Poemas sobre a Temporalidade da Vida
A VIDA EM MARIA
Se, Cassiano decide pescar
A sua vida se estende no mar
E, deixa a poesia dançando,
para quando a lua chegar.
Os dias são tão azuis
Porque a vida aqui custa a passar
Não há mais nada, que cresce em Maria.
Só há solidão no pomar
Os homens não voltam do mar
Só há redes vazias estendidas na areia
O sol incendeia as mulheres até a noite chegar
A pele de Dolores secou
E, seu coração se fechou.
Ela agora chora de saudade
Do noivo que perdeu no altar
Mas, Cassiano ainda tem fé.
Que a vida em Maria tem pé
É por causa do Nosso Senhor
O seu grande ideal, sua dor.
Mas, a vida em Maria é esperar.
Que, a chuva venha visitar.
Aqui até o vento tem nome
Ele sopra como uma canção
Cassiano é a luz de Maria
E, Cassiano se banha no mar.
Cassiano acredita no amor
Cassiano é a voz do lugar
O menino que Jesus mandou .
...Dentro de mim o medo é o rei e a tristeza a rainha.
Só apenas um servo do sofrimento que
serve como almofada neste horrendo
mundo.
Somente tenho comigo o desespero e o
eco do meu choro como confidentes e a
mágoa como conselheira.
...Aqui jazo, neste enfermo mundo,
esperando um pouco de luz no meio
deste mundo obscuro
Lá no alto da montanha
onde as nuvens se cruzam com a neve
A breve esperança se banha
na espera de alguém que a leve.
E sim, há recompença
aos poucos que entram na dança
Apenas alguém de coragem
pra salvar a esperança.
A vida é tristeza, malvadeza e impaciência.
Mas também é alegria, esperança e harmonia.
A vida é para ser vivida
Enquanto o vento sopra em minha alma,
Não há chama que sobreviva ao teu olhar.
Tua voz, razão da minha calma,
Teu ser é razão de um jamais falhar.
Não quero ser real se o mundo for uma ilusão.
Desejo poder não viver se a vida não for vida
Porque viver não é nenhuma alucinação,
Apenas é poesia que não pode ser lida.
Ideias preveniram tua imagem misteriosa,
Que me impede de livremente sonhar.
As mesmas ideias vêm de uma mente poderosa,
Mas incapaz de impedir o planeta de girar.
O tempo continua então com final indeterminado.
Seu final será em "agora" como todo o momento.
Se na vida falhar algo que havia jurado
Jamais sentirei de novo assim o vento.
Poesia
Aaah poesia
ela é minha fuga
é eu grito
é minha amiga
meu riso
Me anestesia
nela devaneio sem medo
de heresia
de que me apontem o dedo
Aaah poesia
abro a gaiola e solto
esparramo sobre a mesa vazia
e me preencho de poesia
Poesia tem me dado vida
em tempos de pandemia
tem sido minha aliada
diante de tanta hipocrisia
Que nunca me falte a poesia...
Lá fora o vento bale
como ovelha perdida
de seu pastor.
A noite é densa,
mas sei que a luz virá —
e isto faz toda a diferença.
LA
Saudades
Dos amores que não tive
por preguiça de tê-los
hoje sinto saudades
de não poder sofrê-los.
Saudades masoquistas —
com ou sem analistas.
LA
Minha vizinha Eulália é tão bonita,
tão de todas as coisas deliciosa,
que o marido perdeu toda a esperança
de ser o artilheiro do seu time.
LA
Chegar
Chegar é só estar em outro porto —
pronto para partir... a jornada interior
é apenas estar de volta para Casa...
a que quando chegamos
ela volta a se tornar caminho —
sempre caminho de ser
onde Deus nos espera
dentro de nós.
LA
Era Chique, Era Bom...
Era chique, era bom sentir o frio
de outono-inverno em nossa carne moça.
Era assim como um rio, um grande rio
marulhando por nós em dom e força.
Nariz e pernas frias... doce cio
a coruscar nas vísceras... a nossa
pele arrepiada ao ressoprar macio
da noite toda olhos... noite moça...
Era chique, era bom, era divino:
eras minha menina, e eu teu menino —
a vida um sonho bem da cor da lava...
De sorte, nega, que eu já te esperava:
meu coração sentia quando vinhas —
tuas saudades a transar com as minhas.
LA
Mas Venha De Verão...
Quando você, do Carmo, se lembrar
que moro junto à flauta do Espraiado —
venha ouvir um pedaço musicado
de tarde com o vento a gorjear...
Mas venha de verão: a esvoaçar...
de salto e violão bem afinado —
à sombraluz de um sonho mosqueado,
com guizos nos artelhos a dançar...
Depois nos coçaremos ( sem sapatos ),
você me tira, amor, os carrapatos
e corta aquela unha do dedão...
E depois de depois, me fará rir
com cócegas por toda a região...
e me balança e cansa até eu dormir.
Não Raro Esqueço...
Não raro esqueço de saber as coisas
para aprendê-las do outro lado delas,
vê-las nos olhos dentro: vê-las na alma
ou vê-las além delas existirem:
um vê-las-pensamento-sentimento
ganhando forças de imaginação
pousando em outras muitas realidades,
táteis no olhar, se bem que imponderáveis...
Desmontar as palavras uma a uma
para achar no esquecido de saber
seus arcanos guardados nas entranhas
E fazer delas límpidas canções
que nos cantem num tom jamais sabido
novos timbres lembrados em ouvi-las.
LA
Condição Humana
A vida bem mais promete
do que cumpre.
Somos os seres da falta,
os que sempre por um triz
não são felizes...
Sim, os seres da promessa —
abraçados às tábuas da esperança,
aferrados ao invisível
da nossa fé,
agarrados — na fria correnteza —
a raízes e cipós
do nosso incerto amor...
enquanto a vida,
a vida toca violino
no convés bordado de estrelas
do nosso belo,
do nosso empoderado Titanic...
LA
Há tua jornada normal-social,
e tua jornada de herói —
tua aventura pelo divino
em busca de te conheceres
e te salvar de ti mesmo —
te salvares em Cristo,
por Cristo,
com Cristo.
LA
