Poemas que Falam sobre Estrelas
Siga eu um dia, finalmente
Para o infinito
Para muito além das Estrelas
Para muito além do pensamento
Siga eu um dia, alegremente
Para algum lugar
Que Deus tenha me destinado
Longe deste confinamento
Onde me encontro
Há muito, qual desarvorado aprendiz
Que não leve recordação
De nenhum bem
Ou qualquer mal
Que fiz ou tenha feito
Siga eu numa noite chuvosa
Ou alguma manhã tardia
E aos que permanecerem
Que eu deixe a alegria
De saber que eu vou em paz
Mas que não permita Deus
Que eu vá
Sem antes ter certeza
De que as sementes por mim espalhadas
Farão deste Mundo
Em lugar melhor
Que aquele que um dia encontrei
Senão
Que eu não deixe nada.
Faz um tempo que
eu não sei o que é chorar
Não por falta de motivo ou dor
Vejo estrelas prateadas
Vejo o Céu azul
Que filtradas na tristeza das retinas
de meus olhos
fazem tudo parecer tão incolor
E eu não ligo
Meu amigo
Faz um tempo que eu queria
Transformar
toda esta dor
em gotas lacrimais
que eu as derramasse
por caminhos
Onde não haverei de retornar jamais
Não consigo
A saudade conseguiu fazer
de meu coração
Seu abrigo
E ele agora
encontra-se
Fechado
Até pra mim
Eu desaprendi
ou simplesmente
não notei
que nunca consegui
abrir meu coração
pra libertar
esta tristeza
que nem sei se sinto em vão
tento então,
te dizer
isso que eu digo
Meu amigo.
Às vezes quero ver o Sol à noite
E olho as Estrelas,
que são Sóis distantes
Enxergo hoje as coisas
Como não as via antes
Hoje não adianta mais
Saber o que devia ter descoberto
No tempo em que nasciam flores
Onde hoje tudo é deserto
Eu, que desejava tanto a Guerra
Enquanto vivia em paz
As vicissitudes desejadas
Foram tão rudes
Quanto inesperadas
E hoje eu olho as coisas
Tão distântes e digo
Faz um tempo
Tanto tempo, Meu amigo
Que queria desviar-me
Dos caminhos que hoje sigo
Aprendi a caminhar
Conheci os segredos dos Mares
E dos Nós de Marinheiro
Esta noite eu enfrentei
Uma tempestade atróz
Querendo encontrar o caminho
que me conduzisse de volta
À ilha dos Girassóis
Uma fada dança em minha mão
Tenho esperança, ainda
De que tudo mude
E que o vento sopre em direção
Ao final deste Mar
Que não finda
E caminhar finalmente pela praia
Ao final de uma tarde linda
Antes que a vida se esvaia
Consumida pelo tempo
Tanto tempo
Meu amigo.
Toda Manhã
Bem antes que amanheça
E a Noite tecelã
Recolha o bordado de estrelas
Um Ar com aroma de hortelã
Me invade o nariz
Noite escura ainda
Puro breu
de vela que não se acendeu
Sucumbe aos Sóis que nascem
E a contagem dos dias progride
Toda noite
Páira-me sobre a cabeça
Uma lanterna acesa
A vida carrega nas ondas
O velho frescor da framboesa
O vento leva
As flores laranjeiras
O tempo vai passando
Quarta, quinta, sexta-feira
Um dia qualquer
Duma manhã à toa
Passou-se
A boa vida inteira
Estrelas que brilham no Céu
despertando-me a atenção
à Luz de tamanha essência
tornam injusta a interpretação
diante da excelsa justiça
pois ofuscavam-me a visão
e não permitiam que o coração
Percebesse que havia em mim
Um tanto assim de ingratidão
Por não ver a excelência
Do Deus, que na verdade
Em sua infinita bondade
Colocou-as no firmamento
Com o gesto de um pensamento
Simplesmente pra que a gente
Pudesse observá-las
Descobrí-las
Admirá-las
E, através dessa beleza
Perceber que o Pai nos fala
Conversa com a gente e ensina
Ocultando as divinas palavras
Por detrás de uma cortina
Pra que a gente então precisasse
dar um passo mais à frente
e sentisse o quente abraço
Na força do Eterno laço
Firmado com a Humanidade
como um quadro
Pintado no Espaço
Como haveria
de haver estrelas
sem noite
Como haveria
de haver as noites
sem os dias
Como haveria
de haver os dias
sem as saudades
Como haveria
de haver saudade
sem a ausência
Como haveria
de haver ausência
sem a distância
Como haveria
de haver distância
Sem um adeus
Como haveria
de haver adeus?
