Poemas sobre Luz
Chegada ao Mundo
Na chegada ao mundo, um sopro de luz,
um caminho aberto que ninguém traduz.
Aprendendo a cada dia, sigo a caminhar,
o que nos livros jamais eu poderia encontrar.
Sem paredes para me agarrar,
descubro no vento o segredo de voar.
No botão de uma rosa, tão frágil, tão forte,
aprendi que o amor é quem guia a sorte.
Ali encontrei a vida em sua canção,
a fé que floresce no coração,
a força que ergue quando tudo desaba,
o poder que brota quando a alma se cala.
Sou aprendiz da terra, do céu, do mar,
na escola do tempo, venho me formar.
E cada dia é milagre, é eterno saber,
que a vida é um livro que só se escreve ao viver.
Luz nos Meus Passos
Devagar eu vou subindo,
mas não ando nas sombras.
Preciso da luz que vem do Alto
para não tropeçar nas pedras.
O mundo fala de força própria,
eu falo da força de Quem me fez.
A cada degrau dessa vida,
é a mão do Criador que me sustenta outra vez.
Sem a Tua luz, eu me perderia;
com a Tua luz, até a subida é vitória.
Obra de Cuidado
Quando o Criador te pensou,
o mundo parou em silêncio.
Ele juntou a luz da manhã
com o sopro de um amor imenso.
Esculpiu o teu riso com calma,
misturou a poeira das estrelas,
colocou no teu olhar a clareza
que a gente só vê nas manhãs mais belas.
Pintou os teus passos na terra
com a cor do sol quando se põe,
trouxe a paz para dentro do peito
e o som de antigas canções.
Não houve pressa no traço,
nem rascunho deixado para trás:
Ele fez de você um poema
que a vida lê e pede mais.
Na meia Luz
Difícil de esquecer a sensação que você causou em mim,
com o seu toque, o seu beijo,
com a forma como me olhou
e tudo aquilo que despertou sem pedir licença.
Com cuidado, foi dedilhando cada nota
que compõe minha alma e meu corpo,
me conhecendo aos poucos,
me desbravando sem pressa,
sem medo, sem receio.
E havia algo curioso nisso tudo:
eu simplesmente deixei acontecer.
Naquela meia-luz,
onde nada precisava ser explicado,
teus olhos encontraram os meus
e, por alguns instantes,
parecia que o resto havia desaparecido.
Você me fez sentir única,
não como quem promete ficar,
mas como quem, naquele momento,
soube exatamente onde tocar
para fazer o mundo desacelerar.
E talvez seja isso que incomode um pouco:
não foi apenas o que aconteceu,
foi a facilidade com que aconteceu.
A leveza.
A confiança.
Aquela sensação estranha de não precisar pensar demais.
Foi na meia-luz que tudo aconteceu.
Foi ali que teus olhos encontraram os meus...
e, desde então,
há certas lembranças que a luz do dia
simplesmente não consegue apagar.
"Ela nasceu para iluminar o céu; eu, para guardar no escuro tudo aquilo que a luz dela despertou em mim.”
- Mannu Viana Rios ☀️🌑
Eu sou o nada. Eu sou o tudo.
Eu sou as estrelas, universo e o mundo.
Eu sou a luz. Eu sou o escuro.
Eu sou o passado e sou ainda o futuro.
Nada é senão eu. E tudo é por mim.
Eu sou Deus. Sou mais que Deus, afinal sou empatia e não esperança.
Aquela esperança falsa e vil que nos faz crianças.
Crianças que esperam um abraço dum pai distante.
Um abraço que virá quando a luz cega e a escuridão nos dá medo.
Um pai que quando fechar os meus pequenos olhos, dar-me-á razão ao enredo,
enredo esse falho, sofrido, sem sentido e profundamente desumano.
Deus é, portanto, tudo o que não sou e tudo o que sou.
Ele é mau, vil, bom e bondoso. Profundamente distante e incrivelmente humano.
