Poemas Profundo
A Solidão paradoxal!
A solidão é um sentimento complexo e profundo, que pode nos acompanha mesmo quando estamos cercados por pessoas que nos amam e cuidam de nós.
É uma sensação de desconexão, como se não pertencêssemos mais a este mundo, especialmente quando as perdas e experiências acumuladas ao longo dos anos começam a pesar na alma.
Na medida que envelhecemos, essas emoções podem se intensificar. As cobranças, os erros, os defeitos, os acertos, os amores e dissabores, as mágoas e as alegrias parecem se perder no tempo.
Cada momento vivido deixa uma marca, e muitas vezes, essas marcas se transformam em cicatrizes que carregamos conosco.
Perdoar e ser perdoado é um ato de crescimento emocional que exige coragem e maturidade. Não é fácil aceitar os acontecimentos do passado e seguir em frente, especialmente quando questionamos o porquê das coisas.
No entanto, o ciclo da vida nos força a continuar, a encontrar novos significados e a buscar a paz interior.
A solidão, paradoxalmente, pode ser um convite à introspecção e ao autoconhecimento.
É nesses momentos de solitude dentro do vazio interior que podemos ouvir nossas vozes mais verdadeiras e refletir sobre quem somos e o que queremos para o futuro.
Embora dolorosa, a solidão também pode ser uma oportunidade para nos reconectar com nós mesmos e encontrar um novo propósito.
Lembre-se de que, mesmo nos momentos mais solitários, não estamos verdadeiramente sozinhos.
Há sempre a possibilidade de encontrar beleza e significado na vida, de perdoar e ser perdoado, e de seguir em frente com esperança e resiliência.
A solidão pode ser uma companheira difícil, mas também pode nos ensinar lições valiosas sobre a vida e sobre nós mesmos.
Sombras do passado
Aos dezesseis anos, um amor profundo,
Roubado pela morte, um destino cruel.
Perdi a fé, o amor, a confiança,
Me larguei no mundo, sem direção.
Me tornei o que odiei, um assassino fardado,
Largado pela corporação, sem apoio.
Encontrei-me na saúde mental, um refúgio,
Onde vozes, ansiedade, e carinho, eram o remédio.
Pensei que me curei, mas errei novamente,
Confiei em amigos, que se tornaram inimigos.
No enterro, palavras de ódio, um aviso,
"O próximo será você", a dor retornou.
Erros se acumulam, a terapia me chama,
Choro, esvazio, mas a dor permanece.
Em um coração quase curado, a sensação,
De falta de pertencimento, uma ferida que não cicatriza.
A dor assombra, um fantasma do passado,
Um lembrete de erros, de amor e perda.
Mas ainda há esperança, uma luz no fim,
Um caminho para a cura, um novo começo.
No Silêncio da Solidão
No silêncio profundo da noite vazia,
Onde a lua sussurra sua melancolia,
Habita um coração cansado e ferido,
Por anos de dor, sozinho e perdido.
As ondas do mar vêm beijar a areia,
E levam segredos que ninguém anseia.
Mas, no horizonte que nunca se alcança,
Há apenas o eco de uma esperança.
Os dias passam, sempre tão iguais,
Memórias que pesam, lembranças fatais.
Sonhos que morrem antes de nascer,
Num corpo que vive, mas não quer viver.
O vento murmura histórias de outrora,
E o peito responde: “não há mais agora”.
Olhos que fitam o vazio sem fim,
Como se ali encontrassem um "sim".
E, mesmo cercado de imensidão,
O vazio permanece como prisão.
Pois, no final, o que dói verdadeiramente
É saber que o mundo segue indiferente.
A afirmação de Jesus sobre sermos sal e luz do mundo carrega um paradoxo profundo.
O sal simboliza essência, propósito e aliança, enquanto a luz representa reputação, propagação e exposição.
O desafio é que alguém pode manter a reputação mesmo tendo perdido a essência ou a unção, assim como pode estar cheio do Espírito Santo sem necessariamente estar em evidência.
Chego à conclusão de que a luz, mesmo oculta sob um cesto, ainda brilha e, mesmo que se apague temporariamente, há quem possa reacendê-la. Já o sal, quando perde seu sabor, por mais branco e puro que pareça, torna-se inútil e acaba sendo lançado ao chão, pisado pelos homens. Se o sal se torna insalubre, sua utilidade chega ao fim, sem possibilidade de restauração.
Isso nos lembra que, diante de Deus, a essência sempre precede a exposição, e que, enquanto a luz pode ser reacendida, o sal sem sabor não pode ser restaurado.
Amor de Loko
Dizem que amar demais é insano, Que quem sente profundo é refém, Mas quem nunca amou sem engano Nunca amou de verdade alguém.
Chamam de louco quem se entrega, Quem vê no vazio um encanto, Mas é a alma que não se apega Que vive na sombra do pranto.
O mundo aponta, julga e ri, Mas quem sente não se importa, Pois o amor que vive aqui É chave que abre qualquer porta.
