Poemas quando eu me Amei de Verdade
Os pássaros de Brasília
Certo dia, eu caminhava pela mata virgem que existe cerca da minha casa. Pássaros tamborilavam em ritmo de uma canção desconhecida de roça. Um deles, aparentemente o líder, separou-se do grupo e voou até uma árvore distante, pousando no mais baixo dos galhos. Ele parecia não gostar da canção que seu bando entoava; talvez ela fosse simples demais para seus ouvidos modernistas, ou exacerbadamente complexa a seus olhos de Brasil contemporâneo. Sentada em um banco florido de madeira desgastada pelo tempo, eu não conseguia retirar do meu campo de visão aquele interessante ser, que devagar começava a assobiar uma nova canção. Foi então que enxerguei nele um espírito renatista, russo-brasileiro, transbordando os enlouquecidos pensamentos sobre uma certa geração coca-cola. O trovador solitário se juntou a outros pássaros loucos como ele, formando uma Legião que pairava em cada alma revolucionária deste país da Brasília que não muda.
De onde eu vim
De onde eu vim
O céu é mais azul e as estrelas nem te conto.
De onde eu vim
Tem três sóis, um amarelo, um azul e um verde,
Então vivo em um lugar que todo o tempo há sempre um arco-íris no céu.
De onde eu vim
As flores tem um perfume sem igual
E a natureza deve ser a mais bela da galaxia.
De onde eu vim
Deus quase fala comigo, de tão perto que ele está.
De onde eu vim
A Paz é sempre constante
E vivo maravilhosamente feliz.
Mas a saudade apertou, porque lá, você é a minha parceira na dança,
nas aventuras, nas alegrias... em tudo você está comigo.
Lá, é você quem encanta meus dias, você é metade de mim.
Então, cheguei bem perto de Deus e falei:
— Aqui é muito bom, Senhor, mas sem ela meus dias estão sem graça.
E Ele respondeu:
— Vai, meu filho querido, vai ao encontro de sua amada, ela também precisa muito de você.
Por isso estou aqui novamente, e descobri que o melhor lugar do Universo
não é meu planeta, nem na minha galáxia, nem em qualquer outro lugar na imensidão infinita do universo.
O melhor lugar é aqui, pertinho de você, dentro do seu abraço.
Por isso estou aqui.
Me abrace!
Eu tenho medo...
Medo da morte? Também.
Ah, mas há outros medos que me dão mais medo...
Esses medos a que me reporto, a história poderá contar.
Exercício para ganhar tempo
Eu queria nesta tarde chuvosa
nem de alegria ou lamento
um pouco de urbanidade do tempo
e neste dia vinte e seis
outubro quase fim que é
deste ano que apressou o pé
um pouco mais de consideração
Do senhor de todas as horas
Peço todas as demoras
Não tenho pressa não
[Pre-Chorus]
Cansei de ler entrelinhas
De esperar sua notificação
Hoje eu viro a página
E desligo a conexão
[Chorus]
Vou deixar você em modo avião
Dar um descanso pro meu coração
Chega de espera, chega de iludir
Vou deixar você em modo avião
Bloqueio as saudades e a tensão
Chega de novela, chega de mentir
A Alegria Por Um Fio...
(Múcio Bruck)
Era eu um entusiasta da vida
Com meus segredos, planos e aspirações
Meio perdido: um adolescente "virando" adulto
Sem domínio das explosões incontidas
Meus planos de vida eram poucos
Mas os que me haviam eram riquíssimos
Estudar, trabalhar, ter um emprego
Amar... Ah, como me era caro o amor
Era único, era real, era-me necessário
E, o temor e em plena imaturidade
Descobri nos arroubos que me vinham
"Amar nada se relaciona com saber amar"
Naqueles idos, tinha prá mim
Que seu valor era maior que o meu próprio eu
Que você, em minha natureza
Merecia entregas e meu mundo particular
Eis o meu engano, erro maior de mim
Ter-me suprimido e a vendo maior
Maior que eu ou de tudo o que eu era
Me peguei pequeno ante de sua grandeza
Como um relação assim poderia vingar?
Você, "madura", a tudo via e nada dizia
Parecia gostar, mas, sem se importar
Fosse com minha entrega
Fosse com a prioridade de um diálogo
Assumo, o negro ciúme feria-me
Hoje, sei que tudo se deu por seu desamor
Minha ilusão era sua satisfação
Eu ainda digo: você já viu a lua hoje?
Eu sou dessas
que ainda para no meio do caminho
porque a lua apareceu bonita demais.
Dessas que olham para o céu
e, por alguns segundos,
esquecem o que estavam pensando.
Não é sobre a lua.