Não creio em Deus. Ele existe, porém ele não é mais nada. Nada.
Não acredito nele nem nos seus fins. Não preciso dum inferno, se já o vivi.
Não quero um paraíso, pois estais aí, Pai, e a sua presença deixa-me triste.
Amigos falsos são como sombras...
Somem quando a luz se vai.
Mas quem é verdadeiro permanece,
Mesmo quando o mundo inteiro cai.
OCASO - HINO À ÚLTIMA LUZ.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Quando o ocaso incendeia a imensa esfera,
Vestindo o céu de púrpura e rubim,
Parece que o Infinito, enfim, impera
Cantando a glória do que não tem fim.
A luz, em combustão silenciosa e bela,
Transfigura o horizonte em ouro vivo;
Cada clarão é uma celeste estrela
Descendo ao mundo em êxtase expansivo.
As nuvens, catedrais do firmamento,
Recebem a unção do Sol tardio;
E o vento, embriagado de encantamento,
Conduz perfumes pelo vale e o rio.
Nenhuma dor domina essa passagem,
Porque declinar não é desaparecer;
O ocaso é a mais sublime aprendizagem
De quem transforma o fim em renascer.
A montanha, em dourada arquitetura,
Reveste-se de régia majestade;
Até o silêncio adquire formosura
Na solene amplidão da eternidade.
Os bosques curvam suas verdes frontes,
Não por tristeza, mas veneração;
E os rios, espelhando os horizontes,
Levam a luz pulsando ao coração.
Ó Sol! Titã de ígnea inteligência,
Que faz do céu um místico altar!
Teu adeus é suprema eloquência,
Pois sabe engrandecer sem se apagar.
No teu poente a natureza inteira
Celebra a harmonia do universo;
Cada crepúsculo inaugura uma bandeira
Que o vento desfralda em cântico diverso.
Assim compreendo, em muda exaltação,
Que toda beleza cresce ao declinar;
Pois há vitórias que, na dispersão,
Encontram outro modo de brilhar.
E quando a noite enfim cobre a amplidão,
Não vence a luz, apenas a recolhe;
Porque o ocaso, em sua transmutação,
É Deus pintando o céu com o seu próprio clarão.
ATÉ A ÚLTIMA LUZ.
No claustro azul da noite silenciosa,
onde o tempo sepulta antigas eras,
a alma contempla as sombras austeras
da marcha humana, trágica e grandiosa.
E, entre ruínas da jornada dolorosa,
recolhe as vozes frágeis das quimeras;
mas vence os vendavais das primaveras
com a força imortal e misteriosa.
Não é a chama efêmera da aurora,
nem o fulgor que o mundo reverencia,
mas o lume interior que a dor aflora.
É a centelha da própria consciência,
que mesmo quando a existência se evapora,
persiste além da última aparência.
Marcelo Caetano Monteiro.
Hoje a Lua brilha
Sobre o meu quintal.
A luz do Sol que trilha,
Mas não deixa rastro
Sobre a escuridão.
Eu penso nas noites passadas,
Penso sobre densos nevoeiros,
Flechas atravessadas
Quando os olhos pouco viam.
Do pouco que viram,
Traduziram pouco… ou quase nada.
Um cinzeiro sobre a mesa,
A luz da Light na calçada,
Tantas diferenças,
Tênues relevâncias.
A noite flutuante
Paira sobre a noite enluarada.
Madrugada avança sobre horas de sonhos,
Meu sono acanhado,
Meus olhares, cada vez mais poucos,
Traduzindo a cada noite
Muito mais do que enxergam —
Pouco ou quase nada.
O silêncio da noite
Chega a ser maior, mais denso
E mais abrangente que a própria noite.
Até que sobre pouco:
Muita luz, muita neblina, silêncio demais.
Paz por sobre a rua,
Luz do poste, que,
Goste ou não goste, não passa da esquina.
Meus olhares cansados também não.