Pergunte pro seu coração,
pois o meu
parte sem culpa.
Com o tempo aprendi
A ouvir o que me dizia
O silêncio das estrelas
O cheiro da terra
e perceber o quanto custava
cada lágrima que reprimi
Naquelas bravas horas de tristeza
Que a ninguém mostrei
A vida sempre envia sinais
Mas tem horas
Que é inútil procurar respostas
Longe de mim
Quando parece que simplesmente
O mundo me vira as costas
Há momentos em que é tarde
Muito tarde
E só teu coração poderá te responder
Se nesse momento
Brilha a Lua
Cai a chuva
Ou arde o Sol
Esse momento existe em você
E não no Universo
Há coisas que estão longe
Há coisas ao teu lado
E há coisas
Que não estão longe e nem perto
Estas coisas estão em nós
São o que somos
Estão antes, estão após
São o durante
São o agora
São e não são
Assim como estamos juntos
e eternamente sós
Vivemos, choramos e rimos
sem nunca saber de verdade
Se realmente existimos.
As estrelas brilham no Céu
Durante a escuridão da madrugada
Cá neste lugar
Estão todos absortos em seus pensamentos
E não tem a chance de sentir nada
Não percebem que os olhos lá do Céu
Não estão completamente mortos
Apesar de serem frios
Eu crio pra mim mesmo um sonho
E coloco nele a todos aqueles
de quem eu gosto
Me encosto num canto escuro
E enxergo coisas coloridas
E as coisa bonitas
que a vida pode nos trazer
Na pureza dessa escuridão
Percebo
Que muita coisa não deixa de estar ali
Simplesmente porque não posso vê-las
Assim como os frios olhos das estrelas
Sabem me encontrar
Não importa a elas onde estou
Pois eu sempre estive com elas
e elas comigo
e conhecem meus pensamentos
Creio até que sejam os Olhos de Deus
Me dizendo
Que eu jamais estarei
e jamais estive só
Eu também olho pra Ele e digo
Que meu desejo era estar lá
e vejo seus olhos piscarem
e pedirem a mim que não desista
e jamais pare de crêr
Pois um dia a noite acaba
As montanhas desabam
Evaporam-se as águas do Mar
Porém essa promessa não passou
e jamais haverá de passar.
A vida é curta
Como é longo o dia
As estrelas estão perto
Mas as flores, por demais distantes
Minha infância, parece que foi ontem
Mas o dia de ontem
há muito tempo se passou
As montanhas parecem pequenas
antes, tudo pra mim
era mesmo assim, possível
Mas hoje
diante destas colinas
Que eu ainda não transpus
tudo me parece intransponível
Atrás das colinas tem guerra
mas estão tão longe
todos os amores que já senti
E, se voltar a sentí-los
Não vou mais amar como antes
Meu amor a mim mesmo me basta
e eu, a mim mesmo me basto
Longos são os meus segundos
Como é vasto o mundo
Me recolho a um canto, soturno
Agradeço ao dia, pelo fim de mais um dia
Adormeço lendo poesia.
O vento vai soprando
Estrelas brilham na noite
Mas a Lua está no comando
Cigarras fazendo farra
Vagalumes no desmando
O calor abranda
A saudade vem
A folha cai
toda folha tem
A sua hora de ir embora
E a noite demora a passar
Uma voz
Não sei de quem
Vem dizer
no vento sonolento
Que além daquelas estrelas
Existem muitos outros mundos
E outras vidas existem lá
Pode ser
Que neste momento
Um peito tão profundo quanto o meu
Esteja também olhando pra cá
Talvez aconteça
De nossos pensamentos se cruzarem
E Deus
Por pena, merecimento ou sorte
Permita
Que essa estrela brilhe mais forte
Assim, na próxima noite
Duas almas iguais e distantes
Saberão exatamente
Onde olhar.
Edson Ricardo Paiva
Criei por ela
Um Oceano de Estrelas
Em um plano mais profundo
Tentei fazer pra ela
Todo dia
As mais belas poesias
Já escritas neste mundo
Fiz projeto de Palácio
Com vitrais até o teto
e férias no paraíso
Autorizadas
Pelo Próprio
Arquiteto do Universo
Escrevi num livro meus versos
Tudo isso, pra conquistá-la
Mas meus planos malograram
Pois, quando a vi
Perdi a fala.