É sobre não deixar a beleza passar despercebida.
É sobre esse olhar que procura,
que repara,
que encontra poesia onde quase ninguém mais olha.
Talvez eu tenha essa necessidade estranha
de admirar as coisas
antes que o mundo me convença
de que não há tempo para elas.
Por isso ainda digo:
“Você já viu a lua hoje?”
Como quem diz:
olha…
a vida ainda está acontecendo
em algum lugar bonito.
E eu quero saber.
Quero sentir.
Quero apreciar.
Porque talvez essa seja uma das coisas
que eu mais gosto em mim:
eu ainda me deixo encantar.
27 de Agosto de 2026
Não vendo o meu dom,
amo o que sei fazer,
carro quase todo mundo têm,
dinheiro eu fico sem,
mas poetizar me faz viver!
Talvez meu maior defeito seja essa necessidade imparável de expressar o que sinto pela arte. Eu não sei fazer uma música "do nada". Não sei ver um filme e criar inspirada em uma história fictícia ou longe da minha realidade. Se não escrevo ou canto, sufoco. E não basta criar, preciso mostrar ao mundo.
As vezes seguro coisas que faço por medo de consequências. Por medo que alguém entenda errado, ou que aquilo machuque alguém que me importa, mas me machucou e gerou aquilo em algum momento. O problema é que sinto que sufoco a cada segundo que seguro algo que precisa ser dito, e não sei o quanto ainda posso resistir segurando tudo isso.
E se quem gerou o que me fez compor ou escrever nunca tivesse acesso ao que fiz, sinto que seria como guardar tudo só pra mim. Não quero atingir, apenas falar. Por muitos anos calei todas as minhas dores. Na infância, sempre fingia estar bem, mesmo quando todos os dias era humilhada em ambientes escolares extremamente hostis. Talvez isso tenha me feito ser assim hoje, e talvez o que chamo de "grande trauma primordial" tenha tido tanta força por isso, me afetando até hoje, em 2026, mesmo que tenha acontecido quase em outra vida, em 2011.
Quando eu escrevo, é porque já não tenho opção. Quando escrevo é porque é isso ou desaparecer. É porque é a única forma de suportar e sobreviver a mim mesma. É porque ou grito, ou deixo o que calei continuar me corroendo por dentro. Eu queria poder ser sincera, e explicar as coisas para quem precisa saber, mas na maior parte do tempo isso não é uma opção, e muitas vezes, tentando me explicar, parece que só consigo estragar tudo de vez.
- Marcela Lobato
Desistir é o que eu não irei fazer.
Dou uns gritos, entro no chuveiro e choro, tomo um café e volto mais forte do nunca....
Perazza .'.
Somente o descolamento completo do eu revela a verdadeira realidade, que não é minha realidade imaginada. Nós geramos a realidade do mundo a partir da nossa imaginação. Ela é a realidade do eu, a qual projetamos nas coisas. A verdadeira realidade, a verdadeira ordem das coisas, só pode ser experienciada mediante a completa extinção do eu.
(Byung-Chul Han)
Deus é amor. Quem obedece a Deus, quem por amor a Deus renuncia ao seu "eu", torna-se divino.
(Byung-Chul Han)
Eu tenho mil faces e, de tanto mudá-las,
Já por tanto tempo, já não lembro mais
Do meu verdadeiro rosto.
Se vier o dia, eu trabalho;
se vier a noite, eu descanso;
se cair a chuva, eu canto;
se nascer o fruto, a Deus eu agradeço:
Quatro coisas não posso deixar de fazer na vida:
trabalhar, descansar, cantar e agradecer a Deus.
Faça distinção sábia entre religião e salvação:
a primeira é aquela que eu sigo e não mudo; a segunda
é aquela que eu ouço e me transformo.
Eu falei para você que tudo iria passar.
Agora voce está aí,
toda feliz.
A felicidade é consequência do amor próprio.
O mundo me ofertou carro e dinheiro,
mas eu não quis,
é um saco ser carregado
e de que adianta eu ter tanto na minha casa,
se meu irmão não tem nada?
Quanta gente passando fome nesse planeta,
então prefiro aqui na Terra,
falar da mata e sua beleza,
prefiro apenas ser poeta...
Não ligo para luxo
e isso magoou o mundo!
E se…?
E se eu morresse hoje, o que diriam sobre mim??
Será que fui um bom amigo?
Será que fui um bom filho? Ou se ao menos fui um bom colega?
Não sei, talvez tenha sido, ou não…😕
"Eu fui tudo por você
e esqueci de mim."
Amar o outro não é se nular
e sim, se complementar: com respeito, confiança,
carinho e atenção.