Edson Ricardo Paiva
Apego Ato 1
Luz sobre ele. Silêncio. Ele respira fundo.)
Que fiz eu…
Que fiz eu, senão tomar mãos humanas
e moldá-las em divindade?
Era carne como eu.
Era falha como eu.
E ainda assim, eu a vesti de eternidade.
Com minhas próprias mãos ergui o trono.
Poli a madeira com expectativas,
revesti-o com promessas que nunca foram ditas,
e a coloquei lá no alto… acima de mim.
(ri, amargo)
E então ousei perguntar por que não me via.
Mas como poderia?
Do alto do altar que construí,
tornei-me chão.
Tornei-me base.
Tornei-me invisível.
Ó coração tolo,
confundiste amor com reverência,
entrega com submissão,
admiração com ausência de si.
Não foi ela quem subiu
fui eu quem me ajoelhei.
(pausa)
Amor…
amor não pede joelhos.
Não exige plateia.
Não se alimenta de distância.
Amor é encontro.
É altura contra altura.
É dois olhares no mesmo nível do céu.
E se hoje sofro…
não é por não ser visto.
É por finalmente enxergar
que fui eu quem construiu a própria sombra.
(Luz se apaga.)
Apego Ato 2
(Palco quase escuro. Um único facho de luz. Ele caminha lentamente.)
Assim termina o engano do meu próprio coração.
Eu, arquiteto da ilusão,
escultor de um trono que jamais me pertenceu.
Com mãos trêmulas de afeto ergui muralhas de admiração,
e no topo delas coloquei um ser humano…
feito da mesma fragilidade que eu.
Mas ceguei-me.
Preferi chamá-la de estrela,
para justificar minha disposição em viver na sombra.
Oh, que doce veneno é idealizar.
Enobrece o outro
e empobrece a si mesmo.
Fiz dela soberana de um reino que inventei.
Curvei-me diante de um amor que não pediu joelhos.
E quando clamei por reciprocidade,
o eco foi minha única resposta.
(pausa longa)
Mas eis a tragédia maior
não foi rejeição.
Não foi desprezo.
Foi consciência.
Consciência de que nenhum trono se sustenta sozinho.
Que todo pedestal exige um chão.
E eu… eu escolhi ser chão.
(olha para as próprias mãos)
Estas mãos que ergueram,
agora aprendem a desfazer.
Pois se amor houver de existir,
que venha sem coroas.
Sem alturas inventadas.
Sem abismos criados pelo excesso de devoção.
Que venha como encontro.
De pé.
Olho no olho.
Respiração contra respiração.
E se não puder ser assim…
(entonação firme)
Que caia o trono.
Que se despedacem os altares.
Que reste apenas a verdade
dois seres humanos
ou nenhum.
(A luz se apaga lentamente. Silêncio.)
Apego Ato 3
(O palco ainda guarda vestígios do trono quebrado. A luz nasce lenta, como amanhecer.)
Sobre as ruínas, permaneço.
Não mais de joelhos.
Não mais cego pela própria devoção.
Aprendi tarde, mas aprendi
que amor não é escalar alguém até os céus,
é caminhar ao lado, mesmo quando o chão treme.
Toquei o fundo da minha própria ilusão
e descobri algo inesperado:
eu também sou digno de altura.
(olha ao redor)
Que tolos fomos, eu e meu coração,
confundindo intensidade com entrega cega.
Amar não é desaparecer.
Não é reduzir-se à sombra do brilho alheio.
Amar…
é permanecer inteiro.
Se outra vez meu peito arder,
que arda lúcido.
Que admire sem se diminuir.
Que exalte sem se apagar.
Não construirei mais tronos.
Não erguerei altares.
Se houver amor,
que seja entre dois reis sem coroa,
duas almas sem palco,
dois humanos imperfeitos
que escolhem ficar.
(pausa)
E se um dia eu voltar a sofrer
que seja por ter sido verdadeiro,
não por ter sido menor.
(ergue o olhar)
Hoje não carrego mais o peso de sustentar ninguém.