Edson Ricardo Paiva
A MULHER QUE TOCAVA ESTRELAS COM A ALMA.
Numa manhã fria de março de 1857, na cidade escocesa de Dundee, nasceu Williamina Paton Stevens Fleming — uma menina que, ainda antes de conhecer o céu, já carregava as estrelas dentro de si.
Aos 14 anos, já era professora.
Mais tarde, foi abandonada grávida pelo marido ao chegar aos EUA.
Sem opções, tornou-se empregada doméstica…
…na casa do diretor do Observatório de Harvard.
Frustrado com seus assistentes homens, ele disse:
“Minha criada escocesa faria um trabalho melhor que todos vocês.”
E fez.
Em 1881, Williamina trocou o avental pelas lentes astronômicas.
Sem diploma. Sem cátedra.
Mas com a mente brilhante e a alma determinada.
Foi pioneira entre as “Computadores de Harvard”, um grupo de mulheres que — nos bastidores da ciência — traçou os mapas do céu com os próprios olhos.
*Ela catalogou mais de 10.000 estrelas.
*Descobriu 10 novas.
*Identificou 59 nebulosas e mais de 300 estrelas variáveis.
*Criou o sistema de classificação estelar ainda usado hoje.
Num universo dominado por homens, ela se tornou a primeira mulher membro honorário da Real Sociedade Astronômica.
Williamina não apenas estudou as estrelas.
Ela se tornou uma.
Inspiração que atravessa séculos
Mesmo invisível aos olhos de seu tempo, ela redesenhou o céu.
E nos ensinou que é possível renascer das cinzas,
brilhar no silêncio,
e escrever a própria constelação — com coragem.
“Quando você sentir que está à margem da história, lembre-se: até as constelações só se formam depois de noites inteiras de paciência.”
Entre Espinhos e Estrelas.
" Só senti as dores da minha rosa quando me feri nos seus espinhos. "
Antes disso, eu apenas a contemplava sem compreender que a beleza também pode ser uma forma de abismo.
Há perfumes que embriagam a alma antes de feri-la,
e há sentidos tão suaves que, quando se vão, deixam cicatrizes invisíveis.
A vida não se revela a cada dia mas a cada segundo.
Ela se insinua em lampejos, no intervalo entre um suspiro e outro,
quando o coração se distrai e o tempo aproveita para nos ensinar algo.
E o que aprendemos não é o que queríamos,
mas o que precisávamos para continuar respirando entre as dores.
Descobri que toda rosa carrega o peso do seu próprio espinho,
assim como cada amor traz consigo a possibilidade da perda.
Mas ainda assim quem recusaria o toque de uma rosa,
sabendo que ela é o instante em que o eterno decide ser belo por um momento?
Minhas lágrimas caem nas estrelas,
e o céu, compassivo, as recolhe como se entendesse o idioma do meu silêncio.
Há dores que não se dizem apenas cintilam.
Elas se transformam em luz quando a alma não encontra mais lugar para escondê-las.
E então compreendo: o que dói em mim não é apenas o espinho,
mas o amor que ainda pulsa, mesmo depois da ferida.
A rosa não me pertenceu e, ainda assim, foi minha,
porque me ensinou que a beleza é o instante em que o sofrimento decide florescer.
Há quem olhe para o céu em busca de respostas;
eu apenas observo as estrelas e choro nelas,
porque nelas reconheço o brilho das minhas próprias quedas.
E quando o vento passa, sinto que a vida
essa estranha combinação de dor e deslumbramento
ainda me sopra o perfume daquilo que perdi.
E é assim que sigo:
entre espinhos e estrelas,
entre feridas e perfumes,
aprendendo que amar é, talvez,
a mais bela forma de doer.
Na minha noite mais escura,
esconderam-se a lua e as estrelas.
No fim da caminhada, no abismo profundo, vi uma luz; seu nome é Jesus.
Eu sou a solidão
Filho da noite e do silêncio
Amante das estrelas
Vazio quanto a lua
Sem luz
Sem reflexo
Sem rastro
Sou a minha própria sombra.
Possivelmente,
somos apenas um
suporte para as estrelas...
Não reluzimos como os astros, entretanto, possuímos abeleza da existência que se completa em uma vidarenovada, que também é luz - somos brilho!
Marcelo HB
E em meio a tantas estrelas,
Deus me vê como ninguém me vê.
E em meio a tanta beleza,
Ele me vê como ninguém me vê
