envolve,
a sombra que te segue descalça,
o nome que te escapa dos lábios,
quando a noite se faz mais densa.


E eu sou o rio que não se cansa,
a margem que te espera quieta,
o segredo que guardas no peito,
mas que nunca confessas.


E eu seria o aroma da terra,
após a chuva que te refresca,
o brilho que se perde no espelho,
quando te olhas e não te enxergas.


E eu não sou a luz nem a escuridão,
só o crepúsculo que te confunde,
"Você sente o que eu não digo?"
Mesmo quando te calas.


E eu seria o eco da tua voz,
a falta que não se explica,
o abraço que nunca se desfaz,
mesmo quando te afastas.


E eu não sou o sonho nem o despertar,
só o instante que te suspende:
"Você lembra do que fomos?"
Mesmo quando não respondes.

O homem que um dia foi muralha, hoje treme.


Meu pai, que já foi tempestade, agora é sombra do trovão.
Antes, sua voz era lei, sua presença, temor.
Erguia-se como torre inabalável, inquestionável.
Confrontava os frágeis, dominava os que dele dependiam.
Era força bruta, autoridade sem pausa,
um império de si mesmo.


Mas o tempo, esse escultor silencioso,
foi desgastando as pedras da sua rigidez.
Hoje o vejo com medo.
Não mais o medo que impunha,
mas o medo que sente.
Medo do fim, do esquecimento, da fragilidade que ele tanto desprezou.


E mesmo assim, a arrogância permanece.


Como armadura velha que ele se recusa a tirar,
como se admitir fraqueza fosse morrer antes da hora.
A prepotência não o deixou ou talvez ele nunca quis deixá-la.


Porque abrir mão do orgulho seria admitir que o tempo venceu.
E ele, que nunca soube perder,
prefere se agarrar ao que resta da sua antiga coroa.


Mas eu vejo.
Vejo o homem por trás do mito.
E, apesar de tudo, ainda é meu pai.
Mesmo que hoje ele não seja mais o gigante que um dia foi.


By Evans Araújo

Filho, algumas pessoas avistam uma árvore com interesse.
Aproximam-se buscando sombra para o cansaço, alimentam-se do fruto, recuperam as forças…
e, assim que se sentem bem, atiram o caroço contra ela.

Observe a vida dessas pessoas.
Elas não avançam, apenas transitam.
Vivem de árvore em árvore, de ajuda em ajuda, de relacionamento em relacionamento.
São incapazes de reconhecer a própria inutilidade, porque fogem do confronto.
Preferem culpar pessoas, culpar contextos, culpar circunstâncias.

Agora, observe a árvore.
Ela permanece firme, mesmo ferida.
Continua frutífera, mesmo rejeitada.
E segue grata, porque sabe quem é
independente de quem se alimenta dela.


A Paraíba está quente
De João Pessoa até Patos
Uns quarenta graus na sombra
Cozendo talheres e pratos
O fogo tá se bronzeando
Açudes evaporando
Quentura assando os sapatos!

Verso de Sombra e Luz


Cala-se o mundo, descansa o olhar,
No tom da cinza, me deixo encontrar.
Não preciso de cores para transbordar,
Pois no preto e no branco, a alma sabe falar.
Meus traços são versos, contornos da história,
Guardados no tempo, em viva memória.
Sem luz excessiva, mas cheia de glória,
Sou eu, em silêncio, minha própria vitória.

O DESPERTA DO SER
​A espiritualidade não habita no que reluz,
mas no silêncio que a sombra produz.
É no escuro do peito, longe do vitral,
que pulsa a verdade, crua e visceral.
​Não és o que vêm, nem o que dizes ser.
És o espaço imenso entre o querer e o fazer.
​Quebre o vidro. Deixe a poeira entrar.
A essência só respira quando para de encenar.
O propósito não é ser o melhor espelho do mundo,
mas mergulhar no próprio abismo, calmo e profundo.
​Só quem desiste de ser vitrine para os outros,
consegue, enfim, ser templo para si mesmo.