Louco é quem teme se perder, Quem foge e não quer se arriscar, Pois amar é morrer e renascer, É viver sem medo de amar.
Profundo demais pra relacionamentos rasos
Superficialidade deixo pros superficiais.
Prefiro, com consciência, boiar na minha solidão,
Não pra me perder, mas pra encontrar minha salvação
A DOR DE NUNCA TER SIDO AMADO
Na penumbra da alma, um vazio profundo,
Caminho por trilhas aonde o amor não chegou,
Sonhos desfeitos, um eco fecundo,
Da dor silenciosa que o tempo ignorou.
Olhos que buscam em rostos estranhos,
Esperanças despidas, promessas que o vento levou,
O toque de mãos que nunca foram sonhos,
A carícia sutil que o destino negou.
Nos sussurros da noite, a tristeza se aninha,
E a solidão abraça meu ser com fervor,
Cada lágrima caída é uma história que brilha,
Um lamento abafado, um grito de amor.
Ah, como é cruel essa ausência constante,
Um amor que não nasce, um desejo que arde,
As lembranças de momentos que nunca foram antes,
Cercam meu coração, numa dor que não tarde.
Mas mesmo na dor, há beleza escondida,
Um aprendizado profundo, um crescer em meio à dor,
E quem sabe um dia, nessa vida perdida,
O amor que busquei venha, suave, me encontrar.
Assim sigo em frente, com a esperança a pulsar,
Pois mesmo ferido, o coração ainda crê,
Que o amor, como um sol, pode um dia brilhar,
E a dor de nunca ter sido amado, enfim, se desvanecer.
AMOR DE ROTEIRO
Demétrio Sena - Magé
Foi amor protegido em arquivo profundo,
poucas vezes exposto somente pro alvo,
pois o mundo seria um recinto perverso,
corrosivo e capaz de nem deixar vestígio...
Um amor desses filmes que fazem chorar
com silêncio e leveza, num riso contido,
e nos fazem voar entre reinos dispersos
desenhados na aura daqueles momentos...
Foste a minha poesia de arquivo secreto,
que minh'alma nutria como eterno mito,
pra ser algo infinito nos instantes nossos...
Quando vinhas a mim entre névoa e magia,
em um dia longínquo de muita saudade,
só eu sei me dizer como eu era feliz...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Te vi;
Me entreguei;
Me apaixonei;
Te vi outra vez;
Mergulhei profundo nos seus olhos verdes castanhos;
Te amei;
Te vi outras e outras vezes;
Corpo sobre corpo, pele, cheiro e beijos;
Me desesperei;
Te vi, te senti, te beijei, te amei, te amo;
De mãos dadas caminhamos;
Quero ir além de mim, de você, de tudo;
Sorrisos, olhares e silêncio;
Socorro!
O Peixe-Diabo e o Céu
No ventre escuro do mar profundo,
onde a luz não ousa morar,
um peixe sonhava com um outro mundo,
um horizonte que nunca pôde tocar.
Não queria frio, não queria sombras,
nem o eco sombrio da solidão.
Queria o azul das águas de cima,
queria o brilho na imensidão.
Sussurros vinham nas correntezas,
falavam de luz, falavam de cor.
E o peixe, inquieto, rompeu a noite,
nadou sem medo, nadou com dor.
A subida foi luta, foi quase presa,
foi fome, foi fúria, foi aflição.
As garras do abismo tentaram prendê-lo,
mas ele seguiu sua intuição.
Subiu, subiu, subiu, e o peso sumia,
o mar tornou-se quase ar.
E então, num salto, num último fôlego,
rompeu a linha, e o céu pode tocar.
E lá no alto, onde a luz brilhava,
sem forma, vasto e sem direção,
o peixe viu, sem nada a enxergar,
que o céu sempre esteve em sua escuridão.
Em teus olhos, um mar de azul profundo,
Onde a alma se perde, em sonhos sem fundo.
Em teu abraço, um aconchego sem fim,
Um paraíso a dois, onde o amor nos conduz.
Ass CÍCERO LYRA
Em meio ao ruído do mundo,
Teus olhos são meu silêncio profundo.
Uma troca sutil, um olhar que diz,
Que em cada batida, a vida se faz feliz.
Nossos corações dançam em harmonia,
Como notas de uma doce melodia.
Sinto que estamos ligados por fios invisíveis,
Uma conexão que transcende os possíveis.
Teu sorriso ilumina até os dias nublados,
E em cada risada, somos entrelaçados.
Nossas almas se falam em um idioma só,
Um laço eterno que nunca se desfaz.
Na simplicidade de um toque sutil,
Encontro o universo, o infinito em um perfil.
Cada conversa é uma viagem sem fim,
Nela, descubro o que há de melhor em mim.
A conexão que temos vai além do físico,
É uma dança sagrada, um amor místico.
Duas metades que se tornam inteiras,
Um elo forte que supera as barreiras.