Carrego apenas a responsabilidade de ser inteiro.
E isso…
isso é liberdade.
(A luz se expande. Fim.)
Nova e Velha Política.
"Não consigo dizer o quanto uma janela exposta à luz do meio-dia pode ou não ofuscar minha vista, uma vez que quem decide é a hora e a posição que eu devo ocupar naquele ambiente. O paradoxo entre as leis limitantes e a liberdade de escolhas promovidas pelo livre arbítrio sob a lente religiosa promove discursos. Hoje, os políticos são categoricamente dois jogadores em lados diferentes em um único tabuleiro. O que torna isso engraçado é o fato de que somos nós os peões e as rainhas dentro desse jogo. Podemos decidir qual jogador irá nos representar, mas nunca a direção pela qual eles irão nos mover durante cada jogada."
Na varanda do quintal
Igual a tantos ontens
Hoje escondo um olho à luz do Sol
E vejo um pouco mais aquém
E penso por um segundo
Que nunca olhei tão profundo
Enxergo em olhar marimbondo
Levando pra sob o telhado
A alguma coisa que Deus lhe deu
E concluo aqui comigo
Se esse voar fosse meu
Eu voava até o fim do mundo
Chegando o final do dia
Dizia pro meu amor
Por favor, se ainda não me esqueceu
Se eu fosse você, não esquecia.
Abelha a fazer mel na telha
Desde que sumiste
A chama da vela
Bailando tão triste
Madrugada que ainda clareia
Na areia das horas
Caminho de volta
Não há nada que eu faça
Ou que possa fazer
O monstro da Santa Agonia
É fumaça de vela a também ir embora
Aquilo a que tanto eu queria
Vou querer por mais outro dia.
Edson Ricardo Paiva.
Lições.
Eram coisas que brilhavam
Pendiam da luz que vinha do alto
Eram brotos, eram sementes
Espalhadas pelo chão
Eram pedras à beira-mar
desde que o mundo era mundo
Eram folhas mortas
Eram gotas de chuva
Eram pássaros nos galhos
Havia também estradas
Idas e voltas
Atalhos
Eram ponteiros que giravam
A vida tiquetaqueou cada segundo
Eram coisas sem brilho também
Era avô, era pai, era filho
Era amor, era odor, era trem, era trilho
À espera do que não vinha
Mas que de tanto esperar
Também veio
Mas não tinha ninguém à porta
Era só diversão e passeio
Não havia tempo pra aprender
A lição das estrelas
distante demais para vê-las
Tampouco das folhas mortas
Que outro dia eram só sementes
As pedras caladas e ausentes
Os Pássaros cantantes
Tamém não diziam nada
Os caminhos também já não podem
Levar aos lugares que conduziam
Era tanta lição para ser aprendida
Eram coisas caladas
Que estavam ali, somente pra serem vistas
Era tanto tempo
A ser preenchido à toa
Que não dava tempo
E a boa lição desta vida
Não pode mais
Ser aprendida
Por aqueles que tudo já sabem
E que vão dormir infelizes no final do dia
Suplicando aos seus deuses
Que as estrelas desabem do Céu
E que a todas elas
Esmaguem.
Edson Ricardo Paiva.
Autoconhecimento não é apenas luz encontrada no final de um túnel. Onde abriga luz habita a sombra. Por entre os reflexos destila dores e amores. Aprende com a tua própria sombra, pois ela faz parte da obra também.
João Eudes de Ana
Sob o alto e o baixo distância ausenta presença no espaço eterno, onde a luz dos cosmos ilumina o caminho, mas expõe a nudez das sombras nos rastros. Pois quem caminha pela luz não tropeça nas pedras e descobre que a verdadeira escuridão sempre estará nos olhos de quem não quer enxergar a luz da razão.
João Eudes de Ana ____
... o chamado
senso de superação
é luz que nos oferece o destino;
uma espécie de sexto sentido
que nos imuniza do
conformismo!
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