O egoísmo é a sombra que se ergue quando o "eu" se coloca acima de tudo, acima de todos, acima até de Deus. Ele se infiltra silencioso, disfarçado de cuidado próprio, mas na verdade é prisão que nos afasta do outro. É o gelo que congela relações, o silêncio que exclui, a exigência de que o mundo inteiro gire em torno de um único centro: o próprio ego.
Ele veste máscaras de amizade possessiva, onde o vínculo só existe se for exclusivo. Ele se revela na inveja, quando o brilho do outro incomoda, quando a felicidade alheia parece injusta, como se apenas nós fôssemos dignos de sorrir. O egoísmo é a recusa de celebrar o outro, é a incapacidade de reconhecer que a vida é feita de partilha.
Na sua essência, o egoísmo é solidão disfarçada de poder. É um coração fechado, incapaz de se abrir para o coletivo, incapaz de enxergar que o verdadeiro sentido da existência está no encontro, no abraço, na comunhão. Ele nos faz acreditar que somos donos de tudo, mas na verdade nos rouba o essencial: a capacidade de amar.
E quando o "eu" se torna absoluto, o mundo perde cor. A humanidade se torna cega, incapaz de ver além do próprio reflexo. O egoísmo é um espelho que só mostra a própria imagem, enquanto a empatia é uma janela que revela horizontes infinitos.
Superar o egoísmo é aprender a se doar sem esperar retorno. É reconhecer que o outro também merece, também sente, também sonha. É abrir mão da posse e abraçar a liberdade do amor. É lembrar que não somos o centro do universo, mas parte de uma grande teia onde cada vida importa.
O egoísmo é sombra, mas a empatia é luz. E só quando escolhemos a luz, o "eu" se transforma em "nós", e a humanidade reencontra o caminho da esperança.


Tatianne Ernesto S. Passaes

Senhor, livra-nos do peso do egoísmo, da sombra que se ergue quando o "eu" se coloca acima de tudo, quando esquecemos que o amor é maior que qualquer vaidade.
O egoísmo congela os laços, transforma o silêncio em desprezo, faz do coração uma prisão onde só existe o próprio reflexo. Ele se disfarça de amizade possessiva, se revela na inveja que não suporta ver o outro feliz, se mostra na incapacidade de celebrar a vida que floresce além de nós.
Mas Tu nos chamas à empatia, à humildade que reconhece que não somos o centro do universo, ao amor que se doa sem esperar retorno, à fé que nos lembra que há algo maior que o "eu".
Que o egoísmo não seja nossa voz, que não seja nossa escolha, que não seja nossa herança.
Ensina-nos a abrir janelas em vez de erguer muros, a enxergar o outro como irmão, a transformar o "eu" em "nós".
Que a luz da empatia vença a sombra do egoísmo, e que a humanidade reencontre no amor o caminho da esperança.

A dor é ferida, mas também é portal. É silêncio, mas também é grito. É sombra, mas pode ser aurora. E talvez seja justamente por isso que ela nos humaniza: porque nos lembra que viver é atravessar, e que cada cicatriz é também uma inscrição de resistência, uma marca de que seguimos, apesar de tudo.


Tatianne Ernesto S. Passaes

O ciúme é uma sombra que se arrasta silenciosa pelo coração, um visitante indesejado que se instala nos cantos mais frágeis da alma. Ele nasce do medo, do vazio que insiste em nos lembrar que não somos donos de nada, nem mesmo do amor que recebemos. É como uma tempestade que se forma no horizonte: primeiro uma nuvem discreta, depois trovões que ecoam dentro da mente, até que o céu inteiro se cobre de desconfiança.
No ciúme, o amor se transforma em posse, o cuidado em vigilância, o afeto em prisão. É o desejo de segurar o pássaro com força, sem perceber que, ao apertar demais, suas asas se quebram. O ciúme não protege, ele sufoca; não fortalece, ele corrói. É o reflexo da insegurança, o espelho que mostra não o outro, mas a nossa própria fragilidade.
E, no entanto, há algo de humano nesse sentimento: ele revela o quanto desejamos ser únicos, o quanto tememos ser esquecidos. O ciúme é a confissão silenciosa de que precisamos do olhar do outro para nos sentir inteiros. Mas amadurecer é compreender que o amor não se sustenta em correntes, e sim em liberdade. É confiar que quem está ao nosso lado permanece não por obrigação, mas por escolha.
Superar o ciúme é aprender a soltar, é aceitar que o amor é rio e não lago, que precisa correr, fluir, encontrar caminhos. É reconhecer que a verdadeira força não está em vigiar, mas em confiar; não em prender, mas em permitir que o outro seja livre. Porque só na liberdade o amor se revela inteiro, e só na confiança o coração encontra paz.


Tatianne Ernesto S. Passaes

Alice, essa gangorra te mata lentamente.
Nunca sabes o que pode te esperar.
Um passo de sombra,outro de luar.
Não fere quem te ama.
Por trás do olhar doce e sereno,
Há uma fera pronta ao veneno.
Raiva e ódio, veneno que retorna.
A tempestade vem sem dó e sem aviso, deixa as marcas eternas no corpo e no riso.⁠

A incompetência
veste-se de desculpas,
erige muralhas
contra a própria sombra,
e espalha culpas alheias
como quem semeia pedras
para jamais colher frutos...
✍©️@MiriamDaCosta