Então aqui estou eu, com meu coração aberto,
Celebrando essa ligação que me faz tão certo.
Pois amar você é viver em plenitude,
É sentir na essência a verdadeira magnitude.
Poema: "Mármore"
Autor: Diego Fernandes @devoidvessel
em mármore profundo o fogo arde,
superaquecendo o meu peito, onde existe o inferno.
nele meus demônios me torturam,
desmembrando e mutilando tudo que há dentro.
certo de não haver escapatória, choro em vão,
certo de não quebrar correntes, já não me movo mais.
as luzes já piscam,
os avisos são ignorados,
e já aceito,
não há nada de excepcional em meu ser.
Quão
Quão profundo foi o teu?
Quão perdido ficou o meu?
Quão real foram os teus?
Quão iludido fui eu?
Quão forte bateu o peito teu?
Quão vazio ficou o meu?
Quão breve foi a entrega tua?
Quão eterno restou em mim?
Quão fácil foi a partida tua?
Quão difícil é a minha?
Quão leve foi libertar-te?
Quão preso ainda estou?
Arrependimento
Hoje meu peito dói, um peso profundo,
Arrependimento ecoa, um lamento fecundo.
Pelo que já não tem como ser remediado,
Minhas amizades se foram, um mundo desolado.
Os poucos que ficam, em sombras, se escondem,
A confiança se esvai, como o tempo responde.
Estou fraca, um reflexo do que eu fui,
E a credibilidade se foi, um eco que não flui.
Fui ao fundo do poço, mergulhei na mentira,
Envolvi meus amigos, numa teia que delira.
Agora estou só, na solidão que me abraça,
Um mar de arrependimento, que nunca se disfarça.
Amigos se vão, como folhas ao vento,
E tudo será história, um triste momento.
Fui vilã do enredo, mesmo sendo no fim,
Carrego a dor da perda, um eco de mim.
Que a vida ensine, que a dor é um farol,
A iluminar os caminhos, mesmo em meio ao sol.
E que, ao olhar pra trás, eu possa ver,
Que o arrependimento é só um passo a aprender.
O Peso do Mundo
A medida das coisas, o peso do mundo,
abismo profundo onde o mar se desfaz.
As costas do homem, forjado do barro,
o medo da morte, açoite voraz.
A busca insalubre nas ondas do vento,
sonhos abortados, perigos sangrentos.
A paz, utopia no vasto existir,
a sorte que foge, um monstro a engolir.
Davi e o gigante, um conto farsante
que não se refaz.
No campo terreno, a luta se perde,
o forte e o fraco bebem o mesmo veneno.
Da sua vida, sempre sentirei tudo,
Nos momentos de alegria, nos de lamento profundo.
Quando tudo vai bem ou quando tudo vai mal,
vejo em seus olhos a dor, o peso, o sinal.
Do perfil do Jão, sua tristeza reflete,
um grito mudo que na alma se repete.
Sinto muito essa vida que tem que passar,
pois a mim preferiu apenas enganar.
Te vejo surfar nas ondas da ilusão,
mas nesse mar, não serei a sua canção.
A correnteza te leva, sem rumo, sem paz,
e eu fico à margem, onde o amor não se faz.
A Sublime Transcendência do Amor Perene
É no silêncio profundo, onde o tempo se aniquila,
Que se entrelaçam os olhares, imersos na infinita partilha.
Nos dedos que se encontram, como o fio invisível da existência,
O toque é eternidade, a carne se dissolve em resistência.
O amor verdadeiro não é mero vestígio,
Mas a essência que permeia, imortal em seu rito.
É o calor da alma que se transmuta em matéria,
E o perfume das promessas, exalando a imperiosa quimérica esfera.
No abraço, o ser se funde em um só corpo,
Onde cada respiração é um cântico solene, exposto.
As palavras tornam-se ecos, mas são silenciosas e plenas,
Sendo a boca apenas o ponto de transgressão das amarras pequenas.
O som da respiração é o zéfiro que acaricia,
E cada suspiro é a poesia de um amor que se eterniza.
Os lábios se tocam, e o gosto do beijo é a epifania do enigma,
Onde o desejo é sacramento, e o corpo, pura magnífica enigma.
É a cor do infinito, que se vê na aurora do ser,
A textura do silêncio que se torna a própria razão de viver.
O amor verdadeiro é o fogo alquímico, que purifica o abismo,
Onde o coração se eleva, transcende, e se torna o próprio cinismo.
Quando o mundo se desfaz nas sombras do cansaço,
É no abraço do amado que se encontra o espaço.
O amor verdadeiro não se apega ao efêmero,
Mas navega nos rios da alma, profundo e etéreo.
Em cada passo, é a perda e o encontro, o eterno movimento,
É o gosto da entrega, o aroma do discernimento.
A sinfonia do ser se dissolve no outro, numa dança inaudível,
Onde o amor verdadeiro se faz sublime, impossível, infundível.
