Poemas para uma pessoa que te feriu
Na minha queda, gravei na memória quem estendeu a mão e quem, com frieza, me empurrou ainda mais para o abismo.
O vento lá fora não sopra, fere, ele vem cortante, como se quisesse arrancar da pele os nomes que o tempo tatuou em silêncio.
“Quando alguém insiste, é porque já conhece a verdade; só continua para oferecer a oportunidade do perdão”
É fácil julgar, o difícil mesmo é acolher, perdoar e se possível liberar, pois há casos que deve se deixar ir.
Nada como o tempo para fazer baixar a sujeira da água parada, assim como o tempo para fazer curar as feridas do coração amargurado.
Se o coração é fraco a mente trabalha para ocultar a dor, mais a verdade nunca virá a tona, se o risco é de morte.
Quando se preza pela verdade tudo que é arriscado pode até dar em morte, por causa, que se tem de falar somente ela, mais quem não liga para isso...se livra de tudo aparentemente contando suas mentiras ...e aquele que pensa que todo mundo é inocente e o mundo não mudou, acaba se acostumando com a tolice.
Você sempre começa uma história pensando em alguém. Poderão considerá-las românticas demais ou exageradamente sentimental, considerando meus trinta e poucos anos. Sentimentos que, contados em histórias, o bálsamo do tempo da escrita arrefece qualquer coisa. Histórias como daqueles que casam depois de haver gozado e bem, a vida de solteiro. Se conhecem e percebem a reunião, a um só tempo, da beleza de corpo e alma. Após o encontro, fazem-se amantes, em qualquer sentido que se queira dar a palavra. Constroem um lar perfeito e geram uma prole de filhos. Vivem juntos, tipo uns 50 anos; nesse período, passam bons e maus momentos, amparando-nos reciprocamente. Observam a família aumentar com a chegada dos netos. De repente, em poucos dias, esse amor é interrompido por uma doença insidiosa, inesperada, que arranca um dos braços do outro. Quem fica, sofre na alma a violência de um coice. Já estavam beirando os 100 anos. A tristeza é plenamente normal e justificável. Durante um século, embriagaram-se com o amor um do outro. Com a perda, passa a sofrer uma depressão, sem dúvida, decorrente da saudade, e esta, a queria sempre bem latente para nunca esquecer. Não permitia que médicos desbravadores da mente, com seus artifícios freudianos, expulsassem da sua memória, ou, pelo menos, amenizassem a saudade, que em verdade era a razão da sua vida atual. Na concepção que faziam do termo, os quase 100 anos, um ao lado do outro, era a única história que haviam escrito juntos, movidos pela inspiração provocada por esse único, grande e insubstituível amor. Durante todos os anos de felicidade, dedicavam-se as próprias felicidades. Destas, algumas que encontrei em cartas e bilhetes que guardavam dentro de uma caixa de sapato, preferi protegê-las com o véu da privacidade que considero inviolável, tão somente agora; mas um dia ainda escrevo um livro com essa história. Saudades.
Diz para amante, eu lhe dou diamante. Quando volta pra casa de mansinho, diz para a mulher, amor, eu lhe trouxe uma nova colher.
As sucessivas traduções de uma grande obra, distorcem de forma temporal e arbitraria a interpretação do texto original segundo vários desiguais interesses.
Os fantasmas não me incomodam pois sempre perdoei automaticamente e enterrei eles em algum lugar que não conheço e bem distante de mim.
O espirito jovial sempre perdoa mas o espirito assombradado é rancoroso, por infelicidade se arrasta destilando maldades que a si próprio envenena.Sobrevive remoendo passagens que ocorreram anos pra traz que só ele lembra, ninguém mais.
Prefiro as cicatrizes do corpo, por fidelidade ao Senhor, do que as cicatrizes da consciência causadas pela infidelidade ao Eterno.
Para quem valoriza a vida, gestos serão sempre "sinais", verbos serão "ações", alternativas serão "canais", e feridas serão sempre "lições"...
